Competições de Abril
9 Surpresas
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL
CAPÍTULO VIII — SURPRESAS
Eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Dez anos se passaram desde que eu a vi pela última vez, dentro de um caixão, prestes a ser enterrada. Mesmo que tenha envelhecido, ela continuava com os mesmo olhos azuis marcantes e as maçãs do rosto marcadas. Aquela mulher que acabara de levar um tiro, enquanto lutava habilmente contra dois homens altos e que deveriam ter o dobro de sua força era a mesma garota por quem tinha me apaixonado ainda criança: Sara Hopper.
O mais surpreendente ainda era que Cait parecia conhecer a garota e ajudava a pressionar um lenço que Sara carregava consigo para impedir uma hemorragia, enquanto a loira parecia ligar para alguém. Até o momento, Sara não disse nada a nós. Parecia estar falando em outro idioma com a pessoa do outro lado da linha e eu só conseguia me perguntar sobre o que estava acontecendo. Por que a pessoa que deveria ter morrido há dez anos está de frente para mim mais viva do que nunca?
— Precisamos te levar ao hospital. — Afirma Cait, preocupada.
— Não precisa. Tia Tasha está vindo. — Responde, suspirando em seguida. Ela finalmente me encara e vejo um brilho triste em seus olhos azuis. — Isso não deveria ter acontecido.
— Você morreu. Por que está aqui? Como é possível você estar aqui, quando eu te vi morta em um caixão? — Pergunto, sem saber o que pensar. Ao mesmo tempo em que eu estava aliviado de vê-la viva, eu me sentia traído e magoado.
— Espere um pouco. Você está me dizendo que a Sara, minha colega de quarto, é na verdade a sua Sara, amiga de infância? — Pergunta Cait, chocada com a informação. Ela se vira para Sara, esperando alguma explicação. — Isso é verdade?
Sara encara a amiga e suspira, assentindo. A garota que estava com a peruca branca permanece estática por um tempo e desvia o olhar para confirmar o meu estado. Assim como eu, Cait parecia não saber como reagir. E em meio ao silêncio pesado que havia entre nós, uma mulher pilotando uma moto aparece de repente no beco sem saída do Hawkeye, acompanhada de uma van preta. Não demoro a reconhecer Natasha Romanoff com seus inconfundíveis cabelos rubros. Ela corre em direção a Sara e nos encara surpresa.
— Droga, Sara. — Resmunga tia Tasha e a garota se encolhe, como fazia sempre que alguém brigava com ela quando criança. — Eu pedi para que tivesse cuidado e não entrasse em uma perseguição sozinha. Por que você nunca me escuta?
— Desculpa, tia Tasha. — Lamenta Sara, parecendo realmente arrependida. — Eu apenas pensei que conseguiria lidar com aqueles dois idiotas...
— E com isso colocou sua vida e a de inocentes em perigo. — A mulher que nos conhece desde que éramos crianças interrompe Sara com um olhar repreendedor assustador. — Caitlin e Barry poderiam ter morrido por causa das suas ações impensáveis.
— Será que poderiam nos explicar sobre o que está acontecendo aqui? — Pergunta Cait, colocando-se ao meu lado. — Tudo o que eu entendi até o momento é que Sara Lance e Sara Hopper são as mesmas pessoas, o que deveria ser algo impossível, já que Sara Hopper morreu a dez anos atrás. Mas, se isso realmente aconteceu e é algo que eu tenho escutado de todos desde que comecei a trabalhar no Hawkeye, então por que ela está aqui?
— Antes de tudo, é melhor cuidar do ferimento de Sara primeiro. Vamos para a van. Enquanto eu retiro a bala do ombro dela, eu explico tudo para vocês. — Garante tia Tasha, ajudando Sara a se levantar.
— O quê? Nós não deveríamos levá-la ao hospital? — Pergunto, preocupado com Sara. Eu ainda estava bastante confuso e ansioso por respostas, mas a pessoa que eu mais desejei que estivesse viva por dez anos havia acabado de levar um tiro e não parava de sangrar.
