Notas iniciais
*posta e sai correndo enquanto foge de forcões e frigideiras*

[...]Logo depois, Sarada Uchiha sorriu de orelha a orelha, reconhecendo o homem da fotografia que ela guardava consigo. Apressou-se em envolver as pernas do pai em um abraço – pois era muito baixinha –, quase chorando outra vez.

Papai!

~O~O~

Enquanto a criança o abraçava, radiante, a única reação que Sasuke conseguia transmitir era de pura incredulidade – porém, não saberia precisar ao certo se era pela surpresa em ver a filha ou por não ter sentido a garota se aproximar. De fato, Sarada, uma criança, fora extremamente sorrateira, de forma que nem mesmo um ninja do nível do Uchiha conseguira detectá-la. Não sabia se havia sido proposital ou acidental por parte da filha – ou se ela simplesmente havia desenvolvido tal talento inconscientemente –, contudo, independente disso, era um fato intrigante.

Entretanto, naquele momento, seus pensamentos não focavam no aspecto racional da situação. Muito pelo contrário; ter a filha que não via há anos ali, abraçada a ele, exatamente como um pai e uma filha deveriam fazer rotineiramente, abriu espaço para um turbilhão de sentimentos – que Sasuke habilidosamente reprimira por todos esses anos. Ele sentia uma vontade imensurável de abraçar Sarada, de perguntar como ela está indo na escola, o que ela fez nesses anos todos em que estiveram separados, de saber suas comidas favoritas, seus livros favoritos, seus hobbies...

Foi aí que seu coração falhou uma batida.

Pois se deu conta de que não sabia nada sobre ela.

Ele não tinha conhecimento algum sobre a própria filha – além do nome. Coisas tão simples, como hobbies e comidas favoritas? Ele não fazia ideia. Apesar de saber o nome da filha, ele não poderia saber o que fazia “Sarada” ser “Sarada”. Porque ele era um pai ausente; um pai que não via a família há mais de cinco anos.

Ele se sentia extremamente culpado. Certo, Sasuke estava consciente de que havia feito isso por motivos de força maior, porém... Será que demonstrar o desejo de querer saber da filha e da esposa teria sido uma ideia tão ruim assim? Será que foi uma boa ideia ocultá-lo, simplesmente para não sentir a vontade avassaladora – a qual sabia que sentiria – de abandonar tudo e voltar para junto da família?

“Bem, não é hora para pensar nisso”, refletiu. Sabia que tinha sido a escolha mais racional a fazer; poderia se martirizar depois que a ameaça Otsutsuki estivesse oficialmente aniquilada. Tentou recuperar a compostura digna de um Uchiha que internamente havia perdido, e, por algumas frações de segundos, conseguira. Entretanto, seu coração derreteu-se completamente ao escutar outra vez a voz fofa de Sarada:

— Papai! É o senhor mesmo! – Exclamou a garota, sorridente. Seus grandes e brilhantes olhos ônix, pela primeira vez, encararam diretamente e com atenção os do pai ao vivo e em cores, e Sarada noticiou que eram iguais aos dela: negros, brilhantes e profundos. Ficou feliz com a constatação, e sorriu ainda mais. – Bem que a vovó disse que o senhor voltaria! Onde esteve esse tempo todo, papai?

Sarada esperou uma resposta, mas ela não vinha de nenhuma forma. O silêncio reinava naquele lugar, e quando Sarada tentou ler o que a expressão do pai dizia, não obteve resposta alguma: o semblante de Sasuke permanecia invariavelmente neutro. Podia não dizer nada, assim como podia dizer absolutamente tudo. Entretanto, o fato era que Sasuke Uchiha, pela primeira vez na vida, não fazia ideia do que devia fazer, ou mesmo como sair daquele estado de estaticidade, e o orgulhoso Uchiha tentava assiduamente ocultar tal fato com sua inexpressividade corriqueira.

Contudo, Sarada interpretou aquilo de uma forma completamente equivocada. “Por que o papai não está respondendo?”, pensou aflita. Mil ideias passaram pela cabeça da criança: “Será que ele tá passando mal? Será que ele tá com gripe? Será que ele não tá me reconhecendo?

...

Será que ele não gostou de mim?”

