Companhia

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olha eu aqui de novooooooAAAAAH! Parei. Primeira fic do ano (e talvez única). Espero que curtam essa one de um dos meus ships preferidos de Gintama.

Numa noite fria, as ruas de Edo encontravam-se cobertas de neve. Katsura estava prestes a sair do restaurante de Ikumatsu.

"Da próxima vez que vier, experimente meu novo ramen", disse a loira para o rapaz.

"Eu gosto mais de soba, você sabe disso", respondeu ele.

"A mesma resposta de sempre... Sinto que você deixaria de vir se eu voltasse a fazer só ramen..."

"Falando assim parece que eu só gosto de soba."

"Bem, é a ideia que você me passa."

"Entendo... Mas você sabe que eu não odeio ramen. Se algum dia não tiver soba, eu como ramen, e se não tiver nada, posso ficar e te fazer companhia."

"Não fale como se eu fosse uma mulher solitária e sem clientela", disse a moça com um tom de voz um pouco irritado. "E trate de cortar logo esse cabelo."

"Outra vez envolvendo meu cabelo na conversa... Bom, não importa. Vou indo."

Ao chegar na porta e abri-la, o rapaz se deparou com algo inesperado.

"Uma nevasca", disse o rebelde.

"Oh, parece que ela veio mais cedo do que eu esperava", disse Ikumatsu com uma expressão um tanto surpresa. "De acordo com o noticiário, estava prevista para esta noite, mas eu pensei que só fosse chegar durante a madrugada."

Sair e enfrentar aquela tempestade de neve não seria nada fácil. Sabendo disso, Katsura ficou indeciso.

"Fique aqui por enquanto", vendo o samurai parado daquele jeito, a moça decidiu fazer o convite.

"Acho que é a melhor opção, mas parece que a tempestade vai demorar pra passar. O que posso fazer aqui enquanto espero?"

"Companhia", com um pequeno sorriso no rosto, ela respondeu.

"Companhia?", disse ele lançando um olhar confuso para Ikumatsu. "Isso parece meio contraditório da sua parte. Sua reação não foi boa quando falei disso agora há pouco."

"Pode até ser, mas de qualquer forma, você disse que poderia me fazer companhia. Não é que eu seja uma mulher solitária e sem clientes, só estou dizendo que nesta ocasião é a única coisa que você pode fazer. Você poderia me ajudar com os clientes, mas não tem muitos hoje", com uma expressão quase convincente, a loira se explicou.

"Ikumatsu-dono, para ser mais exato, não tem ninguém além de nós dois aqui", ao olhar para o espaço com cadeiras e mesas vazias, ele a corrigiu.

"Você entendeu o que eu quis dizer. Agora feche a porta. Está frio."

Após fechar a porta, Katsura retornou ao assento em frente ao balcão. A partir dali o assunto simplesmente desapareceu. Ambos esperavam que o outro iniciasse uma nova conversa.

"..."

"..."

Os minutos de silêncio começaram a parecer horas para Ikumatsu. A moça estava começando a ficar incomodada com aquele clima estranho, o qual o samurai não percebeu. Vindo de alguém quase sempre inconveniente como ele, isso já era de se esperar.

"Você não vai falar nada?", ela perguntou.

"Eu não tenho nada pra falar. Estava esperando você iniciar alguma conversa", respondeu ele.

"Eu te digo o mesmo!"

"Sério?"

"Bem, na verdade tem algo que estou querendo te perguntar já faz um tempo. Sinceramente, eu estava esperando você tocar no assunto algum dia, mas acho que se depender de você, esse dia nunca vai chegar", disse ela soltando uma breve risada.

"Do que você está falando? O que quer perguntar?", curioso, ele perguntou.

"Recentemente seu amigo veio aqui para comer e nós começamos conversar sobre você."

"Está falando do Gintoki?"

"Ele mesmo", com um tom de voz descontraído, a moça respondeu. "Gintoki-san me disse que do ponto de vista dele, você está apaixonado por mim."

"O quê?!!!"

