Competições de Abril
1 Prólogo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL
PRÓLOGO
Caitlin estava atrasada. Terrivelmente atrasada. Ela conhecia bem seu professor de Química Analítica e sabia o quão carrasco o homem poderia ser com atrasos, ainda mais faltando uma semana para a segunda e mais complicada prova do semestre. Por isso, ela corria desesperada pelo campus da grandiosa universidade, sem se importar em quem esbarrava.
Quando enfim chega a porta da sala, ela respira fundo tentando se recompor e aproveita que o professor está virado para a lousa, provavelmente escrevendo sobre o conteúdo do dia, para entrar cautelosamente e se sentar no lugar menos visível da sala. No entanto, antes que ela alcançasse sentasse na cadeira no canto da sala, ela esbarra com Barry Allen, que parecia ter tido o mesmo plano que a garota.
Eles se encaram furiosamente e de maneira competitiva. Aquilo era algo que a turma já estava acostumada a lidar e nunca perdia a graça. Mas, para a infelicidade dos alunos que esperavam com ansiedade presenciar mais uma discussão dos melhores alunos da universidade por causa de uma simples cadeira, o professor se vira para a turma com um olhar levemente irritado.
— Resolveram dar o ar das graças, Sr. Allen e Srta. Snow? — Questiona o professor com sua voz grave ecoando pela sala. — Parem de brincar e se sentem de uma vez. Não temos o dia todo.
— Desculpa, professor. — Lamenta Barry, lançando um olhar repreendedor para Cait, que bufa e revira os olhos, antes de se sentar no lugar que ela havia escolhido. — Ei!
— Algum problema, Allen? — Pergunta Cait com um falso sorriso inocente.
— Sente-se, Sr. Allen! — Exige o professor, fazendo da garota dar um sorriso satisfeito e o rapaz bufar irritado, antes de se sentar na cadeira ao lado de Caitlin. — Como eu estava explicando antes da interrupção do Sr. Allen e da Srta. Snow, esse semestre nós teremos uma nova novidade. A fim de oferecer a oportunidade de apresentar projetos inovadores que possam melhorar a comunidade, vocês irão participar de um evento de extensão na universidade, onde deverão desenvolver e apresentar propostas de caráter educativo, esportivo, cultural, social, científico, artístico ou tecnológico para solucionar um dos inúmeros problemas da humanidade. Em outras palavras, vocês formarão duplas e deverão desenvolver um projeto inovador para competir com todos os cursos da universidade, usando todo o conhecimento acadêmico e tácito. Passem para trás os panfletos explicativos enquanto eu explico com mais detalhes o evento, por favor.
Assim, o professor entrega um monte dos folhetos explicativos a cada aluno que estava na primeira cadeira da fileira e se encosta na mesa, com braços cruzados. Assim que nota que a maior parte da turma havia recebido os panfletos, o homem de cabelos grisalhos e expressões sérias, continua a explicação.
— O objetivo desse evento é incentivar os alunos a propor soluções para problemas que acometem a população mundial a partir dos cursos que vocês escolheram fazer. Essa é uma oportunidade única de experimentar a parte prática de sua graduação. As atividades serão supervisionadas por todos os professores da instituição nas graduações em que lecionam, portanto, todos os professores de vocês estarão orientando e supervisionando os projetos que vocês realizarão. E como eu havia dito, será uma competição entre os cursos. A dupla que apresentar o melhor projeto avaliado por todo o corpo docente da universidade, ganhará uma viagem com todas as despesas pagas para Tóquio durante uma semana e terá a chance de apresentar o projeto ganhador a representantes de empresas mundiais, que poderão comprar ou investir em suas ideias.
A revelação do prêmio faz todos os alunos falarem ao mesmo tempo, animados com a possibilidade de viajar para outro país com todas as despesas pagas. Caitlin observava a todos com grandes expectativas. Ela sabia que era boa o bastante para conquistar o primeiro lugar na competição, afinal, ela não é reconhecida como uma das melhores alunas de toda a universidade em vão. Todos os esforços e a qualidade dos trabalhos que ela apresentava desde o início do curso eram provas suficientes de que ela era capaz de ganhar aquele prêmio.
O único problema para Caitlin era encontrar algum aluno que fosse bom o bastante para não atrapalhar suas experiências e garantir que ela conseguisse o primeiro lugar na competição. Ela odiava admitir, mas sabia que não conseguia lidar bem com seus colegas quando precisava fazer trabalhos em grupo. Por ser impaciente e exigente demais, sempre acabava brigando com os colegas e tinha que fazer tudo sozinha.
— Silêncio! Silêncio! — Esbraveja o professor, incomodado com a algazarra da turma. — Eu ainda não terminei de explicar. Depois vocês planejam os projetos e o que farão na viagem se vocês ganharem a competição.
Aos poucos, a turma volta a ficar em silêncio e o professor suspira, cansado. Não era fácil lidar com mais de quarenta jovens universitários agitados após descobrirem que poderiam viajar para o outro lado do mundo as custas da universidade. Ele então se desencosta da mesa e começa a andar de um lado para o outro, encarando cada rosto animado presente na sala.
