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15 Muvuca de menos de um metro e meio e Ted


Notas iniciais
Wow, já estamos no 15º. "Já" nsjhsnjwjhnsjhsjannsnjhns Oii, gracinhas, tudo bem?? Primeiramente gostaria de agradecer a todas/os que acompanharam e favoritaram a história, VOCÊS SÃO DEMAIS!! Vem k e me abraça shuhahuhbshubaubhsh. ♥ Obrigada também a Yay e Mareena pelos comentários completa e simplesmente MARAVILINDOS!! Vocês são demais, floresssss ♥ Muito obrigada, boa leitura e até as notas finais!!

Quinze

Os preparativos da sexta feira para o baile ocorreram muito bem. Majô finalmente terminou de cortar as dezenas de borboletas para fazer suas tão amadas bolas vazadas. Ben terminou seus tão bem executados cartazes e Lili, Alicia e Jack começaram a montar as "árvores" cheias de luzes que ficariam espalhadas pelo salão, completando a decoração. Faltavam duas semanas para o grande dia e as coisas estavam indo mais rápido do que esperavam. Chegaram à conclusão que talvez acabariam até a sexta feira da próxima semana, depois só seriam os últimos ajustes. Seria mais complicado encher a enorme quantidade de balões no dia do que qualquer coisa.

Mas enfim, deixando esses problemas para o dia do baile, agora era sábado de manhã. Ben e Majô estavam sentados no balcão da cozinha da casa do garoto fazendo aquele entediante relatório de química completamente entediante. Demorava no mínimo duas horas para fazerem tudo, mas estavam há uma hora ali e já estavam exaustos. Ben encontrava-se estirado na pedra escura e fria da mesa, com o braço esticado apoiando sua cabeça. Majô estava com a sua apoiada na mão, se esforçando de verdade para se concentrar, mas estava sendo impossível.

⁃ Então, a nomenclatura dos compostos inorgânicos... — a garota começou a dizer, anotando algo em seu caderno, mas foi interrompida pelo toque do celular de Ben. O garoto se ajeitou na mesa e pegou o aparelho, olhando no visor.

⁃ É minha mãe. — passou a mão pelo rosto, como se para afastar o sono.

⁃ Atenda. — disse e o garoto deslizou o dedo pelo botão verde.

⁃ Alô, mãe?

⁃ Olá, querido. Está ocupado?

⁃ Mais ou menos. Eu e Marjorie estamos fazendo o relatório de química. Ou tentando fazer.

⁃ Majô está aí? Mande um oi para ela por mim.

⁃ Minha mãe te mandou um "oi". — disse ao se voltar para Marjorie. A garota levantou da banqueta por cima da mesa e aproximou-se do celular de Ben.

⁃ Oi, Tia Tasha! — disse animada.

⁃ Oi, querida. — ela disse com carinho. A garota voltou para seu lugar.

⁃ Como está de viagem aí? — Ben perguntou. Seus pais junto com os de Marjorie estavam viajando há uns dois dias. Negócios...

⁃ Está ótimo, querido, já fomos nos dois dias de conferência, daqui a pouco vamos sair para o próximo.

⁃ Ah, que legal! — ele disse e sua mãe riu.

⁃ Mas não foi para isso que eu liguei. Eu preciso de um favor seu. — Ben estreitou os olhos.

⁃ Que tipo de favor? — perguntou desconfiado.

⁃ Ah, não fale desse jeito. Sua tia precisou viajar de última hora e não tem com quem deixar a Char. Você pode ficar com ela? Ela iria dormir aí. — Majô observou o rosto do garoto se iluminar.

⁃ Ficar com a Char? É claro! Eu amo aquela pirralha. — sua mãe sorriu e Majô também.

⁃ Ótimo. Ela deve chegar logo, logo. Acho que da tempo de vocês terminarem o relatório.

⁃ Tudo bem, mãe. Beijo.

⁃ Beijo, tchau, querido.

⁃ Tchau. Boa conferência.

⁃ Obrigada. Manda um beijo para Majô também.

⁃ Mando. E tenho certeza que ela te manda outro. — sua mãe riu e Ben desligou. Olhou para Majô e viu que ela estava o olhando. — Minha mãe te mandou um beijo.

