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12 Revelações e trégua


Notas iniciais
Oii, gracinhas! Tudo bem? Wow, acho que eu nunca postei tão rápido na minha vida. Dihabjhsbjhbbwjhbs Comentários me motivam muito, pessoal, então não deixem de comentar, mesmo se for para ser só um "oi". Obrigada a Mareena pelo comentário fofíssimo e parabéns pelo priminho! :3 Obrigada por ler e espero que gostem! ♥

Doze

Diferentemente de todos os outros dias de sua vida, quando o despertador tocou mais cedo naquela manhã, Ben acordou e acordou animado. Se espreguiçou na cama longamente e finalmente se levantou, se dirigindo para o banheiro logo em seguida. Parou e se olhou no espelho, com a cara amassada, cabelo bagunçado e ainda com sono, mas mesmo assim, sorriu. Era hoje que seu plano ia realmente começar, já que a trégua de ontem não deu certo.

Tomou um banho, escovou os dentes e separou uma roupa, agradecendo por não ter que usar uniforme, exceto quando tinha excursão. Deu de ombros, ficaria bem no uniforme também, tudo ficava bem nele de qualquer jeito. Se vestiu e desceu para tomar café da manhã, encontrado como sempre seus pais e Tereza.

⁃ Bom dia! — disse com empolgação e todos olharam para ele.

⁃ Nossa, acordou cedo e de bom humor hoje? — Natasha, sua mãe, perguntou. Ela já estava arrumada com um terninho preto, toda profissional. Ben balançou a cabeça, ponderando.

⁃ Pode-se dizer que sim, hoje é o começo de um novo tempo.

⁃ Que profundo. Quer contar o porquê? — seu pai, Bernardo, perguntou e depois mordeu uma torrada.

⁃ Acho que é muito cedo pra dizer, mas uma hora vocês vão saber.

⁃ Tá certo, então. — sua mãe disse rindo e bebericou seu café.

⁃ Olha só, está todo arrumado. — Tereza disse ao deixar um jarro de suco de laranja natural na mesa e, ao passar por Ben, o cheirou. — Até tomou banho. — Ben fechou a cara e revirou os olhos. — Por um acaso vai conquistar alguém, Ben? — ela completou e deu um sorriso malicioso. Ben se emburrou mais ainda.

⁃ Uuuh, meu menininho está interessado em alguém? — Natasha fez uma voz provocativa e apertou a bochecha do garoto, que afastou sua mão.

⁃ Para mãe, assim você acaba com a minha reputação.

⁃ Ah, deixa disso. Olha, para você conquistar uma garota você precisa ser educado, interessado no que ela fala, gentil...

⁃ Sério que você está me dando dicas sobre isso, mãe? — Ben revirou os olhos. Ele não precisava fazer muito esforço para conquistar, quer dizer, era só olhar pra ele.

⁃ Claro, você é um chato. Um galã, mas chato. De que adianta? — o garoto arregalou os olhos com a sinceridade da mãe. — Até hoje não sei onde foi que eu errei.

⁃ Com ela falando assim nem parece que era sua versão feminina quando tinha sua idade. — Bernardo disse e Natasha atirou uma torrada nele, que riu.

⁃ Agora você que está acabando com a minha reputação, Ber.

⁃ Como assim? Eu sou igual a mamãe na minha idade? — Ben perguntou sem entender.

⁃ Definitivamente. — seu pai afirmou enquanto sua mãe passava geleia em outra torrada, acenando a cabeça em negativa.

⁃ Agora vem à tona tudo que eu lutei para esconder. — suspirou e olhou para os dois. — Olha, não é uma coisa que eu me orgulhe, tá? Mas sim, digamos que eu era um pouco irresponsável.

⁃ Um pouco? Não se preocupava com nada, matava aula, bebia, ficava com uns caras sem noção... — seu pai começou a listar.

⁃ Acho que ele já entendeu, Bernardo, obrigada. — Natasha o interrompeu.

