Compras De Última Hora-missão Impossivel
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O que está em Itálico e entre aspas é uma lembrança tá?
Andava pela entrada da loja calmamente. Por que estava ali mesmo? Ah, lembrara-se. Por que aquilo estava acontecendo com ele? Olhou para o lugar abarrotado de pessoas andando como pequenas formiguinhas defendendo seu lar daqueles que tentavam destruí-lo e suspirou, odiava multidões. Andava entre as gôndolas da loja de departamentos a procura de alguma coisa que lhe chamasse atenção.
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“- Meu ruivo lindo... – uma bela figura loira afundava seus bronzeados dedos nos cabelo cor fogo do corpo ao seu lado – o natal está tão próximo... Quem você tirou no amigo secreto?
- Não vou te contar mon cher. – o ruivo e o loiro estavam juntos em cima de uma enorme cama king size, dentro que um quarto perfeitamente decorado em tons pastéis e organizado dentro do possível. Enormes livros repousavam em cima de uma escrivaninha de mogno a frente de uma janela com vista para o mar. Estantes e mais estantes se acumulavam em uma das paredes, recheadas de enciclopédias e livros de filosofia. Descartes, Platão, Sartre, Aristóteles... Uma suave brisa marítima entrava no quarto movendo suavemente as belas cortinas brancas ao lado da janela. O tempo estava quente, o sol já estava no alto indicando aquilo que o relógio confirmava: já era de tarde.
- Por que não? – o moreno se senta na cama, olhando o ruivo.
- Por que não – o homem de pele alva encara docemente o outro, já sabia que ele iria de reagir daquela forma, o conhecia muito bem e sabia o quanto o outro ficaria revoltado, já havia se preparado para isso.
- Por queeee? Nós temos uma relação aberta! Não é justo! – o loiro fala, bufando em seguida, ao mesmo tempo em que sua expressão de paz toma ares irritadiços.
- Miro mon amour, você sabe que eu sigo promessas.
- A é? – o ruivo se aproxima do outro, puxando-o para seus braços, fazendo-o deitar-se em seu peito e sentindo algumas bufadas raivosas do outro em seu peito nu.
– Camus, você sabe o quanto eu sou ciumento.
- Claro que sei mon amour – Camus ri, beijando docemente os lábios do namorado – por isso mesmo eu não conto tão facilmente.
- Maldito! – o moreno da um tapa no peito do outro, deixando uma leve marca vermelha na pele alva do mesmo, mas o ele não pareceu se importar, muito menos sentir dor”
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Suspirou de novo, havia tirado o namorado como amigo secreto e o presente do namorado sempre fora algo que ele comprava com meses de antecedência, mas dessa vez o trabalho não havia lhe dado escolha. Teria que comprar o presente no dia da festa de natal e isso havia se tornado cena digna do filme Missão Impossível.
Olhou novamente para a multidão que se aglomerava nos corredores da loja de departamentos. Mais uma vez, odiava multidões, mas iria enfrentar aquilo e achar o melhor presente de todos. Muitas vezes nessas lojas presentes que muitas vezes podem ser considerados caros eram achados por uma pechincha, então, no âmbito de economizar dinheiro para um presente melhor após o termino dos dias festivos, iria cometer esse pecado de comprar um presente barato e fingir que era caro. Mas o que vale é a intenção, não? Tomara, por que se o namorado descobrisse que o presente fora comprado em uma loja popular, esse mesmo nunca iria perdoá-lo.
A loja estava impecavelmente decorada com motivos de natal, festões caiam do teto com pesadas bolas de plásticos nas cores vermelho, verde e dourado. Papais Noéis desciam de escada pelas paredes e renas pousavam no topo das gôndolas trazendo consigo pesados carrinhos de supermercados lotados de compras fictícias.
Camus deu mais uma volta ao redor dos corredores, caminho onde tinha um pouco mais de espaço para andar, mas mesmo assim ainda tinha que ir desviando as pessoas apressadas levando seus carrinhos e mais carrinhos cheios de compras. Por que todo mundo deixava essas compras para o último momento. POR QUE? Lamentava-se.