Se Katsura estivesse comendo soba naquele momento, com certeza teria cuspido tudo por causa do susto. Ele estava realmente surpreso com o que ouviu.

"Embora ele tenha dito para não esperar alguma atitude de você, eu decidi aguardar por um tempo, só para ter certeza. Enfim, o fato de eu estar falando sobre isso com você agora significa que cheguei a uma conclusão. Gintoki-san não estava errado quando disse que você é passivo."

"Não é passivo, é Katsura!"

"Se não for esse o caso, quer dizer que seu amigo só estava imaginado coisas", ignorando totalmente a correção sem sentido do samurai, ela falou.

"Sobre eu ser passivo?"

"Não, sobre estar apaixonado por mim."

"..."

"Se não disser nada, vou entender como eu quiser."

"Mas o quê?!"

"Não se preocupe comigo, eu só quero ouvir sua resposta, não importa qual seja", aproximando-se do rapaz e com os olhos fixos nos dele, ela disse.

"O seu olhar... Parece que está com pena de mim. É como se estivesse pronta pra agradecer e pedir desculpa...", disse ele se esforçando para continuar encarando a loira.

Ela não estava tão perto, mas aquela pequena aproximação já foi o bastante para deixar o rebelde nervoso e fazer seu rosto suar.

"Não se deixe levar pelo meu semblante. Eu não sou tão jovem, então devem ser os sinais da idade que te fazem pensar assim."

"Não fale como se fosse uma velha acabada! Você é mais bonita do que muitas mulheres mais jovens por aí."

Aquilo soou como algo absurdo para Katsura, o que o fez repreender a bela mulher que estava diante dele.

"Então isso você tem coragem de dizer...", deixando uma risada alta escapar, ela disse.

"Você ri, mas eu estou falando sério", disse o samurai virando o rosto.

"Certo, certo... Agora pare de me enrolar e responda se está apaixonado por mim ou não."

"Que diferença vai fazer a minha resposta? Eu sei que você só tem olhos para o homem com o qual se casou. Sem contar que você já deixou claro pra mim que odeia samurais e rebeldes. Você mesma disse isso. Não importa o que eu sin... Hã?!"

O samurai foi interrompido pela moça, que o puxou pela roupa, o fazendo voltar a olhar para ela.

"Então além de passivo, você é negativo..."

"Eu apenas aceito a realidade."

"Tanto faz. Agora me responda de uma vez."

Dessa vez o puxando para bem perto de seu rosto, Ikumatsu praticamente o obrigou a responder.

"Por que você quer tanto saber?! E-ei, e-está perto demais!"

"Não me responda com outra pergunta."

Diferente dele, ela estava bem calma com a situação.

"A-acho que você já sabe a resposta...", com o rosto rubro, porém, um olhar sério, o rapaz respondeu.

"Isso significa que se eu te beijar agora você vai gostar?", perguntou ela com uma expressão curiosa.

A loira tinha quase certeza de que ele realmente estava apaixonado por ela.

"O q-que v-você disse?!!!"

Katsura ficou mais vermelho do que já estava.

"Acho que você não é o tipo de pessoa que gostaria de receber um beijo de alguém por quem não tem sentimentos."

"..."

"Eu vou te soltar e logo depois vou tentar te beijar. Se você não permitir, vou entender que você não está apaixonado por mim, mas se permitir..."

Assim que disse aquelas palavras, ela o soltou, fazendo o homem engolir seco.

"M-mas que tipo de brincadeira é essa?!"

"Por favor, seja sincero."

"Sincero?! Ela é esperta! Está testando a minha sinceridade! Isso significa que eu não posso fugir! Minha honra como samurai está em jogo!"

O grande líder da Jouishishi se viu sem nenhuma liberdade de escolha naquele momento. A jogada de Ikumatsu o fez ter apenas uma opção: ficar parado ali.

"A cara vermelha dele prova o quão nervoso está, no entanto, acho que minha escolha de palavras deu certo. Mesmo estando assim, não parece que ele vai fugir."

