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7 Chamando primas para expulsar visitas


Notas iniciais
Oiee, gracinhas, tudo bem? Mais um! Espero que gostem. Boa leitura! ❤️

Sete

Dito e feito.

Quando finalmente bateu o sinal anunciando o fim do intervalo, os dois caminharam emburrados até o laboratório de química, onde a professora já estava. Ela tinha acabado de começar a explicar o que os alunos iam fazer naquela aula prática quando a moça que ficava no corredor bateu na porta e entregou o bilhete que segurava para a professora, que apenas olhou, suspirou longamente e entregou a Majô.

⁃ O que é? — disse Ben tentando ler o bilhete.

⁃ Estou tentando ver. — disse impaciente e empurrando o garoto.

Desdobrou o papel, e começou a ler as palavras escritas com uma caligrafia perfeita. Realmente, parecia que quem as escreveu tinha dedicado vários minutos do seu dia para escrever a sina alheia. Bufou alto e logo jogou o papel para Ben, que o leu rapidamente, repetindo o gesto da garota logo depois.

⁃ Ótimo, mais três dias preso a você.

⁃ Culpa sua... — Majô murmurou e Ben a olhou descrente.

⁃ É... Culpa minha... Sempre culpa minha... — reclamou sarcástico.

⁃ É mesmo, e você sabe disso. Faz de tudo para me tirar do sério e para nos encrencar.

⁃ Porque eu iria querer nos "encrencar", se isso só me deixaria perto de você por mais tempo? — disse indignado.

⁃ Eu é que sei? Já parei de tentar te entender faz tempo... — deu de ombros e Ben bufou alto, irritado.

⁃ Eu já cansei, Marjorie, que merda! Você é que sempre encana com tudo e faz tudo ser uma grande coisa. Isso é insuportável. Você é insuportável. Não dá pra te aguentar. — ele falou mais alto que o aconselhável e Majô o olhou indignada.

⁃ Você que sempre age como um completo babaca! Tudo que você faz é uma idiotice para deixar alguém mal, principalmente a mim. É uma criança e tudo isso foi por sua causa, sim. Você não raciocina como alguém da sua idade raciocinaria. — ela falou aumentando a voz a cada frase, quase se tornando um grito. A sala assistia tudo vidrada, a maioria nem piscava.

⁃ Ei! — a professora resolveu interferir.

⁃ Mas é você que decide se vai dar chilique ou não, só que você sempre escolhe o lado mais histérico, não? — ele ignorou completamente a professora, que se enraiveceu.

⁃ Lado histérico? Você vai ver meu lado histérico. — ela pegou uma solução colorida qualquer da mesa e apontou para Ben, ameaçando jogar.

⁃ PARA FORA! — a professora berrou e Majô congelou no lugar. — Coloca isso na mesa, Marjorie e vão vocês dois para fora. Não vão mais participar das aulas práticas. A partir de agora vocês só vão me entregar relatórios. Em dupla. O primeiro é dessa aula, que vocês atrapalharam, e será para segunda. Não me interessa se vocês têm planos ou não. Agora saiam. — ela abriu a porta e apontou para fora, seu rosto continuava vermelho de raiva. Os dois abaixaram a cabeça e seguiram para onde a professora apontava, ouvindo o baque da porta atrás deles logo depois.

Majô encarou a porta e respirou fundo, passando a mão pelo rosto novamente. Queria chorar. Podia sentir as lágrimas formando atrás de seus olhos.

Era a primeira vez que ela tinha sido expulsa da sala de aula, mas não era só por isso que estava daquele jeito. Estava tão exausta, tão nervosa com tudo aquilo e Benício não facilitava nem um pouco, ao contrário, só piorava.

Já ele só estava estressado com a garota. Já tinha sido colocado pra fora algumas vezes, não tinha nenhum sentimento sobre isso. Só o que o deixava com raiva era a determinação de Marjorie para ferrá-lo e deixá-lo como vilão da história. Era sempre assim, desde quando os dois usavam fraldas.

⁃ Vamos. — ela disse depois de suspirar e Ben a encarou sem entender. — Só vem. — começou a andar e ele deu de ombros, a seguindo.

Saíram do prédio principal da escola e começaram a caminhar para o outro lado da escola, onde havia mais dois prédios grandes. Passaram pelo pátio e pelo enorme jardim, chegando na frente do maior, com parede de tijolos expostos. Majô empurrou a grande porta de vidro e começou a seguir pelo longo corredor do primeiro andar. Ao chegar no final, ela entrou numa pequena sala, onde tinha apenas um elevador.

