Competição Amistosa
2 Inocente Namorado Campeão
Notas iniciais
Cap. 2
Inocente Namorado Campeão
— Eu? – Elfman aponta envergonhado para si mesmo e todos passam a sacaneá-lo com comentários maldosos guardados pra este momento.
— Vejamos... – Laxus pega o caderno de anotações de Mira das mãos dela, vendo o seu estado atônito após o primeiro resultado da competição da Fairy Tail – Você se saiu bem nas missões, mas pegou poucas, então não teve muita renda. Por isso, quinto lugar.
— ESTÁ QUERENDO DIZER O QUÊ COM ISSO? – Evergreen grita enfurecida e todos começam a rir, excerto a estarrecida Mirajane, então o dragão dos raios chama o grande homem por ela para subir no palco e beijar a sua garota – Ai meu Criador!... – a desesperada mulher sussurra e Levy ri baixinho – O que eu faço? Alguém me salve!
— Tá bom, eu tava brincando! – a maga Take Over pega o microfone de volta e ri, interrompendo o clima de apreensão entre os olhares do casal – Não precisam se beijar, basta um aperto de mão e acabou! – sério, o segundo apresentador toma o fone dela.
— Não, isso não seria justo no Dia dos Namorados! Tem que beijar! – a parceira o olha com uma raiva mortal, mas ele acha graça – Vamos lá, beija! – o loiro incentiva os membros a gritar o mesmo enquanto o Strauss olha para uma estarrecida Ever.
— Só um beijo na bochecha tá bom! – a irmã mais velha dele avisa nervosa.
— Vamos Elfman! Ou você não é homem? – todo mundo para de gritar na mesma hora, afinal essa provocação do Dreyar foi demais, mas serve pra enchê-lo de coragem e incitar a puxar sua dama, com o maior cuidado possível, pelos braços, beijando-a rápido e timidamente na boca – É isso aí! – todos aplaudem e assoviam quando eles se soltam e as irmãs do grande homem olham-no pasmas, Mira a ponto de chorar – Já que a Mira está incapacitada, eu vou chamar o quarto colocado... – Laxus toma os papéis das mãos dela enquanto Elfman e Evergreen descem do palco sobre olhares maliciosos e somem da guilda – E o quarto lugar vai para... – o Dragon Slayer também faz pausa dramática, afinal, gosta de sacanear todos tanto quanto Mirajane – Gajeel!
— O QUÊ?! – Levy grita, ficando branca como páginas de livros.
— Venha buscar a sua garota, Gajeel! – o mestre cutuca e ele entra em pânico, mas Natsu o manda para o palco com um chute e o coitado voa, batendo a cabeça na parede.
— Gajeel! – a maga das runas preocupada corre para ajuda-lo, ignorando o choro de Jet e Droy, e o ajuda a sentar – Machucou? – ela toca sua cabeça.
— O que acha? – o aborrecido rapaz resmunga, encarando o locutor – Por que eu fiquei em quarto? – a moça olha para ele com uma pontada de dor, no que apenas Lucy percebe, enquanto o neto de Makarov olha o caderno.
— Seu maior problema foi destruição de propriedades. Tanto você quanto o Natsu são um péssimo exemplo de autocontrole... – os dois dragões se aborrecem – Mas você pegou poucas missões se comparado a ele. O que é estranho, porque o quadro tava cheio todos os dias da semana, com um número alto de trabalhos lucrativos. – cutuca o dragão dos raios, deixando o do ferro corado – E então...? Vocês vão se beijar ou não?
— O quê? – Levy levanta num salto, muito vermelha – Ah... – ela gagueja qualquer coisa, então Gajeel se levanta, bate na calça e olha ameaçador para o sorridente loiro – Eu... – a jovem observa o público gritando "beija", então é pega de surpresa por seu viril Dragon Slayer, ao virá-la pra ele e dar-lhe um beijo, um pouco mais demorado do que o de Ever e Elf – Ga-Gajeel! – antes que a aturdida maga tenha tempo de dizer algo mais, ele a joga sobre o ombro esquerdo como um saco de batatas – Gajeel?! O que você acha estar fazendo? Coloque-me no chão agora, ou vai sofrer as consequências!
