Notas iniciais
"Concorrência" é inspirada na música Next Contestant da banda Nickelback, e na lenda celta de Tristão e Isolda. Por isso, no início de cada capítulo, haverá uma referência da letra ou do livro.
É uma história obscura, selvagem e violenta. Não haverá avisos ou alertas, porque não sei aonde irei chegar. E não será totalmente baseada em Amante Eterno. Aliás, não haverá nada, exceto os personagens.
Lhes darei uma introdução futurística, do que virá.
Dez comentários e lhes darei o prólogo. Boa leitura!

I'm hating what she's wearing

Everybody here keeps staring

Can't wait 'till they get what they deserve

This time somebody's getting hurt

Here comes the next contestant

(Nickelback – Next Contestant)

Ela sabia que estava sendo vigiada. Afinal, era isso que ele fazia de melhor.

Ela pode sentir seus olhos sombrios vagando desde o seu pescoço imaculado até a sua cintura delgada e altiva. Mas, abruptamente, eles saltaram para a pessoa que estava na sua frente, sempre buscando razões, ou apenas analisando quem seria o seu alvo da noite. O seu possível concorrente.

Ela riu rapidamente e repreendeu-se por ter dado motivos para ele lhe encher o saco quando chegasse em casa.

Ela admitiu não ser uma das pessoas mais pacientes, principalmente após sua transformação, mas com ele não poderia dar muita trela; apenas fingir indiferença não era suficiente, aliás, nunca foi. Sempre havia um gesto ou uma expressão a ser estudada com mais profundidade, o que a deixava ansiosa e a impedia de relaxar.

Pegando uma das garrafas de uísque, ela serviu-se com dois cubos de gelo. Agora, ele disputava até mesmo com o copo, observando-o e invejando-o, por ter a oportunidade de ser tocado por seus lábios. Sim, ela já sabia o que se passava na cabeça de seu hellren. Afinal, o marido era seu e o carma, conseqüentemente, também.

Às vezes, em determinadas situações, ela culpava o próprio pai por ter dado-a de bandeja ao membro mais forte da Irmandade; ela dizia forte, mas pensava em ágil, agressivo, volúvel, possessivo e obcecado membro da Irmandade. Em algumas vezes, ela culpava-se, por ter entrado no maldito GTO e deixado que ele a seguisse. Em pouquíssimas, mas ainda existentes, vezes, ela deixava-se refletir na teoria dos universos paralelos, e se por um acaso o seu plano de fuga tivesse dado certo, ela teria encontrado homem mais devoto a sua causa no mundo vampiresco ou humano.

Ela assistiu Smooth servindo os clientes. Quando estava adaptando-se ao seu mundo original, Smooth tomara as rédeas do bar e tornara-se um ótimo barman. E pelo visto, não era tão assediado quanto a bargirl era. Seu status de bargirl era meramente ilustrativo, ilusório e até mesmo uma válvula de escape. Ela adicionou esse motivo à lista após sentir o olhar quente e desejoso na sua nuca arrepiada. Um leve tremor passou por todo o seu corpo após sentir o aroma exalado pelo marido invadir suas narinas, empesteando todo o bar com o cheiro erótico de um macho excitado.

Sua roupa, alvo de constantes discussões, era mais reveladora naquele dia. Ela encontrou-a no fundo de um baú antigo na casa de sua mãe, e decidiu usá-la exatamente para provocá-lo. Ela sabia do que era capaz e do que ele era capaz.

Largando o copo na pequena pia no canto mais escuro do bar, ela voltou para o balcão de mármore, pegando pedidos incrementados que Smooth não conseguia fazer sozinho. Um Blood Mary, de oito ingredientes complexos, fora o primeiro a ser entregue a um homem de olhos verdes e cabelos bronze que sorriu para ela e deu-lhe uma gorjeta de duzentos dólares. Ela perguntou-se qual seria sua atitude se soubesse que não apenas era dona de uma generosa quantia, mas também casada com um mercenário que matava a seu bel-prazer, e que possuía uma besta enorme e sanguinária, que só naquela semana havia devorado algumas dezenas de homens, de estimação.

Ela soube que ele assistiu o pequeno cambio ocorrido, pois a temperatura arrefeceu drasticamente. Não só o ar tornara-se frio, mas seu corpo ficara gelado como o ártico. Não contribuiu em nada que no dia anterior ela houvesse se alimentado do corpo energético e possessivo do seu hellren. Ele a marcava sempre que podia, tanto com sangue quanto com o liquido viscoso dos amantes, o que a deixava sempre languidamente satisfeita.