Criou coragem e entrou em um corredor, aquele corredor que seu namorado adorava ir quando visitavam a loja em dias mais vazios. Infelizmente estava contra o fluxo e acabara por pisar, ser pisado e amaldiçoado pelas próximas gerações. Tivera que pular uma poça de vômito, passar por baixo de escadas em liquidação sendo carregadas por pessoas que não sabem carregar escadas e desviar de caixas gigantes em movimentos para chegar ao final do corredor e encontrar aquilo que tinha pensado em dar para o namorado esgotado. Bufou com raiva e foi para o próximo corredor, mas dessa vez seguiria o fluxo de pessoas, seu pé estava dolorido apesar da grossa bota que calçava.
Olhou para um corredor em especial e algo chamou sua atenção. Algo estava brilhando, refletindo a luz do sol que entrava pelas minúsculas janelas de teto que a loja possuía. Estranhamente o corredor estava vazio, seria um sinal divino? Ora bolas, não! Não acreditava naquilo e não iria acreditar agora. Andou lentamente, observando um pouco o que era vendido naquele corredor.
Terror, nenhuma outra palavra podia descrever o que ele sentia por ter se metido naquele lugar. Olhou para a esquerda e para a direita, o corredor era extremamente estreito, fizeram o grande favor de colocar uma enorme mesa com produtos em oferta no meio do corredor que em seu tamanho normal já era apertado. Cristais, aquele lugar se resumia basicamente e completamente em cristais de todos os tipos e formatos, do início até seu final. Deu um passo para trás, calculando 110% esse passo.
Camus era um Aquariano fiel, ou seja, aquele corredor era sua maior sina. Tudo aquilo podia ser facilmente quebrado e ele era a pessoa escolhida para quebrar tudo aquilo em menos de um minuto. Olhou novamente para a peça de cristal que havia lhe chamado a atenção. Teria que pega-la de qualquer jeito. Olhou para os lados e ponderou como poderia ir ali e diminuir os riscos de derrubar algo. Ficou de lado e começou a andar lentamente, ótimo, estava conseguindo. Passinho por passinho lentamente foi passando pelos pedaços de vasos e tubos que sobressaíam da mesa. Deu um mínimo passo para trás e sentiu algo bater em suas nádegas e se mover. Amaldiçoou-se mentalmente por ter um traseiro avantajado e assim curvou seu quadril para frente e passou. Ufa, foi por pouco, agora estava perto. Deu mais alguns passos e após agonizantes minutos que pareceram horas chegou ao seu destino. Olhou para a peça de cristal e um sorriso brotou de seu rosto, levaria aquilo.
Estava feliz, havia arranjado o presente perfeito para seu namorado e enfrentado um corredor de cristais. Virou-se com a peça debaixo dos braços e saiu andando normalmente, sua imaginação voou e ele começou a traçar planos para a reação de seu namorado quanto ao presente até que...
- A não... – conseguira, sua distração havia feito o imaginável. Estava tão compenetrado em seus pensamentos que havia esquecido que tinha um vaso que estava quase caindo da mesa.
- Por queee? – olhou para o vaso quebrado. Odiava quebrar coisas.
- Senhor, quebrou pagou tá? – um funcionário olhava para o ruivo, observando a cara desconsolada dele.
- Tá... Eu pago... – o ruivo suspirou tristemente.
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— Céus que dia – o homem olha no relógio e em seguida levanta seu olhar, olhando o movimento na rua de comércio. A rua estava tão cheia quanto a loja que acabara de sair. Apertou o embrulho contra si, havia saído mais caro que queria, mas valeria a pena. Notou a decoração da rua, era praticamente a mesma que da loja de departamentos, Papais Noeis, renas, trenós, festões, luzinhas que piscam em multicolorido e bolas de decoração. Tudo basicamente em cores prata, dourado, vermelho e verde.
Andava tranquilamente pela calçada, desviando das caixas gigantes que as pessoas carregavam, segurando seu presente como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. Olhava as vitrines, vendo preços e os itens que estavam a venda. Definitivamente, o centro comercial era mais vazio e mais barato que aquele maldito formigueiro de departamentos, olhou para o relógio. Ai meus Deus, estava atrasado e ainda teria que ir para casa, tomar um banho e se vestir para assim partir para a festa de natal de seu amigo, lugar que seriam distribuídos os presentes de amigo secreto. Seu namorado ia condená-lo pelo atraso e lhe fazer uma chuva de perguntas quando o visse. Apressou o passo, mas parou na frente de uma vitrine, algo lhe havia chamado a atenção.
— Interessante...