⁃ Você gosta mesmo de ficar com a Charlote, não? — Ben riu.

⁃ Sim, eu amo como ela é inteligente. Ela virá passar o dia e dormir aqui hoje. — a garota sorriu, animada.

⁃ Sério? Que legal, talvez eu possa passar um tempo com ela também.

⁃ Ah não... da última vez você pegou minha prima para você. Ela vem para ficar comigo.

⁃ Ciúmes, Ben? — perguntou provocativa. — Eu sei que geralmente as pessoas gostam mais de mim, mas o que eu posso fazer, não? — Ben deu de ombros.

⁃ Vamos terminar isso logo. Só sei que quando ela chegar você vai embora pelos fundos, para ela não te ver. — Majô riu.

Passaram mais uma hora fazendo o relatório, dessa vez mais animados. Estavam quase terminando quando ouviram uma muvuca que parecia vir de frente da casa de Ben. Se entreolharam e saíram da cozinha, indo até o hall da sala espiar pela decoração de vidro que contornava a porta.

Em frente à casa do garoto havia parado uma minivan preta. Dela estavam saindo uma, duas, três... sete menininhas muito coloridas, gritando e puxando o terno do pobre Jeff, motorista da família de seus tios, para que ele pegasse suas mochilas rosas com glitter e personagens que Ben não sabia identificar e suas caixas de brinquedo coloridas. No meio daqueles pequenos furacões, estava Charlote, a prima de Ben. Os dois arregalaram os olhos.

⁃ Bom... eu vou indo então. — Majô se virou, preparando-se para sair pela porta dos fundos quando Ben a puxou de volta. A garota olhou para ele e notou que o garoto estava com um ar um tanto quanto desesperado.

⁃ Espera... achei que tinha dito que quisesse passar uma tarde com a Char. — apontou para a porta. — Aí está ela.

⁃ Sim. Um tempo com a Char. E talvez no máximo duas amiguinhas. Mas isso aí é quase um batalhão. — deu dois tapinhas no ombro do garoto. — Você está sozinho nessa, garotão. — se virou novamente.

⁃ Marjorie, olha para isso. Eu sou um só e Tereza está em sua folga hoje. Você me conhece. Eu não vou conseguir sobreviver a tudo isso. — Majô revirou os olhos.

⁃ Quanto drama. Você não é o Ben? O Ben Bonzão Moretto? Não consegue aguentar menininhas inocentes e doces de sete e oito anos? Eu tô fora. Você disse que não me queria aqui. — andou novamente e Ben bufou irritado. De repente sorriu, tendo uma ideia.

⁃ Tudo bem, só vai dar mais trabalho para você. — a garota se voltou lentamente e encontrou Benício com um olhar convencido no rosto. Estreitou os olhos para ele.

⁃ Como?

⁃ Ah, não sei... talvez eu dê a ideia a Char de te chamar para as amiguinhas conhecerem a tão legal e divertida Marjorie que ela tanto ama. — Majô abriu a boca, indignada.

⁃ Você não faria...

⁃ Quer pagar para ver? — a garota bufou, irritada.

⁃ Você me paga, Benício. Ah se paga. — ela terminou de dizer isso e campainha tocou, parecendo que foi cronometrado. Ben colocou a mão na maçaneta.

⁃ Achei que gostasse de crianças.

⁃ Eu gosto. Mas né... — apontou para a porta, como uma explicação. Ben riu e finalmente a abriu.

⁃ Oie! — as garotinhas gritaram em uníssono, muito animadas e puxando vários Es. Majô finalmente entrou no campo de visão de Charlote e garotinha soltou um pequeno gritinho, mas extremamente agudo.

⁃ Majô! — gritou e correu para abraçá-la pela cintura, logo sentido a maior corresponder ao abraço.

⁃ Oi, lindinha. Vi que você trouxe suas amiguinhas hoje.

⁃ Sim. — gritou dando pulinhos e batendo pequenas palmas, seu cabelo loiro balançando. Dessa vez puxou a quantidade de Is. — Essa é Júlia, Alice, Stela, Cristal, Larissa e Talita. — foi apontando para cada garotinha numa velocidade impressionante. Nenhum dos dois maiores conseguiu decorar um nome. — A gente ia fazer uma festa do pijama na minha casa, mas minha mãe teve que viajar. Foi eu quem sugeri que fazer aqui na sua. — sorriu genuinamente feliz.

