Notas iniciais
Onde Destiny, nossa querida - ou nem tanto assim - narradora, nos apresenta aos deuses da Ordem e do Caos.

Creio que todos devem se questionar quem é o responsável por uma guerra que coloque os deuses contra si mesmos. Para responder a isso, precisarei apresentá-los, antes de tudo. E assim, possivelmente, chegarão a uma resposta óbvia, como eu mesma cheguei.

Ao total, o Panteão de Ordem e Caos é composto por doze deuses. Estes formam pares diretamente opostos, que se complementam e mantêm o equilíbrio… teoricamente falando, pelo menos. Mesmo que não tenham permissão para interferir diretamente no mundo mortal, são capazes de distribuir seus atributos a ocasionais seres humanos. Deuses do Caos trazem maldições. Deuses da Ordem cedem bençãos. E os escolhidos para serem tocados por seus poderes são conhecidos, respectivamente, como Amaldiçoados e Abençoados, recebendo outros títulos dependendo do deus que o apadrinhou.

Começarei pelos sentimentos mais fortes, aqueles que regem o mundo humano e de todos os seres racionais: Irina, a deusa do amor, e Mordok, ou o Ódio. São considerados os primogênitos do Panteão, embora não tenham surgido tão precocemente com relação aos outros.

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Irina encarna um amor inocente, passivo e gentil. Fala baixo, ri com frequência e sua movimentação lembra bastante uma dança, cadenciada e atrativa. Sua aparência é delicada, como de uma jovem pura, com seus longos e leves cabelos loiros e vestes diáfanas, brancas. É cega, e a região de seus olhos é normalmente tampada com ataduras alvas. Bernkastel, a deusa da loucura, está constantemente ao seu lado.

E com isso, provamos que o ditado mortal que diz “O amor é cego, e a loucura sempre o acompanha” está completamente correto.

Ah… esqueçam Bernkastel por enquanto. Eu ainda não estou falando exclusivamente dela. Prefiro não complicar ainda mais as coisas…

Irina ama e é igualmente amada por todos os seres a sua volta. E no mundo. Não existe ninguém entre elfos, humanos, anões, entre divindades, espíritos e fantasmas que a despreze. Mesmo seu pretenso rival e contraparte, Mordok, não conseguiu resistir à sua aura. Ainda que o caso dele – aliás, de ambos – seja completamente diferente e complicado, afinal tendo a imaginá-los como um casal inusual. Muito inusual.

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Mordok não teve tanta sorte ao ser imaginado… sua forma e personalidade, considerando que representa o ódio, são contraditórias. Sua expressão está sempre fechada, sisuda ou zangada. É antissocial e afasta a maior parte das companhias, até mesmo os próprios deuses. Pode ser bastante sádico quando lhe convém, e é dado a acessos de ira frequentes.

Entretanto, sua aparência geral não é de todo horrível.

Poderia passar por um homem jovem e com apenas um humor terrível, não fossem os chifres enegrecidos que lhe sobem da cabeça, e os olhos com escleras negras e íris prateadas. Os cabelos claros, apaticamente brancos, são curtos, e existem rugas de expressão em seu rosto, consequência das inúmeras caretas de desagrado ou fúria. Veste-se sobriamente – preferindo o preto – e usa uma lâmina capaz de cortar a maioria das superfícies.

Como dito anteriormente, mantêm uma relação inconstante com Irina. Aparentemente ele a ama e odeia ao mesmo tempo, mas nunca admite a parte boa de suas emoções. Refere-se a ela apenas como “Amor”, seu posto de divindade, sem absolutamente nenhum tom romântico, já que é um fato que, entre os deuses, ser chamado pelo nome é símbolo de carisma e aceitação.

Como Mordok afirma não possuir afinidade com ninguém, isso também se estende aos outros membros do panteão, seja do seu lado ou do oposto.

Vamos seguir adiante… falar sobre esses dois em particular deixa-me deprimida. Eu sei bem como isso vai terminar e o choque mais terrível, sem dúvida, veio do destino que ambos dividiriam.