— ...Papai? – Sarada chamou, tensa, desvencilhando-se das pernas de Sasuke e dando alguns passinhos para trás, apertando o lençolzinho que trazia consigo com ansiedade – O que foi?... P-Por que não está respondendo?

Silêncio. Sasuke tentava desesperadamente usar direito suas cordas vocais, queria dizer alguma coisa a Sarada – qualquer coisa! –, pois via claramente a aflição da filha. Era natural que ela, alguém que praticamente nunca vira o pai pessoalmente, tivesse certa insegurança em relação a ele – se o próprio Sasuke, que convivia diariamente com Fugaku, tinha suas próprias e ocultas inseguranças, de que forma Sarada não as teria? Com certeza havia interpretado a reação de Sasuke de forma errada, quando na verdade era ele quem estava fazendo tudo errado. Não sabia exatamente em que ela estava pensando, mas boa coisa com certeza não era. E foi com esse pensamento que o Uchiha teve sua confirmação:

— Pai... – Sarada chamou outra vez, incerta, insegura e cabisbaixa, prestes a chorar outra vez – O senhor não gostou de mim? É isso? O-O que foi que eu fiz? Eu... E-eu...

Sasuke, mesmo sem mostrar externamente, desmoronou por dentro. Ele já imaginava que viria alguma coisa assim, mas ouvir aquelas palavras tão claramente foi como um baque. Lembrava-se muito bem de constantemente fazer-se as mesmas perguntas em relação a Fugaku, mas nunca ter tido coragem de perguntá-las diretamente a ele. E, agora, naquele momento, Sarada, sua filhinha, estava lhe fazendo as mesmas perguntas, com a coragem que Sasuke nunca teve.

Que exemplo de pessoa ele era.

Que exemplo de pai ele era.

Sasuke limpou o suor que escorria pela sua testa, e percebeu que estava ligeiramente trêmulo. A expressão triste daquela criança e seu completo fracasso como pai, com certeza, são os maiores desafios que já enfrentara na vida. Até mais do que Kaguya e qualquer outro Otsutsuki que já apareceu na sua frente. Vendo os olhos ansiosos, cheios de expectativas – sejam boas ou ruins – e aflitos, o Uchiha se sentiu um lixo humano, e ainda mais, quando realizou que, quanto maior o silêncio, mais estaria equivocadamente subentendida uma resposta positiva para a indagação da garota.

Pela segunda vez na vida sendo a primeira no fatídico dia do genocídio do Clã Uchiha —, Sasuke queria que o matassem.

Sasuke não sabia ser espontâneo. Não sabia improvisar. Não tinha coragem. Não sabia por onde começar.

Ele não tinha ideia do que fazer. Ele nunca aprendeu como ser pai.

E ele se sentia tão inseguro quanto Sarada.

Mesmo assim, sua face desconhecia a palavra ‘insegurança’ fazia anos. Entretanto, o ‘orgulho’ era um companheiro de longa data; não só para ele, mas também para todos os Uchiha que vieram antes de Sasuke. Porque, para os Uchiha, demonstrar fraqueza em público era, junto com traição, a proibição absoluta; era trazer desonra para a herança que os primeiros Uchiha deixaram para seu legado.

Não importava o quanto seu coração quisesse abraçar Sarada naquele momento; não importava o quanto seu coração quisesse dizer ‘me desculpe’ repetidas vezes em meio às lágrimas de saudade; não importava o quanto seu coração mandasse Sasuke anunciar para os quatro ventos que amava a família – tanto do passado quanto do presente.

O que importava verdadeiramente era que a razão e o orgulho limitassem esse turbilhão de sentimentos às profundezas de seu interior. E, dessa forma, permaneceu inexpressivo e inabalável, como a muralha que inconscientemente desejava que todos acreditassem que era.

Então, olhou mais atentamente o que Sarada segurava, e, involuntariamente, seus olhos ônix brilharam ao reconhecer aquele cobertor com estampa de dinossauro. Sasuke ajoelhou-se a fim de ficar do mesmo tamanho da criança, com o olhar perdido em pensamentos – ou, talvez, no tempo –, no que Sarada fez uma expressão confusa. Por fim, Sasuke disse, com um sorriso bobo no rosto:

— Eu lembro desse cobertor. Minha mãe fez pra mim quando eu era criança. Sempre... Sempre quando eu me sentia sozinho, ela me dizia que, caso eu o abraçasse com força, eu a sentiria perto de mim. Ele era meu melhor amigo quando eu estava sozinho. – Sasuke estendeu a mão em direção ao objeto, e Sarada, completamente atenta à história de seu pai, o entregou, logo em seguida limpando seus olhos úmidos, cujas lágrimas não chegaram a cair.