⁃ Foi você? Pô, que ideia ótima. — Ben disse e esperou que as menininhas ainda não entendessem sarcasmo. Majô o olhou com olhar de repreensão.

⁃ Que bom que vocês estão aqui, meninas. A gente vai se divertir muito! Eu sou a Majô e ele é o Tio Ben. — apontou para o garoto ao seu lado.

⁃ Ela é muito linda, né? — Char se voltou para suas amiguinhas, que concordaram imediatamente. Majô sorriu, emocionada com as pequenas. Ben também sorriu.

⁃ Ah, obrigada, lindinhas. Mas vocês são muito mais que eu. Por que a gente não leva essas coisas para dentro e já começa a brincar logo? — sugeriu e as menininhas gritaram. Ben segurou a vontade de tampar os ouvidos. As pequenas dispararam casa a dentro, deixando apenas um Jeff de olhos muito arregalados e sufocado de bolsas e caixas. Ben e Majô o ajudaram e ele respirou aliviado ao se ver livre daquelas coisas. Não disse o quê.

⁃ E aí, Jeff? Por que não entra e ajuda a gente? — Ben perguntou quase como uma súplica quando ouviu o barulho que geralmente é esperado para um playground vindo de sua sala. Jeff arregalou mais os olhos, se possível.

⁃ Ah, muito obrigado. Mas eu passo. Agora é com vocês. — se virou e saiu quase correndo para o carro. Estava no meio do caminho quando se virou. — E boa sorte! — gritou. — Vocês vão precisar. — disse mais baixo e entrou no carro e disparou condomínio a cima.

Ben e Majô se entreolharam, reconhecendo um no outro um misto de sentimentos. Estavam sozinhos em uma casa com sete crianças. Como sobreviveriam àquilo? O que fariam para entreter as garotinhas ligadas em 220 por tempo o suficiente para depois só deixá-las assistindo algum filme da Barbie na TV até finalmente dormirem? Era dez e quarenta da manhã, ainda teriam que alimentar aquelas coisinhas.

⁃ O que a gente vai fazer? — Ben perguntou num suspiro.

⁃ Não sei... vamos brincar um pouco com elas e depois preparar um almoço. O que será que elas comem? Um omelete? Uma coisa mais elaborada?

⁃ Ou podemos ligar para o Armando e pedir para ele trazer uma caixa cheia de McLanche Feliz. — Majô revirou os olhos.

⁃ Elas têm sete anos, Benício. Não podem almoçar McDonald's.

⁃ Ata, como é que a gente vai fazer comida para esse mutirão de crianças de sete e oito anos que fazem birra para comer qualquer coisa?

⁃ Não sei, tem que ter alguma coisa que elas gostem. — de repente sete pequenas criaturas ressurgiram no hall de entrada.

⁃ O que vocês estão fazendo aí? — Charlote, a líder do grupinho, perguntou. Eles se entreolharam.

⁃ Estávamos só conversando. — Majô respondeu. Uma onda de surpresa e reconhecimento passou pelo olhar da pequena Char e ela cruzou os bracinhos como se fosse a mais adulta ali.

⁃ Espera... o que vocês dois estavam fazendo aqui antes da gente chegar? — perguntou estreitando os olhos.

⁃ O quê? — Majô perguntou sem entender. Ben também estava confuso. Uma menininha, a qual eles não sabiam o nome, segurou no braço de Char com um olhar cheio de empolgação.

⁃ Será que eles estavam... Namorando? — todas soltaram gritinhos e começaram a pular.

⁃ O quê? Não, claro que não. — Majô disse assustada.

⁃ Sei... vocês não nos enganam. — outra garotinha disse.

⁃ Majô e Ben 'tão namorando... os dois vão dar beijinho... — começaram a cantarolar e pular em volta deles. Alguma menina empurrou Majô com uma força que a garota não sabia ser possível. Ela tropeçou e não caiu porque esbarrou em Ben, que a segurou. Os dois se encararam e as sete gritaram mais, mas eles logo se desvencilharam um do outro, constrangidos.

