Competições de Abril

14 Consequências


ROMANCES MENSAIS

LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL

CAPÍTULO XIII — CONSEQUÊNCIAS

Observo a amostra do iogurte biofortificado em minhas mãos, sentindo meu coração se encher de esperança. Aquele era o protótipo final do projeto e eu não poderia me sentir mais orgulhosa de ter o resultado de muitos estudos e diversos testes finalmente em minhas mãos. Sorrio para a garrafa de 500 ml com o iogurte biofortificado e o coloco sobre a chapa de aço que estava na máquina envasadora da fábrica de leite e tiro fotos da embalagem cheia com o iogurte. Eu precisava adicionar como anexo ao relatório final e para fazer a divulgação do produto no dia da Mostra Científica Multidisciplinar na universidade.

Ao meu lado, Robert acompanhava a tudo com fascínio. Filho mais velho do proprietário da fábrica, o rapaz parece ter se interessado bastante pelo projeto que estava sendo desenvolvido em um dos maiores produtores de queijo de Hawkins. O acordo que Clint havia feito com o Sr. Paxton havia sido bom o bastante para que pudéssemos até mesmo usar as matérias primas da fábrica, além dos recursos maquinários para colocar em prática o projeto do iogurte biofortificado. Robert sempre acompanhava as minhas experiências e ajudava no que era preciso para a fabricação do iogurte.

— Finalmente! — Comemoro em um sussurro. Viro-me para Robert, que sorria animado. — Preparado para o último teste de fábrica antes de entregar as amostras do produto para as crianças e os moradores de rua?

— Claro. Mas estou nervoso. — Confessa Robert, rindo. Acabo acompanhando o rapaz, entendendo o sentimento.

— Não se preocupe. É só o maior projeto da minha vida. Mas sem pressão. — Brinco e ele arregala os olhos, um pouco mais nervoso. Rio e entrego o iogurte a Robert. — Eu irei filmar a sua reação enquanto bebe o iogurte. Eu preciso que me diga com toda a sinceridade do mundo o que você achou do sabor e do aspecto da fórmula. E também estou aberta a sugestões para melhorar o sabor, que pode ser alterado com a mudança das frutas usadas.

— Tudo bem. — Concorda o rapaz, abrindo a garrafa. Pego meu celular e coloco na câmera. Eu estava ansiosa para saber qual seria a reação de Robert ao experimentar o iogurte. — Mas, Cait, não seria melhor esperar pelo seu parceiro?

— Ah, isso. — Digo, desviando o olhar.

Na verdade, já haviam alguns dias que eu estava me afastando de Barry. Eu sabia que estava sendo um pouco infantil por não conseguir lidar com meus sentimentos, mas todas as vezes que eu tentava criar coragem para conversar com ele, as lembranças de sua hesitação ao ser questionado sobre sua confiança em mim voltava a me atingir. Eu já havia me sentido decepcionada por ele não me considerar sua namorada, mas a falta de confiança em minhas ações misturadas com o ciúme da ordinária da agente Snart dando em cima dele e com o meu orgulho me magoaram profundamente.

Então, pateticamente, eu tenho evitado vir a fábrica nos mesmos horários que ele. Faço questão de chegar em cima da hora nas aulas e saio da sala para me esconder em algum lugar da enorme universidade antes do fim das aulas. Ele também tem ido ao Hawkeye com frequência, mas com a ajuda de Elena e Ally, eu tenho conseguido evitar o encontro com ele. No entanto, eu sabia que não poderia continuar a agir dessa forma para sempre.

— Algum problema, Cait? — Pergunta Robert, aproximando-se de mim com curiosidade, enquanto ele coloca a mão no meu ombro. Suspiro, cansada e dou um fraco sorriso. Eu não sabia o que dizer para o rapaz que era apenas um ano mais velho que eu. Robert então coloca a mão em meu queixo e o levanta para que eu o encarasse. — Sei que não nos conhecemos tão bem, mas estou aqui se quiser conversar. Às vezes, a visão de alguém de fora é a melhor forma de encontrar a solução de um problema.

— É que eu...

— Poderia tirar as mãos dela, por favor. — Exige Barry, aparecendo de repente. Surpresos pela chegada brusca de Barry, Robert e eu nos afastamos, enquanto encaramos o rapaz que parecia bastante chateado.

