Complicated
3 Seu nome
Notas iniciais
Oh..just when I think I'm under control.
Oh, apenas quando eu penso que estou sob controle
I think I finally got a grip.
E acho que finalmente estou bem
Another friend tells me that,
Outro amigo me diz que
My name is always on your lips.
Meu nome está sempre em sua boca
They say I'm more than just a friend,
Eles dizem que eu sou mais que uma amiga
they say I must be blind.
Dizem que eu devo estar cego
Well, I admit that I've seen you watch me
Bem, eu admito eu vejo você me assistindo
from the corner of your eye.
a partir do canto do seu olho
Oh, It's so confusing.
Oh, é tão confuse.
I wish you'd just confess.
Eu queria que você apenas confessasse.
But think of what I'd be losing,
Mais pense no que eu estaria perdendo
if your answer wasn't yes.
Se sua resposta não fosse sim.
O enlouquecedor azul no olhar, os grisalhos delirantes no cabelo e o jeito despretensioso de me fazer desejá-lo... Gil Grissom, duas meras e insignificantes palavras que me faziam perder o senso e a direção dos meus pensamentos.
O toque da pele gelada em minha mão fez com que a tranqüilidade dos meus sonhos se dissipasse e em um turbilhão de pensamentos eu fosse parar na realidade, confusa.
Abri meus olhos com ele ainda em minha vista... O sobressalto do acordar só não foi maior do que o susto: estava com um Deus grego em minha vista e me deparo com um pobre mortal de cabelo em pé.
–Greg? – Senti algo em torno dos meus braços, um casaco azul escuro me cobria.
–Não, Johnny Depp. – Estava tonta e o Greg dando uma de Catherine... O sarcasmo me amava, por isso viva cercado dele!
Ele colocou na minha mão uns papéis e ficou me encarando.
–Grissom pediu para eu te entregar, disse que a evidência era sua.
Desde quando isso existe? A evidência era do caso.
–Obrigada. – Eu deixei os papéis em cima da mesa e pressionei mais o casaco que me cobria contra o meu corpo.
Greg saiu da sala, no entanto parou em frente à porta e me encarou.
Olhou para mim e depois para o casaco que me cobria.
–Espero que você e o Grissom sejam felizes juntos.
Quando me atentei para tentar compreender o que ele disse me vi perdida e sem a presença dele. Balancei a cabeça de forma negativa... Eu não precisava daquilo para me afundar ainda mais.
~♥~
Estava andando pelos corredores do laboratório, pelo que Greg havia me dito não tive dúvidas de quem o casaco era, e pelos papeis em minha mão tive dúvidas que devia procurá-lo.
O casaco era confortável e aconchegante, tinha o cheiro do dono, não sei se por causa da peça do vestuário ou de minhas noites em claro, o sono me tentava, ele me batia à porta do desejo com um alto, longo e lagrimejante bocejo que foi coberto por minha mão, onde o ato fechou meus olhos por alguns segundo, instantes, efêmeros o suficiente, para poder esbarrar em algo, ou melhor, em alguém.
–Nossa! Quem diria? Você dorme, Sara? – Os olhos verdes me encararam.
–Puxa Warrick, você fala sem a ordem do Grissom nem a permissão da Catherine? Eu estou surpresa!
Eu tinha uma indiferença com Warrick. E não fazia questão de demonstrar o contrário, sempre pensei que a culpa de estar em Las Vegas, sem minha paz e sossego fosse ele. Se não tivesse feito aquela besteira na cena do crime, talvez, Grissom jamais tivesse me chamado para ir lá.
Mas eu sabia que aquilo era mentira, uma mera desculpa para negar para mim mesma que eu só não gostava de Warrick por ele ser o preferido do Grissom...
Minhas conclusões me fizeram engolir a seco.
–Warrick licença, eu tenho que ir atrás do Grissom. – Falei empurrando ele para o lado e voltado a meu caminho sem direção.
–Claro, é só isso que vocês dois sabem fazer ultimamente.
Escutei, mas ignorei.
Voltei a andar sem rumo pelo laboratório e só percebi aonde meus pés me levaram quando parei para respirar fundo, tentar enganar a mim mesma fingindo que tudo está bem não estava adiantando
O loiro me olhou e voltou a prestar atenção a seu conta-gotas e tubos de ensaio.
Eu pensei em deixar como estava, porém quando me virei para ir embora a voz do Greg me impediu.
–Quanto mais você tentar fugir menos vai conseguir.
Eu sorri em um gesto forçado e virei para ele.
–O que você sabe sobre isso?
–O que eu aprendi com você. – O silêncio tenso cobriu o ambiente. Greg fechou os olhos e deu um sorriso maroto. Ele depois olhou nos meus olhos.–Vocês são mais do que imaginam.
Confesso que não conheci aquele lado do Greg. Ele tinha se demonstrado mais maduro do que eu... Na verdade, tinha dito o que eu não conseguia dizer para mim mesma.
–Só me diz o que você viu nele. – Ele disse em um ar debochado.
Todos os meus pensamentos de elogio ao Greg pararam. Fechei a cara. Ele é, foi, e sempre será um pirralho que tenta dar uma de gente grande.