— É como vocês disseram. Eu deveria estar morta. Ir ao hospital seria perigoso para manter a minha identidade. — Explica Sara, tentando dar um sorriso tranquilizador, mas era evidente que estava sentindo dor. — Além disso, não foi tão ruim quanto vocês imaginam. Tia Tasha é habilidosa o bastante para cuidar disso.
Receosos, seguimos para a van estacionada nos fundos do Hawkeye, assim como orientado pela agente do CIA. Eu estava nervoso. Tudo era surreal demais para mim. E então sinto a mão de Cait sobre a minha, trazendo uma segurança que eu jamais imaginei que ela conseguiria. Encaro a garota, que dá um sorriso encorajador. Sinceramente, essa noite estava sendo repleta de surpresas e eu não sabia dizer qual era a mais impactante.
Assim que chegamos na van, Natasha abre a porta e vejo que o local realmente parecia preparada para realizar um atendimento médico. Era exatamente como uma ambulância, só que completamente preta e sem as sirenes. Sara entra na van e se senta sobre a maca hospitalar, enquanto a agente ruiva faz sinal para que entrássemos e nos sentássemos nos bancos ao lado da maca.
Devidamente acomodados, tia Tasha entra e fecha a porta da van. Ela nos encara com seriedade e suspira, enquanto Sara tira a blusa que usava, ficando apenas de sutiã. A agente ruiva pega uma caixa de primeiros socorros, coloca luvas descartáveis e entrega um pano para Sara, que o coloca na boca. As duas trocam olhares e após a loira assentir, tia Tasha começa a retirar a bala que estava alojada no ombro de Sara. Ela morde o pano durante o processo, tentando controlar a dor que sentia.
— A sua sorte é que a bala ficou alojada em um local fácil de tirar. — Afirma tia Tasha, puxando a bala de dentro de Sara. Ela joga o fragmento metálico sobre uma bandeja de inox e pega compressas de gaze para colocar sobre o ferimento e estancar o sangue. — Barry, pressione o ferimento, enquanto eu pego a linha e a linha para suturar.
— Tudo bem. — Concordo, fazendo o que a ruiva havia orientado. Sara respirava fundo várias vezes. Aquilo era realmente doloroso. Encaro a loira por um tempo, reconhecendo cada traço seu. Ela havia crescido, mas ainda possuía suas características de quando criança.
— Pode soltar. — Informa tia Tasha, com a ferramenta parecida com uma tesoura que prendia a agulha em forma de anzol em mãos. Ela começa a costura com a agulha e a linha entrando pela pele e em seguida, o fio é puxado de volta para a superfície para fechar o nó. O porta-agulha ajuda a fazer o nó e fechar o ponto. A mulher possuía uma habilidade impressionante com os materiais cirúrgicos. — Antes de explicar o que aconteceu, eu queria te pedir desculpas, Barry. Na minha profissão, mentir é algo tão natural quanto respirar, mas nunca foi fácil fazer isso com você e seus primos.
— Então por que você fez? Por que mentiu para nós, tia Tasha? Por que não nos contou que a Sara estava viva? Por que permitiu que isso acontecesse mesmo sabendo o quanto a morte dela tinha afetado a nossa família? — Pergunto, expondo toda a minha indignação. A raiva e o sentimento de traição estavam começando a sobressair o choque da surpresa que foi encontrar Sara viva. A agente termina de suturar o ferimento de Sara com uma expressão indescritível. Aquilo era ainda mais frustante. Eu esperava ao menos uma reação de minha tia de consideração, mas eu não fazia ideia do que se passava em sua mente. — Por que, tia Tasha?
— Porque eu pedi. — Responde Sara, cuspindo o pano que estava em sua boca. Tia Tasha se afasta e encara a loira com repreensão, mas Sara continua. — Eu pedi que tia Tasha me ajudasse a entrar em um dos programas de experimento da CIA. Ela não queria, mas eu não aguentava mais viver com as sessões de quimioterapia e radioterapia. Eu só tinha alguns meses de vida mesma. Não tinha nada a perder.
