Competições de Abril
21 Festival
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IV – COMPETIÇÕES DE ABRIL
CAPÍTULO XX — FESTIVAL
Cait estava extremamente linda. A yukata vermelha e branca com detalhes dourados haviam destacado sua beleza ainda mais. Os olhos cor de amêndoas brilhavam com estrelas e os cabelos castanhos estavam soltos com um enfeite dourado sobre o topete que haviam feito no topo de sua cabeça. O obi vermelho com detalhes dourado era exuberante. Quanto mais eu a encarava, mais encantado eu me sentia por ver aquela linda mulher sorrindo de maneira envergonhada para mim.
Aproximo-me de Cait e estendo minha mão para ajudá-la a andar, já que ela não estava acostumada a andar de geta. Ela respira fundo. Parecia um pouco nervosa, mas ao mesmo tempo, eu conseguia ver sua animação em estar experimentando os costumes japoneses. Cait cruza o braço no meu e nossos professores nos admiram.
— Vocês estão adoráveis. — Comenta a professora Akemi, pegando seu celular. — Eu vou tirar uma foto de vocês dois.
— Tudo bem. — Concordo, posicionando-me melhor com Cait.
— Pronto. — Avisa a mulher, assim que termina de tirar as várias fotos nossa. — Depois eu mando para o celular de vocês.
— Obrigada. — Agradece Cait, animada.
— E o que vão fazer agora? — Pergunta o professor Lawrence.
— Vamos andar pelo festival e depois dar uma olhada pela cidade. Existe algum toque de recolher para nós? — Questiono e o professor nega.
— Apenas queremos tomar o café da manhã com vocês às oito e meia da manhã. — Explica o homem, observando-nos. — Se puderem nos avisar para onde vão e quando chegarem no hotel, nós agradeceríamos muito.
— Faremos isso. — Afirma minha namorada.
— Ótimo. Essa loja funciona vinte e quatro horas no dia de Tanabata Matsuri, então quando saírem, voltem aqui e peguem suas roupas de volta. Eu já expliquei a situação a Sra. Aiko e ela disse que os netos dela estarão aqui para receber as roupas de vocês e eles sabe falar inglês, então precisam se preocupar. Essas são as chaves dos armários onde suas coisas estão guardadas aqui e as notas fiscais da locação das yukatas. Não percam. Tanto a chave quanto a nota fiscal são importantes para vocês pegarem suas coisas. — Explica a professora Akemi, entregando dois papeis e duas chaves para nós. — Aproveitem a noite e juízo.
— Estaremos sempre com nossos celulares. Caso precisem de alguma coisa é só nos ligar ou mandar mensagem. — Orienta o professor Lawrence, sorrindo gentilmente. — Divirtam-se!
Despedimos-nos de nossos professores e seguimos para o festival que ocorria na cidade. Era impressionante todas as luzes e a decoração colorida que enfeitava a grande avenida que foi fechada para acomodar o grande público que estava presente. O que mais me surpreendia era a quantidade de turistas que passeavam e se divertiam com as danças, as apresentações de taiko e com as barracas de suvenir e comida. Tudo era muito animado e divertido.
Cait parecia completamente encantada com todos os detalhes que presenciávamos. E é claro que com a sua beleza, ela não passava despercebida pelas pessoas tanto locais quanto turistas. Eu permanecia sempre perto. Uma parte de mim sentia ciúmes de saber que minha namorada era alvo de tanta admiração, outra orgulho por poder dizer a todos que a bela mulher estava acompanhada de mim e mais uma parte minha temia a presença inesperada da Yakuza.
Por mais que eu tentasse esquecer, eu ainda me sentia bastante inquieto com a possibilidade de nos tornarmos alvos fáceis dos criminosos em seu território. Sem tio Clint, Sara e tia Tasha, não havia nenhuma garantia de que sairemos ilesos se formos sequestrados pela máfia japonesa, que com certeza, não deve ter perdido o interesse no Mirakuru. Assim, eu me mantinha atento a qualquer movimento suspeito. Eu também havia trago alguns equipamentos de espionagens dados por Sara para o caso de termos que lidar com alguma ameaça.
Aproveitamos todas as atrações do festival e de forma surpreendente, conseguimos comer bastante. Graças ao pouco conhecimento de Cait e o dicionário em nossos celulares, conseguíamos nos comunicar com os locais e realizar nossos pedidos. A única coisa que faltava agora era realizar nossos pedidos a Orihime e a Hikoboshi, por isso, agora seguíamos para o nosso último destino do festival. Nós iriamos escrever nossos pedidos no tanzaku e esperar a queima deles que ocorreria em menos de uma hora.