— Tchau! – o rapaz faz um sinal de vitória com os dedos para a multidão e salta do palco, abrindo caminho feito Moisés e andando até a saída enquanto a capturada desiste de lutar e se deixa ser levada, apoiando o queixo sobre a mão direita.
— Então... – Laxus tosse, claramente se divertindo com tudo, ao baixar o olhar para o caderno – Terceiro lugar. – os homens retornam a olhar pra frente de imediato – Uou! – ele gargalha – Esse eu vou adorar dizer o nome e vocês vão gostar de ouvir também!... E o terceiro lugar vai para... GRAY! – o mago congela enquanto Juvia se derrete logo.
— Gray! – a maga da chuva repete animada, jogando os braços para o alto em pura comemoração – Isso! – Lucy e Erza a felicitam pra tirá-la do mundo de Alice.
— Manda a ver, seu bundão! – alguns gritam em incentivo.
— CALEM A BOCA! – ele grita de volta, visivelmente corado ao subir no palco.
— Para ser justo, vou te dizer por que tirou o terceiro lugar...
— Eu sei a razão disso. – o mago do gelo interrompe o loiro e todos o encaram com surpresa, pensando se tudo foi proposital – Eu fiz de propósito mesmo. – e logo vem sua confirmação, provocando emoção na maga que sussurra seu nome conforme o próprio a fita sem jeito – Com o tempo eu aprendi a gostar de você, então... – ele coça a cabeça e o público geme emotivo – Calados! – o jovem se vira nervoso, provocando as risadas da parte masculina; as moças tentam segurar os risos, mas Natsu não quer perder a chance.
— MANDA A VER, CUECA GELADA! – as gargalhadas aumentam.
— Pois é... – o terceiro colocado do jogo dá um sorrisinho irritado, dando o melhor de si para ignorar – Eu fiz de propósito pra... Pra ter a chance de fazer isso. – o rapaz se aproxima da garota, mas é ela quem voa sobre ele, abraçando-o e tomando seus lábios.
Todos gritam "vivas" e assoviam, excerto por Lyon exigindo a recontagem dos votos, mas os dois estão alheios a tudo. Depois de um minuto, Makarov se vê obrigado a pará-los, antes que resolvam por fogo em seu amor outrora congelado. Lisanna dá um buquê com lírios para Juvia, um prêmio extra, lembrando que quando Evergreen e Levy forem localizadas mais tarde também receberão suas flores escolhidas a dedo por Mavis.
O mais novo casal desce do palco de mãos dadas, então Gray mira o Salamandra.
— Eu acabo contigo depois. – sussurra com uma voz assustadora, porém o amigo ri – Boa sorte você também, cabeça de fogo. – o dragão cora enquanto a dupla se afasta.
— Vamos então ao segundo lugar! – Mirajane repentinamente pega o microfone de volta e grita, chamando a atenção de todo mundo.
— Você por acaso andou bebendo? – Laxus sussurra, só então percebendo a taça de vinho na mão dela e tirando-a de seu alcance, levantando cada vez mais alto conforme a maga tenta pegá-la de volta – Como conseguiu se embebedar tão rápido? Já chega Mira! – após algumas tentativas falhas, ela o encara assustadoramente – Nem adianta que cara feia pra mim é fome. Não acredito que fez isso!
— Eu tomei uma dose ou quatro sim, e daí? Provavelmente vou ser tia logo, então sai do meu pé! – a balconista fala baixo, pegando o caderno, e o dragão dos raios afasta assustado, deixando-a alegremente retomar a linha de raciocínio um tanto desordenada – Vamos ao tão esperado segundo lugar e o ganhador da Lucy!
— Isso não é loteria! – a loira grita e alguns riem durante o cambaleio de Mira.
