Concrete Heart
15 Capítulo 14 - Your Best Nights
Notas iniciais
“A vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera e onde nada está paralisado”
(Carl Rogers)
Cruzei os braços.
— Você é tão chata — eu escutei Victor murmurar.
— Obrigada — Jane respondeu.
Ephrain e Sam se juntaram a mim, Seth e Quill, enquanto Jane e Victor andavam em nossa direção junto com Embry.
— E então? — Ephrain perguntou.
— Contanto que você não toque nada, Victor, eu não posso imaginar como alguém poderia colocar o nariz perto o suficiente da trilha pra sentir o seu cheiro, mesmo depois de tanto tempo — respondi.
— Um sucesso definitivo — Emmett disse, ao celular.
— Hey, isso me deu uma ideia — Jane disse.
Até que ela não é tão... Ela é ruim sim!
— Que vai dar certo — acrescentei confiantemente. — Inteligente.
— Como alguém aguenta isso? — Sam murmurou irritado.
Ephrain esperava pacientemente.
— Nós vamos, bem, o Victor vai, deixar um trilha falsa até a clareira. Os recém-nascidos estão caçando, o seu cheiro vai deixá-los loucos, e eles virão exatamente por onde nós queremos que eles venham sem que tenhamos que ser cuidadosos sobre isso. Eu já posso ver que isso vai funcionar. Quando eles sentirem o nosso cheiro, eles vão se separar e tentar nos cercar pelos dois lados. A metade irá para a floresta, onde as visões desaparecem de repente...
— Sim! — Seth assobiou, ele já tinha entendido tudo.
Sorri para ele. Ele era o único que eu até aguentava.
— Maninha, você é a melhor! — Emmett disse, sua voz ecoou pela sala onde ele estava e fez um eco.
Todos pensavam no que eu havia dito, e mesmo imersos em seus pensamentos e desconfortáveis com os próprios, pois sabiam que eu ouvia a cada um. Porém, ainda assim, não deixavam de lado o fato de eu ser uma vampira. Eu podia sentir a tensão física no ar. Era como estática, uma carga desconfortável até mesmo para mim.
— Eu vou trazê-lo aqui hoje a noite pra espalhar a trilha falsa. Você pode nos encontrar depois, e eu irei levá-lo a um lugar que eu conheço. Completamente fora do caminho e facilmente defensível.
— E depois o quê? Deixar ele com um celular? — Jane perguntou criticamente.
Eu posso bater nela agora? Ou seria muito suicida fazer isso na frente de quatro lobos, onde só um iria me defender?
— Você tem uma ideia melhor? – perguntei, ilimitando meu auto-controle.
— Na verdade, eu tenho – ela disse.
Tudo bem, vamos deixar a pancadaria para outra hora.
— Não! — eu disse e todos se viraram para mim.
— O que houve? – Ephrain perguntou.
— Nada. É só que... Bom, eu não quero que ele fique sozinho com lobos. É... É pessoal.
— Nós somos mais confiáveis do que vampiros — Quill disse, ele parecia ofendido.
— Sem ofensa, mas eu não confio em lobisomens.
Todos desviaram o olhar.
Jane se virou rapidamente pra Victor – que me encarou com raiva com certeza pelo fato de eu não ter dito alguma coisa — como se estivesse determinado a bancar a garota boazinha.
— Seth vai ficar com você – ela disse.
— Eu não decidi isso – eu a interrompi.
— É o melhor para ele!
— Isso não vai importar se algum deles perder o controle!
— Os lobos tem tanta chance de perder o controle, quanto você.
— Vai se ferrar!
— Ok, chega! – Ephrain disse. – Angel, você não pode se irritar na frente de crianças.
Todos franziram a sobrancelha, mas Ephrain não disse o por quê.
— É melhor que Seth fique com Victor – ele disse. – É mais seguro.
— Onde não tem vampiros? – Seth perguntou.
Abri a boca para falar.
— É claro que não – Ephrain me interrompeu.
O encarei. Eu odeio que me interrompam.
— Acho que devia ficar com Victor, Angel – ele disse, todo autoritário.
— Por quê? Não são vocês os mais seguros? – ironizei.
— Bom, sim, mas você vai ficar mais...
— Segura? – Jane completou.
— Tranquila, se estiver com Victor – Ephrain destacou e ela revirou os olhos.
Revirei os olhos e me concentrei no precioso controle. Ao fundo, Emmett riu.
— Contanto que Seth Clearwater permaneça em sua forma de lobo, ele fica conectado ao bando — eu disse, para os pontos de interrogação a minha frente. — Distância não é problema, né?
— Não – Sam respondeu.