⁃ Nossa, como eu nunca tinha visto isso? — Ben perguntou surpreso, mas Majô não respondeu, apenas apertou o botão para abrir a porta.

Entraram no elevador e ela apertou uma sequência de botões estranha, então começou a subir.

⁃ O que é isso? Está me levando para algum lugar para poder me matar? – ele disse rindo, mas Majô não o acompanhou.

⁃ Quem dera... — ela disse séria, mas depois sorriu. Ben franziu o cenho.

Quando o elevador finalmente parou, as portas se abriram revelando um corredor iluminado, onde no final havia uma pequena escada. Majô caminhou através dele e subiu a escada, que revelou uma enorme varanda descoberta, cheia de plantas e flores, com uma pequena fonte iluminada que jorrava água bem no meio de toda essa composição. A varanda dava vista para o jardim da escola e para um pouco do pátio onde os alunos costumavam ficar. Ben se viu de boca aberta. Aquele lugar era lindo.

Majô então caminhou até grade e se apoiou nela, vendo tudo o que a vista proporcionava.

⁃ Antes de ser nossa escola, esse prédio era a mansão de um senhor dono de terras muito rico. Ele vivia aqui com sua mulher e seu filho, só que um dia o menino ficou muito doente, se eu não me engano foi pneumonia, e morreu. A mãe dele ficou muito abalada com isso e entrou em depressão, então o senhor mandou construir esse lugar para a mulher, para que ela cuidasse e encontrasse paz novamente. Parece que ela conseguiu. — sorriu.

⁃ E como você soube de tudo isso?

⁃ Existe um lugar chamado biblioteca, se você não sabe. Tem muitos livros lá. — Ben revirou os olhos com o sarcasmo. Ela riu levemente e continuou. — Eu peguei um livro antigo sobre a escola e essa história estava lá. Então saí em busca desse jardim, mas não sabia se ainda existia. Fiquei muito feliz quando encontrei e vi que continuam cuidando dele.

⁃ É bem bonito. — Ben confessou olhando lá para baixo.

⁃ Sim... Eu costumo vir aqui sozinha para pensar. Só que não existe mais essa opção. — apontou para as algemas, mas voltou o olhar logo em seguida. — Eu precisava tanto vir aqui... — disse com um cansaço na voz e fechou os olhos, sentindo a brisa do vento. Ben a encarou por alguns segundos e depois também os fechou. E não se disse mais nada por um tempo.

~*~

Ben acordou com o som insistente da campainha tocando. Xingou baixo quem quer que estivesse atrapalhando seu sono e desceu para atender a porta, que quando foi aberta revelou uma Majô meio desequilibrada com uma pilha enorme de livros e cadernos nos braços, com o estojo logo em cima. Suspirou e passou a mão pelos cabelos bagunçados.

⁃ O que faz aqui? — disse com o típico mau humor por ter sido acordado tão rápido.

⁃ Boa tarde pra você também. — disse sarcástica. — Eu vim para fazer o relatório de química, lembra? Aquele a professora nos mandou fazer antes de nos botar pra fora da sala.

⁃ Sei, sei... Mas por que agora?

⁃ Porque é pra segunda. E hoje é quinta. Está muito enganado se acha que eu vou passar meu final de semana olhando para sua cara.

⁃ Tá, e por que não me ligou para eu pelo menos me preparar pra ver a sua? — ela semicerrou os olhos.

⁃ Porque eu não tenho seu celular e nem quero ter. Além do mais, somos vizinhos. Agora, se não se importa... — disse e entrou na casa do garoto, se dirigindo para sala. Ele bufou e revirou os olhos, fechando a porta e seguindo a garota.

⁃ É o seguinte. Você fica aqui e vai arrumando as coisas enquanto eu vou no quarto para... — travou, não sabia que desculpa dar. Deu de ombros. — ... E já volto.

⁃ Aproveite e coloque uma camiseta.

⁃ Essa é a minha casa e eu não vou colocar uma camiseta. — disse e subiu as escadas sem esperar respostas.

Quando desceu, Majô estava sentada no chão e os livros estavam todos espalhados e abertos pela mesinha de centro. Ele se juntou a ela e começaram a fazer aquele relatório entediante, que ficava mais entediante com a presença um do outro, até que se ouviu a campainha. Ben sorriu e foi abrir a porta, revelando uma menininha com não mais de 1,40 de altura, com cabelos lisos, ondulados apenas nas pontas e olhos incrivelmente azuis, que já foi entrando na casa arrastando sua mochila rosa e uma sacola grande da mesma cor.

⁃ Espero que seja importante, porque Jeff estava prestes a me levar no McDo... — parou de falar quando encontrou Majô na sala. — Oi! — exclamou simpática.