— Quem vai levar ela pra cama...! – a maga estelar enrubesce dos pés a cabeça até a amiga corrigir o erro – Opa. Desculpem... Pra casa!
— Isso também não é bom! – ela reclama novamente, sendo confortada por Erza.
— O ganhador é... Natsu Dragneel! – alguns homens cospem suas bebidas e outros começam a chorar gritando "injustiça" ao mesmo tempo em que Lucy sente tremedeiras – VEM AGARRAR ELA NAT! FAÇA BOM PROVEITO! – a maga Take Over berra no microfone, fazendo os presentes rirem, e a irmã se apressa em afastá-la do som.
— Vamos Natsu! – o mestre incentiva – É a sua vez! – o Dragon Slayer olha para Lucy parado no mesmo lugar, parecendo não acreditar na cena, mas logo pula no palco.
— Ele vai mesmo me beijar? Ai meu Criador! – a moça sussurra para si mesma, vendo Happy voar sobre a cabeça do amado, contudo, quando todos pensam que ele vai andar até ela, o rapaz dá meia-volta e pega o fone da mão de Lisanna, encarando Laxus.
— Diz aí que eu quero ouvir: por que fiquei em segundo e quem me passou?
A parceira o encara como Levy olhou pra Gajeel: descrente. Mil e uma coisas vão passando pela sua cabeça. Ele não está satisfeito com ela? Ele preferia ficar com a Erza ou com alguma das outras? Pior! Ele gostaria de ganhar um beijo da, como diria Juvia, “rival no amor”? A mesma parece tão surpresa quanto ela com a pergunta.
— Bem... – o outro dragão começa – Seria chato revelar o primeiro colocado agora, mas sobre a sua posição na disputa dá pra falar. Vejamos...
— Eu sei o porquê disso! – Mira levanta a mão e toma o caderno – Me dá! É meu! – o loiro ergue as mãos em sinal de rendição e ri conforme ela folheia as páginas – Ah, tá aqui! – aponta as anotações – Natsu... Você tirou as piores notas! – todos se seguram para não rir dela – Coisa lamentável, lamentável minha gente! – a maga pega o fone de novo – Olhem, ouçam isso, escutem aqui!... "Três casas destruídas, um teatro demolido, excesso de violência, violação das regras de higiene (...)"... Como alguém faz isso?
— Ei, isso foi porque não deixaram o Happy entrar naquele restaurante chique onde nós ganhamos o direito de comer de graça como parte de um dos pagamentos!
— Aye! – o gato confirma em igual pose de indignação – Disseram que não podem entrar gatos. Foi humilhante! Eu sou um Exceed muito limpo! – Lucy suspira descrente.
— E o... – Laxus se debruça sobre Mirajane para ler – "abuso de autoridade"?
— Eu puxei o freio de emergência de um trem que pegamos numa missão.
— E ele vomitou no maquinista! – o felino azul relata e a multidão faz cara de nojo.
— Então, como ele tirou o segundo lugar? – Lisanna questiona com ansiedade.
— Mesmo viajando pra longe, o Nat terminou muitas missões em pouco tempo. – a Strauss mais velha se apoia no parceiro Dreyar levemente para ficar de pé, fechando seu caderno e mirando a irmã seriamente – Ele e o Happy pegaram várias missões de curto prazo e terminaram mais rápido ainda! O seu pagamento, mesmo sendo descontado pra suprir os estragos que eles faziam, foi alto no total.
— E a maioria das pessoas ficou agradecida. – Laxus completa, bagunçando os fios rosados do outro – Mas se tivesse controlado a sua força, poderia ter ganhado de todos.
— Eu não me importo com isso. – a plateia silencia surpresa no tempo de Happy ir voando para o colo da maga estelar, que o segura atenta ao amplo sorriso do rapaz – Pra ser sincero, eu também meio que fiz de propósito dessa vez, ficar em segundo lugar. – o público soa chocado, mas Makarov, o neto, Mira e Mavis o olham sorrindo sabiamente.