⁃ Iih, te chamou pelo nome, pai.

⁃ Melhor eu já ir para o trabalho... — ele disse com um falso medo, Ben riu e sua mãe fingiu rir.

⁃ Ah, que bonito, os dois engraçadinhos. Enfim, eu era um pequeno caso perdido, até que eu encontrei seu pai, super responsável, bonito, charmoso, educado... — ela se aproximou de Bernardo, o abraçou de lado e começou a beijá-lo com selinhos.

⁃ Argh, acho que eu já entendi. Por favor, parem. — Ben disse fechando os olhos com cara de nojo. Seus pais riram.

⁃ Bom... aí eu não precisei mais de nada daquilo que eu fazia antes. Seu pai me ajudou a mudar para melhor, trazer o melhor de mim e eu o amo por isso. Não só por isso, mas é um dos fatores. — seu pai a abraçou mais apertado ao ouvir aquilo. — O que eu quero dizer é que um dia você vai achar alguém que vai te fazer querer ser melhor. E se você se arrumou todo por causa de uma garota, talvez seja o começo disso. Ela deve ser especial, então trate-a como ela merece ser tratada. — se desvencilhou de seu pai e foi até ele, dando um beijo em sua testa. — Bom, já está na hora de sair. Vamos, querido?

⁃ Vamos. Tchau, filho. Tchau, Tereza. — se levantou da cadeira.

⁃ Tchau, senhor e senhora Moretto.

⁃ Tchau. — Ben disse sem prestar atenção, encarando o cereal.

Ele não sabia de tudo isso entre sua mãe e seu pai. Era engraçado saber que sua super responsável, pontual e preocupada mãe na verdade já foi o oposto daquilo e que seu pai, todo despreocupado, era super responsável.

"Ele me fez querer ser melhor"

Que engraçado, como é que uma pessoa podia mudar tanto outra assim? Parece que cada um passou um pouco de sua personalidade para o outro. Sempre admirou o relacionamento de seus pais, e dos pais de Majô também. Sempre soube da história que eles eram melhores amigos, tinham sonhos juntos e tudo mais. Eles eram uma mistura perfeita, que dava certo até hoje, quer dizer, menos na questão de fazer seus filhos combinarem.

"E se você se arrumou todo por uma garota, talvez seja o começo disso."

Sentiu uma vontade de rir naquela parte. Sim, estava se arrumando por causa de uma garota, mas os motivos eram totalmente diferentes. Estava querendo "impressionar" ela, mas era tudo parte de um plano maior. Tudo bem que o plano era conquitá-la, mas não porque tinha interesse nela, mas sim para lhe ensinar uma lição.

Sim, era só por isso.

⁃ Tá tudo bem com você, Ben? — o garoto assustou com a voz de Tereza.

⁃ O quê?

⁃ É que você está tão preso nos seus pensamentos. Por um acaso pensando na tal garota? — Tereza deu um sorriso malicioso e Ben pensou um pouco.

⁃ É, quase isso. — ela bateu palma animada.

⁃ Ah, estou doida para conhecer a garota que faz meu menino acordar sem que eu precise jogar um balde de água em cima dele. — ele riu. — Apesar de eu já meio que desconfiar quem é.

⁃ Ah é? Quem? — perguntou curioso.

⁃ Não digo nada, só estou jogando no ar. — ela começou a sair.

⁃ Não, agora é sério, Tereza, me diz.

⁃ Tchau, Ben. Já está na hora de você ir. — disse e sumiu de sua vista.

Ele olhou para o relógio de parede e constatou que realmente devia sair, já que queria chegar antes de Marjorie para dar início em seu plano. Subiu as escadas, escovou os dentes rapidamente, pegou sua mochila e saiu em disparada para o carro, onde Armando já o esperava. Olhou para o terreno de sua vizinha e viu que o carro ainda estava ali. Sorriu e entrou em seu próprio.

⁃ Bom dia, Armando.

