"Não precisa senti medo é apenas uma escola e não uma jaula de lobos."

Coloquei meu livro embaixo do travesseiro ao termina de arrumar minha cama. Manter tudo arrumado e organizado é uma das regras de nossa família assim teríamos mais tempo para algo que se queira fazer.

Peguei minha mochila na cadeira próxima a porta e sair do quarto.

Podia ouvi as vozes vindo da sala papai estava com visita em casa e assim deveria segui mais uma das regras, ser agradável e educada mesmo que não gostasse da pessoa ali presente.

Desci a escada sendo observada por meu pai e um homem em uma cadeira de rodas que sorria gentilmente para mim.

—Nina esse é o nosso vizinho Billy Black. – disse papai ao nos apresentar — Ela é a minha filha.

— Prazer em conhece-la. – ele sorriu novamente me olhando com olhos curiosos.

—O prazer é todo meu. – sorri educadamente.

Não pude deixar de observar os detalhes daquele senhor – que conversar com papai – seus cabelos negros caiam um pouco mais abaixo dos ombros, sua aparecia não era de alguém triste muito menos deprimida, um sorriso branco iluminava seu rosto enrugado me deixando impressionada em conhecer alguém que não esta mergulhando em tristeza por estar em uma cadeira de rodas, como vovó Paul que tudo que faz de sua vida é se lamentar e afundar nas escuras aguas da tristeza.

— Com licença. – dou um sorriso antes de me retirar da sala, ou me atrasaria para aula justo no primeiro dia.

Escuto papai convidar Billy para tomar café conosco, porem ele recusa educadamente dizendo que precisa ir.

Desvio minha atenção da conversa dos dois sentando á mesa e pegando uma torrada.

Passos em direção a cozinha avisa-me que papai vinha tomar seu café.

—O que acho do nosso vizinho Nina? – ele me olhou ao sentar á mesma —Venho nos dá as boas vindas a La Push.

—Gentil da parte dele. – comentei.

— Vou te levar a escola, esta bem? – disse papai animado.

O olhei enquanto gritava por dentro que não fosse.

—Esta bem, mas por que pai?

—Quero ter certeza de que você não se perdeu no caminho. – ele me olhou.

—Não vai se atrasar para o trabalho?

— Não, não vou. – ele piscou e sorriu.

Não havia como faze-lo desisti disso teria que ir com ele e esperar que ninguém resolvesse fazer piadinhas como em outras escolas que estudei.

Terminei meu café e levei a louça para a pia lavando-a em seguida.

"Talvez quando eu estiver na faculdade ele me deixe mais livre." Pensei "A quem estou querendo enganar? Sei, que dará um jeito de esta lá também e talvez nunca me deixe respirar."

Suspirei ao enxugar minhas mãos.

—Nina vamos ou vai se atrasar. – me chamou papai.

Peguei minha mochila – que havia deixado na cadeira ao lado da qual estava sentada á mesa – e caminhei em direção a sala encontrando meu pai terminado de arrumar sua bolsa.

—Não acho a chave do carro. – comentou ele procurando nos bolsos de sua calça.

—No sofá. – disse ao ve-la.

—Como pude não ver. – disse ele e riu alto como sempre fazia.

Sair de casa como ele logo atrás de mim.

Pessoas conversando e caminhando por ali deu-me a sensação de que tudo estava normal e que haviam mais moradores em La Push algo bem diferente de quando chegamos ontem. Talvez com o tempo chuvoso e frio eles preferissem ficar em casa aquecidos ou contrario dos garotos estranhos sem camisa.

— Animada com a volta as aulas? – papai tentou puxar assunto enquanto dirigia.

—Sim. – me limitei.

Senti-a como se estivesse preste a entrar em uma floresta cheia de lobos os quais me devoraria no primeiro passo em falso que desse, embora soubesse que estava sendo dramática demais. Perderá a conta de por quantas escolas havia estudado desde a morte de mamãe, as vezes me sentia uma nômade por nos mudamos tanto.

Através para-brisa pude ver minha nova escola e principalmente alguns dos alunos que aparentavam não temos nada em comum. Meu coração batia acelerado, minhas mãos começaram a suar, eu estava assustada e não queria ser motivo de piadas mais uma vez como na minha antiga escola no Kansas.

—O que foi, querida? – quis saber papai — Esta passando mal?

— Não, estou bem...

— E por que essa carinha?

— Nervosismo, pai. – me limitei.

— Respire fundo. Vai dá tudo certo, não se preocupe. – ele sorriu me confortando.