— Nada a perder? E sua família? Seus amigos, Sara? — Questiono, sem acreditar nas palavras de minha prima de consideração. — Você tem noção de como todos ficamos quando você morreu? Seus pais se separaram porque não conseguiam lidar com a culpa pela sua morte!
— Está enganado. — Afirma Sara com seriedade. Naquele momento, vejo que aquela linda garota podia ser a minha prima, mas não era mais a mesma garota doce e ingênua de dez anos atrás. Há uma força e intensidade em seus olhos que chegava a ser intimidante. — Meus pais só estavam juntos ainda, porque eu estava doente. Não havia mais amor em seu casamento e minha mãe já estava apaixonada por outra pessoa. No entanto, depois que eu morri, eles finalmente criaram coragem para seguir seus caminhos.
— Isso não é desculpa para...
— Eu sei. — Sara me interrompe, suspirando. — Nada justifica a minha decisão. Eu sei que a minha suposta morte foi um choque para vocês. Mas eu sentia que eu precisava fazer algo maior, Barry. Você não faz ideia do que é crescer ouvindo dos médicos que você morreria antes dos quinze anos. Não sabe o quão desgastante e doloroso é ter que passar por procedimentos tão agressivos quanto os que passei durante toda a minha infância. Meus únicos momentos felizes eram quando nós íamos nos acampamentos do tio Clint, no entanto, depois de ir embora, eu voltava a minha realidade torturante. Eu ouvia as brigas constantes de meus pais em casa, dificilmente conseguia frequentar as aulas e a única amiga que estava sempre comigo era Nancy. Eu sobrevivia a cada dia com uma parte de mim morrendo a cada noite.
"E um dia, em mais um de nossos acampamentos, eu ouvi tia Tasha conversando com um de seus superiores sobre um programa secreto que a CIA planejava inicia com adolescentes.O programa consistia em treinar crianças e adolescentes para se tornarem agentes especiais. Eles queriam ver o quanto o desempenho de seus agentes poderiam melhor se eles os desenvolvessem desde a infância e sem contato com amigos e famílias. Basicamente, as crianças precisavam ser consideradas mortas pela sociedade e se tornarem fantasmas." — Conta Sara, vestindo uma blusa nova entregue pela agente ruiva. — Isso era perfeito para mim, afinal, eu estava morrendo mesmo. Qual seria a diferença?
— E você concordou com isso? — Pergunto a tia Tasha, que suspira e se senta ao lado de Sara.
— É claro que não. Vocês são como minha família, Barry. Acha que eu queria que vocês se envolvessem em algo tão perigoso quanto a minha vida? Eu sou uma espiã russa que trabalha para o governo norte-americano. Durante a minha vida inteira eu pensei que por não ter nenhum parente vivo e pela minha vida, eu jamais entenderia o que é fazer parte de uma família. Mas vocês e seus tios me fizeram entender. Vocês são como a minha família, então é claro que eu jamais concordei que a Sara se envolvesse nisso. Mas parece que todos os sobrinhos de Clint têm tendências a se envolver em problemas. Vocês podem não compartilhar o mesmo sangue, mas são incrivelmente teimosos, curiosos e inteligentes. Não conseguem aceitar um "não" como resposta quando colocam algo na cabeça. Até mesmo Eleven, que é a mais nova sobrinha de Clint está envolvida com Mike Wheeler, o filho do presidente do laboratório que ela foi mantida presa por anos e um dos garotos mais visado pela mídia. É impressionante como vocês parecem procurar problemas. — Resmunga tia Tasha e infelizmente eu tinha que concordar com ela.
— Durante o acampamento, eu disse ao Aaron que achava que ele jamais venceria uma briga com o Damon e dei a entender que o Damon tinha dito isso para o Oliver. Aaron estava tentando ser o melhor em tudo e eu sabia que o Damon era impulsivo e na primeira oportunidade acabaria batendo em Aaron. — Explica Sara, dando um sorriso divertido.