— Trezentas milhas? — perguntei e ele balançou a cabeça. — Isso é impressionante.
Seth se intrometeu.
— Isso é o mais longe que nós já experimentamos – ele disse. — Claro como um sino.
— Essa é um boa id eia – todo mundo percebeu com clareza a relutância em admitir. — É melhor com Seth lá, mesmo sem comunicação instantânea. No entanto... São lobos, Ephrain!
— Ele vai ficar bem – ele me garantiu.
O problema é que aqui estava indo direto para minha visão: minha família na clareira, James... Lobos!
***
Quando nós chegamos ao grande campo aberto, minha família estava lá, conversando casualmente, relaxada. Como se não estivéssemos prestes a lutar com um monte de vampiros insanos e voláteis. A risada estrondosa de Emmett ecoava no espaço largo. Estávamos na clareira em que sempre jogávamos baseball. Era o mesmo lugar onde, meses atrás, aquela tarde havia sido interrompida por James e seu grupo. Era estranho estar aqui de novo — como se essa cena não estivesse completa até que James, Laurent e Victoria se juntassem a nós. Mas Victória e Laurent não iam voltar nunca mais. O padrão não ia mais se repetir. Talvez todos os padrões estivessem quebrados agora. Sim, eu havia quebrado os padrões deles. Seria possível que os Volturi fossem os flexíveis nessa equação, assim como eles foram? Ou esse tipo de coisa só acontece uma vez?
Eu duvido.
Depois que me transformei, sempre pareci ser uma força da natureza — como um furacão se movendo em direção à costa em linha reta — inevitável, implacável, mas de alguma forma sempre previsível. Talvez fosse errado limitar dessa forma. Com Victor eu mudei, mas os padrões continuam mudando também. E eu sempre fui capaz de me adaptar. Porém, agora, é diferente. São os meus padrões, a rotina em que eu vivi durantes séculos consecutivos. E agora, aqui, eu estou com lobos e vampiros, numa luta em que eu sou o alvo.
Ephrain me esperava no topo das montanhas, bem longe de onde a luta aconteceria.
Me inclinei sobre uma das pedras, e o encarei. Eu sabia que ele só iria descer, quando finalmente começasse. Até lá ele ficaria comigo, tendo a certeza de que eu estaria longe da clareira.
Nós ficamos em silêncio por algum tempo.
— Quanto tempo mais? – eu perguntei.
— Em uma hora mais ou menos. Victor e Seth já devem estar chegando. – respondi.
— Você fica bem longe daqueles vampiros. Aconteça o que acontecer.
— Aconteça o que acontecer – concordei, apertando os olhos e fazendo bico.
— Eu sei — ele disse. – Só não quero que se machuque.
— Eu sei como me cuidar. Eu só odeio estar perdendo a diversão.
Ele suspirou.
— Não se preocupe, não vou sair daqui.
— Claro, claro.
— Você quer que eu te distraia? – perguntei e ele sorriu.
Eu sempre fazia isso quando ele ficava nervoso.
— Você podia me falar das suas dez melhores noites — eu sugeri. — Eu estou curiosa.
Ele riu.
— Tente adivinhar.
Eu balancei a minha cabeça.
— Existem muitas noites das quais eu não sei. Um século delas.
— Eu vou facilitar pra você. Todas as minhas melhores noite aconteceram desde que eu encontrei você.
Não levei isso para um lado muito pessoal.
— Mesmo?
— Sim, e também, com uma margem bem grande.
Eu pensei por um minuto.
— Eu só consigo pensar na minha vida depois da transformação. Antes disso é tudo muito embaçado. — eu admiti.
— Me conta — ele encorajou.
— Bem, houve a primeira noite. A noite como vampira... O poder, a velocidade, a força. Era tudo novo.
— Essa é uma das minhas também. Você estava bem gata. Perfeita, como é até hoje.
Ele se aproximou.
— Mas eu também gostei da noite seguinte – ele disse.
Eu me lembrava do o que havia acontecido na noite seguinte. Depois de eu ter matado quase uma dezena de pessoas, meu corpo estava elétrico. Eu estava elétrica...
— Você se lembra? – ele perguntou, agora a centímetros de mim.
— Hã... Acho que...
— Você se lembra, é claro que se lembra.
Ele também se lembrava, com muita nitidez até... Com todos os detalhes. Já era tarde demais quando minha mente se concentrou no cenário normal. A boca dele cobriu a minha. Eu não queria beijá-lo. Era errado. Mas como eu iria explicar isso para o coração que ouvi bater? Eu sabia bem quem havia chegado.
Empurrei Ephrain e encarei Victor.
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