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Hildin é o deus da mentira e da trapaça, o grande traidor. Se alguma criatura já confiou nele, era realmente estúpida a um ponto absurdo. Mesmo a inocente Irina mantêm-se com um pé atrás com relação ao mesmo, e nem ao menos posso julgá-la por isso.

É originalmente sarcástico, com tendência a fazer trocadilhos infames e piadas de humor negro. Um sorriso malicioso estampa seu rosto, e é raro vê-lo sem este.

Sua aparência é primeiramente bizarra: inúmeras serpentes verdes descem de sua cabeça, no lugar do cabelo. Vivas e inconstantes, estas sempre esticam-se para tentar abocanhar alguém. Alguns trechos de sua pele pálida são cobertos por escamas da mesma cor, principalmente a área das bochechas, peito, pernas e braços. Seus olhos são vermelhos, com a retina riscada, e sua língua é ofídica, o que torna sua fala arrastada, com os “esses” estendendo-se mais do que o normal. Sua rival é Rhys, a Fidelidade.

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Enquanto Hildin é o deus serpente, Rhys pode ser considerada uma deusa loba. É séria e mandona, insistindo em tentar frear a impulsividade de sua contraparte, nunca conseguindo ir muito longe com isso. Às vezes pode mostrar-se rabugenta e resmungona, embora nunca abandone quem quer que seja, uma qualidade ligada exclusivamente ao seu título como divindade.

Parece um pouco mais madura, quase maternal – não fosse sua eterna rabugice – ainda que seja baixa de estatura e jovem. Possui cabelos castanhos, um par de orelhas lupinas e calda da mesma coloração. Dos seus antebraços até as mãos descem uma pelugem também castanha, terminando em garras. Ainda que a parte inferior de seu corpo esteja sempre coberta pela saia de um vestido longo e antigo, imagino que seus pés e pernas sigam esse mesmo padrão.

Os olhos expressivos também são vermelhos, mas bem mais agradáveis ao observador. Seus caninos são afiados como as presas de um lobo, e há quem afirme que a deusa realmente uiva para a lua, quando esta se encontra cheia. Eu posso comprovar a verdade sobre esses rumores… Mas prefiro não me intrometer.

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Há também Sawyer, o deus da razão. Inteligente, zeloso e prático, não é dado a demonstrar – ou sequer a ter – sentimentos muito fortes, pois considera a emoção algo perigoso. É absolutamente sincero quando questionado, e um caçador insaciável de conhecimento. Possivelmente é o membro do Panteão de Ordem e Caos mais intelectual e o mais centrado.

É extremamente velho. Tão velho quanto um ser humano poderia ficar. Cabelos e barba brancos e abundantes o caracterizam, assim como as incontáveis rugas em sua pele um pouco mais morena. Ainda que seus olhos estejam sempre estreitos por trás do óculos de leitura, tornando-se difíceis de notar, afirmo-lhes que são de um tom gélido de azul.

Apesar de sábio, Sawyer não tem muita paciência com seu par divino, Bernkastel. Isso se deve pelo fato de, inconscientemente, ela levar quase qualquer um à loucura… de maneira que raramente o deus é encontrado fora da biblioteca, lugar onde a deusa da insanidade foi estritamente proibida de botar os pés.

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Uma palavra para descrever a deusa da Insanidade: instabilidade. Uma hora está muito bem, outra muito mal. Seu humor muda em questão de segundos, de uma curiosidade infantil ao sadismo crônico. Costuma passar por todas as emoções conhecidas em menos de uma hora. Mas não posso afirmar que seja uma criatura ruim. Para dar-lhe crédito, a deusa é um espetáculo a parte. E é difícil que diga coisa com coisa.

Em contraste com Sawyer, sua aparência é de uma menina nova, entre dez e onze anos. Seus cabelos são coloridos, cada mecha de uma cor diferente, chegando a altura dos ombros. Os olhos são grandes, de um tom claro que até hoje não sei definir muito bem. Eles nunca param em lugar nenhum, parecem elétricos. Veste-se de maneira estranha, as vezes trocando a blusa por calças ou usando estas últimas por baixo de saias. Tudo muito colorido. Para que tenham uma noção básica, digam a uma criança com pouca ou nenhuma noção de vestuário para escolher que peças quer colocar, e saberão (mais ou menos) como a pequena Bern mostrava-se a nós, os outros deuses.