— Barry? O que está fazendo aqui? Não era para você está em seu trabalho? — Pergunto e ele bufa, aproximando-se. Ele então pega em meu pulso e me puxa para ficar atrás dele, enquanto encara Robert quase em desafio.

— Olá, Barry. — Cumprimenta Robert, sem se intimidar com o olhar que recebia de meu parceiro. — Já faz alguns dias que não te vejo. Ocupado com o trabalho?

— Sim. E você não deveria estar ajudando o Sr. Paxton? — Questiona Barry, dando um sorriso forçado. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo, mas conseguia sentir uma tensão estranha entre Robert e Barry.

— Cait estava sozinha, então vim ajudá-la com os equipamentos e materiais mais pesados. — Explica Robert, sorrindo para Barry, enquanto exibe a garrafa de iogurte. — E agora eu iria fazer o teste de degustação.

— Não era o que parecia quando eu cheguei. Por acaso estava pensando em experimentar o iogurte de outro lugar? — Pergunta Barry e eu o encaro, incrédula com a pergunta sem sentido de meu parceiro de projeto.

— Barry! — Repreendo-o, que me encara como uma criança mal-humorada. Viro-me para Robert com um sorriso sem graça. Eu não sabia como encarar o rapaz que estava sendo sempre muito gentil. — Desculpa, Robert. Ele às vezes fala muitas besteiras. Não dê ouvidos a ele.

— Não que eu me importasse de experimentar outra coisa se você quisesse, é claro. — Brinca Robert e sinto minhas bochechas ficarem vermelhas. Barry bufa mais uma vez e me puxa para ainda mais perto.

— É muita cara de pau. — Resmunga Barry e eu finalmente entendo o que estava acontecendo. Encaro o rapaz, precisando segurar o riso que estava preso em minha garganta. Por algum motivo, ver a expressão irritada de Barry me dá vontade de instigar ainda mais o seu ciúme.

— Oferta tentadora, Robert, mas acho que dessa vez teremos que deixar para a próxima. — Brinco, dando uma piscadela para o rapaz, que ri, parecendo entender o que eu queria dizer.

— Ok. Já chega. Você vem comigo. — Responde Barry, indignado, enquanto me puxa para fora do galpão da fábrica. Quando estamos sozinhos, ele solta o meu pulso e me encara mal-humorado com os braços cruzados. — E então? Vai me explicar o que foi isso? Primeiro você me evita e some a semana inteira sem nem ao mesmo me dizer o motivo. Agora você fica deixando aquele mauricinho dá em cima de você assim? E ainda fica dando esperanças para ele. Isso é inacreditável, Cait!

— E qual é o problema? Até onde eu sei, Robert e eu somos dois jovens solteiros e cheio de vitalidade. Desde quando eu devo satisfação para você de quem eu dou em cima ou deixo de dar? — Retruco, cruzando os braços. A minha resposta parece pegar Barry de surpresa, que se encolhe frustrado.

— "Desde que te conheci, eu te odiei. Eu sempre fui muito competitiva, mas sabia que eu era inteligente o bastante para ser facilmente vencida por alguém e então você apareceu e tornou minha vida um caos. Um mês atrás nós fomos obrigados a trabalhar juntos para fazer um grande projeto. Eu pensei que eu nós acabaríamos nos matando, mas foi o completo aposto. Conviver com você todos os dias, conhecer mais sobre suas manias, defeitos e qualidades me fez ver o ser humano incrivelmente lerdo e amoroso que você é. O que eu estou querendo dizer desde a festa de Damon, mas que não consegui, porque você é lerdo demais para entender é que eu me apaixonei por você Bartholomew Henry Allen. É você quem faz aumentar a liberação dos hormônios dopamina, norepinefrina e principalmente oxitocina. É você o responsável por esse emaranhado de complexas reações químicas no meu cérebro". — Barry recita uma parte de minha declaração e sinto a vergonha me atingir. Como ele conseguia lembrar com exatidão de cada palavra dita naquela minha estúpida declaração. Eu e minha maldita boca que não conseguiu segurar a emoção. — Você me ama, certo?