O Uchiha abraçou fortemente o presente que Mikoto lhe dera, e fechou os olhos. Uma onda de nostalgia percorreu seu corpo, assim como a adrenalina fazia quando lutava contra inimigos fortes. Era um sentimento extremamente agradável e suave. Quando abriu os olhos, havia voltado a ser criança; uma criança cujo orgulho não era coercitivo, e cujo nome não era um peso. Não pôde evitar sorrir ao ver uma menininha de cabelos negros e olhos ônix, exatamente iguais aos seus: sua filhinha, a pessoa mais importante da vida de Sasuke! Ele sorriu com suavidade, como não fazia em anos. Então, simplesmente abandonando seu orgulho, puxou Sarada para um abraço, assim como abraçou aquele cobertor de dinossauro.

Sarada, cujos olhos grandes e brilhantes se arregalaram com a surpresa, provavelmente nunca havia sorrido tanto quanto naquele momento. Ao abraçá-lo de volta, pela primeira vez, sentiu o calor de uma figura paterna perto de si, do pai que sempre quisera conhecer. Ela sentia as lágrimas rolarem por suas bochechas e soluços involuntários serem emitidos de sua garganta, mas estava mais feliz que qualquer coisa ao fechar os olhos e retribuir fortemente o abraço de Sasuke. Ele, afinal, não a odiava! Do contrário, por que motivo teria sorrido daquela forma tão bondosa e sincera para ela? Por que teria a abraçado? Ele deveria gostar muito dela! E isso a deixava feliz, porque ela também o amava muito!

Porém, a despeito dessa felicidade quase imensurável, sua mente analítica e observadora atentava-se para o estranho contexto daquela situação. O Sasuke que ela inicialmente havia percebido com certeza não se parecia com esse Sasuke espontâneo que estava abraçando. Assim que percebeu aquela lembrança física de sua infância, PUF!, a neutralidade se transfigurou em sorrisos. Era como se, na análise da pequena Uchiha, algum tipo de “tranca” para os sentimentos mais espontâneos do Uchiha houvesse sido quebrada pelo vislumbre do passado. Sarada já havia visto vários filmes como aquele!

E, de fato, essa doce lembrança da infância foi chocante para o Uchiha. Sasuke sentia-se uma criança outra vez. Uma criança que corria da Academia para chegar em casa na hora do jantar; uma criança que sentia prazer em treinar as artes ninjas com seu irmão; uma criança que queria, mais que tudo, o reconhecimento do pai...

Uma criança que perdeu sua família para um genocídio. Uma criança que agora entendia o significado de ser membro do clã Uchiha.

Os pensamentos e o raciocínio de pai e filha pareciam estar em sincronia. A conclusão foi rápida e simultânea, porém as maneiras como cada um deles reagiu divergiram completamente: Sasuke, ao tentar recuperar a compostura, levantou-se e limpou a garganta – embora não tenha soltado o cobertor; e quanto a Sarada, à medida que sua linha de pensamento trabalhava a todo o vapor, basicamente expressava o quanto a dura realidade parecia pesar mais e mais sobre a criança:

Quantas vezes, depois do Massacre do Clã Uchiha, seu pai havia abraçado aquele cobertor em meio às lágrimas numa tentativa falha de sentir o toque da mãe?

Sarada nunca havia parado para pensar no que Sasuke havia sentido quando perdeu a família. E, desde que descobriu sobre o massacre naquela tarde, estava tão ocupada pensando em sua tristeza com a partida dos avós que nem passou pela sua cabeça que o pai também os perdera. Só que perdera também os tios, os primos, os avós, os amigos, o parente mais distante que pudesse imaginar... Tudo isso num único dia.

E, agora, vai inevitavelmente perdê-los uma segunda vez.