⁃ Bom dia, senhor Ben.

⁃ Pisa fundo, quero chegar antes dessa daí. — apontou para a casa de Majô.

⁃ Claro, senhor. — ele balançou a cabeça em negativa.

Armando então deu partida no carro, sem pisar tão fundo quanto Ben gostaria, mas chegou na escola a tempo. O garoto subiu as escadas, cumprimentou Antônio e se sentou no banco, já que sabia que o segurança não ia deixá-lo passar. Começou a pensar no que fazer para Majô se apaixonar e teve algumas ideias.

"Olha, para você conquistar uma garota você precisa ser educado, interessado no que ela fala, gentil...", foi o que sua mãe disse. Tá. Ele conseguiria fazer isso, não devia ser tão difícil. Suspirou, pensando.

Enquanto isso a garota estava terminando seu café da manhã. Em seguida, se despediu de seus pais e de Betsy com um beijo na bochecha de cada um e finalmente saiu para o jardim, respirando o ar puro como sempre fazia. Manuel já estava a esperando com a porta aberta, todo profissional. Ele já estava na família há anos e viu tanto Majô como Ben crescerem. Era meio caladão, mas tinha um grande coração e considerava aquelas crianças como seus próprios filhos.

A garota olhou para o lado e viu que o carro dos Moretto ainda estava lá, nem sinal de Ben ou Armando. Suspirou e conteve a vontade de ir socar a porta de seu vizinho e força-lo a sair do jeito que estava. Não estava com paciência para esperar de novo sentada naquele banco desconfortável da escola.

Ignorou aquilo e entrou no carro, pedindo para Manuel ir sem pressa, já que teria que esperar o garoto por um bom tempo. Não deixou de praguejar baixo algumas vezes durante o percurso. Ao chegar na escola, olhou para os lados na esperança de encontrar o dito cujo ou seu carro, também olhou para dentro da escola, apesar de não ter muita visualização. Nada de Benício. Começou a subir as escadas irritada.

⁃ Argh, aquele rato de laboratório... ele vai ver só. Segunda vez que isso acontece. É bom que ele não me faça esperar até... — paralisou ao ver quem estava sentado no banco. Ben virou e olhou para ela, soltando um sorrisinho fofo.

⁃ Oi, Majô. — acenou para ela, que estava com a testa franzida e os olhos semicerrados, achando aquilo tudo muito estranho.

⁃ O que você está fazendo aqui? — ela disse ao se aproximar.

⁃ Bom, eu estudo aqui... — Majô revirou os olhos.

⁃ Quis dizer o que faz aqui tão cedo.

⁃ Ah, eu acordei cedo e resolvi vir. Nada demais. — Majô ainda estava desconfiada.

⁃ Olha se você marcou de se encontrar com alguma garota, faz isso aqui fora, não quero estar algemada a você enquanto se atraca. — Ben revirou os olhos e bufou.

⁃ Eu não posso simplesmente chegar mais cedo?

⁃ Certo, mas saiba que isso é estranho. — ele revirou os olhos outra vez. Antonio os algemou e eles seguiram para mais um dia de aula.

A aula da parte da manhã passou e Ben estava tentando fazer tudo que sua mãe dissera, mas era complicado e Majô não ajudava nada. Sempre estava desconfiada do garoto, ou lhe dava um fora ou simplesmente o ignorava. Isso estava o deixando louco.

Agora era finalmente a hora do almoço. Algumas pessoas ainda os encaravam, porém agora eles tinham meio que deixado de se importar e as pessoas começaram a se acostumar com os dois algemados, apesar de ainda ser bizarro.

Majô já tinha pegado sua bolsinha térmica, que Ben julgava ridícula, e o garoto também já estava com a sua bandeja cheia da boa comida do refeitório. Estavam indo para a árvore de costume quando o celular de Majô começou a tocar dentro de sua bolsa. Ben a olhou tentando desajeitadamente pegá-lo.