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A festa corria extremamente animada, quase todos os convidados estavam na pista de dança se acabando de dançar, até mesmo os mais quietos do lugar eram envolvidos pela batida que era escolhida para animar o ambiente. Sentado no bar, bebendo vários copos de vodca, um moreno olhava impaciente para a pista de dança. Ele procurava uma figura alta e ruiva. Sua figura alta e ruiva. Ele estava incrivelmente atrasado.
— Cadêêêê – batia o próprio pé impacientemente na cadeira até que finalmente uma bela figura de cabelos cor fogo e pele alva apareceu a sua frente.
— Camus você demorou! Tava com quem?! Você podia ter pelo menos ligado! Por queee?! – uma chuva de perguntas, era a coisa que o moreno mais fazia ao ver o namorado pela primeira vez no dia, mas era sempre calado por um beijo cheio de saudades.
— Miro desculpa, eu fui comprar o presente de amigo secreto.
— Você realmente o deixou de última hora assim?!
— Desculpa! – Camus odiava sua própria sinceridade. Mas que desculpa podia dar.
-Tá... Pelo menos você chegou a tempo da distribuição dos presentes... – Miro o olha magoado indo em direção ao grupo de pessoas que começava a se reunir em circulo.
— Miro! – o outro o segue, sentando-se no último lugar que havia sobrado, o qual era longe do amado.
O tempo passou, as pessoas trocaram seus presentes, cada um recebendo belíssimos presentes, juras de amor, promessas e abraços. Miro estava impaciente, já havia entregado seu presente e Camus já havia recebido o presente de um de seus amigos. Camus olhava para o namorado que ao perceber o olhar do outro bufava e virava a cara, céus como ele podia ser tão infantil? Olhava ao redor impaciente, até quando ia ter que esperar para revelar seu maravilhoso presente escolhido, arrumado e embalado com muito amor e carinho e algo mais? As pessoas iam se esgotando até que faltavam mais 3. Miro bufou, olhando para quem sobrava. Ora bolas, Camus ia entregar o presente para a pessoa que ele mais odiava. O moreno encarava o “inimigo” com raiva, por que tinha que ser ele?
— Bom, agora é minha vez – Camus se levanta, olhando para todos e pegando um belo embrulho debaixo de sua cadeira.
— A pessoa que eu tirei é muito querida para mim, é a pessoa, se não tudo que eu mais amo na vida. Não sou de falar do que eu sinto, mas ele merece. Por que com ele eu aprendi o que é amar e não ficar com vários amantes em uma noite – o ruivo olha para o namorado que está de queixo caído e um leve rubor tomara-lhe a face.
— O-obrigado...
Miro quase que arranca o presente das mãos do namorado, ignorando o aviso de que era frágil, se sentando novamente em sua cadeira e abrindo rapidamente o belo embrulho feito com muito esmero a mão. Olhou para o conteúdo do embrulho e seus olhos arregalaram-se. Em seu colo agora havia um belo porta chaves de cristal com o formato de escorpião. Miro sempre fora ligado muito a astrologia e horóscopo e sempre fazia questão de comprar todo dia uma revistinha para ver a previsão do dia e da semana para ele e para o namorado, mesmo que o mesmo nunca se interessasse por isso. Seu signo era de escorpião e fora nisso que Camus havia se inspirado para o presente, mas algo era diferente, não era só aquilo que estava dentro do embrulho. Preso por um laço em uma das garras do escorpião jazia uma pequena caixinha de veludo.
— N-não acredito... – Miro abre a caixinha de veludo, olhando em seu interior. Duas belas e simples alianças estavam presas cuidadosamente dentro.
— Miro, você aceita se casar comigo? – Camus olha o namorado timidamente. Havia visto aquelas alianças em uma vitrine no centro comercial da cidade e alguma coisa havia lhe chamado a atenção a ponto de ser quase que obrigado a comprar por uma força oculta. Não era seu plano pedir o namorado em casamento ainda, mas por que não? Já estavam juntos a mais de 3 anos e se já haviam passado por tudo que o ciumento Miro e o engenhoso Camus haviam aprontado, nada mais iria separar aquele casal.
— A-aceito... – o moreno coloca o escorpião de lado pulando no outro, não ligava se tinha mais gente olhando e pousou seus lábios nos do outro, dando-lhe um delicioso beijo, apaixonado e lascivo ao som de palmas e gritos dos amigos.
A noite passou rapidamente, os recém-noivos não queriam saber de mais nada além da presença do um do outro. Dançaram, comeram, curtiram a noite e assim partiram para casa alegres e apaixonados. A noite ia ser longa naquele dia.
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