Complexo 01

7 Dilema da angústia


Notas iniciais
*Espero que aproveitem esse capitulo!!!

Ao primeiro som de sua voz, Evelyn, Ryan e Sophie se viraram para ver quem era, abismados com a figura de Olivia tão perto deles não ousaram emitir um som, podiam sentir uma áurea de poder, e com certeza não era deles. Ryan arriscou um olhar a Ethan e então viu que ele não estava tenso ou chocado, estava quase que aparentando orgulhoso, constatou então que o rapaz já conhecia a jovem a frente deles.

“E não, não sou novata. Estive aqui, acredito eu, muito antes de vocês, mas com certeza sou mais poderosa que cada um sentado nessa mesa. Acredite ‘docinho’ você não quer me irritar, estamos de acordo?!”

E sem nem olhar pra trás Olivia saiu, claro que enquanto ia em direção a Marcos fez questão de por fogo na comida de Sophie, não sabia quem era a menina, e nem queria saber, mas não ia aturar uma mimada rebaixar ela a novata, logo ela que tinha passado o inferno naquele lugar.

“Francamente Liv, por que fez isso?”

“Ora Marcos até parece que não me conhece, três anos vivendo comigo e não notou que sou um pouco impulsiva?!”

“Querida, claro que notei, só não quero que já comece a cativar seus “fãs” aqui”

Encerrado o assunto, com apenas essa frase, ambos começaram a comer; era de comum acordo que Melissa carregava alguns desafetos por onde passava por ser impulsiva, do mesmo modo que Marcos fazia o possível para evitar esses ‘desencontros’.

Comeram, beberam, conversaram, tudo sobre o olhar atento da mesa em que Olivia fez questão de se apresentar, em especial de Ethan. Minutos depois de acabarem a comida e Marcos se sentir cansado, resolveram ir para o quarto que outrora fora de Olivia. Chegaram, deitaram, e de algum modo a menina Boulevard se sentiu em paz, no meio do caos, era primeira vez que ela tinha essa sensação, algo em sua mente insistia em dizer que era o braço apertado de Marcos ao redor de sua cintura, mas decidiu, ignorar, a muito tempo que se convencera que as coisas do coração era lugar proibido para si.

Atormentada por seus próprios pensamentos, decidiu fazer o que bilhete deixado em sua cama lhe sugeria: iria a biblioteca, precisava calar as vozes da sua mente, precisava lembrar porque estava lá, precisava esquecer o calor que subira em seu corpo quando os dedos do rapaz em sua cama lhe acariciaram o ventre, precisava se esquecer do que pensara em sentir. Se esquecer do coração.

Determinada então ir a biblioteca, colocou apenas um hobby por cima do pijama, e foi direto para o elevador, não queria pensar, e quanto mais rápido chegasse lá, mais rápido ocuparia a mente. Apertou o botão de chamar o elevador, e assim que este chegou foi direto pra o decimo andar, quem sabe lá ela não acharia alguma resposta para a charada que “ELE” tinha lhe dado.

A biblioteca era imensa, ocupava o andar todo, tinha salas para as pessoas se reunirem e discutirem sobre diversos assuntos, estantes que iam do chão ao teto, e uma infinidade de livros que qualquer amente de leitura, faria daquele lugar seu refúgio; e ele fora o refúgio de Olivia, mas ela não era mais a mesma garota de tempos atrás.

Com pressa e ao mesmo tempo angustiada com o que pensara em sentir no quarto, Olivia adentrou a biblioteca, os olhos cor de mel afoitos em achar o espaço que clamara pra si, desde da primeira vez que entrara na biblioteca, mas invés de ver a poltrona vazia, viu alguém que não queria sentado nela. Aquilo pra si era mais torturante do que pensar nas palavras de “ELE”.

“Ethan”

“Olivia”

Então o silêncio se fez presente, os dois jovens não sabiam o que falar, os três anos em que passaram separados, agora pareciam pesados demais sobre suas cabeças, era o peso da saudade, da culpa, da raiva, da magoa; era o peso do que Olivia se negara a sentir durante todos os anos, que Ethan escondia a cada amanhecer e revivia a cada por do sol. Era como uma parede de mil tijolos entre eles.

“Vejo que viu meu bilhete, e veio sozinha, seu cãozinho não quis te seguir Olivia?”

“Cuidado com o que fala Ethan, nós dois sabemos que eu não sou paciente quando se trata de insultos, Marcos não é meu cão, e eu não lhe devo satisfação sobre minha vida. Vamos direto ao ponto sim, Senhor Moore.”

Chama-lo pelo sobrenome fora quase um erro, se ela não tivesse percebido o pequeno sorriso que o garoto dera ouvir a palavra saindo de sua boca. Ela queria ser insensível, mostrar que não era a mesma de antes, mas aquele singelo sorriso iluminara rapidamente partes esquecidas dentro de si, não queria nem entrar em mais um dilema sentimental, já tinha o de Marcos, já tinha dilemas o suficiente para preencher cinco séculos de vida.

“Você acha que pode me enganar Liv, mas eu sei que voltou aqui por alguma coisa, ou eu nunca mais teria visto o seu rosto. Quero saber o que é, e quero te ajudar, pelos velhos tempos.”

Olivia ponderou, olhou envolta e focou na arvore que balançava do lado de fora e projetava uma sombra na biblioteca através da grande janela que ficava atrás da poltrona. Rodou a sala, dedilhou livros, e por fim se entregou a vontade de derramar em Ethan tudo o que lhe acontecera desde do instante que saíra do complexo. Ethan por sua vez, cedeu o lugar da poltrona pra ela e enquanto ouvia cada palavra que saia da boca da jovem, não conseguia ficar parado, até que se sentou na beirada da janela, esperando pacientemente o fim do relato.

“Então esse tal de “ELE” matou sua família e agora joga com você, porque de acordo com uma outra menina ele quer algo de você?! Isso é loucura Olivia, você deveria denuncia-lo”

“DENUNCIA-LO? A quem Ethan, pelos deuses, você ficou ingênuo depois que fui embora, esse é um problema do NOSSO mundo, os mortais jamais vão nos entender e ajudar, somos bruxos Ethan, temos só a nós mesmos e a nossos poderes!”

“Eu sei, eu não estou ingênuo, só não acredito que passou por tudo isso sozinha”

“Não estava sozinha, Marcos estava lá!”

Subitamente, Ethan sentiu uma tristeza o invadir, a menina a sua frente passara por todas essas coisas horríveis e ele não estava ao seu lado, e ao mesmo tempo sentiu a raiva o consumindo, outro fizera tudo que ele não pudera fazer para ela, era outro que estava em seu lugar agora.

“Tanto faz Olivia, agora o que posso fazer senhorita Boulevard?”

“No momento nada, eu nem sei oque “ELE” quer que eu ache no complexo, e talvez eu nem queira achar, não agora”

Cansada, esgotada e mais angustiada do que antes, Olivia se levantou da poltrona, pegara um livro que sempre lia quando ia a biblioteca em busca de conforto ‘O morro dos ventos uivantes’, e sem nem olhar pra trás se despediu do garoto que outrora fora seu ponto de paz naquele lugar.

“Adeus”

“Até breve, Liv”

Seguira em frente, e ao chegar em seu quarto, deixou o livro na cabeceira da cama, finalmente achara o sono que perdera. Ao se deitar e adormecer, não percebera que Marcos estava acordado e levemente irritado, por agora seus sonhos eram mais importantes.

Notas finais
*Postado 22/10/2019
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.