É a única dos doze que não tem permissão para amaldiçoar nenhum mortal, pois normalmente é tão confusa a ponto de tornar-se incapaz de medir os problemas causados pelo servo em questão. Na realidade, há uma exceção…

Vítima de uma aposta entre Lars e Bernkastel (na qual a última venceu), uma única existência do mundo mortal foi dada à deusa para que esta lhe cedesse o seu dom louco. Como que ela conseguiu vencer aquela aposta, eu nunca poderei saber.

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E citando Lars… aproveitarei a deixa para apresentá-lo, também.

O deus da Ganância… um avarento, vaidoso, pedante e claro, ganancioso, homem. Lars deseja tudo que pode ver, ouvir ou tocar. Para ele não importa qual a procedência, se algo lhe chamar a atenção. É conhecido por ser bissexual e poligâmico. É um cortejador nato, muitas vezes agindo com perversão.

Faz parte dos deuses que menos se destacam em quesito aparência. Sua pele é negra como ébano, lisa e suave ao toque, os traços do rosto relativamente simples. De olhos escuros e cabelos raspados rente a pele, costuma usar mantos ou sobretudos de cores quentes – principalmente vermelho e vinho – e em cada dedo de suas mãos mantêm um anel diferente. Todos são artefatos mágicos de poderes distintos, embora eu não soubesse o que exatamente faziam. Ahn… mas eu descobriria, afinal…

Lars tem uma rixa mal disfarçada com Mordok, nascida provavelmente da disposição que este último tem em mantê-lo longe de Irina… talvez zelando pela manutenção de sua pureza, mas como bem sabemos, o deus do Ódio jamais admitiria algo assim.

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Meirin, ou a Humildade, é a contraparte de Lars. Uma garota jovem e tímida, de fala mansa – quando resolve falar – e cantada. Normalmente é simpática com todos, mesmo que sua timidez marcante a impossibilite de falar demais, ou de se aproximar por muito tempo. Nunca se irrita com nada, e tende a tomar sempre a decisão que julga certa, levando em consideração todos os outros. Costuma ser bastante justa, e por tal razão vive em desacordo com Lars, pois acha que os excessos dele causam desequilíbrio.

Assim como ele, tem a pele escura e olhos castanhos. A semelhança para por ai. Como a existência sútil e modesta que é, suas roupas são extremamente simples e em tons frios, e muitas vezes é vista descalça. Seus cabelos são cacheados, mas estão sempre presos em inúmeras trancinhas, como cordas escuras, que vão até o meio das costas. Seu corpo parece ser meio etéreo comparado ao dos outros, e não é difícil descobrir que ela está ao seu lado o tempo todo, mas não foi notada.

Na realidade, Meirin geralmente não é notada, mas isso é uma escolha da própria, e não apenas uma consequência de seu posto. Por gostar de ajudar os outros, as vezes é abusada por deuses de tendência maligna – principalmente Hildin e o próprio Lars – no intuito que faça coisas para eles, situação da qual Rhys reclama e a alerta para evitar, mas que acaba sempre repetindo-se.

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O deus da criação, Seamus, e sua contraparte, Everett, formam o único par em que ambos os membros pertencem ao mesmo sexo. Não pergunte a mim porque foi decidido que seria assim, afinal eu não sou humana, e não tenho muito interesse no que passa na cabeça deles. O fato é que esses dois quebram o padrão, embora isso não pareça interferir muito no equilíbrio.

Everett é a definição básica da destruição… muita força bruta, com uma personalidade agressiva e uma inteligência questionável. Imagino que seu raciocínio funcione, contudo, mesmo que bem lentamente. Ele parece ter uma dificuldade imensa para entender as consequências de suas ações, e é bem capaz que esqueça o fato de ter poder suficiente para destruir metade de Cherriot – ou a Morada dos Deuses – sem muito esforço.