— Mentira! Aquele dia foi tão incrível. Ver o Damon quebrando a cara do Aaron foi tão satisfatório. — Comento, rindo ao lembrar da reação de todos ao ver a tentativa ridícula do irmão mais velho de Austin de tentar bater em Damon. Era óbvio que ele não deu conta e acabou quebrando três dentes da frente para aprender a ser menos babaca. — Ninguém gosta do Aaron. Acho que só os pais dele mesmo. Não entendo como as pessoas podem ser tão lerdas para não ver o que está na cara delas.
— Eu também me pergunto isso, Barry. — Ironiza Cait e eu a encaro confuso. A garota de peruca branca bufa e se vira para Sara. — Ah, esquece. Continua Sara.
— Enfim, eu juntei o útil ao agradável. Eu criei a distração perfeita, algo grande o bastante para manter tia Tasha e tio Clint ocupados por pelo menos dez minutos. Você sabe, quando o Damon entra em uma briga...
— Ele dificilmente sai. — Complemento e ela assente, concordando.
— E como ninguém gosta do Aaron mesmo, eu sabia que vocês não iriam interferir na briga. Tia Tasha e tio Clint teriam que fazer isso sozinhos e demoraria mais tempo para separar Aaron e Damon. Então, enquanto todos estavam distraídos com a briga, eu peguei o celular da tia Tasha e liguei para o chefe dela. Contei do meu interesse e que estava disposta a fazer o que fosse preciso para participar do novo programa deles. Mesmo que fosse só por alguns meses, eu precisava tentar. — Continua Sara, dando um fraco sorriso. Ainda assim, eu via o brilho de animação em seus olhos.
— E meu chefe também recusou o pedido de Sara. — Fala tia Tasha, surpreendendo-nos. — Ele precisava de crianças e adolescentes saudáveis. Sara estava lutando contra a leucemia a cinco anos. Ele sabia que o corpo dela estava muito frágil e que ela não aguentaria o treinamento naquelas condições.
— Mas eu não desisti. Eu tinha colocado em minha cabeça que entraria no programa a qualquer custo, então recorri a única pessoa que teria as influências e ferramentas necessárias para isso. — Explica Sara e eu não precisava de mais informações para entender o que ela estava dizendo.
— Tio Clint. — Respondo e ela assente, concordando. — É claro que ele estaria por trás disso.
— A cada dia que se passa, mais eu me pergunto o que o Clint é. — Comenta Cait, surpresa.
— Ele concordou em me ajudar a entrar no programa da CIA, mas com uma condição. Eu precisava superar dois grandes desafios que seriam as provas necessárias para mostrar ao agente Fury que eu tinha todas as qualidades necessárias para fazer parte da S.H.I.E.L.D. — Continua a garota e tia Tasha suspira, inconformada. Sara dá um sorriso fraco, encarando a ruiva. — A primeira exigência do CIA para participar do programa é a criança ou o adolescente se tornar um fantasma para o mundo. Isso significava que eu precisava morrer para família e amigos. Então, se eu conseguisse convencer a todos que eu morri, eu já estaria cumprindo com a primeira exigência do programa. A segunda prova era sobreviver a um estudo de tio Clint que poderia me curar da leucemia. Era um experimento recente e perigoso. Não havia nenhuma prova de que eu sobreviveria e nem sabia quais seriam os efeitos colaterais. Se eu falhasse em qualquer um dos desafios, eu teria que desistir de qualquer forma. E bem, vocês devem imaginar qual foi a minha resposta.
— Eu não sei quem foi o mais louco nessa história. Como Clint pôde concordar com essa ideia e ainda propor um acordo como esse? — Pergunta Cait, demonstrando toda a sua revolta.
— Ele é louco. Um verdadeiro irresponsável. — Afirma Natasha, revelando um pouco de mágoa em seu tom de voz. E nesse momento, entendo pelo menos uma parte do que aconteceu a dez anos atrás com a separação de tio Clint e tia Tasha.