— Como eu estava dizendo, vocês participarão da competição em duplas, mas para evitar brigas e perguntas idiotas como "podemos fazer trio?", "eu não tenho dupla, posso fazer o trabalho individual?" e "eu não gosto de ninguém dessa turma, posso fazer o projeto sozinho?", todas as duplas que participarão da competição serão escolhidas por meio de sorteio.
Explica o professor e mais uma vez, a turma inteira começa a falar ao mesmo tempo. Alguns indignados com a decisão e outros preocupados com quem seria suas duplas. Caitlin se encaixava nas duas situações. Ela não queria ficar com algum aluno arrogante ou estúpido de sua turma. A jovem sabia que por causa da sua inteligência, não seria tão difícil assim encontrar algum aluno interessado em fazer o trabalho com ela, mas temia ter que realizar o projeto com alguém difícil de lidar. Mais do que isso, Caitlin pressentia que ela não gostaria nenhum pouco do resultado do sorteio.
— Já chega! — Repreende o professor, irritado. A voz alta e grave assusta a todos, fazendo com que os alunos se calassem imediatamente. — A decisão foi tomada pelo diretor Giuseppe Salvatore. Não há nada que possamos fazer. O sorteio dos alunos dessa turma também já foi realizado e as duplas já foram escolhidas. Vocês terão um mês para elaborar um relatório explicando o que pretendem fazer e como planejam fazer. Quando aprovado pelos supervisores, vocês terão mais um mês para colocar em prática os projetos e preparar a apresentação que será realizada em modelo de feira. Relembrando que vocês serão avaliados por todo o corpo docente da universidade, então precisam apresentar o projeto de forma clara e inovadora.
"Outro detalhe importante é que seja um projeto viável de se colocar em prática. Leiam o panfleto que foi entregue a vocês, onde possuem todas as informações importantes e as regras para participar do evento de extensão. A participação de vocês contará como ponto para todas as matérias do semestre também. Se tiverem mais alguma dúvida acessem o edital que está disponível no site da universidade ou consulte algum dos professores." — O professor então encara seu relógio antes de desviar o olhar para os alunos, parecendo um pouco receoso. Mais uma vez, Caitlin sentia que aquilo não era um bom sinal. — Agora que estão cientes de todos os detalhes, acessem o portal do aluno para descobrir quem será a sua dupla. E só para esclarecer, vocês não podem trocar de dupla. Não insistam!
Com o coração na mão e ouvindo a agitação de seus colegas de turma, a garota pega o celular e acessa o portal do aluno da universidade. Ela não sabia explicar o motivo, mas sentia como se seu coração estivesse prestes a sair pela boca. Caitlin já podia ouvir os resmungos e reclamações da turma. E então ela finalmente toma coragem para abrir o último arquivo disponibilizado pelo professor, mas antes que conseguisse ver o nome de sua dupla, um grito exagerado ao seu lado chama sua atenção.
— Não! Não pode ser! — Barry estava pálido e encarava Caitlin em um misto de preocupação e irritação. — Eu não posso formar uma dupla com você! Isso é impossível! Nós vamos nos matar antes mesmo da droga do projeto começar.
— O quê? — Questiona a garota, sem acreditar nas palavras do seu maior inimigo. — Não pode ser! Você só deve estar brincando. Enlouqueceu?
— Como se eu fosse brincar com um pesadelo desse. — Resmunga Barry, jogando o corpo sobre a mesa de sou carteira. Ele se sentia esgotado. — Se não acredita em mim, olhe você mesma!
E assim Caitlin fez, sem acreditar no tamanho de seu azar. Ela não suportava Barry. O garoto estava sempre tentando ser o melhor em tudo o que fazia. Eles simplesmente não se suportavam desde que começaram a estudar juntos. Eles eram como água e óleo. Não se misturavam. Eles não conseguiam concordar em nada. A rivalidade e competitividade deles era tanta, que era impossível serem da mesma equipe. Todas as vezes que os professores tentaram fazer os dois trabalharem juntos, Barry e Cait acabavam discutindo e se desafiando.
— Não! Não! Não! Isso não pode estar acontecendo comigo! — Sussurra Caitlin, encarando a tela do celular. — Como isso foi acontecer?
E lá estava o nome dele. Bartholomew Henry Allen. Ele seria a sua dupla — ou vítima de um assassinato, dependendo do humor de Cait. E pelo olhar severo do professor, que repetia para todos os alunos que se aproximavam dele, não havia nada que Cait e Barry poderiam fazer. A decisão já havia sido tomada. Então tudo o que restava para eles era aceitar a realidade e quem sabe com muita sorte, eles conseguissem terminar o projeto vivos e sem cometer tentativas de assassinato.
Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss
Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646
Detenção de Março - Livro III: https://fanfiction.com.br/historia/787607/Detencao_de_Marco/
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