⁃ Tá bom, já chega né? — Ben disse sem muita paciência. — Por que a gente não vai brincar de alguma coisa? — os pequenos furacões pouco a pouco se acalmaram e encararam os dois.

⁃ Brincar de que? — uma outra garotinha, talvez fosse a Júlia, perguntou de braços cruzados. Ben estreitou os olhos e deu de ombros.

⁃ Não sei... — pensou um pouco... não brincava de nada desde quando tinhas uns doze anos. Do que as crianças de hoje em dia gostavam de brincar? Corrigindo... que brincadeira as crianças de hoje em dia gostavam de brincar que não exigisse muita energia dele? — Por que a gente não faz uma maratona de filmes? A tarde toda, até vocês dormirem? — recebeu uma pequena cotovelada e o olhar repreensivo de Majô.

⁃ Ele só está brincando, meninas, mas se vocês quiserem podemos assistir algum mais tarde.

⁃ Não, a gente não quer assistir TV, a gente quer brincar. — a possível Talita falou decidida.

⁃ Que tal de pirata? — as meninas soltaram um resmungo como se ele tivesse falado a pior coisa do mundo.

⁃ Pirata é coisa de menino. — Cristal falou. Ben abaixou até ficar cara a cara, da altura da menininha.

⁃ Não tem brincadeira de menino e menina. Todos podem brincar do que quiser. — Majô concordou e Ben se endireitou, convencido. — Além do mais, brincar de pirata é muito legal.

⁃ Os sofás da sala são bem grandes, podem ser os navios. — Majô sugeriu animada.

⁃ E o chão pode ser o mar... — Ben se aproximou, fazendo uma voz misteriosa. — ...cheio de crocodilos e tubarões. — completou e as garotinhas concordaram animadas.

⁃ Tudo bem, mas eu quero ficar no navio da Majô. — Alice disse e todas as outras gritaram que também queriam. Ben as olhou ofendido.

⁃ Até você, Char? — perguntou a sua prima, que estava abraçada com Marjorie. Aquela deu de ombros.

⁃ É porque eu vejo ela menos que eu vejo você. — explicou e Ben abriu a boca indignado antes de ajeitar sua postura e voltar com o ar presunçoso.

⁃ Ok, meu navio vai ser o mais legal, mesmo.

⁃ Sim, ele vai ser o malvado Capitão Gancho. — Majô disse para as meninas, que riram. Ben revirou os olhos.

⁃ Capitão Gancho é um pirata, gênio.

⁃ Sim, o pirata vilão. Nós meninas somos as piratas boazinhas e vamos derrotar esse pirata malvado. Para cima dele, meninas. — gritou a última parte como um grito de guerra e pode ver Ben a encarar de olhos arregalados antes de sair correndo para não ser atropelado por aquela muvuca de menos de um metro e meio.

Entrou no seu "navio" e disse que as meninas não podiam entrar, então elas correram para o delas, fingindo atirar balas de canhão e improvisando suas barbies como espadas. Majô e Ben às vezes riam das garotinhas, apesar de Majô achar isso errado. Conseguiram entretê-las até o almoço, e a brincadeira acabou com todas as piratas boazinhas em cima do terrível Capitão Gancho, depois de irem todas para cima dele de uma só vez e o derrubarem. Ben aprendeu que não se deve subestimar a força de sete garotinhas juntas.

Depois de uma discussão sobre o que iriam almoçar, Ben e Majô estavam preparando macarrão à bolonhesa enquanto as menininhas estavam sentadas nas banquetas pintando as princesas e super-heroínas que Ben havia imprimido mais cedo.

⁃ Não sabia que você cozinhava. — Majô afirmou enquanto lavava alguns temperos frescos da mini-horta da cozinha e Ben mexia o molho que havia preparado. — Muito menos que sabe fazer molho. — Ben revirou os olhos e riu.

⁃ Sei e sou muito bom nisso. Você realmente me subestima demais, Marjorie.

⁃ Não me culpe. Você nunca me mostrou algo realmente bom vindo de você.- colocou os temperos na panela que Ben estava mexendo.

⁃ Ah, por favor, eu sou a própria coisa boa. — apontou para si mesmo, como uma explicação. — Não preciso ficar provando mais nada. — Majô se dirigiu ao armário para pegar o macarrão.