— Quer dizer que destruiu um monte de coisas de propósito? – a titânia ri.
— É. – ele ri também – Sem querer ser grosso com você Erza, mas eu não queria te beijar. – a ruiva sorri compreensivamente ao vê-lo olhar com doçura pra parceira.
— Engraçado... – alguns se voltam para Charlie, flutuando perto do palco e de patas cruzadas – Até parece que os cinco combinaram suas colocações na competição.
— Juro que não! – o Dragneel responde, enfim se aproximando de Lucy e fazendo-a se arrepiar – Lucy, antes que você diga algo, eu quero falar uma coisa... Desde que eu te conheci gostei de você. Você é corajosa, determinada, uma ótima parceira! – Lisanna, um pouco distante deles, olha a confissão com o olhar meio magoado e meio surpreso – Mesmo que grite comigo, é muito divertido fazer missões contigo! Ainda que você seja estranha... – ela transforma o sorriso emocionado em um bico de insatisfação e alguns riem antes de ele voltar a seu rosto – Então, eu conversei com o Jellal e perguntei o que podia fazer para ficar em segundo lugar, e ele me deu a ideia...
— De fazer o que ele sabe fazer de melhor: destruir as coisas! – Jellal grita e todos, excerto o dragão do fogo, riem – Ei Natsu! Você não queria perguntar alguma coisa pra Lucy? – o filho de Igneel cora, fazendo um bico tímido.
— É verdade Natsu? – a loira sente o sorriso ampliar automaticamente – E o que é?
— Bom... – ele sorri também – Happy, você me dá uma força?
— Aye sir! – o Exceed ergue a pata e voa até uma das pilastras, retirando um balão vermelho em forma de coração do barbante e entregando para Natsu.
— Valeu! – o jovem se vira para a maga, entregando o balão – Lucy, você quer ser a minha namorada? – ainda do balcão, Mavis festeja saltitando de pé, sem que ninguém repare nem nela ou no brilho mágico flutuando ao seu lado discretamente.
As pessoas animadas começam a gritar, assoviar e bater palmas. A essa altura do campeonato, os outros casais que tinham saído já voltaram e estão vendo a declaração. Gray se apressa em jogar um cubo de gelo na cabeça do Dragon Slayer, que toca o lugar acertado e vira para o amigo já começando a se irritar.
— Falou bem esquentadinho! – ele elogia aplaudindo, envergonhando-o ainda mais.
Lucy esconde o enorme sorriso que toma conta do seu rosto atrás do balão. Com o canto dos olhos, ela fita Erza, que faz um sinal pra responder logo a pergunta do amado. Do outro lado do palco, a Strauss mais nova está apreensiva, todavia a loira tem a ligeira sensação de vê-la sorrir conformada pouco depois. Tomando fôlego, a garota abaixa seu balão e dá alguns pulinhos enérgicos, balançando a cabeça com lágrimas nos olhos.
— Sim! – Natsu suspira aliviado e os que estavam segurando a respiração também – Sim, eu quero! – ela confirma de novo e o sorriso dele se amplia.
— Então... – Mirajane chega por trás da amiga, colocando as mãos nos ombros dela – São dois beijos: um pelo segundo lugar e outro pelo começo do namoro. Vai! – ela a empurra de leve e o Salamandra abraça-a com carinho, beijando em seguida.
Os espectadores vão à loucura, seja de frustração da parte masculina ou de alegria, em especial por finalmente o ingênuo e bobalhão dragão do fogo ter desencalhado. Pelo canto dos seus olhos, em meio aos aplausos, Mira checa a irmã e sorri ao vê-la aplaudir também, aceitando sua derrota. Foi uma simples tempestade em copo d'água... E então, Laxus e a maga Take Over pegam o microfone ao mesmo tempo e falam juntos.
— E o primeiro lugar da competição do Dia dos Namorados da Fairy Tail vai para... – a titânia prende a respiração – Jellal! – todo mundo vibra enquanto ele sobe no palco sem tentar esconder a felicidade de ter ganhado o desafio, com seu sorriso convencido.
