Notas iniciais
Oieee! ♥ Para recompensar o grande tempo que eu fiquei sem postar nada, aqui vai mais um capítulo!! Acho que eu postei bem rapidinho dessa vez :D Espero realmente que vocês gostem e até as notas finais.

Quatro

Era como se ela tivesse corrido a São Silvestre duas vezes.

Estava completamente exausta, tanto que, quando finalmente chegou em sua casa, não pensou duas vezes e se jogou no sofá, pouco se importando com o fato de ainda estar suja e suada, fedendo um misto de tempero e produto de limpeza. Sentia que poderia dormir até o dia seguinte, sem levantar para absolutamente nada.

— Que horror, mas que cheiro é esse? – Betsy apareceu na sala com cara de nojo e Majô somente levantou a cabeça na direção que ela estava, com uma cara acabada.

— Está tão forte assim? – resmungou com uma voz arrastada.

— Majô! O que aconteceu com você, querida? Por que demorou tanto? – ela disse com preocupação na voz e com muito custo, Majô suspirou e se sentou decentemente no sofá.

— É uma longa história Betsy... – a mulher suspirou e fez menção de se sentar ao lado da garota, mudando de ideia assim que se aproximou e foi sentar-se na poltrona, a alguns metros de distância. O estado e o cheiro da menina eram mesmo deploráveis.

— Tudo bem, querida, pode falar.

— Bom, para resumir... – então ela contou detalhadamente como foi o seu dia até aquele exato momento, desde a ruiva até quando finalmente foi liberta das algemas que a seguravam junto a Ben, enquanto Betsy ouvia tudo atentamente, fazendo comentários vez ou outra, caretas e expressões, as vezes concordando quando era conveniente. Quando Majô acabou ela ficou digerindo o que a menina tinha falado, tentando formar uma opinião sobre tudo, e quem sabe um dar conselho de bônus.

— Então você e o Ben vão ter que ficar algemados até que o diretor diga o contrário? — foi o que ela conseguiu dizer.

— De tudo o que eu falei, é só isso que você absorve, Betsy? — suspirou, impaciente. — Sim, eu vou ter que ficar algemada com Benício até que o diretor diga o contrário.

— Eu sabia, eu sabia! – Betsy levantou rapidamente da poltrona, super animada. Majô franziu o cenho com essa súbita mudança de humor.

— O quê?

— Eu sabia que um dia vocês ficariam juntos! Não imaginei que fosse desse jeito, literalmente juntos, mas já é um começo! – começou a bater pequenas palmas animadas. Majô ficou encarando-a por alguns segundos, até começa a rir descontroladamente.

— Ótima piada, Betsy. Melhorou meu dia, obrigada. – disse quase sem fôlego.

— Menina, eu trabalho aqui a muito tempo. Vi você e ele nascerem, carreguei os dois no colo e no momento que eu vi vocês dois, eu soube que vocês teriam história.

— Sim, cada um a sua. Me perdoe, Betsy, mas eu e ele não vai acontecer, nem que fossemos as últimas pessoas no mundo. É impossível...

— Nunca diga nunca!

— Nesse caso definitivamente é um nunca... Eu vou subir, está bem? Estou completamente exausta, vou tomar banho para relaxar um pouco. Amo você.

— Também te amo, querida. – Betsy acompanhou a menina com os olhos até ela sumir de vista. Balançou a cabeça negativamente e soltou uma pequena risada. – Essas crianças...

(...)

Tinha acabado de sair do banho e estava secando o cabelo com a toalha quando viu a chamada de suas amigas no seu notebook, em cima de sua mesa. Sorriu com a ideia de poder desabafar sobre tudo com elas, então não tardou em atendê-las.

— Oi, meninas. — ela disse aliviada.

— Oi, Majô. – disseram em uníssono.

— Como você está, amiga? – Ana perguntou preocupada.

— Argh, péssima. Não basta eu ser vizinha daquele babaca, o diretor me obriga ficar literalmente algemada com ele. Vinte e quatro horas por dia com ele por perto, eu vou ficar maluca.

— Não se preocupe, se você ficar a gente te interna. – todas riram.

— Obrigada, vocês são as melhores amigas do universo.

— Por enquanto. – Camila resmungou baixinho, mas Majô escutou.

— O quê? – perguntou sem entender e Camila suspirou.

— Sabe hoje, quando eu queria te falar um negócio mas acabei não falando?

— Sim, o que era?

— Isso não vem ao caso agora. A questão é que eu não falei porque Ben e seus amigos estavam perto e era um assunto muito particular.

— Bom, eu não acho que eles iriam escutar. – Majô deu uma risadinha. — São todos babacas.

— Talvez não mesmo. Mas e quando almoçássemos juntas? Temos nossos assuntos e tenho certeza que se falássemos perto do Ben, na primeira oportunidade ele contaria para seus amigos, nos deixando mal.

— Não acho que isso aconteceria... é só a gente...

— Majô. – Emily finalmente falou. – Nós meio que decidimos que nós não vamos mais andar tanto com você...

