Complicated (Smell of Sex)
13 Long drive
Notas iniciais

As horas não passavam e Brooke continuava estática em sua cama, encarando a fotografia em suas mãos e balançando de um lado para o outro, Ashton estava sumido há quase três dias, desde que Dawan chegou. A garota sabia que não era culpa do primo, por mais ciumento que Ashton fosse, era sensato. Jack observava Dawan andar para lá e para cá na cozinha, esperando o chá de Brooke ficar pronto, e sua cabeça estava em confusão pura. Tinha notícias do cunhado, mas não podia contar à Brooke, não ainda, e Dawan parecia não ter mudado nada, continuava o mesmo primo babão e preocupado com Brookie, o mesmo jovem lindo. Num ímpeto de nervosismo, Dawan virou-se para Jack, que continuava observando-o de cima a baixo, e replicou:
— Pretende ficar aí pra sempre me olhando, Jack? — Jack recuou com a fala do primo e bagunçou o cabelo negro, abaixando sua cabeça, fazendo Dawan soltar um riso debochado. Mesmo que em um misto de emoções e confusões, Jack Daniels continuava o mesmo. O mesmo que destruiu seu coração. — Você não mudou mesmo, não é?
— Não entendi. — Jack balbuciou, como uma criança que aprontou, fazendo Dawan rolar seus olhos azuis tediosamente.
— Quero dizer, a mesma criança medrosa, Daniels. — Jack arqueou suas sobrancelhas. — "Eu acho você muito bonito, Dawan, queria saber como é beijar você", não fique com essa cara de sonso, porque eu não sou obrigado. — Dawan virou-se para a pia e começou a lavar a louça que sujou, era quase como terapia para ele.
— Você sabe que era só curiosidade...
— Nossa, essa curiosidade era bem grande e forte então, pra você tentar me agarrar cada vez que eu passava. — Dawan passou sua mão molhada pelo seu cabelo com mechas azuis. — Esse argumento não cola e você sabe disso.
— O que você quer que eu diga? "Dawan, me perdoe por ter sido curioso"? — Dawan riu em escárnio, aproximando-se de Jack que se sentiu arrepiar, e, olhando diretamente nos olhos de Jack, Dawan retrucou:
— Não, querido, não peça desculpas por ter sido curioso, e sim um babaca. — o mais velho afastou-se, separando um pacote de waffer sabor morango e o bule de chá de morango, com duas xícaras. Jack permaneceu atordoado com seus fantasmas, olhando para o chão e não tendo certeza de mais nada. Sabia bem que decisões traziam soluções e consequências, ele decidiu afastar Dawan e não sabia se essa tinha sido a melhor opção.
Ashton, do outro lado da cidade, quebrava objetos e queimava tudo que deixasse evidências de algo. Bradley estava morto e os cortes no corpo definido de Ashton denunciavam que os capangas de um amigo próximo do falecido Joshua Hills não estavam para brincadeira. Irwin arrependia-se até a última gota de suor que escorria de si, eles sabiam onde Ashton estava, sabia de seus amigos e principalmente de Brooke, justamente a única que o jovem mais queria proteger. Arrependeu-se tanto de não ter dado uma terceira chance ao idiota do Hills, não sabia onde estava se metendo, assim como Hills também não soubera.
Jack sabia o que estava acontecendo e roía as unhas de preocupação, Ashton ligou o mais cedo que pode para o cunhado noticiando na grande enrascada em que se meteu, contou também sobre os capangas ameaçarem levar Brooke e 'acabar com a raça dela'. Jack não sabia se ficava enfurecido ou preocupado, talvez os dois, mas ainda assim não deicou de dar um belo sermão em Ashton, que deletava sua existência e vida em Malibu.
— Ashton, por que você fez isso, cara? Aliás, por que diabos você se meteu nessa confusão? Pelo amor de Deus, e agora?
— Eu não sei, Jack, eles ameaçaram a Brooke e eu não posso brotar aí do nada e dizer: “Arrume suas malas, amor, porque uma gangue da pesada está atrás de você. Desculpe, falha e burrice minha”.
— Irwin, eu só vou dizer uma única vez: É bom que a minha irmã fique viva.
— Eu não tenho alternativas, não posso deixá-la e não quero levá-la. Merda, quero Brooke segura. — o silêncio perdurou e Ashton era capaz de sentir até a sua alma doer, sabia o quão protetivo e amoroso Jack era com Brooke. Não queria tirá-la dele, mas não poderia deixá-la também. Ashton podia sentir Jack analisa toda a situação, pesar os prós e contras, e, dou outro lado da linha, Jack estava a ponto de lacrimejar. Brooke era sua responsabilidade, seu pino frouxo, sua irmãzinha, mas sabia que se ela ficasse, os malditos acabariam com ela. Jack tinhas as palavras de seu pai grudadas em sua cabeça, decorou-as de tanto escutar, mas de fato nunca achou que ela fariam tanto sentido quanto agora:
“Protegê-la é sua função Jack, nada mais que isso, espero que cumpra”
— Proteja-a, Ashton. É só o que lhe imploro.