— Posso? – o mago pede o fone emprestado e o casal "pausa dramática" o entrega – Obrigado... Eu ia falar algo parecido com o que o Natsu disse, mas já que ele roubou a minha ideia... – ri da cara feia do rapaz, abraçando a namorada por trás pela cintura – Eu vou tentar improvisar... – a ruiva cerra os punhos conforme ele chega perto, respirando rápido, mais corada do que o vitorioso – Melhor ainda, eu vou simplificar... Erza, eu te amo. – ela ri com a mais pura emoção e os dois tentam ignorar a plateia barulhenta – Eu sei que te causei diversos problemas, machuquei a minha melhor amiga, por isso tenho uma grande divida com você. Mas... Se você permitir, eu quero muito passar o resto da vida me redimindo por tanto sofrimento. – o público silencia automaticamente.
— Ei, é só pedir ela em namoro, não em casamento! – o mago do gelo grita do nada e a zangada Scarlet joga uma das suas espadas nele, que ao tentar desviar cai no chão.
— Cala a boca Gray! – Natsu ri, sendo acertado bem na testa por uma bola de neve formada pela magia conjunta do amigo com a de Juvia e logo provocando uma briga ao saltar do palco para cima do rival – Bando de crianças... Jellal, eu aceito!
As garotas vão felicitar o casal, e quando a maga estelar e a da chuva conseguem separar os namorados eles também os parabenizam. O mestre abençoa as novas uniões, notando que a sorridente Mavis faz o mesmo. Contudo, antes da loirinha sair pela porta da guilda junto da luz que a acompanha, seu semblante se altera radicalmente para uma expressão triste e preocupada. Makarov consegue notar, e Lucy também.
...
— Você fez o que eu disse? – pergunta uma das graciosas moças, aquela com asas douradas e vermelhas, bem abaixo duma ameixeira plantada em sua casa.
— Sim. – responde a outra loira, sorrindo encantadoramente – Você também é uma ótima estrategista. Gostaria que trabalhássemos juntas orientando os membros da guilda durante uma luta. – a fada sorri igualmente, mais melancólica.
— É o que estamos fazendo. – o espírito deixa o sorriso cair – E está dando certo, o curso da história... Está mudando devagar. – ela toca o próprio peito, fechando os olhos e inspirando profundamente em um estado quase de paz – A magia começou a fluir pela vida, a nosso favor, pulsando como o coração de um bebê. – finaliza ao encarar a amiga novamente – Logo todos conhecerão o início da sua história. É chegada a hora Mavis.
— Não, ainda não! – a menina descalça balança a cabeça, incitando um choro – Ele ainda está longe, os outros ainda não estão prontos!
— Você fez o que tinha de fazer. – a voz melodiosa da companheira a tranquiliza – Neste momento em que a Fairy Tail já deu o primeiro passo pra ingressar no caminho da verdade, é a sua vez. Em breve retornará para o confronto final. Agora... Deixe-os.
— Mas... Eu não posso ir embora assim! Eles sentirão minha falta!
— Você nunca os abandonará realmente, mas precisa vir comigo. Eles devem andar com as próprias pernas por um tempo, sofrendo e aprendendo por si mesmos nesta nova etapa de suas vidas. Lucy pode dar conta de orientá-los se precisarem de ajuda, como as asas da segunda fada escolhida. Ela já mostrou seu valor desde que foi capaz de saber a localização de seu suposto túmulo antes de todos. Além do mais, estaremos observando, como as fadas já faziam até agora durante os desastres da Ilha Tenrou, o medo de todos nos Jogos Mágicos, a fúria do Eclipse, visando, sobretudo, cada bom momento. Não os desampararemos justo quando mais precisam. E você estará ao nosso lado por enquanto.
— E quanto à Zeref? O que faremos sobre Acnologia, E.N.D., e quanto a mim?