— Te amamos, mas você tem que admitir que não seria fácil com ele por perto... – Stela se pronunciou, tímida e com certa tristeza na voz.

— Eu sei o quanto o Benício é insuportável, – Majô disse com a voz esganiçada. – mas não acham que estão sendo extremistas?

— Desculpe, mas acho que será melhor para todos.

— Não, não vai! Definitivamente não vai. É o momento que eu mais preciso de vocês e vocês resolvem me abandonar assim?

— Sinto muito. – Ana falou.

— Não, eu sinto muito. – fechou o notebook com raiva. Saiu de sua mesa e se jogou na cama, pegando um travesseiro e abafando um grito nele em seguida.

Era tudo um drama e ela não gostava de drama, mas aquelas eram as pessoas que mais confiava além de sua família e Betsy. Era triste perceber que nesse tempo todo estava no meio de víboras. Cobras peçonhentas, que agora deram o bote com todo aquele veneno de naja.

E o culpado de tudo isso estava na casa ao lado. Com algumas atitudes anteriores, ela já tinha percebido as personalidades duvidosas de suas amigas, mas podia continuar desse jeito numa boa se não fosse seu vizinho. Essa história tinha que acabar e tinha que acabar agora.

Saiu de seu quarto batendo os pés, determinada e com o discurso na ponta da língua. Sem dar satisfações a ninguém, saiu pela porta da frente e a bateu com força, se dirigindo para a casa ao lado. Quando chegou, começou a bater freneticamente na porta, mais para descontar sua raiva, já que a campainha estava ao lado.

— Benício, abre essa porta! – depois de alguns segundos a porta se abriu rapidamente, revelando Ben com uma expressão de reprovação.

O olhar de Majô que antes estava no chão subiu vagarosamente, arregalando quase imperceptivelmente quando percebe o tronco definido e nu do garoto, mas não se permitiu olhar por muito tempo, não sabe o que aconteceria se ele percebesse um olhar de mais de dois segundos vindo dela naquela parte específica de seu corpo, mas ela tinha certeza que ele não deixaria passar.

Quando finalmente seu olhar se encontrou com o dele, a expressão do garoto se tornou irônica e ele sorriu de canto.

— Majô, que surpresa! Bastou um dia comigo para você não querer sair mais de perto? — encostou no batente da porta, cruzando os braços, presunçoso. — Realmente imprevisível, eu achei que isso aconteceria daqui umas duas semanas, chutando alto. – ela revirou os olhos teatralmente e, sem mais, entrou na casa de Ben.

— Nós precisamos acabar com isso agora. – disse simplesmente.

— Essa distância entre nós? Também acho. — fez menção de se aproximar, mas ela levantou o indicador como se fosse um aviso e ele levantou as mãos em sinal de rendimento, se afastando.

— Será que dá para você parar de ser um idiota pervertido por um segundo para escutar e interpretar o que eu digo como uma pessoa decente? Eu estou falando do fato de ficarmos algemados na escola, sem liberdade, sem privacidade...

— Só agora você percebeu que precisamos acabar com isso? Eu não sei como eu aguentei essa sua voz chata e estridente reclamando da vida por mais de duas horas sem entrar em colapso.

— Eu não vim aqui para ficar ouvindo esses insultos. Vamos agir como duas pessoas normais e focar no assunto que vai deixar muitas pessoas bem e felizes, que é como fazer para ficarmos longe um do outro.

— Muito bem, presidente do Grêmio, qual é seu plano genial? – ele se jogou no sofá e passou as mãos pelo cabelo bagunçado.

— Bom, eu estava pensando em amanhã quando tocar o sinal para o almoço irmos falar com o diretor e dizer que tudo foi um mal-entendido ou coisa assim.

— Tá, e de um dia para o outro simplesmente paramos de brigar e começamos a fazer tranças um no cabelo do outro e comentando sobre nossos dias?

— Podemos dizer que sentamos, conversamos e resolvemos nossas desavenças. – falou simplesmente e Ben ergueu uma sobrancelha, descrente.

— Acha que isso vai convencer o cara?

— Tem alguma ideia melhor, gênio? – ele bufa e revira os olhos, mas não fala nada. – Então tudo bem. Eu vou indo. Ensaie sua performance para parecer que nós somos amigos.

— Acho que só seria capaz de fazer isso se estivesse em Hollywood. — Majô estreitou os olhos para ele.

— Cala a boca. – sem mais, se dirigiu a porta e saiu sem olhar para trás.

Entrou em sua casa e respirou fundo, já pensando nas palavras para convencer o diretor. Não que tivesse sido uma surpresa para ela, mas nunca foi tão difícil tentar achar algumas qualidades em alguém como naquela tarde.

Notas finais
E então? Comente o que achou, é muito importante para mim saber sua opinião e me aproxima mais de você, gosto muito de conversar, então vamos lá shsauahush! ♥ Eu estou tendo muitas inspirações e ideias para essa história, eu realmente gosto dela e seu comentário seria muito motivador! Obrigada a aqueles que acompanharam a história, vocês são demais! ♥ Beijooos e até o próximo cap!