–Tudo que você não tem.– Disse quando saí.
Aquela conversa com o Greg tinha me acordado mais. Eu pelo menos tinha me tocado do óbvio, Grissom poderia estar na sua sala.
Deveria bater na porta, se metade dela não fosse se vidro com as persianas entreabertas.
Antes de abrir a porta tirei o casaco dele e entrei.
Ele estava escrevendo e no mesmo segundo me olhou com uma interrogação no semblante.
–Obrigada. – Estendi o casaco. Ele balançou a cabeça de forma positiva com um pouco de decepção.
–Você deveria ir para casa. Tudo bem dormir na sala de convivência, mas não em hora extra.
–Como se eu tivesse vindo aqui por opção. – Soltei sem perceber o que eu disse, quase em um sussurro... Antes eu ficava com raiva de caírem em cima de mim por ir trabalhar, agora porque estou trabalhando.
–Greg lhe deu o resultado? – Ele perguntou voltando a encara a caneta e o papel que estavam em sua mesa deixando o seu casaco jogado no outro lado.
–O resultado da minha evidência? – Eu sorri e ele me olhou com uma cara de culpado.
–Bom, ele ficou mais prestativo quando eu disse aquilo.
–Grissom você é o chefe, tem os puxas sacos que quiser e pode mandar e desmandar no Greg. – Ele levantou o beiço fazendo um bico... Só eu que enlouqueço com as ‘caras e bocas’ do Grissom?
–Quem encontrou a luva foi você, quem disse que a ela se rasgou quando ele tentou fugir foi você...Eu só achei que teria sangue e suor... No fundo a evidência é sua.
–Eu pensava que a evidência era do caso.
–Faz diferença?
–Não. – Novamente o sono me tenta e como a carne é fraca me deixo levar por outro bocejo que é tampado por minha mão.
–Sara viva um pouco, nem que essa sua vida seja dormir. Tire umas férias, o crime não vai ficar pior do que já está se você descansar um pouco. – Fui perceber naquele momento que estava sentada, quase encolhida em mim mesma na frente dele.
–Se isso for pelo casaco não se preocupe, eu trago o meu da próxima vez. – Disse me levantando.
–Não, claro que não, é por você mesmo. Tenha uma vida, bandidos se têm aos montes, vida só uma. – Aquele comentário me fez bufar de raiva... Grissom se sentia muito capacitado para me falar aquilo... Ele aproveitou muito a vida para me dizer algo do gênero!
–Quantas férias acumuladas você tem?– Disse saindo da sala e batendo a porta.
Não iria chorar por aquilo. Coisas piores não me fizeram chorar. Aquilo não iria me abalar.
Eu repetia em minha mente... Aquela frase girava em todo o meu ser... E mesmo assim, quando dei por mim, vi cair um gosta de água na minha mão.
Fui até o vestiário e esvaziei meu armário e saí de lá quase que correndo.
Na saído do laboratório Greg andava apressado a procura de ‘só Deus sabe quem’, mas logo parou quando me viu sair, e seguidamente olhou para o relógio de parede da entrada.
–Para onde você vai? – Ele gritou de dentro da sala enquanto saia sem dar a mínima para ele.
–Em contrar minha vida, ou uma vida... Quem sabe? – Respondi em mesmo tom adentrando no estacionamento, abrindo meu carro e me jogando dentro dele junto com minhas coisas.
Eu não iria ter vida sabendo que em toda vez que me ligasse eu iria correndo, aquilo era minha vida, não poderia descansar sabendo que sempre teria aquela confusão dentro de mim, não poderia ter férias, se os únicos momentos de lazer que eu tinha eram ao lado dele...Eu não podia confundir profissional e pessoal... Só que eu sempre tinha algum problema, eu escolhia homens emocionalmente indisponíveis, tinha problema como autoridade, e no fundo eu não tinha uma base para sustentar tudo que me jogavam.
Confesso que nunca me achei com estrutura psicológica para ter uma 'vida', Tudo que cercava estava programado, e muitas dessas coisas estavam cronometradas para esperar, e Gil Grissom era uma delas, ele estava no topo da lista das coisas que eu não tinha uma base para encarar.
Nem que não tivesse nada impedindo ele, ele jamais admitiria, jamais teria coragem de dizer sim a uma relação que não seja seu trabalho, não é por orgulho, ele não tem dessas vaidades, é pelo medo dele próprio de se deixar levar por alguém. Ele não confia em ninguém, não pode dar o braço a torcer quando algo tão inseguro como os sentimentos lhe batem a porta.
E eu não posso continuar me enganando, já estou tão apega a uma ilusão que nem sei o que aconteceria se isso acabasse me destruindo, o que aconteceria comigo se eu acabasse aceitando a verdade acabado de vez com a paranóia confortante que temos alguma coisa.
Eu não queria mais pensar naquilo por hora. Me deixar levar pela estrada e rezar para chegar inteira ao meu apartamento eram únicas coisas que eu deveria e poderia fazer. Talvez assim não conseguiria enlouquecer pela confusão, não ia fazer com que eu me lembrasse do seu ser, do seu nome, do que eu sinto por ele.
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