— Permita que a destruição e a morte confrontem o fim, pra magia tornar possível o recomeço de uma história melhor. – a pequena mestra abaixa ainda mais a cabeça, com os olhos marejados e negando cada palavra, então Vitalina sorri – Mavis, você pode não saber, mas sua magia é abençoada pelas fadas. – seu sorriso se amplia ao vê-la se dispor a encara-la cheia de surpresa – Cada um de seus belos dons, tendo origem nas trevas ou na luz, não importa; são todos maravilhosos. Como os da minha irmã...
— Vivienne teve mais coragem para fazer o certo do que eu tenho agora, e é a hora!
— Ah querida Mavis, não tenha medo! A sua luz é perfeitamente capaz de guiar as trevas para longe da perdição. Você sim pode impedir Zeref de consumir tudo e a todos, além de si mesmo, basta crer na sua força! Mal faz ideia do quanto é poderosa.
— Minha magia pode ser abençoada, só que não é um dom forte o bastante ainda!
— Não estou falando desse tipo de magia, e eu sei que você entende. – a loirinha de estatura menor cora, fazendo a outra rir, então começa a segui-la para fora do jardim nas passadas curtas até parar no portal da sala de jantar, apoiando-se na porta de vidro pelos míseros segundos de sobressalto ao ver a pintura mais recente da fada exposta na parede da entrada – Suas habilidades se estendem além do que pode ser visto. Os sentimentos e as emoções são o mais importante, mas muitos têm dificuldade de entender isso.
— Essa... – Mavis gagueja ainda parada, com as pupilas dilatadas – Essa sou eu?
— Poderia ser. – a bela amiga lhe responde, sorrindo diante a imagem pincelada por sua própria vontade da adorável maga da luz olhando carinhosamente dentro dos olhos do temido mago negro, ambos em feições mais maduras e com vestes bem semelhantes às costumeiras, porém num estilo mais romantizado – Eu estava inspirada nesse dia.
— Estava “inspirada”?! Olhe para isso! Nós parecemos amantes desafortunados, se encontrando na sacada de um quarto no meio da noite...! Durante... Uma lua cheia, com o vento balançando a cortina transparente... E as flores de cerejeira... – a voz antes cheia de vergonha e descrença vai se tornando mais calma, conforme ela encara seus dedos da mão esquerda entrelaçados com os de Zeref enquanto o braço esquerdo dele puxa-a pela cintura, parecendo num tom suave, para encaixar perfeitamente seus corpos.
— Eu fiz essa pintura como o seu incentivo pessoal, e uma lição extra de amor. Por isso não usei outra parede para pintar e preferi colocar meu último trabalho num quadro. – Vita voa pra retirar o enorme retrato do lugar e coloca com cuidado no chão, em frente à convidada ainda muda que lhe provoca uma risada – É sua. De nada.
— Mas... Eu...! – a criadora da Fairy Tail olha nervosa e rubra para sua mentora.
— Seja a luz mágica que o desviará da escuridão, faça com que ele nunca mais sinta receio de tocar a vida, e dê-lhe uma chance de lidar com sua dor; assim, sobre suas asas, o mago negro estará seguro da rejeição humana e, ao fim de tudo, também acreditará em um recomeço! Mas... Antes de confrontá-lo, você precisa estar pronta.
— E o que devo fazer? – Vitalina segura suas mãos e olha dentro de seus olhos.
— Você confia em mim? – Mavis acena em concordância e de repente se vê no ar, flutuando como se não pesasse nada para a gravidade – Então eu vou treina-la. Quando nós retornarmos, as coisas vão estar muito diferentes, porém, tudo é um mal para o bem maior. Com o fogo da magia ancestral reaceso, você será uma das pilastras de apoio pra prosperidade da vida, de sua guilda e do mundo todo; a que ninguém tentará derrubar. E ao fim, se for pro melhor, como assim espero... Trevas e luz, dragões e fadas, provarão do sabor doce da verdadeira magia suprema, de uma forma que jamais se viu igual.
Fim

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