⁃ Ata. Você é muito convencido. Se eu te subestimo, você se superestima, Benício. — o garoto riu.

⁃ Se eu não me acho, quem vai, não? Põe o macarrão na água logo, já está fervendo. — Marjorie riu. — O que foi?

⁃ Isso é tão clichê.

⁃ O quê?

⁃ Toda essa situação. A macarronada. Nove em cada dez livros ou histórias de romance o casal faz macarrão. — Ben arqueou uma sobrancelha e a encarou.

⁃ Então somos um casal? — perguntou com uma voz provocativa, Majô imediatamente o olhou de olhos arregalados.

⁃ O quê? Não! — afirmou quase gritando. Ben riu alto. Estaria seu plano começando a dar certo? Se perguntou. — Só estou falando que é uma coincidência.

⁃ Eles têm sete garotinhas pintando e esperando famintas pela macarronada? — Majô revirou os olhos, como se respondesse. — Quem está em desvantagem, então? — perguntou sarcástico e os dois riram.

Depois de alguns minutos, todos já estavam na mesa, os dois mais velhos servindo os pratos das meninas, logo depois se serviram e começaram a comer. O almoço ocorreu entre risos e brincadeiras, o grupinho elogiou o macarrão e os dois se encararam, orgulhosos. Terminaram de comer e elas já queriam partir para a próxima brincadeira, mas Majô disse que elas deveriam esperar um pouco até a comida descer.

⁃ O que a gente vai fazer, então? — perguntou Talita com um pouco de birra.

⁃ Dormir. — Ben disse prontamente.

⁃ Não, a gente não quer dormir. — Char disse e Ben revirou os olhos. Quanta energia essas coisinhas tinham?

⁃ A gente pode fazer algo mais tranquilo. Que tal desenhar? — Majô sugeriu.

⁃ Mas a gente já fez isso! — Stela protestou. — Não queremos fazer de novo.

⁃ Tá bom, e o que você sugere? — perguntou Ben, impaciente. Passou alguns segundos até um sorriso iluminar o rosto da pequena Stela.

⁃ Maquiagem e penteado. — disse animada e o grupo concordou.

⁃ Olha, é uma ótima ideia. — Majô falou e encarou Ben com um sorrisinho inocente. O garoto estreitou os olhos para ela. — Podemos testar tudo no Ben. — as meninas gritaram em felicidade e aprovação enquanto Ben estava o oposto, olhando indignado e irritado para sua vizinha.

⁃ Ah, não. — disse.

⁃ Ah, sim. — Majô riu.

⁃ Você sabe que não vai acontecer, Marjorie.

⁃ Não vai? — soou como um desafio.

⁃ Por favorzinho, Ben! Por favor, por favor. — sua prima implorou e Majô sorriu. Sabia que ele havia perdido, Charlote era sua kriptonita. Ben revirou os olhos e bufou irritado.

⁃ Tá bom. — disse a contra gosto e as garotas gritaram, felizes.

Puxaram Ben para a sala e tiraram de suas maletas caixas de maquiagem cheias de glitter. O garoto fechou os olhos, imaginando o que estava por vir. "Você me paga", Marjorie disse. Pois é, estava pagando. As menininhas o puxaram para sentar no chão e começaram a mexer em seu rosto e cabelo, rindo a todo momento. Ah sim, era engraçado ver o cara dezessete anos sendo completamente controlado e pintado por sete garotinhas com metade do seu tamanho.

Depois de alguns minutos de confusão, Marjorie falou para elas se dissiparem, que todas teriam oportunidade de maquiá-lo. Então algumas foram do outro lado da sala junto com a garota e esta começou a trançar os cabelos das pequenas. Estava terminado um lado da cabeça de Júlia quando olhou para Ben, que a encarou de volta. O garoto a agradeceu mexendo apenas a boca, escorrendo sarcasmo, enquanto Char pintava sua bochecha esquerda de rosa e Stela prendia presilhas coloridas em seu cabelo.

Marjorie olhou para baixo, balançando a cabeça e rindo, aquele riso que ela sempre fazia quando se divertia a suas custas. Só que desta vez tinha algo diferente, ele podia jurar tinha, porque algo sobre aquele sorriso... alguma coisa naquele simples sorriso, o fez sorrir também.