— Você terminou com ele, porque não podia admitir que por causa dele, Sara se tornou uma agente da CIA. — Concluo e tia Tasha, balança a cabeça, negando.
— Isso contribuiu, é claro. Mas não foi por isso. E nem importa mais. Já faz muito tempo que tudo aconteceu. Nós já seguimos em frente e colocamos um ponto final em nossa história. — E para alguém que é tão boa em mentira, Natasha Romanoff não conseguia esconder que a história deles estava longe de ter um ponto final.
— Que tratamento era esse? — Pergunto e Sara dar aquele mesmo olhar que dava quando éramos crianças e eu tinha feito a pergunta correta. — Eu conheço tio Clint bem o bastante para saber que ele já deveria ter sugerido essa opção ao tio Hopper.
— Mirakuru. — Responde Sara e eu arfo, surpreso. Eu tinha ouvido de tio Clint histórias sobre o tratamento, mas pensei que tudo fosse apenas lendas japonesas.
— Isso é milagre em japonês, certo? — Pergunta Cait, confusa. — É um medicamento japonês?
— Eu não sabia que você falava japonês. — Comenta Sara, surpresa com a nova descoberta.
— Entendo o suficiente. — Responde a garota, dando de ombros. — Mas eu nunca ouvi falar sobre um tratamento chamado Mirakuru. O que é isso?
— Segundo as histórias de tio Clint, Mirakuru foi um soro criado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Esse soro era capaz de aprimorar a capacidade humana, mas possuía muitos efeitos colaterais. Poucas pessoas resistiam ao uso dele. — Explico e Cait me encara surpresa. — Eu achei que isso fosse apenas uma das lendas do tio Clint.
— Felizmente, o Mirakuru é real e foi capaz de curar a minha leucemia. Eu tenho certeza que teria morrido a dez anos atrás se não fosse por ele. — Explica Sara, parecendo estar sendo sincera. — Por causa dos riscos e todos os efeitos colaterais, ele não concordou que o tio Clint usasse o soro em mim. Ele jamais iria se opor ao irmão mais velho, então ele deixou isso de lado. Por isso, depois de minha suposta morte para a sociedade, tio Clint assumiria a responsabilidade por mim e pelo tratamento.
— Isso explica o fato de você ainda estar viva depois de um câncer tão severo quanto a leucemia. Agora como foi que você conseguiu forjar a própria morte aos treze anos de idade? — Pergunta Cait, expondo o que eu mais desejava perguntar.
— Não é tão difícil assim se você tem Clint Barton do seu lado. — Explica Sara, sorrindo convencida. — Tio Clint tem dinheiro, poder, conhecimento e contatos. Tudo o que eu precisei foi das ferramentas corretas e de muita confiança. Então, primeiro eu tive que parar de tomar meus medicamentos para ter uma piora. Depois disso, tio Clint conseguiu Atropa belladonna, um veneno que se ingeridas em maior quantidade, induz a um sono semelhante à morte. Mas eu só tinha doze horas antes de acordar. E é ai que entra o poder e contatos de tio Clint. Por todos estarem muito abalados com a minha morte, ele tomou conta de todo o velório e sepultamento. Eu morri ao amanhecer e fui enterrada duas horas antes do efeito do medicamento passar. Vinte minutos depois que eu fui enterrada, seus contatos me desenterraram e voltaram a fechar o meu túmulo.
— Você usou beladona para simular a sua morte? Isso foi tão arriscado que eu nem consigo dizer qual parte desse plano foi mais perigoso. Você poderia ter morrido de tantas formas durante a execução dessa loucura. — Comenta Cait, perplexa. — Você deu muita sorte de sobreviver, Sara.
— Isso não tem nada a ver com sorte, Cait. — Afirma Sara, sorrindo de forma intimidadora. — Essa é a famosa teimosia e inteligência da família Barton em ação.
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