Notas iniciais
Bem, essa é uma história criada por mim quando estava na frente do computador lendo outra história no Nyah, então perdoe-me se esse capítulo ainda está um pouco cru.

Por Aaron Warner

Perfeita.

Seria assim que eu descreveria minha vida a sete anos atrás se alguém se desse o trabalho de perguntar como era minha vida a sete anos atrás. Perfeita. Completamente perfeita.

Agora é um lixo. Já nem sei mais se é uma vida. Bem, eu respiro e ando e, às vezes, falo e de vez em quando até como alguma coisa. Eu acho que dar para chamar de vida, só que sem alegria ou sorrisos ou qualquer sentimento bom.

Eu poderia estar com ela se me esforçasse mais. Se procurasse mais. Se lançasse um alerta no mundo inteiro perguntando: Desaparecida uma mulher de longos cabelos castanhos, de corpo magro e sinuoso, de olhos de cor indefinida, de uma pele sedosa e clara e intocável. Será que o cabelo dela ainda era longo? Será que ela ficou mais bronzeada? Será que ela...

– Warner, Castle está a sua espera. Pretende sair do quarto hoje? Ou será necessário te arrancar daí? — Kenji interrompeu meu desvaneio.

– Eu logo sairei. Peça para ele esperar dois minutos, por favor.

– Não sou seu garoto de recados — respondeu ele, entrando no quarto e se jogando na cama um segundo depois de eu levantar — Vá lá você e fale.

– Tudo bem.

Procurei uma camiseta pelo ambiente lotado de livros e totalmente, impecavelmente arrumado. Pelo menos um hábito eu não perdi ao longos desses anos infernais.Deixei de ser muito preocupado com a minha aparência. Deixei de ser um livro fechado, por que agora todo mundo parece saber o que eu sinto, mas, pelo menos, não deixei de ser organizado.

– Sabe o que ele precisa falar comigo? — questionei, ainda tentando achar minha camiseta. Passou-se vários segundos sem eu ter uma resposta e decidi que Kenji tinha ido embora, mas, quando virei-me em direção a cama, ele estava lá, rígido e desconfiado. Nem precisei pensar para saber o assunto — É sobre Juliette, não é?

Kenji balançou a cabeça positivamente bem devagar, como se fizesse rápido demais eu fosse ruir. Após tantas decepções, eu não me surpreenderia se acontecesse. E nem ele — Olha, cara, eu não sei o que ele achou desta vez, mas faça uma coisa para o seu próprio bem: vá devagar desta vez. Não tire conclusões precipitadas e nem espere demais. Você sabe que pode ser um alarme falso, já aconteceu antes. Então não crie muitas esperanças, está bem?

Suspirei e tentei evitar, mas já senti meu coração se encher de novo, como se não pulsasse há muito tempo. Talvez tenha pulsado e eu não liguei muito para o fato de ele ainda estar funcionando depois de tanta dor.

Sete anos atrás, meu mundo desabou com uma notícia totalmente inesperada, vinda de Castle.

– Warner, eu preciso falar com você. É muito importante...

– Você pode esperar um pouco. Eu tenho que falar com Juliette.

– Não, Warner, isso não pode esperar– Castle me segurou os ombros, puxou o ar e disse as três palavras que me transformaram no trapo que eu sou hoje — Juliette foi embora.

Prefiro não falar o que fiz depois disso.

– Não posso prometer não criar esperanças, Kenji. Eu espero por notícias há meses e...

– Não são notícias, Warner. Talvez seja uma pista, talvez seja alguma coisa certa desta vez. Mas talvez seja um rastro falso de novo. Você, mais do que qualquer um aqui, já deveria ter se acostumado ou entendido que nem tudo é uma pista da Juliette.

Estranho ouvir Kenji falar o nome de Juliette. Todo mundo que mora no Setor 45 já percebeu que, durante esses anos, Kenji evitou ao máximo falar em Juliette ou no que ela já fez ou até mesmo em seu nome. Já eu, procurava dizê-lo a cada momento, como se ela fosse atravessar a porta do meu quarto a qualquer momento e eu tivesse que garanti que ninguém esqueceria.

– Eu tenho que tentar.

Kenji andou até mim, apoiou sua mão no meu ombro direito — Eu também sinto falta dela, cara. Eu também quero saber o que aconteceu. Todo mundo que saber. Mas eu não sei se James aguenta ver você desabar outra vez. Você sabe que ele também sente muita falta dela.

Pensei em meu irmão mais novo, já crescido, que abriu mão de toda sua adolescência para trabalhar em prol de achar Juliette — Tudo bem, vou procurar me controlar desta vez.

– Certo — ele me entregou um pedaço de tecido preto fosco: uma camiseta.

Vesti-a e fui ver Castle.

Notas finais
Eu sei que está curto, mas, como eu disse, acabou de sair da minha cabeça. Mas eu espero que tenham gostado. Eu sei que é estranho ver o Kenji tentar consolar o Warner, mas vocês vão entender tudo com mais alguns capítulos.Comentem, critiquem, recomendem, façam sugestões.
Beijos.
BL.