Competições de Abril
25 Insanidade
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL
CAPÍTULO XXIV — INSANIDADE
— Não! — O grito deixa meus lábios, sentindo meu peito se apertar ao me dar conta do que tinha acabado de acontecer.
Cisco estava morto. Um dos meus melhores amigos havia sido morto e eu não pude fazer nada. Tudo parecia ter ocorrido em câmera lenta. Uma hora estávamos fazendo promessas de sair dessa de uma vez por todas e garantir a segurança de nossas famílias, em outra, Lisa Snart aparece e atira sem qualquer hesitação no rapaz, que apesar de suas péssimas escolhas, não parecia querer machucar ninguém.
Lisa apontava a arma para nós, pronta para nos matar. Cait chorava em silêncio, ainda perplexa pela morte de Cisco. Tento pensar uma forma de nos tirar dessa situação, mas assim como ela, eu só conseguia encarar meu melhor amigo estirado no chão. O comparsa de Lisa não demora a aparecer, provavelmente havia se surpreendido com o som do disparo.
— O que houve? — Pergunta Hiroki, com uma arma em mãos. Ele não demora a notar Cisco no chão e aponta para ele. — O que ele fez?
— Tentou libertar os amiguinhos. — Explica Lisa, entediada. — Nunca imaginei que ele seria burro a esse ponto.
— As ferramentas já estão prontas. — Avisa Hiroki, dando um sorriso perigoso. A informação dada pelo comparsa parece despertar o interesse de Lisa. — Como você vai querer fazer? Sugiro que você torture um, enquanto o outro assiste. É sempre divertido ver os dois implorando para que pare. Eles geralmente têm tendência a concordar com qualquer coisa que você quiser.
— Interessante. É uma ótima ideia. — Concorda Lisa, aproximando-se de Cait até colocar a arma na cabeça dela. Isso me deixa em alerta. Minha namorada encara a agente com os olhos brilhando em fúria, enquanto as lágrimas continuavam a descer pelo seu belo rosto. — Vai ser divertido te ver implorando pela sua vida.
— Vai para o inferno, vadia! — Cait cospe as palavras com rancor. — Você não vai sair ilesa dessa.
— Seu ego é tão grande que nem mesmo nessa situação você consegue abaixar sua cabeça. — Comenta Lisa, empurrando ainda mais a arma contra a cabeça de Cait, que assiste a tudo sem se deixar ser intimidada. — Isso só torna tudo ainda mais satisfatório para mim. Será ainda mais prazeroso ver você se rastejando pela vida de seu amado.
— Por que você está fazendo isso? — Pergunto, incrédulo com a forma fria com a qual Lisa reagia a essa situação. — Você é uma agente do FBI. Deveria proteger as pessoas e não tirar suas vidas. Como pode achar essa situação divertida?
— Eu não sou mais agente do FBI. — Responde Lisa quase como sentisse repulsar ao se lembrar da agência. Ela então sorri e se afasta de Cait. — É verdade que eu estou me divertindo por ver a insuportável de sua namorada em um estado tão deplorável, mas eu apenas estou atrás do dinheiro. O Hawkins National Laboratory está pedindo uma remuneração muito boa pela cabeça de vocês e pelas provas que essa sonsa possui contra eles. Na verdade, acho que tenho que ser muito grata a vocês por facilitarem tanto a minha vida.
— Do que você está falando? — Questiona Cait, desconfiada.
— O laboratório já estava em busca das provas contra eles há muitos anos. Com a prisão da Dra. Maia Mullins, a Dra. Carla Tannhauser fugiu com todas as informações sobre o Projeto MKUltra. Desde então, eles passaram a procurar por ela em várias partes do país, mas não havia nenhuma pista sobre o paradeiro dela. Quando Cassandra e Christopher tentaram roubar a fórmula do laboratório, eles decidiram acabar com os dois. O que não imaginávamos era que a CIA já estava os investigando. O FBI nunca se deu bem com a CIA, então é claro que ele entrou em ação para tentar descobrir o que era de tão importante para eles estarem se envolvendo em um caso nacional. Durante esse período, a agente Romanoff resolveu confiar em você para fazer a autópsia daqueles malditos. Isso foi um pouco complicado para nós, já que o legista de vocês já era um de nossos infiltrados no Departamento de Polícia de Hawkins. — Conta Lisa, abaixando a arma que apontava para nós. — Como Francisco Ramon era o seu melhor amigo dentro da delegacia, decidimos usá-lo para descobrir as informações que você e a polícia tinha sobre o assassinato daqueles idiotas. Eu só tive que jogar um pouco de charme para cima dele e logo eu tinha todas as informações que precisávamos, inclusive sobre a sua namoradinha genial.