Sarada nunca tentou entender tanto o pai quanto naquele momento. E era doloroso. O sofrimento do pai deveria ser tão grande que a Uchiha não tinha nem coragem de comparar com o seu. Afinal, ela tinha a mãe que ama tanto ao seu lado; e apesar do pai trabalhar longe, Sarada sempre teve a certeza de que o coração dele estava batendo e, por isso, algum dia Sasuke voltaria. E assim o fez.

Mas a morte não tem volta.

— Isso é seu. – Declarou Sasuke. Sarada piscou várias vezes até retomar o foco e perceber que seu pai estendia o cobertor para ela. Ela o agarrou com hesitação, ainda meio grogue pelas suas dolorosas realizações, e olhou diretamente nos olhos ônix do pai.

Eram olhos que poderiam guardar o infinito lá dentro, e ninguém notaria. Ela já vira em vários filmes o quanto o olhar das pessoas é importante: não importa o quão neutra a expressão de alguém pode ser, os olhos sempre são janelas para os sentimentos mais profundos; por isso, Sarada buscava sempre olhar nos olhos. Fazendo isso várias vezes, ela acabou ficando boa nisso, apesar de só ter 8 anos. Entretanto, os olhos de Sasuke tentavam esconder a profundidade que deveriam mostrar. A garota poderia não ser a melhor em leitura ocular, mas também era a primeira vez que via olhos tão misteriosos como aqueles e que, ainda assim, eram tão iguais aos dela.

Tão iguais que Sarada se perguntou se Sasuke, quando se olhava no espelho, via o mesmo que ela quando fazia o mesmo.

— Sarada. – Sasuke voltou a se ajoelhar, para ficar do tamanho da filha. Seu olhar era sério. – Pode me prometer uma coisa?

A criança pendeu a cabeça levemente para o lado em sinal de confusão, mas assentiu mesmo assim.

— Prometa que não vai contar a ninguém que eu estou de volta.

A pequena Uchiha arregalou os olhos em incredulidade por trás das lentes, e agarrou mais forte o cobertor. Ela vira como Sasuke havia reagido quando viu o presente que Mikoto dera a ele anos antes. Ela vira e teve a certeza do quanto Sasuke sentia falta de todos. Então por que ele não queria ver seu pai, sua mãe, seu irmão e sua esposa? Por que ele queria se esconder? Sarada não entende nada disso! Nada, nadinha!

— M-mas eu... Eu... Eu pensei que todos nós...

— Por favor, Sarada. Prometa-me.

— Mas todos estão esperando o senhor, papai! – A pequena Uchiha protesta – E mamãe sente muito a sua falta...

Sasuke ficou em silêncio. Sua expressão era impossível de ser lida. Percebendo que o pai não falaria nada, Sarada continuou, cruzando os braços em insatisfação:

— Eu não entendo o senhor, papai. O senhor ficou muito triste quando perdeu sua família, não foi? Quando perdeu a sua família toda... Num único dia. — Sarada mordeu o lábio e baixou a cabeça. Sasuke arqueou uma sobrancelha em surpresa; sua filha não deveria saber sobre a existência do massacre – Eu não entendo por que o senhor quer se esconder quando a família que sente tanta falta tá bem na sua frente! Por que o senhor não quer aproveitar essa oportunidade, papai?

Um momento de silêncio se fez presente. Sarada até pensou que Sasuke não responderia sua pergunta, levando em conta o fato de sua expressão praticamente não ter se alterado. Porém, por fim, ele disse, definitivo:

— Porque, antes de qualquer coisa, eu preciso protegê-los. Preciso proteger seu avô, sua avó, seu tio, sua mãe e você, minha filha. E, para proteger aqueles que se ama, deve-se sacrificar certas coisas – Ele colocou a mão nos cabelos de Sarada e começou a afagar gentilmente seus cabelos negros – Até mesmo minha própria felicidade.

Os olhinhos ônix por trás dos óculos ficaram maiores e mais brilhantes. O que Sasuke acabara de dizer era tão profundo... Parecia saído de filme! Lembrava muito alguma filosofia. E Sarada não entendia nada de filosofia. Ela fez um bico insatisfeito com a resposta e, ao mesmo tempo, envergonhado por não ter entendido direito a mensagem que seu pai queria passar.

— Mas não precisa fazer isso, papai. – Ela inflou as bochechas.