— Esse lugar é incrível. — Comenta Cait com seus olhos brilhando a cada nova descoberta. — Há tanto cor e alegrias. Eu quase não consigo acreditar que tivemos a sorte de conseguir visitar Tóquio exatamente durante um festival que só ocorre uma vez por ano.
— É realmente surpreendente. Mas eu estou ainda mais grato por ter tido a chance de te ver assim. — Respondo com sinceridade e isso parece deixar Cait envergonhada. Ela me dá uma cotovelada, repreendendo-me, mas ainda consigo ver um sorriso satisfeito em seus lábios.
— Para de dizer essas coisas. É vergonhoso. -Resmunga como uma criança e isso me faz rir. Ela é tão bonita e adorável. É impossível não me apaixonar cada dia mais por ela. — Você lembrou de mandar mensagem para a Echo e o seu pai?
— Sim. — Afirmo, relembrando que Echo me mataria assim que voltasse a Hawkins se não mantivesse contato com ela. — E ela fez mais drama, obviamente. Disse que já estava morrendo de saudades e que a casa não era a mesma coisa sem a minha presença. Mas faz só dois dias que eu sai da cidade.
— Ela é muito apegada a você. Não deveria reclamar tanto assim. — Recomenda Cait, dando um fraco sorriso. Ela parece se lembrar de algo doloroso. — A minha relação com a minha mãe nunca foi uma das melhores. Quando criança, ela nunca estava em casa e quando estava, nós sempre discutíamos. Ela nunca foi uma mãe amorosa. Meu pai tentava suprir a ausência dela, mas acho que ele também não levava jeito para ser pai. Sua família é muito amável e divertida. Apesar de tudo, vocês são muito unidos e sempre se ajudam. Eu não tive irmãos e nenhum contato com outros parentes, então sempre quis ter uma família grande.
— Bom, não posso mudar o seu relacionamento com a sua família, mas você faz parte da minha família agora. Na verdade, desde o momento em que você entrou no Hawkeye, você se tornou parte da família Barton. Independente do que aconteça, se estamos juntos ou não, você é um membro da nossa família para sempre. — Afirmo, abraçando-a de lado. Cait me encara surpresa, mas não demora muito para sorrir e se aconchegar em mim.
— Obrigada. — Agradece Cait, suspirando em seguida.
Não demoramos muito para ver o local onde deveríamos colocar os pequenos pedaços de papel coloridos com nossos desejos pendurados em ramos de bambu. Segundo a professora Akemi, cada cor dos tanzakus tem um significado: amarelo é dinheiro, rosa representa amor, vermelho é paixão, azul é proteção e saúde, verde é esperança e branco significa paz.
Depois de tudo o que passamos nos últimos meses, Cait e eu decidimos usar o tanzaku de cor azul. Precisávamos de muita proteção e saúde. Também esperávamos que isso significasse um pouco de sorte para a exposição que iremos participar. Assim que colocamos os tanzakus nos ramos de bambu, assistimos mais algumas atrações do festival e voltamos para devolver as yukatas. Estávamos cansados da longa viagem que fizemos e precisávamos de uma boa noite de sono. No caminho, aproveitamos para tirar muitas fotos.
Cait queria registrar as grandes decorações e outros enfeites espalhados pela cidade. Ela fazia questão de gravar as apresentações que assistíamos ao caminho da loja de yukatas. Não entendíamos a maior parte do que eles diziam, ainda que Cait tivesse um pouco de conhecimento em japonês, não era o suficiente para entendermos tudo o que acontecia. Por fim, apenas apreciávamos as músicas e danças do festival.
Já se passava da meia noite quando chegamos a loja. Estávamos exaustos tanto pelo jet lag quanto pelo tanto que andamos nas getas. Pelo horário, a região já estava bastante calma e víamos poucas pessoas provavelmente retornando para suas casas. Suspiro aliviado ao ver a loja a nossa frente.
— Finalmente chegamos. — Comento e Cait assente, sorrindo cansada.
— Daqui vamos direto para o hotel. Eu estou exausta. — Responde Cait, puxando-me para apressar o passo. Ela realmente parecia desesperadamente dormir.
Assim que entramos na loja, encontramos um rapaz de cabelos platinados e piercings em várias parte do rosto. Ele também tinha algumas tatuagens em seus braços, mas não parecia com as que os Yakuza geralmente usam. Ainda assim, sinto meu corpo ficar completamente alerta. O rapaz tira os olhos do livro que lia e nos encara por alguns instante.
— Os americanos? — Pergunta o rapaz, entediado.
— Sim. Eu sou a Caitlin e esse é o meu namorado, Barry. A sua avó deve ter avisado de que viríamos. Sinto muito pelo horário. — Lamenta Cait, dando um sorriso gentil.