Esse era um dos momentos em que ele conseguia deixa-me calma e acreditar que podia fazer qualquer coisa até encarar um leão. Posso dizer esse era o dom dele, poder convencer qualquer pessoa de que esta todo bem ao dizer poucas palavras, porém seu rosto meigo e confiante te faz acreditar em qualquer coisa.

Sorri e abri a porta do carro saindo.

—Não esqueça, respirei fundo. – disse ele e sorriu antes de sair.

Respirei fundo caminhando em direção a entrada da escola sentindo olhares sobre mim. Odiava essa sensação por saber que não passava de verdade e não estava imaginando coisas.

Precisava achar a sala da direção, porem me via completamente perdida e o pânico se fez dentro de mim. Não sabia para que lado devia ir e não me atreveria a perguntar a ninguém.

—Oi. – ouvi alguém atrás de mim.

— Oi. – olhei o garoto alto e bela aparecia.

— Você é nova aqui? – ele sorriu me olhando.

— Sim.

— Então quer ajudar para encontra sua sala? – quis saber ele demostrando gentileza.

— Na verdade procuro a diretoria. – seu rosto me pareceu familiar.

— Vem, eu te levo até la. – e novamente ele sorriu — Me chamo Quil e você?

— Ninabelly. – esperei por seu comentário de que meu nome era estranho, mas não o ouvi.

— Não acha meu nome estranho? – quis saber o olhando.

— Não. – ele riu me deixando boba — Nem um pouco.

Sorri por senti que poderia esta errada e aquela escola ser totalmente o oposto do que pensei. Nunca me senti tão bem por errar, por que talvez tenha criado em minha mente o pior de todos os lugares que já vi e tenha deixando meu medo dominava cada cm do meu corpo me fazendo temer a qualquer um ali.

(...)

Para um primeiro dia de aula tudo corria melhor do que imaginei, meus colegas de sala me trataram bem e os professores eram legais, embora uns dois fossem severos, mas ainda sim eram melhores que os meus antigos professores.

Na ultima aula de língua inglesa meus olhos se prenderam ao garoto de olhos castanhos e rosto perfeito, por um momento senti que não havia mais ninguém naquela sala a não ser ele, algo me convidava a perde-me em seu rosto e em cada detalhe seu. O tom da sua pele avermelhada, o cabelo de um castanho escuro quase negro, o sorriso que deixa-me paralisada e a forma que seus olhou bateram em mim...

Tratei de desviar minha atenção dele a notar que havia me visto.

Olhei os exercícios escritos em meu caderno enquanto senti o peso de seus olhos sobre mim e meu rosto queimava de vergonha.

— Tem algo a dizer Jacob? – quis saber o Sr. Smith chamando a atenção dele.

—Não. – disse ele firme.

Jacob. O mesmo nome do garoto que vi ontem.

Perguntas começaram a martelar minha mente, mal consegui pensar direito havia desistido de presta atenção na aula, era como se ele me olhasse quando menos esperava seus olhos estavam sobre mim e isso deixava-me assustada.

— Ate amanha, não esqueçam os exercícios das pag 12 e 14. –pediu o Sr. Smith enquanto os alunos saiam da sala.

Guardava minhas coisas sem pressa para que aquele garota saísse logo da sala e eu pudesse ir embora.

Olhei para onde ele estava sentado e não o vi me fazendo suspirar de alivio.

Coloquei minha mochila no ombro e sair da sala.

Talvez papai estivesse me esperando ou não e terei que ir sozinha para casa.

— Oi. – disse Quil me assustando —Se assusta fácil?

Ele riu.

— As vezes. – o olhei.

— Você é a vizinha do Jacob, certo? – quis saber ele enquanto caminhávamos.

— Quem? – o olhei sem entender.

—Jacob Black. Billy Black. – disse ele.

—Sim, por quê?

— Curiosidade. – ele sorriu.

Apenas sorri.

Meus olhos procuravam por meu pai entre os vários carros e alunos ali.

—Quil! – um garoto o chamou.

—Já vou. – ele sorriu — Ate amanha Ninabelly.

— Ate. – sorri.

E ele se juntou ao seu grupo de amigos que me olhavam, porem ao ver o garoto da sala desviei o olhar rapidamente.

Não me sentia bem com a forma que me olhavam era como se me acusassem de algo.

— Nina! – ouvi papai me chamar — Aqui querida.

O vi com o carro parado mais alguns passos a minha frente deixando-me aliviada por ir para casa. Embora soubesse que amanha teria de vê-los novamente e o pior como conseguirei ficar na mesma sala que Jacob, mal conseguia olhar para frente quando ele estava perto.