Como você me fez enxergar
4 Destino
Ai meu Deus! Ele acabou de me dar um beijinho no canto da boca! eu vou morrer!
— Ô menina, sai da frente da loja, tem outros clientes querendo passar e você ta totalmente no meio da loja parada igual a uma mongol — Uma voz falou. Me virei e vi aquela tal de Cláudia.
— Ah... Me desculpe. Mas, e-eu, não acho que seja certo você, sabe, me chamar de mongol. — Falei meio exitante. São nesses momentos que eu gostaria de ser como minha irmã, barraqueira.
— Ah, não acha? Queridinha, eu só trabalho com fatos, e um dos fatos é que você É uma mongol, então da licença que eu tenho que trabalhar. — Me falou.
— Nossa, Claúdia, é Claúdia, né? — perguntei. Ela concordou. Quem que no meio de um barraco pergunta o nome da outra? A Clara, mas é claro. — Olha, eu nunca fiz nada para você, por que está me tratando desse jeito? — perguntei enquanto chegava mais próxima do balcão.
— Porque, você fez com que o meu chefe brigasse comigo, sendo que eu não tive culpa nenhuma, então pode saber, que se você aparecer para trabalhar amanhã, eu vou tornar sua vida um inferno. — Falou, com uma cara de mal de dar muito medo. Resolvi sair de lá, porque mau humor pega, né.
Fui andando para casa. Como não vou estar trabalhando hoje, vou para casa arrumar o almoço. acho que tem alguns ovos na geladeira, um espinafre na hortinha, e acho que tens uns trocados dentro do porquinho da Anna também. Ela não pode nem reclamar, to colocando comida naquela boca.
Cheguei em casa e subi os sofridos 4 lances de escadas. Cruz Credo. aquilo era horrível! Se eu conseguir me manter no emprego, que por acaso eu não sei nem quanto eu vou ganhar, vou tentar juntar dinheiro para alugar um apartamento novo.
Comecei a fazer o almoço e quando estava quase terminando o arroz, lembrei do dinheiro do cofrinho. Fui la conferir. Contei tudo e constatei que dava para comprar um peito de frango. Eba!
Fui lá comprar no mercadinho que tinha na esquina. Quando tava entrando no mercadinho, não percebi que o degrau para entrar era muito maior que os convencionais, e que eu tinha que levantar a perna muito mais. Ou seja... Tropecei bonito. Fui tentando ganhar equilíbrio, mas obviamente foi sem sucesso. Sabe quando sua vida passa toda na sua frente em câmera lenta. Então. Exatamente isso que aconteceu. Vi a banca de peixes se aproximando cada vez mais, enquanto eu conseguia me manter em pé cada vez menos. fechei os olhos com força 1 nanosegundo antes do impacto. Capaaaahhhhhhhh. Tudo foi ao chão.
Meu braço estava doendo muito. Muito mesmo. Tentei rolar para o lado, mas caraca, a dor era imensa.
— Garota! Você vai pagar por todo o prejuízo me entendeu? — Uma voz berrou. Ah não! Dívidas são as coisas que eu menos preciso no momento. Mas meu braço ta doendo taaaaanto.
— Aiiiii — Gemi. — Meu braço ta doendo muito! — eu não sei para quem eu tava falando isso mas, TAVA DOENDO MUITO!
— Foda-se o seu braço garota! Você destruiu meus peixes! — A voz, do que eu imagino ser o responsável pelo mercado falou.
— Coitada moço! O braço dela está em uma posição estranha mesmo! — Falou outra voz, a de uma mulher agora.
— ELA DESTRUIU MEUS PEIXEIS! — berrou o carinha dono do mercado
—ELA ESTÁ COM BRAÇO QUEBRADO!
— MAS ELA...
— ELA NADA! — falou a voz da mulher. — Vem Querida, vou te levar no hospital. — falou para mim. Mais baixo agora.
Sei que não deveria seguir uma estranha, mas mesmo assim, ela falou que iria me levar para o hospital, e meu braço devia mesmo estar quebrado,nunca senti tanta dor na minha vida. Bem, exceto por minhas cólicas.
Vi que ela me colocou em uma carro muito chique, que nem com minha vida inteira de trabalho eu poderia comprar, mas, não podemos ter tudo, né.
— Ai moça, ta doendo meu braço — Falei, e logo percebi que estava soluçando.
— Eu sei meu amor, a gente já ta chegando, mas com esse temporal que tá caindo, vai demorar um pouquinho mesmo. — Me falou. Nossa, eu nem tinha percebido que tava chovendo. Olhei pela janela do carro e percebi que sim, estava chovendo muito mesmo. Muuuuiiitoooo.
— Chegamos querida. — Ela falou de um jeito carinhoso. E me ajudou a sair do carro me levando para um hospital, pelo o menos isso. U m hospital muito chique só para constar.
....................................................................................................................................
PEDRO
Minha mãe me irrita! Ela já deveria estar aqui a muito tempo. Consegui uma reserva para ela no restaurante que ela tanto queria, saí da empresa mais cedo para ela não vir. Que raiva!
— Garçom! — chamei a fim de pagar as duas águas que eu tinha bebido esperando por minha linda e pontual mãe. Paguei e fui sair, mas logo a preocupação me atingiu. Será que tinha acontecido alguma coisa? Estava chovendo desse jeito desde a hora do almoço. Será que aconteceu alguma coisa realmente séria? Catei o celular e fui ver.
tu... tu... tu... tu... tu... Sua chamada está sendo encaminha para a caixa postal, você só será tarifado após o sinal.. Pii
Merda! Sei que minha mãe nunca atende o telefone, mas caraca. todo mundo passa raiva com isso.
tu... tu.... tu... tu... tu.... tuu. Alô?
Alô, mãe?
Oi filho, desculpa, não fui no jantar, né?
O que você acha?
Érrrr. Tá. espero que entenda meu lindo.na hora do almoço eu tava passando num bairro aí, daí eu vi uma promoção muito boa de Kiwi. eu fui la comprar, né, só que uma menina caiu la e quebrou o braço.
E por que você não deixou ela ir para o Hospital sozinha?
Nossa Pedro, você não tem coração mesmo, tá? Estamos saindo daqui agora e indo para aí
Espera, indo para onde?
Para sua casa, uai. Elas são uns amores.
Elas?
É meu filho. estamos indo, viu? Nos aguarde. Falou e desligou na minha cara.
— Droga, — Resmunguei enquanto entrava no carro e ia direto para casa.
............................................................................................................................................
CLARA
— Dona Lana... Eu não tenho palavras para agradecer a senhora. — Falei.
— É tia, obrigada. — Falou a Anna.
— Por nada meus amores. Mas nem precisam de me agradecer. Não fiz mais que minha obrigação.
Ficamos em silêncio por mais um tempo e depois dona Lana disse.
— Chegamos meninas. podem descer que meu filho já ta esperando a gente.
— Seu filho? — Perguntei.
— Sim, aqui é a casa do meu filho, queria que vocês conhecesse ele.
— Ta. — eu e minha irmã falamos ao mesmo tempo.
fomos entrando pelo saguão, e ó. Ô família rica, viu?
O Prédio muito bonito e, pelo que eu vi, muito caro também. Entramos no elevador e vi ela apertar o botão do quinto andar. Ahhh elevador. Meu sonho de consumo.
Chegamos no andar e logo nos dirigimos para o apartamento número 402.
Dona Laana tocou a campanhia, e, caramba, quando atenderam a porta, eu só pensei: Se não for destino, não sei o que é.
Fale com o autor