~*~

Depois de uma tarde brincando de tudo quanto as meninas queriam, gastando mais energia que sabiam ser possível, estavam estirados no sofá, exaustos, enquanto o grupinho estava vidrado na TV, que passava "Barbie e a Magia de Alladus". Já era mais de nove horas da noite, as garotinhas já tinham tomado banho, escovado os dentes e agora estavam deitadas nos seus colchões, prontinhas para finalmente dormirem, o que não deveria demorar muito por toda a energia gasta no dia. Ben também já havia tirado toda a produção.

⁃ Fizemos um bom trabalho. — Majô sussurrou. Ben soltou um suspiro.

⁃ É, eu sinceramente achei que não sobreviveria ao dia de hoje. — disse e Majô riu baixinho.

⁃ Eu sei que você gostou de cuidar delas. — disse provocativa.

⁃ Ata.

⁃ Ah, fala sério. Eu sei que por trás desse Benício idiota tem um Benício que amou ficar cuidando dessas garotinhas. — ele a encarou ofendido, apenas a luz azulada da TV os iluminavam. — Eu vi como você cuidou delas, Ben. Você gosta de crianças.

⁃ Anda me observando muito ultimamente, Marjorie. — falou provocativo, sentiu Marjorie socar seu ombro e riu. Óbvio que não doeu. Passaram alguns segundos em silêncio, "assistindo" ao filme. — Você vai dormir aqui hoje? — resolveu perguntar e Majô o encarou sem entender. — Caso elas acordem do nada, perceberem que suas energias estão renovadas e queiram se rebelar e dominar o mundo. — tratou logo de explicar e Majô riu.

⁃ Claro, com certeza isso vai acontecer. — revirou os olhos e o garoto riu. — Mas se você está com tanto medo assim, eu fico. Só preciso pegar escova de escova de dentes, cobertor, travesseiro e pijama.

⁃ Tem tudo aqui. Sobe no meu quarto, no banheiro tem uma escova extra, no armário tem travesseiro e cobertor. — Majô deu de ombros.

⁃ Tá bom. Mas não é como se eu morasse a três quilômetros daqui. — riu e se levantou do sofá, indo em direção às escadas.

Entrou no quarto surpreendentemente organizado de Ben, mas sabia que era obra de Tereza, porque o garoto era um bagunceiro. Riu. Era incrível como aquele quarto exalava Benício. As paredes eram cinza-escuro, mas não chegava a ponto de ser sufocante. A decoração era cinza mais claro que a parede, alguns pontos brancos e vários tons de azul. Era harmonioso, aconchegante. Havia uma guitarra e um violão pendurados na parede. Lembrava que Ben sempre gostou de música quando pequeno. Quando não estava a irritando, estava fazendo aula de diversos instrumentos, mas não sabia se ele ainda tocava.

A bola de futebol americano assinada por algum jogador que ela não conhecia estava num suporte em sua escrivaninha ao lado da cama. Sorriu. Ben amava aquele jogo que ela não fazia ideia de como funcionava. Foi ele quem sugeriu de formar um time da escola na sétima série. Conseguiu, e desde o primeiro ano era o capitão do time. Todo ano eles passavam um tempo viajando para disputar com outras escolas, já que era meio difícil encontrar escolas que tinham time para futebol americano no Brasil. Ben era muito bom, sempre voltavam com algum troféu, mas infelizmente não existia muito futuro para esse jogo no país e ele estava consciente disso.

Mas não foi nada disso que lhe chamou a atenção.

Ben permaneceu assistindo à televisão por poucos minutos até que seus olhos se arregalaram e ele levantou bruscamente, correndo pelo mesmo caminho que a garota fez. Ela não podia ver aquilo. Parou exageradamente ofegante no batente da porta, mas já era tarde demais. Marjorie estava em pé ao lado de sua mesa. Olhava o papel canson que segurava. O encarou.

⁃ Então é por isso que você sabe fazer aquelas linhas geométricas perfeitamente. — afirmou e mostrou o desenho da paisagem que estava fazendo. Era uma paisagem da noite recém-chegada, o céu com um tom de azul nem tão escuro e nem tão claro. Silhuetas de montanha em preto em primeiro plano na paisagem, pontos de luz amarelos representando a cidade, um lago refletindo tudo isso. Era lindo. Majô olhava admirada. — Por que não me disse? — Ben deu de ombros, mãos dentro dos bolsos.