A ligação foi cortada e Ashton abaixou seu olhar para os papéis e objetos queimados e quebrados. Sentia-se um merda por tudo isso. Jack subia pesaroso as escadas, olhando cada quadro pendurado, em especial, uma fotografia do aniversário de 06 anos de Brooke, seu dente havia caído bem na hora do Parabéns e para posar pra foto, Jack e ela faziam caretas sorrindo, ambos sem os dentes frontais. Eles se abraçavam tão fortemente e Jack sorriu, jogando-se no chão para então chorar como um bebê que se machucou, uma garotinho que se perdeu de sua mãe no supermercado, um adolescente que não queria ver sua irmã partir.
Dawan dormia na cama junto a Brooke, que permanecia com os olhos castanhos abertos, atenta a qualquer movimento. O vestido branco e leve batia nas coxas, não havia trocado de roupa, só tinha ido visitar as amigas e, por instinto despediu-se com um “Eu amo vocês, para sempre”, não sabia o porquê daquilo, só precisou dizer. O mesmo com Dawan antes de dormir, enquanto o primo caía em sono profundo lhe soprou as mesmas palavras, abraçando-lhe fortemente pelo tronco. Jack entrou em seu quarto, ganhando atenção da morena, os olhos inchados e a voz rouca sussurraram um pedido e a foto apertada no lado esquerdo do peito.
Brooke se levantou e acendeu o abajur, separou algumas roupas e o colar de coração que tinha a foto do primo, irmão, os pais e ela de um lado e do outro as duas melhores amigas com ela, o anel de namoro reluzia na luz e Brooke lacrimejava. A mochila possuía algumas roupas e o que Brooke achava necessário, a morena foi até o primo dando um beijo em sua cabeça, e uma lágrima escorreu indo em direção pelo do primo. Jack observava tudo, era como tortura ver seu irmã partir. Brooke abraçou o irmão, que estava sentado, pelo pescoço, beijando-lhe o topo da cabeça e entregou seu celular pra ele.
— Eu te amo pra sempre, Jackie. Sempre e sempre.
Jack permaneceu em silêncio, sua garganta doía tanto e seu coração parecia levar facadas. A caçula Daniels beijou o rosto do irmão e correu para o escritório de Lucia, sua mãe, separando uma folha limpa e escrevendo numa caligrafia perfeita.
"Mamãe,
Perdoe-me se já lhe magoei, perdoe-me por cada erro que já cometi e perdoe-me por ir. A senhora me deu tanto, se doou para criar eu e Jack com amor, lutou para ser uma mãe e um pai. Eu te amo tanto e a senhora, provavelmente, nem sabe, mas sim, mãe, eu te amo e sempre vou amar.
Perdoe-me pelo o que eu vou fazer, de verdade, mas saiba que um dia eu espero reencontrá-la, não lhe prometo muito, mas te juro amor eterno. Eu te amo,
Brooke."
Ashton se apoiava no carro de Calum, um Sabre Turbo, aquele tipo de carro que o jovem daria a vida, menos o automóvel. Brooke apareceu na varanda da casa, encontrando o namorado, Ashton parecia cabisbaixo, mas sorriu para a namorada. A jovem se aproximou e Ashton se sentiu no dever de lhe dar explicações.
— Amor... — o dedo indicador de Brooke calou os lábios de Ashton, que encarou-a confuso.
— Eu sei o que aconteceu, estou puta e triste, mas eu te amo e isso basta.
Ashton encarou a namorada perguntando-se como conseguiu conquistar uma garota como ela e logo montou no carro, após abrir a porta para Brooke. As luzes de Malibu começavam a aparecer e logo a jovem vislumbrou a estrada. A caçula Daniels segurou a mão de Ashton que olhou-a de lado. As memórias aos poucos aparecendo e as lágrimas brotando no canto dos olhos. Não havia realizado seu sonho de ter o Chevy Impala que lhe foi prometido logo que fizesse 18, e faltava-lhe apenas dois dias para o seu aniversário. Não sabia para onde ia e a curiosidade afligia seus pensamentos.
— Para onde nós vamos? — Ashton encarou Brooke, deu um sorriso e repousou sua mão na coxa da garota.
— Para qualquer lugar longe daqui, amor.
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