"Quando investigamos sobre ela, descobrimos sobre a ligação dela com a Dra. Carla Tannhauser. A partir disso, nós só precisamos buscar mais um pouco para saber a localização de sua família. O grande problema é que depois que eles conseguiram interceptar a doutora quando ela foi entregar as provas a polícia, ela havia sido esperta e as escondeu em algum outro lugar depois que fugiu de Hawkins. Com a perda de memória ocasionada no acidente de carro, ela esqueceu sobre essa informações e onde escondeu as provas. De qualquer forma, o presidente tem certeza de que ela deixaria esse tipo de documento em um lugar onde você pudesse encontrar." — Lisa encara Cait com intensidade. — Por isso, seja uma boa menina e colabore com a gente.
— Mesmo que eu soubesse onde essa provas estão, acha mesmo que eu as entregaria a você? — Questiona Cait com um sorriso irônico em seus lábios. — Além disso, eu não sei se você sabe, mas você mexeu com um sobrinho de Clint Barton. E isso não vai acabar bem para você.
Encaro Cait sem entender o motivo dela ter citado meu tio tão repentinamente. Nesse momento, vejo pela janela que estavam ao nosso lado e coberta por algumas tábuas de madeira, os inconfundíveis cabelos escarlates de Haru. Sorrio discretamente ao entender o que minha namorada estava tentando fazer. Se conseguisse prender a atenção de nossos sequestradores, a entrada brusca dos irmãos Onizaki seria muito mais efetiva.
— O quê? Tentando me ameaçar com o poder de um cara com um parafuso a menos? Não me faça rir. Acha mesmo que ele seria alguma ameaça para o maior laboratório do planeta e a para a maior organização criminosa do mundo? — Ironiza Lisa, alheia ao movimento ao redor da casa.
— Você com certeza não conhece Clint Barton. — Afirmo, sorrindo convencido. — Ele não apenas possui dinheiro como também tem poder e conhecimento. É só uma questão de tempo até que vocês dois conheçam o inferno na Terra. Sinceramente, se vocês acham que suas torturas tradicionais são assustadoras, é porque vocês não conhecem o verdadeiro terror. Tio Clint parece saber exatamente qual o seu maior medo e o trabalha com maestria para torná-lo ainda pior. Ele é a pessoa mais inteligente e insana que eu conheço. E caso não saibam, essa é a combinação mais perigosa que existe.
— Vocês não vão...
Um forte estrondo ecoam pela casa de madeira, assustando Hiroki e Lisa. Antes que o homem tivesse alguma reação, ele é atingindo com um dardo e no mesmo instante cai inconsciente no chão. Lisa tenta atirar nos invasores, mas Cait havia conseguido se soltar e empurra a ex-agente, fazendo com que sua arma caia longe. Somente nesse momento, percebo que Cisco tinha conseguido soltar as cordas de Cait e ela permaneceu todo esse tempo esperando o instante correto para atacar.
Natsu, Haru e Aki invadem a casa com mais outras cinco pessoas usando máscaras de proteção contra gases. A mais nova dos irmãos corre em minha direção depois do sinal do irmão para me desamarrar e os outros se espalham pelo local, parecendo fazer uma vistoria pela casa. Enquanto isso, observo Cait dar vários socos no rosto de Lisa, que cai desorientada.
Minha namorada aproveita para distribuir uma série de chutes contra a ex-agente do FBI, que se encolhe, tentando se proteger. Cait não dava chance alguma de Lisa atacar. Ela então puxa a assassina pelos cabelos e a arrasta pela casa, enquanto Lisa tentava a todo custo se soltar. Natsu assistia a cena, não dando sinais de que iria interferir na sessão de espancamento de Cait contra Lisa. Na verdade, ele parecia estar se divertindo com o que acontecia.
— Você está bem? — Pergunta Haru, quando finalmente consegue me soltar das cordas.
— Sim. — Respondo, finalmente me levantando. Minha cabeça ainda doía pelo golpe que recebi de Cisco, mas com tudo que estava acontecendo, eu nem mesmo me importava mais com isso. Olho então para o meu melhor amigo que estava sendo analisado por Aki e corro até ele. — Cisco!