⁃ Você nunca perguntou.

⁃ Você era péssimo na quinta série. Como isso aconteceu? — apontou para a mesa, cheia de lápis, gizes pastel, aquarela entre outros materiais. Ben riu.

⁃ Sim, eu era péssimo. E minha vizinha era maravilhosa, como tudo que fazia. Não se pode culpar uma criança por ter inveja. Principalmente se essa criança já não gostava muito de você. — Majô a encarou, chocada.

⁃ E daí?

⁃ E daí que eu pedi para os meus pais me colocarem em uma aula de desenho. No começo foi só para esfregar na sua cara mesmo... — ele se aproximou, encarando seu desenho. — ...mas depois, cara, eu gostei. Gostei da sensação de poder fazer esse tipo de coisa com as minhas próprias mãos. É uma forma de esvair, me expressar... sei lá. — riu e Majô o encarou, em compreensão.

⁃ Você tem mais? — Ben deu de ombros. — Ah, qual é. Te deixei ver meus vestidos. — Ben riu fraco e revirou os olhos. Abriu uma gaveta e tirou vários desenhos de lá, entregando para a garota, que começou a folhear com um olhar de criança que acabou de entrar numa loja de doces pela primeira vez, admirada. Ben também olhava, por cima de seus ombros. — Isso é muito bom, porque você não mostra para o mundo? — Ben riu.

⁃ Poucas pessoas sabem. Basicamente meus pais, Tereza, Armando e agora você. — Majô o olhou por cima dos ombros. Estavam perto, podiam sentir o calor emanando do corpo um do outro.

⁃ Eu estava errada. Você achou algo que te cative. — sorriu e Ben acompanhou.

Viu o olhar do garoto descer para sua boca depois de alguns segundos. Ruborizou e voltou rapidamente a olhar os desenhos. Ben pareceu acordar de um transe e saiu de perto da garota, indo se apoiar do outro lado da mesa, braços cruzados e uma cadeira separando os dois. O ar de repente ficou pesado. Pesado e constrangedor.

⁃ Esse... esse é o Ted? — perguntou depois de um longo tempo e virou um desenho para Ben. Este sorriu.

⁃ Lembra dele?

⁃ Claro. Foi a primeira tentativa dos nossos pais de nos aproximar. — a última parte eles falaram juntos, depois riram. — É, dividir um cachorro não deu muito certo.

⁃ Não mesmo. Eu lembro que eu ficava puxando a casinha dele mais para o meu quintal do que o seu.

⁃ Sim. E eu lembro o quanto isso me irritava. — riram de novo. — Eu fiquei muito triste quando ele morreu.

⁃ É... ele ficou doente. Foi muito triste. Chorei bastante.

⁃ Eu amava esse cachorro. — disse e passou o polegar pelo desenho.

⁃ Você pode ficar, se quiser. — Majô o encarou surpresa.

⁃ O quê?

⁃ Pode ficar com o desenho. Eu tenho a foto dele mesmo, se eu quiser faço de novo. — sua vizinha sorriu, agradecida.

⁃ Obrigada. — Ben desencostou da mesa, foi até seu armário, pegou um travesseiro e uma coberta e jogou para Marjorie.

⁃ Não se acostume. — a garota revirou os olhos e ele saiu do quanto, confuso e intrigado enquanto descia as escadas e voltava para sala, onde viu todas as menininhas já num sono profundo. Se jogou no sofá e suspirou.

O que tinha acabado de acontecer?

Notas finais
Entãooooooo... o que acharam?? E essa volta da Char??? Acharam que ficou muito grande? Gostam de capítulos com essa quantidade de palavras ou preferem menor? Me digam, é muito importante saber a opinião de vocês!! Curiosidade: escrevi o final desse capítulo ao som de "Roses" do The Chainsmokers ft. ROZES e "There's nothing holdin' me back" do Shawn Mendes... não tem muito a ver com as coisas que aconteceu no capítulo mas eu gostei de ouvir enquanto escrevia snauhhsbhhhhbuhbs. Talvez a do Shawn tenha um pouquinho... Obrigada por lerem e até o próximo!! ♥ Beijooooosssss :3