Afinal, ele é bem grande. Não diria um gigante, mas Lars, que é o segundo mais alto, tem de praticamente dobrar o pescoço para conseguir falar olhando nos olhos de Everett. O corpo é musculoso e de aparência pesada, sua pele tendo um tom avermelhado estranhamente brilhante… me faz ter a sensação de olhar para uma estátua robusta de cobre, e possivelmente deve ser tão dura quanto. Os olhos são pequenos e levemente vesgos, de um bonito azul petróleo. Os cabelos são uma massa negra revoltosa que vai até os ombros, mas ele nunca parece se incomodar em fazer qualquer coisa em relação a eles.

Como já dito, ele é forte. Não só forte, mas sua aura destrutiva é tão poderosa que a simples presença do mesmo em um lugar seria capaz de mandá-lo para os ares. Devo alegar que é isso que acontece a uma certa parte da cidade sagrada, mantida deserta a maior parte do tempo, com exceção do próprio Everett. E dos outros deuses, que visitam-no apenas quando sua aura parece sob controle.

Todos os dias, Everett destrói aquela parte de Cherriot.

Todos os dias, Seamus a reconstrói completamente.

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Vocês podem imaginar que Seamus sente-se revoltado em fazer um trabalho tão injusto seguidamente, e que um belo dia jogaria tudo para o alto e desceria ao mundo mortal, não querendo retornar para seu lar tão cedo. Sinto informar-lhes, mas estão equivocados.

Seamus gosta de criar. Gosta de concertar, realocar, testar. É uma divindade profundamente curiosa e inquieta, quase um cientista dos dias atuais, chegando perigosamente ao limite entre sanidade e loucura. De fato, se fica muito tempo ao lado de Bernkastel, sua insanidade o contamina e faz ele atravessar essa barreira. A fim de evitarem isso – afinal um cientista louco é perigoso em todos os mundos, pelo que parece – ambos costumam manter uma distância segura quando se encontram.

Tende a falar muito sozinho, e é hiperativo, sendo-lhe difícil ficar parado por muito tempo sem fazer coisa alguma. Tem cabelos loiros longos que mantêm presos num rabo de cavalo, e um sorriso franco, mas meio perturbado. A cor dos seus olhos é arroxeada, e sua pele clara é salpicada de manchas de queimadura, oriundas de acidentes envolvendo seus inúmeros experimentos. Está sempre usando um casaco que lembra muito um jaleco, de cor clara, e um par de losangos brancos giram ao seu redor, como satélites orbitando um planeta.

É comum que ele observe as “Terras de Baixo” mais que Meroé, pois estas são mais avançadas tecnologicamente. A maioria de seus abençoados também são escolhidos entre os habitantes das Terras Inferiores.

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Naomi é a deusa da esperança. É considerada a encarnação da paciência, já que em momento algum perde sua compostura. Nunca entra em desespero, nunca fica brava e é um ser de índole bondosa. Diz-se que ela e Irina são os pilares para a pacificação na Morada dos Deuses, pois sua aura é forte o suficiente para aplacar as frequentes discussões que ocorrem.

Um pouco acima do peso, sua pele tem um tom ligeiramente esverdeado, e os cabelos longos e verdes são trançados e jogados por sobre seu ombro para ficar na frente do corpo. Os olhos são grandes e escuros, transpirando calma. De suas costas sobem asas que mais parecem ramos de videira entrelaçados, tão grandes que, quando estão fechadas, arrastam no chão como se fossem a calda de um vestido.

Naomi é um dos poucos deuses que utilizam-se de servos para comunicar-se com o mundo mortal. Os seus são no total dois: Spesx e Tenebrae. Tenebrae originalmente pertencia a Zereff, mas este cedeu-o à Naomi quando seu próprio desespero cegou-o, afastando-o completamente do mundo dos homens e de seus amaldiçoados mortais.

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Por fim, lhes apresento Zereff, o Desespero.

Na realidade, há muito pouco o que dizer sobre essa encarnação, pois tornou-se um ser recluso e desconfiado com o passar do tempo. Houve uma época em que o conheci, de fato… um rapaz franzino, frequentemente descontrolado, com uma predisposição clara para o que vocês devem chamar de depressão. Muito calado, extremamente antissocial – ganhando de longe de Mordok, e este nunca foi um primor se socializando – Zereff era o eterno desajustado. E devo afirmar, é provável que continue sendo.