Sasuke deu um sorriso de canto, e bagunça os cabelos da filha com nostalgia. Lembrava-se de ser tão teimoso quanto a filha quando era menor, embora não tivesse toda essa coragem; com certeza, corajosa igual a Sakura. Seu sorriso ficou levemente mais largo com esse pensamento.

— Vai entender um dia, Sarada. Porque você será uma ninja.

— Ninjas são muito complicados, então – Ela resmunga.

— Talvez sejam mesmo. – Sasuke abafa um riso. É a primeira vez que ela escuta seu pai rir. E foi ela que o fizera rir! Sarada fica imensamente feliz, e quase esquece da situação, até que o Uchiha subitamente se levanta e se afasta.

“Será que ele já quer ir embora??”, pensa Sarada, desesperada pela possibilidade de perder o pai outra vez e, mais ainda, de não ter como segurá-lo ao seu lado.

— O-o-o senhor já vai em-embora?? – Pergunta, diminuindo rapidamente a distância que Sasuke colocou entre eles.

— Não, ainda não. Eu ficarei lá, assistindo tudo. – Ele apontou para trás, onde há uma árvore dominada pelas sombras da noite.

Sarada pende a cabeça para o lado.

— Papai vai construir uma casa na árvore? Sempre quis uma casa na árvore!

— Ficarei nas escondido nas sombras, não na árvore. É muito mais fácil proteger alguém das sombras.

— Mas lá eu não verei o senhor! – Ela protesta, correndo para abraçar as pernas do pai. Embora não tenha entendido muito bem o porquê de Sasuke querer ficar no escuro e como isso ajudaria a proteger alguém. Será que era coisa de ninja?

Sasuke sorriu levemente e respondeu, com toda a sinceridade do mundo:

— Mas você sentirá.

O coração de Sarada falhou uma batida. Isso era muito semelhante ao que Mikoto havia falado para ela naquela tarde. “Nós vamos sempre estar com você. Aqui.”, e apontara para o coração de Sarada. Esse pensamento a fez se sentir mais leve e perceber o quanto seu pai podia ser parecido com a sua avó quando queria.

— Mas fica só mais um pouco, papai. Eu quero te mostrar minha história favorita! Se chama Aladdin. Conhece, papai? – Os olhos da menina brilhavam em esperança.

“Você não tem ideia do quanto eu quero ficar, minha filha”, pensou o Uchiha. Mas ele não poderia. Porque Sarada e todas as pessoas que estavam conversando dentro daquela casa vinham antes de si mesmo. Precisava ficar nas sombras, como sempre fizera. E até Sasuke ter certeza de que não há nenhum perigo rondando o clã Uchiha, permaneceria assim.

Porque essa súbita viagem no tempo é suspeita demais para deixar de lado todas as suas preocupações em relação a ela.

Sarada? Por que está demorando tanto?”, ouviram o grito de Sakura vindo de dentro da casa. Sarada cobriu a boca com uma das mãos, enquanto a outra agarrava fortemente o cobertor, como se tivesse sido pega em flagrante fazendo alguma travessura.

— N-nada, mamãe! Eu me distraí brincando com um esquilinho! – Ela improvisou, desesperada. A resposta demorou um pouco para vir, o que deixou a garota ansiosa.

“Certo. Não demore, está frio aí fora.”

Sarada não sabia que estava prendendo a respiração até soltar todo o ar em alívio.

— Tenho que ir agora, Sarada. Volte para sua mãe.

— E-e-espera! Eu vou lá dentro rapidinho pegar o livro e já volto! Só vai levar alguns segundos, eu juro! Por favor! – Os olhos dela estavam cheios de expectativa.

A resposta de Sasuke não veio. Ao invés disso, ele voltou a se ajoelhar de repente, e analisava com atenção o rosto de Sarada. Ela arregalou os olhos em surpresa, mas não abandonou o olhar pidão. Por fim, o Uchiha sorriu, e a garota interpretou o ato como uma confirmação. Estava pronta para vibrar de alegria.

Até que sentiu um toque gentil na sua testa.

— Talvez numa próxima vez, Sarada. – Ele disse, com a expressão mais suave que ela já vira.

