Concrete Heart
18 Capítulo 17 - Stay, James
Notas iniciais
James continuou me encarando, os olhos ficando vermelhos...
— No entanto, isso é tudo o que você era para ela também: nada – falei. — E, sim, ela gostava mais do Victor do que de você. Que bobagem desperdiçar tanta energia para vingar uma pessoa que tinha menos afeição a você do que um caçador tem por sua presa. Você nunca foi nada além de conveniente para ela. Eu sei.
Bem aí, o pulso de Riley agarrou o flanco de Seth, e um ganido baixo escapou da garganta do lobo. Seth se afastou, os ombros dele se agitando como se ele estivesse tentando sacudir a dor.
James olhou de relance para o lobo.
— Não, ele não vai me machucar — eu disse, respondendo à pergunta na cabeça de James.
Usei sua distração para me aproximar mais.
— Você nos deu um inimigo em comum — continuei. -Você nos tornou aliados.
Ele apertou os dentes, tentando se concentrar apenas em mim.
— Ah, olhe mais de perto, James — murmurei. — Ele
realmente é tão parecido com o que Victória perseguiu na Sibéria?
Os olhos dele arregalaram, e aí começaram a passar loucamente de mim para Seth.
— Não é o mesmo? — ele rosnou. — Impossível!
— Nada é impossível — murmurei, enquanto me movia mais um centímetro na direção dele. — Exceto o que você quer. Você nunca vai tocar nele.
Ele balançou a cabeça, rápido e bobamente, lutando contra as distrações, e tentou desviar ao meu redor, mas eu já estava o bloqueando assim que ele pensou no plano. O rosto dele se contorceu de frustração, e aí ele se curvou ainda mais, decidido a acabar com aquilo, e veio pra a frente deliberadamente.
James não era uma recém-criado inexperiente — Victória também nã era — dirigido pelos instintos. Ele era letal. Qualquer um podia reparar a diferença entre ele e Riley, e eu sabia que Seth não duraria muito se ele estivesse lutando com esse vampiro.
James se moveu um passo. Com um grunhido estrangulado, ele avançou.
Finalmente...
Riley estava distraída comigo e James, seus olhos estavam ansiosos e Seth atacou, arrancando outro pequeno pedaço da vampira. Riley berrou e lançou um soco massivo com as costas da mão que pegou Seth em cheio no peito. O corpo enorme de Seth voou dez metros e se bateu na parede de rochas acima da minha cabeça com uma força que pareceu balançar o pico inteiro. Eu ouvi o ar escapar dos pulmões dele.
O choro baixo escapou pelos dentes do lobo.
Riley se lançou em direção a Victor, seus olhos vermelhos brilhavam de fúria. Por um descuido estúpido, me virei para o Victor. Seth entrou no meio entre ele e Riley, e as mãos dele — as mãos mutiladas, quebradas — se curvaram em garras. A boca dela se abriu, se arregalou, seus dentes brilhando, enquanto ela se preparava pra abrir a garganta de Seth.
James não perdeu meu momento de distração e passou um braço por meu pescoço, presionando o outro para baixo, tentando arrancar minha cabeça do corpo.
Uma onda de adrenalina me chutou como uma corrente elétrica, e de repente tudo ficou claro. As duas lutas estavam próximas demais. Seth estava prestes a perder a dele, e eu não fazia ideia do que fazer com James tentando arrancar minha cabeça. Eu só precisava de uma distração. E Victor pareceu entender isso perfeitamente.
Eu não consegui ver quando ele se cortou, apenas senti o cheiro fluir no ar como se estivesse na minha boca. Foi o timing perfeito. James e Riley ficaram hipnotizados, o sangue fluindo foi um chamariz para a atenção deles, para fazê-los congelar no lugar por um instante. Me concentrei em não respirar.
Não era eu quem tinha que ser distraída!
Eu já passei por aquilo antes, e foi bem pior. Eu consigo de novo.
Fúria e curiosidade se misturaram estranhamente na expressão de James.
Eu não tinha certeza de como eu havia ouvido o barulho com o sangue de Victor ecoando e batendo na minha cabeça, quase me fazendo perder o controle. As próprias batidas do coração dele já eram o suficiente pra abafá-lo. Mas na fração de segundo que eu olhei nos olhos de James, eu pensei ter ouvido um suspiro famíliar, exasperado. Como se já estivesse escutado aquilo antes, a eras atrás. Mas foi só uma fração de segundos. Arranquei o braços de James do meu pescoço com tanta força, que ele saiu de seu corpo. Seu grito sufocado parou o tempo.
Nesse mesmo segundo curto, o braço inteiro de Riley caiu aos meus pés.
Tudo aconteceu tão rapidamente que já tinha terminado antes que eu pudesse relatar as sequências dos fatos.
Eu tentei atualizar na minha visão, enquanto minha mente e meu corpo trabalhava em modo automático.
James havia voado para fora da formação turva e se chocou numa árvore alta, a cerca de meio tronco árvore à cima. Ele caiu de volta na terra e já se posicionou de novo para saltar. Simultaneamente, de costas, peguei o braço de Riley — que ainda estava em seu corpo — e o levantei, o fazendo bater em James e derrubá-lo.
O lugar se encheu com o grito penetrante de agonia de Riley. Eu havia acabado de arrancar seu segundo braço. Ao mesmo tempo, Seth ficou de pé, ainda meio desnorteado com o chute que Riley havia lhe dado.
James se levantou de novo. E apesar de que ele parecia estranhamente deformado — como se ele tivesse sido incapaz de se refazer completamente — eu podia ver o sorriso com o qual eu estive vendo por dias se abrir no rosto delo.
Ele se curvou e saltou.
Alguma coisa pequena e branca assobiou no ar e se colidiu com ele no meio do ar. Riley havia tentando atacar Seth, mas ele arrancou sua cabeça. O impacto pareceu com um explosão, e atirou James contra outra árvore — mas essa se partiu no meio.
Ele já estava se irritando com Riley. Mas agora havia acabado. Ela estava parcialmente morta.
Ele já caiu de pé, curvado e pronto, mas eu já estava no lugar.
James chutou a cabeça de Riley para o lado.
Seth estava atrás de mim, e agora James encarava nós dois.
Apesar de não ter gastado nenhum olhar de despedida com Riley, James, enfim, se deu conta de que estava sozinho. Ele começou a se afastar, um desapontamento frenético brilhando em seus olhos. Ele lançou outro curto, agoniado, olhar de desejo, para Victor e aí começou a se afastar mais rapidamente.
— Não — sussurrei. — Fique só mais um pouco.
Ele se virou e vôou para o refúgio da floresta como se fosse uma flecha lançada de um arco. Mas eu fui mais rápida.
Peguei as costas desprotegidas dele na beira das árvore e, com um último, simples passo, o puxei contra mim. O grito metálico dele com certeza foi audível até na costa. Mas então, não houve nenhum som discernível que tornasse aquela uma imagem de violência. Ele apenas caiu no chão. E sua cabeça já não estava mais colada ao corpo.
Fale com o autor