Um funk qualquer soou nos estéreos, remexendo os convivas como velas sopradas pelo vento, o que a deixou mais aliviada. Não haveria brigas hoje.

Mas, antes mesmo que tal pensamento se assentasse em sua mente, o homem de olhos verdes aproximou-se do DJ, que logo mudou o funk por seu heavy metal favorito. Abaixando a cabeça, ela lamentou pelo corpo e pela sanidade do homem, pois o tufão dourado logo passaria por sua vida.

Para não deixar rastro.

E enquanto a música tocava nos estéreos, em um volume alto o bastante para ensurdecer o melhor dos ouvintes, o homem aproximou-se todo galante e sorrisos, apoiando o cotovelo no balcão de mármore próximo de seu rosto. Ela lamentou por seus dentes, que pareciam ter usado aparelhos dentários por toda a vida, por seu cabelo, que era bonitinho para os padrões elevados dela, e por sua vida, que mesmo não fazendo a mínima diferença na dela, ainda assim era valiosa.

— Então, meu nome é Toddy.

A voz, assim como o corpo, era toda simpatia e confissões. Ela lamentou ainda mais.

— Acho que você não deve saber meu nome.

Ele sorriu ainda mais, apoiando o outro cotovelo paralelamente, inclinando o rosto em sinal de dúvida. Poderia parecer bonito em seu marido, mas naquele homem extremamente comum, pareceu cômico.

— Ora, boneca, não se faça de difícil — disse ele, ainda sorrindo. — Olha, eu ouvi sobre a sua reputação, mas quase não acreditei. Como alguém tão doce pode causar tantas brigas?

Fora a vez dela de sorrir, um sorriso sem dentes. Razões óbvias.

— Sinceramente? Eu te dou dois minutos para desgrudar do meu balcão. É sério. Um aviso de amiga.

Olhando em volta, procurou por olhos incandescentes azuis, aqueles que a faziam tremer dos pés a cabeça, os quais ela não poderia viver, mas não os encontrou. Droga, ela errou dando a perspectiva de dois minutos. Em menos de um ele estaria ali.

— Eu não quero que sejamos só amigos, docinho. Dê-me uma chance.

E com essa frase, ele estendeu a mão e segurou seu braço, puxando-a de encontro ao balcão, como se fosse falar ao seu ouvido. O DJ, que já conhecia muito bem o roteiro, trocou o disco e pôs a trilha sonora perfeita para que Rhage, o hellren de Mary, entrasse no salão.

Ao ouvir os acordes iniciais de Next Contestant, Mary tentou safar-se das mãos pegajosas do humano, temendo; quantas pessoas sairiam feridas naquele dia, ela não sabia. Com o Reverendo fora da cidade, Rhage não apenas possuía carta branca para fazer o que quisesse, mas também expulsar quem desejasse da Fire & Blood.

Em parte, as razões para que Mary não trabalhasse como antes, eram subjetivas ao seu estado atual; vampira prenhe, cansava-se rápido, e com a casa tão longe da boate, restava menos de vinte e cinco minutos para chegar quando estavam nos meses de verão. Mas as outras, as que ela realmente relevava, era a agressividade pífia de Rhage, que — como ele mesmo havia dito uma vez — ficava cego com a menor menção de que Mary entrasse em contato com outro macho.

Estar grávida não a afetava tanto quanto o alto nível de periculosidade de seu próprio parceiro.

Ainda tentando soltar-se do humano, ela avistou o sádico de seu hellren aproximando-se, espreitando a posição do homem, sentindo já o gosto de sangue. Ele havia dado uma passada rápida ali mais cedo, com toda a Irmandade. Mas agora, às quatro da manhã, ele a aguardava para ir embora; pelo visto, ele teria uma refeição antes de voltar para casa. Seus olhos brilhavam, duas esferas de luz que guiavam seu sombrio caminho pela eternidade, com tanto amor e adoração que chegavam a sufocar.

Ela abaixou os olhos enquanto Rhage apertou o ombro do homem.

O humano, irritado, levantou a vista e deparou-se com Rhage em seus dois metros de puro músculo e força bruta, e logo compreendeu o porquê da bargirl nunca, jamais, ser maculada. E se arrependeu de não ter ouvido o conselho de sua amiga.