⁃ Deixa que eu seguro sua bandeja. — ele ofereceu e Majô o olhou daquele jeito desconfiado pela septuagésima sexta vez no dia. Ele teve de se controlar muito para não xinga-la e falar que só estava tentando ser gentil. Finalmente ela cedeu e entregou sua bandeja para ele.

⁃ Obrigada. — agradeceu e pegou seu telefone, sorrindo quando deslizou o botão verde. — Oi, Nate. — disse animada e Ben instantaneamente fechou a cara e sentiu uma raiva subir. — Não, estou indo almoçar. — ele revirou os olhos. — Sim, eu infelizmente ainda estou algemada a ele. — mais raiva. — É, por tempo indeterminado. — o garoto já estava de saco cheio, daria qualquer coisa para ouvir a voz do infeliz. — Tudo bem, depois eu te ligo então. Beijos, tchau. — alívio.

Com a pouca duração dessa conversa, eles já tinham chegado a árvore. Se sentaram e começaram a comer em silêncio, com Ben emburrado. Ele suspirou, lembrando que tinha um plano para colocar em prática. De sua bolsa tirou Sr. Porquers, o porco rosa de Majô.

⁃ Tó, pra você. — disse e estendeu a pelúcia sem olhar para ela, que pegou o bichinho um pouco surpresa.

⁃ Senhor Porquers. — disse animada, mas subitamente parou. — O quê? Você colocou uma bomba nele? — começou a analisá-lo. "Gostaria de ter feito", ele pensou e revirou os olhos.

⁃ Claro que não, idiota.

⁃ Por quê? — Majô perguntou pensativa.

⁃ O quê? Não coloquei uma bomba? Se você quiser, eu levo de volta e...

⁃ Porque você está fazendo isso? Agindo todo estranho, tentando ser gentil. Isso é tão esquisito. É seu oposto na verdade. Pirou? — ele suspirou. Era hora.

⁃ Talvez eu queira uma trégua. — disse rápido.

⁃ O quê?

⁃ Uma trégua. Eu não aguento mais brigar com você toda a hora. É desgastante.

⁃ Eu concordo com isso.

⁃ Olha, com a trégua, a gente pode não brigar, tentar conviver e, sei lá... — deu de ombros, meio envergonhado. — ...tentar ser amigos. — balançou a cabeça e se recompôs, Ben Moretto não ficava com vergonha. Majô riu.

⁃ Amigos? Você acha que existe a possibilidade de sermos amigos? Em 16 anos a gente nunca foi, mas agora, subitamente, começamos a fazer trança no cabelo um do outro? — Ben respirou fundo e fechou os olhos. "Conquista-la, você precisa conquista-la. Não grite e a chame de bruxa, seja gentil."

⁃ Tá certo, estressadinha. Só não quero perder meu tempo brigando com você.

⁃ Ótimo!

⁃ Ótimo! — ficou um segundo em silêncio, antes de virar e perguntar: — Isso foi um sim?

⁃ Sim, Benício. Vamos fazer uma trégua. — estendeu a mão para ele, que quando foi apertar foi puxado bruscamente para perto, parando a uns quinze centímetros da garota, que começou a falar bem baixo. — Mas não pense que isso significa alguma coisa de importante. É só você não ficar no meu caminho que eu não fico no seu e todo mundo sai feliz. Não tente nenhuma gracinha e se eu souber de algo estranho você vai se ver comigo. — soltou sua mão e o empurrou para longe de si.

Ele bufou, irritado e querendo brigar, mas suspirou e resistiu. Já tinha sua trégua, era isso o que queria, não? Apesar de ter vindo com ameaças, desconfianças e muita resistência. Mas ele não se importava, aquilo era apenas o começo e ela tinha o direito de se sentir assim depois dos 16 anos de brigas e brincadeiras idiotas. Sorriu, seu plano já estava dando certo.

Notas finais
O que acharam desse começo de plano? Beijos e até o próximo!! ♥