— Amo, mas e daí? Isso não significa que eu vou ficar esperando você até você ter certeza de seus sentimentos, Barry. — Resmungo, furiosa por ele usar meus sentimentos para tentar argumentar. — Você deixou bem claro para aquela agente vadia que não confia em mim e que não me vê como sua namorada.

— O quê? Que merda você está dizendo? — Pergunta Barry, confuso. Ai como eu odeio essa lerdeza dele. Bufo frustrada e demora um tempo até que ele abra um sorriso satisfeito. — Espere um pouco. Você ficou assim a semana inteira por que estava com ciúmes? A agente Snart estava apenas brincando. E eu achei que já tivesse deixado claro os meus sentimentos por você.

— Você é realmente um idiota. — Respondo, afastando-me dele. — Ela estava praticamente se jogando em cima de você. E eu não estava com ciúmes. Apenas acho que você foi um verdadeiro babaca em querer me afastar de você e fingir que aquele assunto não tinha nada a ver comigo, quando eu fui tão vítima quanto você daquele ataque. Eu realmente esperava que você confiasse mais em mim, Barry.

— Você já foi mais inteligente, Cait. — Retruca Barry, revirando os olhos. — Eu te disse. Eu não te afastei porquê não confio em você e sim porque não quero que você corra ainda mais perigo. Quanto mais você souber, mais envolvida você será nesse caso. Eu estava apenas tentando te proteger.

— Já é tarde demais para isso. Só essa semana eu tive que lidar com uns dez membros da Yakuza que continua a vir atrás de mim. Eu não sou uma donzela que precisa de um príncipe encantado para me proteger, Barry. Eu sou uma cientista. Não preciso de falsos atos heroicos e sim de dados, informações. Eu preciso saber o porquê deles continuarem a tentar me atacar e encontrar uma forma de ajudar a resolver esse caso. Posso não ter sido treinada desde criança por uma agente do governo, mas eu sou uma funcionária de Clint Barton. Isso já deveria ser o suficiente para você saber que eu não sou uma pessoa comum? — Respondo e ele suspira, parecendo preocupado. — De qualquer forma, eu vou voltar para o galpão. Robert deve estar me esperando para gravar a experiência de degustação dele.

— Cait. — Barry me chama e no momento em que eu me viro para ver o que ele ainda queria, meu corpo é pressionado contra a parede de metal do galpão. Seus olhos brilhavam intensamente e ele parecia determinado. Sinto meu coração prestes a sair pela boca, tanto pelo susto do movimento inesperado de Barry quanto pela perigosa proximidade entre nossos rostos. — Você me deixa louco de diversas formas. Eu nunca conheci uma pessoa tão complicada quanto você. Ficar longe de você essa semana foi frustrante e angustiante. Você também é quem faz aumentar a liberação dos hormônios dopamina, norepinefrina e principalmente oxitocina dentro de mim. Você me traz uma explosão de sensações intensos e enlouquecedor. Quando estou com você, eu sinto euforia, desejos, confiança, contentamento, prazer, angústia, raiva, alegria. É irracional, delirante e prazeroso. Eu te amo, Caitlin Snow. Mesmo você sendo má e tendo um coração de gelo, eu te amo. Mesmo não existindo ninguém mais grossa, intimidadora e durona nesse lugar do que você, eu ainda te amo, complicada Caitlin. Então, você me daria a honra de se tornar oficialmente a minha namorada?

— Idiota. — Resmungo, envergonhada. Ele havia feito questão de lembrar das minhas frases vergonhosas na festa de Damon. Ainda assim, meu coração parecia que iria explodir de tanta alegria. Passo os braços em torno do pescoço de Barry e ele coloca as mãos em minha cintura. Eu o puxo para perto e fico com nossos lábios a poucos centímetros de distância. Barry arfa, suas pupilas dilatam. Há aquela conexão e ansiedade entre nós. — E eu te darei a honra de me chamar de namorada. Mas tome cuidado. Como você percebeu, eu sou muito desejada...

Antes que eu continuasse a provocação, Barry termina com o espaço que há entre nós. Ele me beija de maneira eufórica, quase como se tentasse compensar todos os dias que passamos longe um do outro. Não consigo evitar o sorriso e os suspiros ao sentir toda a intensidade que há entre nós. É. Talvez não seja tão ruim assim estar apaixonada.