Rhage levantou-o pelas lapelas da camisa, jogando-o no meio da pista de dança, calando os convivas drogados e bêbados, e aqueles poucos que estavam em um estado mínimo de embriaguez. Ele caminhou em seus coturnos, fazendo zoada. Ele ergueu a mão, empurrando os fios dourados dos olhos, enquanto perseguia sua presa do dia. Mary acompanhou os movimentos, odiando-se por ainda aderir à platéia da oferenda prestada por Rhage.

Ele abaixou-se, envolto no couro de seu casaco, recolheu o humano — Toddy, lembrou-se Mary — e sacudiu-lhe, enquanto gritava perto de seu rosto.

— Era a sua mão na minha mulher? Era a sua mão? — ele gritou — Responda, filho da puta! Você é covarde agora, mas na hora de molestar minha mulher não era, não é?

Toddy emudeceu. Mary sempre odiou os covardes, mas este lhe deu pena. Rhage não teria a mesma indulgencia.

— Você chega aqui, seu playboy, e tenta passar a mão na minha mulher, e agora nem para se defender presta — disse Rhage, com um tom cortante. — Aqueles duzentos dólares era pra ela dar umazinha pra você? Seu porco!

Rhage largou o homem. Ele alisou a camisa e fez cara de quem tinha ganhado a partida, mas nem esperava o golpe de Rhage em sua mandíbula. Ele caiu, e o hellren de Mary o seguiu como um cachorro segue um pedaço de carne. Ajoelhando-se nos ombros de Toddy, ele distribuiu socos no rosto do homem até que restasse apena uma maçaroca vermelha. Mary perguntou-se se era o instinto desafiador ou apenas tolice que guiava os homens na empreitada de convidá-la para sair; ora, eles não viam que já existia um macho alfa para demarcar seu território? Não viam que ela já era de alguém?

E, quando toda boate estava em um silêncio perturbador e incomum, com apenas Chad Kroeger no fundo, com sua voz rouca e melancólica, Rhage abaixou-se na altura do rosto do homem, apenas para sussurrar-lhe:

— Ela é minha.

Rhage levantou-se, mãos ensangüentadas, o pescoço vermelho e os olhos sádicos satisfeitos temporariamente. Ele olhou por toda a boate, as mulheres com mãos tampando as bocas escancaradas, os homens remexendo os copos distraidamente, e farejou que a mensagem tinha sido ratificada. Por hoje, pelo menos.

Seus olhos encontraram os de sua shellan, duas órbitas de amor sem fim, mas cheias de luxuria.

E Mary compreendeu a mensagem.

Despedindo-se rapidamente de Smooth, Mary esgueirou-se pelos cantos menos movimentados da Fire & Blood, ainda ouvindo comentários sobre a atuação de seu marido, quando uma mão forte apertou-a contra um peito igualmente forte, guiando-a na direção dos banheiros. E ela entendeu de que naquele dia não haveria tempo de chegar em casa.

Ele abriu a porta do banheiro feminino, entrando com ela, empurrando-a na direção da pia, aonde ela conseguiu visualizar as pupilas dele completamente brancas e dilatadas. Hm, a besta está também na festinha.

— Grrr — rosnou ela. — Aquele maldito tocou em você.

Mary perdeu o fôlego enquanto Rhage soltava as tiras de seu espartilho negro, revelando as costas alvas e definidas dela; seus dedos passaram com suavidade pelos contornos delicados, desfazendo os nós de tensão.

— Como ele ousa tocar no que é nosso, querida? Tivemos de dar uma lição nele — desculpou-se a besta, enquanto uma das mãos encaminhava-se para a parte da frente de seu corpo, procurando o botão e o zíper da calça jeans.

No caminho, encontrou a pequena saliência que era sua barriga, alisando-a, desenhando os contornos com suavidade distinta; um contraste com sua personalidade perturbadoramente forte.

Ainda em sua busca pelo botão da calça de Mary, quando achou-o, empurrou a calça pelas pernas de Mary após abri-la. A besta pediu que Mary se apoiasse no balcão da pia, com pulsos e cotovelos.

— Pois a possuiremos aqui — disseram em uníssono, Rhage e a besta.

E Mary sorriu ao ouvir o deslizar do trinco da porta.

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Notas finais
Aguardo ansiosamente a oportunidade de dar-lhes o prologo.
Besitos en las mesitas, ducemente, Black xx
ACOMPANHEM A HISTÓRIA, TAMBÉM, PELO MEU PERFIL NO FFANDOM!
p.s.: lamento o erro gráfico, quando o texto foi duplicado. já foi tudo arrumado. sinto muito!