— Não tem problema. Por causa do Tanabata, nós estamos funcionando vinte e quatro horas hoje. — Explica o platinado, em um inglês bem mais fluente do que eu imaginava. Ele parecia bem mais animado pela aproximação de Cait. Observo a cena, esperando que ele tivesse entendido a parte do "namorado" dito por Cait. — Eu me chamo Natsu. Sejam bem-vindos.
— Obrigado. — Agradeço, um pouco desconfiado. Pego as chaves dos nossos armários e as notas fiscais. — Aqui estão os...
Antes que eu continuasse a falar, sou interrompido por duas garotas que aparecem discutindo em japonês. Natsu bufa e parece repreender as meninas, que não demoram muito a perceber a nossa presença. O rapaz fala mais alguma coisa e elas suspiram. Eu não fazia ideia do que eles estavam falando, mas há uma tensão entre eles. As garotas nos encaram por um tempo e vejo um sorriso estranho em uma delas.
— Sinto muito pela gritaria. — Natsu se desculpa, sorrindo sem graça. — Essas são as minhas irmãs, Aki e Haru.
— Primavera, verão e outono. Vocês possuem nomes interessantes. — Comenta Cait, sorrindo divertida. — Elas também falam inglês?
— Sim. É um prazer conhecer. Eu sou a Aki. E como devem imaginar, nossos pais não eram muito criativos nos nomes. — Brinca Aki, sorrindo simpática. A garota de avantajadas maçãs do rosto e longos cabelos negros era realmente muito bonita. Diferente dos irmãos, era a mais discreta.
— Se tivéssemos mais um irmão ou irmã, eles provavelmente colocariam Fuyu. — Concorda Haru, divertida. Ela parecia ser a caçula dos três. Haru tinha os cabelos curtos avermelhados e ondulados. A garota também tinha algumas tatuagens e piercings em suas orelhas. Haru se aproxima lentamente e por instinto, fico na frente de Cait. — Quem diria que nós iríamos conhecer um dos sobrinhos de Clint Barton.
— Haru! — Natsu repreende a irmã, que ri e dá de ombros.
— Vocês conhecem o tio Clint? — Pergunto, cauteloso.
Eles começam a discuti em japonês e novamente não consigo entender nada. Cait se aproxima de mim e entrelaça sua mão na minha. Eu não sabia dizer se eles conhecerem tio Clint era algo bom ou não. Por via das dúvidas, permanecíamos em alerta. Pego um dos acessórios dados por Sara e entrego disfarçadamente para Cait.
— Não se preocupem. Não somos inimigos. — Afirma Aki, tentando nos tranquilizar. — Clint nos ajudou uma vez quando estávamos em apuros e temos uma grande dívida com ele. Clint nos avisou que vocês viriam e pediu que cuidássemos de vocês.
— Era para ser segredo, mas a boca grande da Haru falou mais do que devia. — Repreende Natsu, olhando feio para a irmã mais nova.
— Em momento algum eu concordei que deveríamos manter o fato em segredo. Eu estava curiosa para conhecer as pessoas que desafiaram a Yakuza e conseguiram sair vivos. — Justifica Haru e Aki bufa, repreendendo a irmã. — O quê?
— Você não pode falar isso com a loja aberta! — Resmunga Aki, correndo para abaixar as portas da loja. Cait e eu permanecemos perdidos sobre como deveríamos reagir aos irmãos.
— Por que vocês não se trocam? Nós vamos levar vocês a um lugar e explicar tudo o que está acontecendo. — Fala Natsu, suspirando e olhando feio para as irmãs.
— O que você acha? — Sussurro para Cait que estava ao meu lado com a pequena bomba de fumaça que Sara havia me dado em mãos. — Devemos fugir?
— A loja está fechada de qualquer forma. — Responde no mesmo tom, olhando discretamente para trás. Aki permanecia na porta de entrada da loja, onde havia fechado para que ninguém ouvisse nossa conversa. — Não acho que eles sejam perigosos e parece que são mesmo amigos de Clint. Vamos com ele, mas permanecemos em alerta.
— Tudo bem. — Concordo com o que Natsu sugeriu. — Nós não confiamos em vocês, então se tentarem fazer alguma coisa, nós vamos embora. E vocês já devem saber que nós somos muito bons em fugir de criminosos.
— Não se preocupem. Nós estamos sendo sinceros quando dizemos que temos uma dívida com Clint. Ele nos mataria se fizéssemos qualquer coisa a vocês. Não somos seus inimigos. Pelo contrário. Nós estamos aqui para ajudar vocês. — Afirma Haru, parecendo estar dizendo a verdade. — E o lugar onde queremos levar vocês é do interesse de vocês também, afinal, é por causa disso que vocês estão sendo perseguidos pela Yakuza e pelo Hawkins National Laboratory. Não querem conhecer o que é o Mirakuru?
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