⁃ Oi! — Majô respondeu do mesmo jeito. Ben voltou para sala.

⁃ Char, essa é a Marjorie. Marjorie, essa é a Charlote. — as duas sorriram e a menor se voltou para Ben.

⁃ Ela não parece uma bruxa... — falou baixinho.

⁃ Não se engane... — ele disse no mesmo tom, ela apenas revirou os olhos. — Ah, que pena, Majô. Não vai dar para terminar o relatório hoje, esqueci que eu tinha marcado de brincar com a Char. — disse de um jeito falso e Char semicerrou os olhos, depois sorriu.

⁃ Ela pode brincar com a gente... — sugeriu sapeca.

⁃ Não, não pode. — Ben respondeu prontamente.

⁃ Vamos ver o que ela diz. — se voltou para ela. — O que você acha, Marjorie? Quer brincar com a gente? – Majô sorriu e olhou para Ben, sarcástica.

⁃ Eu adoraria. — se voltou para a menininha. — E pode me chamar de Majô, Char.

⁃ Tudo bem, Majô, vou buscar meus outros brinquedos no carro. — e correu para fora.

⁃ Eu não acredito que você chamou a sua prima aqui só para se livrar de mim. — apontou para Ben depois que a garotinha sumiu de vista.

⁃ Quem? Eu? — ele disse com uma falsa inocência e a garota revirou os olhos. Char voltou com uma caixa grande de plástico também rosa com glitter.

⁃ Vamos começar? — ela perguntou animada.

...

As duas brincavam de casinha com a enorme quantidade de Barbies que Charlote havia trazido. Sério, dava para contar umas vinte e a garotinha disse que aquelas eram uma pequena parte de sua coleção, que ela cuidava com carinho.

Ben estava olhando emburrado para as duas enquanto segurava um Ken bronzeado versão praia. As duas pareciam ser melhores amigas que se conheciam há anos e isso o irritava. Aquela era sua prima e devia estar brincando com ele, como sempre fizeram. Ele era seu primo preferido e o via frequentemente, mas bastou chegar Majô, que ela nunca tinha visto, para virarem amigas para sempre e o deixarem de lado. Como essa garota conseguia destruir tudo?

Ele estava com ciúmes de sua prima de oito anos, isso era muito infantil e ele sabia disso.

⁃ Ben, você pode fazer pipoca e trazer chocolate para nós, por favor? — Char pediu de repente com uma voz meiga e os olhinhos brilhando. Ben saiu de seus pensamentos e bufou alto, se levantando e caminhando até a cozinha. Ele não conseguia dizer não para aquela criaturinha. Segundos depois, Char se inclinou para ver o hall que dividia a sala e a cozinha para se certificar que o primo não estava mais ali, então se voltou para Majô e sorriu animada.

⁃ Então... Você gosta dele? — a garota engasgou a água que estava tomando e a menininha começou a dar pequenos tapas em suas costas, até ela melhorar. — E então? — disse depois com expectativa.

⁃ De onde você tirou isso? — Majô disse rindo.

⁃ É que eu acho que ele gosta de você. Quer dizer, ele sempre fica falando de você, sobre como você é isso, como você é aquilo e o quanto você o irrita, então eu pensei que você pudesse sentir o mesmo. — deu de ombros.

⁃ Mas isso não é gostar... Na verdade a gente se odeia. — ela explicou.

⁃ Minha tia diz que "existe uma linha tênue entre o amor e o ódio". Eu não sei exatamente o que isso significa, mas eu tenho uma ideia, e acho que se encaixa perfeitamente aqui. — disse como se Majô fosse a criança da sala.

⁃ Quantos anos você tem, mesmo? — ela perguntou curiosa.

⁃ Oito, mas eu sei das coisas. — Majô ficou olhando boquiaberta para aquela mini adulta por alguns segundos, até que Ben voltou da cozinha, carregando um balde de pipocas em uma mão, e três barras de chocolate em outra.

Majô o encarava presa em pensamentos enquanto ele entregava o balde para Char, colocava os chocolates na mesa e voltava para a cozinha, dessa vez trazendo três copos e dois litros coca-cola. Ela ficou o observando quando ele começou a fazer cócegas na menininha porque ela não queria lhe entregar a pipoca.

Era nítido para Majô o quanto ele se importava com a garotinha e o quanto ele era diferente daquele garoto presunçoso com um ar de bonzão para todos perto dela. Majô sentiu que Ben era só ele ali e ela sorriu, pensando nas palavras de Char.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem! Beijossss, até o próximo ❤️