— Sem sinais vitais. — Responde Aki, assim que o alcanço. Essas palavras fazendo meu peito doer. A garota coloca a mão sobre o meu ombro e me encara com tristeza. — Sinto muito, Barry.
— Droga! — Resmungo, sentindo o choro preso em minha garganta. Bato contra o peito de Cisco, sem acreditar que aquilo tinha acontecido. — Droga, Cisco! Nós prometemos que sairíamos dessa vivos. Como pôde morrer pelas mãos desses malditos?
— Você tem certeza de que está bem? Tem um ferimento grande em sua cabeça. — Comenta Haru, aproximando-se com preocupação.
— Eu estou bem. — Afirmo, tentando me recompor.
— Nós deveríamos interferir na briga delas? — Pergunta Aki, apontando para Cait que batia a cabeça de Lisa diversas vezes contra a parede, ainda sendo observada por Natsu e os homens que haviam vindo com eles para nos salvar.
— Ainda não. — Responde Haru, abrindo um sorriso maldoso.
Lisa consegue se soltar em um momento e dá um soco em Cait. Nesse momento, minha namorada cambaleia. Levanto para ir ajudar Cait, mas sou impedido por Haru, que balança a cabeça em negação. A ex-agente do FBI dá mais alguns socos em minha namorada e um chute que a faz cair sobre uma mesa que havia na sala onde estávamos. Natsu parece pronto para interferir na briga, mas Cait logo se levanta e faz sinal para que ele esperasse.
— Não! Eu ainda não deixei a cara dela irreconhecível. — Afirma Cait, limpando um pouco de sangue que descia pelo nariz dela. Lisa estava ainda pior. Com diversos machucados no rosto e muito sangue escorrendo pelo nariz e boca, ela mal se aguentava em pé depois de tantos golpes sofridos. Ela também respirava com dificuldade, quase completamente sem fôlego.
Cait então corre contra Lisa e a empurra contra a parede. A ex-agente aperta o pescoço de minha namorada, que fazia o mesmo com o dela. No entanto, se Cait já é uma pessoa bastante habilidosa para brigas quando está em situações menos revoltantes, agora, tomada por muito ódio reprimido desde o primeiro encontro delas, ela conseguia ser ainda mais assustadora. Em um ataque surpresa, ela dá uma cabeçada em Lisa, que a deixa desorientada.
Com uma velocidade descomunal, Cait pega a cadeira de metal que estava caída perto dela e simplesmente bate com toda a sua força contra Lisa, que cai inconsciente. O sorriso que Cait dar em seguida chega a ser semelhante a de um psicopata. Mais uma vez, eu me via questionando a sanidade e até onde ela era capaz de ir quando está consumida pela fúria.
— Bom, acho que agora sim podemos interferir. — Fala Natsu, sorrindo, enquanto tira a máscara de proteção que usava. — Uau, Cait. Você é mesmo assustadora.
— Uma pena que ainda é de noite. Gostaria de ter cumprindo com a minha promessa de arrastar a cara dela no asfalto quente. — Comenta Cait, jogando a cadeira de metal no chão.
— Você é assustadora. — Respondo, indo até ela, que ri fracamente, antes de alternar seu olhar em Cisco e em mim. Balanço a cabeça, respondendo a pergunta que eu sabia que ela fazia em sua mente naquele momento.
— Eu sinto muito. — Lamenta Cait, abraçando-me com força. — Eu sinto muito mesmo.
— Eu também. — Afirmo, correspondendo ao abraço com mesma intensidade.
— Todos eles vão pagar pelo que fizeram com ele. Nós vamos encontrar as provas contra Ted Wheeler e o Hawkins National Laboratory e fazer todos envolvidos nessa merda morfarem os restos de suas vidas na prisão. Eu prometo. — Fala minha namorada, afastando-se de mim. — Isso não vai ficar assim, Barry.
Os olhos de Cait brilhavam em determinação. A raiva e a indignação gritavam intensamente dentro de nós. Não deixaremos que mais pessoas inocentes morram nas mãos desses malditos. Agora, mais do que nunca, precisamos encontrar as provas contra o Hawkins National Laboratory e mostrar para Ted Wheeler que ele mexeu com as pessoas erradas.
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