Sua pele é – ou era? — acinzentada, com um tom cadavérico. Muito magro, olheiras profundas marcam seus olhos cinzas. Os cabelos também são sem cor ou brilho, um emaranhado de fios neutros que costumavam dançar ao sabor do vento, pois eram muito longos e ele nunca fez questão de se preocupar com os mesmos. Duas marcas negras cortam seu rosto, caindo dos olhos, no caminho que as lágrimas geralmente percorrem. Elas lembram muito teias de aranha. De suas costas saem um par de asas que parecem galhos mortos e retorcidos. Não sei se já voou alguma vez com elas. E duvido que voe nos tempos atuais.

Antes de se fechar em sua própria mente, antes de dar as costas a todos e a ninguém ao mesmo tempo, Zereff confiou à sua contraparte a serva Tenebrae, pois se esta parasse de cumprir os desígnios para os quais foi criada, teria sua existência negada. Um ato de misericórdia ou de cuidado? Não sei dizer ao certo… para mim, o Desespero é incompreensível…

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Sim, eu sei… ao lerem isso vocês passarão a amar ou a odiar esses deuses, profundamente. Talvez até mesmo se afeiçoem a cada um deles, embora eu deva advertir, isso lhes causará apenas mais sofrimento. Como eu já lhes disse, isso não é um conto de fadas. Não há finais felizes. Embora seja verdade que, tudo o que virá a ocorrer a partir daqui, é consequência de uma situação que terminou relativamente bem para alguns.

Existia um terror inominável nas terras de Meroé, alguém tão poderoso que podia equiparar-se a um deus. Há muito e muito tempo, havia sido selado pela união entre Amaldiçoados e Abençoados e, recentemente, foi preciso que uma segunda batalha fosse travada com a intenção de detê-lo.

Não entrarei em detalhes, afinal podem ler isso em qualquer livro meroense mais atual. Apenas direi que se um certo vilão tivesse matado uma certa heroína, tudo teria ido por água a baixo. A batalha teria tomado um rumo diferente, um rumo que forçaria os deuses a intervirem, depois de tantos milênios proibidos de descerem ao mundo mortal. Eles se uniriam para castigar o tão temível Pesadelo, e haveria muitas razões para que a guerra entre eles nunca estourasse.

Hildin não teria chegado ao ápice do tédio e buscado algo que pudesse entretê-lo…

É claro, estou falando pelo lado dos deuses, nesse caso específico. O final feliz de uns é a desgraça para outros. Talvez fosse um fato irrevogável que, para que um grupo vingasse, outro deveria ser extinto.

Os heróis venceram, e os deuses cairão.

Se os heróis tivessem perecido, o Panteão de Ordem e Caos sobreviveria.

Seguindo adiante…

Notaram quem é o responsável por toda a desgraça iminente? Que pessoas inteligentes! Embora seja tipicamente lógico ao pensarmos sobre isso, sendo a primeira conclusão que vem a mente…

Afinal, quem mais poderia iniciar um conflito do que o deus da traição?

Notas finais
Yeeeei! Tudo bem com vocês? Espero que sim. Este capítulo veio para mostrar uma visão geral de como as coisas se encontravam antes da guerra que está por vir. O que acham dos nossos futuros defuntos - digo, dos deuses? Já tem algum favorito? Ou simplesmente não gostaram de nenhum? + Aos leitores de CDP: Sim, os spoilers básicos foram intencionais... agora vocês sabem como tudo terminou, mas não tem ideia de como ou de que maneira. Espero que isso não estrague a graça do final... Tem alguns menções a mistérios na saga no meio da narrativa - já que vocês são inteligentes, tenho certeza que vão achar. Mais do que isso não direi! Acho que é só isso por enquanto, pessoinhas. Kisses kisses para todos vocês e nos vemos por ai! :3 Ps.: a imagem refere-se a aparência da Irina, mas não completamente, ainda não achei uma realmente perfeita para essa situação. Ps.2: Spesx e Tenebrae são palavras em latim, e significam, em ordem, esperança e desespero.