Uma lembrança passa por sua mente como flashes de memória. Uma Sarada mais nova estava conversando com Sakura sobre o pai que nunca viu. A criança pergunta se seus pais já tinham se beijado. Sakura desconversa, e diz que há coisas melhores do que beijos. Sarada, curiosa, pergunta o que é. A resposta de Sakura é um toque na testa, acompanhado pelas palavras:

“Talvez numa próxima, Sarada”

A pequena Uchiha sorriu alegremente com a lembrança, e fechou os olhos enquanto acariciava a testa, exatamente no local que o pai havia tocado. Ela sentiu seu coração aquecer; até aquele momento, ela nunca havia entendido o que aquele gesto significava. Na verdade, não achou houvesse algum significado. Porém, quando Sasuke tocou em sua testa, do mesmo jeito que Sakura havia feito anos antes...

Ela teve a certeza de que havia um significado muito maior por trás daquele “poke”.

Quando abriu os olhos novamente, ela era a única pessoa naquele lugar.

— Eu também te amo, papai. – Ela sussurrou. “Eu também te amo, mamãe”, pensou. Sentia a felicidade transbordando em forma de lágrimas de dentro de si. Com as pernas bambas, ela sentou no chão e continuou ali, limpando a felicidade líquida que teimava em continuar saindo de seus olhos.

Porque, talvez, aquela seja a maneira de Sasuke de dizer “eu te amo.

Quando se acalmou, começou a se dirigir de volta à casa. A cada passo que dava, ela se sentia mais confiante: quando seu pai terminasse de protegê-los, seria ela que o protegeria de seja lá o que for. Assim, Sasuke poderia ficar sempre com eles, não é? Ele poderia abraçar Mikoto, treinar com Fugaku, brincar com o Itachi, beijar Sakura na bochecha... Poderia até dar um irmãozinho para ela!

Ele ficaria feliz, não é? E esqueceria de toda a dor!

Sarada percebeu uma ave voando no céu acima dela. Ela era muito brilhante e parecia estranhamente dourada. Era tão bonita, e voava no céu tão livre e despreocupada. Como se tudo estivesse dando certo na vida dela.

E como se tudo fosse dar certo na vida da família Uchiha.

A corajosa Uchiha sentiu um estranho sentimento aflorar em seu peito. Esperança. Quando mais forte ficava esse sentimento, mais rápido ela andava, chegando ao ponto de correr até atingir construção que ela chamava de “lar”. Ela com certeza fará tudo dar certo. Ela com certeza consertará tudo o que tiver que ser consertado.

Ela com certeza fará tudo valer a pena para seu amado pai.

Notas finais
Oi, galeraaaaaaa ♥ Há quanto tempo, né? Antes de tudo, queria me desculpar. Ano passado, como era meu último ano da escola, nunca tinha tempo para nada. Além disso, depois que perdi os capítulos 6, 7 e 8, fiquei super desmotivada. Foi como uma bola de neve, hahaha. Mas graças a Deus consegui reescrevê-lo e trouxe aqui pra vocês ♥ Dessa vez, eu não vou prometer nada, porque talvez eu não consiga cumprir. Vou postando o que der a cada semana e vamos ver no que dá hahaha. Mas, bem, voltando ao capítulo de hoje. Acho que eu exagerei no drama ASHAUSHAUSHAU. Se isso tiver incomodado vocês, eu dou uma maneirada nos próximos capítulos. Sei que vocês queriam a revelação geral, maaaaaaaas... Infelizmente vai ter que esperar um pouquinho :') haha. Achei melhor assim no que diz respeito à personalidade do Sasuke e da Sarada. Mais coerente, sabe? Espero que não se incomodem ^-^ Além disso, se todo mundo o encontrasse assim, do nada, penso que um momento tão importante ficaria um pouco 'jogado', sabe? Não sei explicar ¬¬ Mas enfim. Também usei esse capítulo para fazer a Sarada-chan entender mais o passado do Sasuke. Porque, pelo menos até onde eu me lembro que vi em Boruto, isso nunca foi abordado. Ela parece bem alheia a todo o conflito o Massacre e tals... Não sei se nos eps mais recentes isso é abordado, mas, de qualquer forma, tá aqui kkkkkkkkk. Espero que tenham gostado ♥ Enfim, me digam aí o que acharam do cap., galera ♥ Como o capítulo 7 já está escrito, não devo demorar pra atualizar :3 Beijinhos de açúcar ♥