Um segundo antes de ser beijado, o rapaz fechou os olhos. Mal sabia ele que isso só tornaria a sensação ainda mais intensa. Ao sentir os lábios da loira tocarem os seus, o coração do jovem rebelde, que estava acelerado até aquele instante, pareceu ter parado, na verdade, tudo ao seu redor parecia ter parado. Aquele simples toque fez a temperatura de seu corpo aumentar consideravelmente.

"Então essa é a sensação de ser beijado por quem você ama..."

Ao se afastar, a moça suspirou como se o beijo tivesse sido longo e intenso. Parecia que um pouco da adrenalina que o samurai sentiu foi transmitida para ela.

"Isso foi melhor do que eu esperava...", disse a mulher ainda com a respiração um pouco pesada.

Apesar de não estar muito frio dentro do restaurante, o samurai começou a soltar vapor pela boca assim que voltou a respirar. Isso deixou visível para ela o quanto sua atitude fez a temperatura do rapaz subir.

"I-Ikumatsu-dono... Por que fez isso?", perguntou enquanto abaixava a cabeça, de modo que a franja pudesse cobrir seus olhos. "Por que me beijou? Você nem deve sentir nada por mim. Por acaso está brincando comigo?"

"Você não acha que alguém como eu faria isso, acha?"

"Eu quero acreditar que estou enganado... Quero acreditar que você me beijou porque sente por mim o mesmo que sinto por você."

Ao ouvir tais palavras, a mulher levou as mãos até o rosto daquele rebelde tímido, o levantou e disse: "Então acredite."

"O que você quer dizer com isso?!", perguntou ele com uma expressão que demonstrava esperança e receio ao mesmo tempo.

"O amor que você tem por mim... Eu posso correspondê-lo."

O samurai ficou sem palavras ao ouvir a resposta.

"Fazia um bom tempo desde que eu não me sentia tão feliz em ter uma determinada pessoa sempre por perto, então creio que é quase como se eu tivesse voltado à estaca zero..."

"Mas e o seu marido? E o seu ódio por samurais e rebeldes?"

"Tenho certeza de que ele gostaria que eu seguisse em frente se pudesse me ver de algum lugar agora. Ficar presa a alguém que já se foi e guardar rancor não vai me ajudar em nada. É o que tenho a dizer sobre isso."

"Entendo. Desde quando você..."

Ele ainda estava com dificuldade para acreditar naquilo, então mal conseguia formular uma simples pergunta, contudo, Ikumatsu conseguiu entender.

"Acho que tudo começou a partir do dia em que você me salvou pela primeira vez."

Aquela frase fez um flashback passar diante dos olhos de Katsura.

"Eu fiquei me perguntando se iria te ver de novo, e quando aconteceu, tive que conter o sorriso pra você não perceber o quanto eu estava contente. Desde aquele dia tem sido assim... Além disso, eu fico torcendo pra que você demore a ir embora toda vez. Sei que foi egoísta da minha parte, mas eu fiquei feliz pela tempestade de neve ter chegado mais cedo...", disse ela um pouco envergonhada de si mesma.

"Eu não tenho o direito de te criticar, já que também fiquei feliz por isso...", em tom de voz mais aliviado, o rapaz disse fechando os olhos e cruzando os braços.

"Entendo..."

"Muitas vezes eu usei o soba como desculpa para vir aqui e ficar perto de você. O que eu realmente queria era te ouvir falando comigo."

"E eu nunca me importei se você estava aqui pra comer soba ou não. Te ter aqui já era mais que suficiente."

"Ouvir sua voz..."

"Olhar pra você..."

"Tudo o que eu quero quando venho aqui é a sua companhia."

"Sua companhia é o que mais importa quando você vem aqui."

Enquanto as revelações iam surgindo, suas bocas voltavam a se tocar lentamente. Aquela noite de inverno já não seria mais tão fria para os dois.

Notas finais
Só quero dizer que eu cheguei a revisar, mas foi bem rápido, então se tiverem encontrado algum erro, espero que tenham corrijido mentalmente ou ignorado.| Até um possível encontro entre nós novamente.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!