Notas iniciais
ALOHAAAA! Primeiroo capítulo, que loucura, genten, adoraria agradecer a Biatrix, aquela LINDA que me ajudou com tudo isso e...espero que gostem ^^

Anna

(Capitulo 1)

—Anna?! —Irmã Mary parecia irritada.

Sim, eu a reconhecia apenas pela voz aguda e a maneira gentil que tentava me acordar. Pela indignação transmitida por suas cordas vocais, deveria ser segunda- feira. Eu sou aquele tipo de pessoa que quando acorda depois de uma bela noite de sono está totalmente perdida, ou seja, não sei que horas são, nem que dia é, nem quando dormi, eu demoro um pouco para “refrescar a memória”.

—O que foi? —Minha voz saia abafada por causa do travesseiro em meu rosto.

—Levante- se dessa cama!

—Não...

—Pare de me responder e apenas levante já dessa cama!

—Já vou, já vou. — Aquela cama era realmente muito confortável e é obvio que essa frase era mentira.

—Vou ter que chamar a Irmã Carmen?

—Talvez tenha, talvez não, você quem escolhe, estamos em um país livre.

—Volto da aqui a cinco minutos. —Ela saiu pela porta, fechando-a com raiva.

—Como se eu fosse contar... — Disse para o nada

Voltei a dormir e só fui acordar por causa do barulho de passos irritados em minha direção.

—Minha querida Anna... — Irmã Carmen falou em um tom falso, como se debochasse de mim.

Ainda estava de olhos fechados, sem perceber quem ou o que estava no quarto, não estava querendo acordar... Vamos dizer que era apenas uma segunda- feira normal.

—Meu nome, senhora.

—Já são nove horas e você é a única de todos que fica na cama, você é jovem, vai aproveitar a vida, garota.

Aproveitar a vida? Como poderia fazer tal coisa trancada em um orfanato de freiras, cheia de regras, onde pintar o cabelo fora um escândalo. Era difícil aproveitar as coisas aqui. Pelo menos a comida era boa.

—Mais cinco minutos. — Me virei para o lado ao contrario de onde vinha a sua voz.

—1...

Ela sempre contava, não sei até que numero, nunca havia chegado ao final.

—2.

Por que não poderia ser coisa boa.

—3.

Bem... Eu sou curiosa.

—4

Vamos ver até onde isso termina e o que acontece no final.

—5

Água fria, sim, água. Abri os olhos e levantei minha cabeça ensopada, olhando no fundo daqueles olhos castanhos e naquela cara de buldogue que Irmã Carmen tinha. Ela segurava um balde, vazio, óbvio, pois a água que um dia estava nele, agora escorria pelo meu corpo.

Não era mais uma segunda- feira normal, agora eu me sentia mais irritada que o normal.

Levantei-me e elas seguiram até a porta.

—Se você continuar assim, tão preguiçosa, não irá conseguir nada na vida. —Irmã Carmen continuava com aquele tom de deboche na voz, saiu e fechou a porta.

Irmã Carmen é uma pessoa maravilhosa, tirando pelo fato que ela existe...

A aula no orfanato começava às nove e meia, as outras crianças levantavam por cerca de oito horas para ficar no gramado ou falando com os amigos, mas eu não fazia isso, até por que eu não tinha amigos, e não pense que eu sou uma garota gótica que não fala com ninguém, é que todas as vezes que eu fazia amigos, eles eram adotados ou já tinha idade suficiente pra sair desse lugar. Eu não era muito sortuda. Eu ainda tenho quatorze anos, faltava muito tempo para eu poder sair daqui e muito velha para ser adotada.

Tomei um banho (outro banho) e coloquei minha clássica calça jeans e minha camiseta de banda, dessa vez, dos Beatles e meu all star preto. Estava penteando meus cabelos ruivos quando reparei no relógio —nove e vinte — Eu desci pelas escadas o mais rápido que minhas pernas conseguissem se manter em equilíbrio, não que eu não tenha tropeçado algumas trezentas vezes, mas eu não caí. Quando cheguei ao refeitório peguei um sanduiche de pasta de amendoim e comia desesperada.

Subi as escadas novamente para as salas de aula, o sinal bateu e entrei na 502 empurrando a porta que Alfred estava fechando para o inicio da aula. Ele era meu único amigo que não me abandonara, além de ser um ótimo professor.

— Atrasada? — Perguntou sorrindo para mim. — Por que não me surpreende?

— Foram alguns segundos. — Sorri de volta. — Assim não vale.

Eu passei pela sala com olhares dos outros alunos

O que eles deveriam estar pensando?

Deixei a pergunta de lado e me sentei na carteira vazia. As carteiras eram em dupla. Eu me sentava com alguém? Não.

Joguei minha mochila no banco vazio ao meu lado e prestei atenção na aula de ciências.

(...)

No final da aula o professor sugere:

— O que vocês acham de sairmos desse lugar um pouco?

— Para onde? — Pergunta um aluno.

Para qualquer lugar já seria bom.

— Ao zoológico. — Ele respondeu. — Vou conversar com Irmã Carmen no tempo livre, se eu tiver algum.

— Acho muito difícil de isso acontecer, aquela bruxa não deixa a gente nem sair para cortar o cabelo. — Disse um menino ao meu lado.

Ele usava óculos negros e uma touca da mesma cor, tinha olhos azuis e cabelo castanho e era magricela.

— Não ofenda as bruxas. —Falei baixinho para que somente ele pudesse ouvir.

— Verdade. — Ele respondeu com ar de compreensão.

Finalmente alguém que a odeia tanto quanto eu.

— Ela não é tão chata assim. — Falou uma menina atrás de nós.

— Ninguém te perguntou nada. — Respondi.

Olhando para trás, para ver a dona da voz, era Milly. Milly era loira de olhos azuis claros, com o corpo praticamente perfeito, uma patricinha mimada popular.

O menino baixou o olhar.

— Para de ser tão grossa. Por isso ninguém gosta de você, por isso você não tem um namorado.

Ela falou a ultima oração como se me afetasse, chegava a ser engraçado. Soltei uma gargalhada.

— Eu preciso de um?

O menino ao nosso lado sorriu.

— Toda garota que se preze não precisa ficar com ninguém.

Milly olhou confusa para nós.

— Vocês são muito estranhos.

O garoto levantou uma sobrancelha e se virou para frente, escrevendo em um papel e quando terminou entregou-me o.

No papel havia escrito “Cérebro dela” com uma seta, indicando a um desenho de um cérebro vazio. Eu sorri com aquela obra de arte.

Eu escrevi dentro do cérebro. “Tenho que ser perfeita pras pessoas gostaram de mim” e entreguei para ele.

Ele apenas sorriu timidamente e olhou de novo para o professor. Eu fiz o mesmo.

— Então está decidido, só tenho que confirmar com Carmen. — Alfred dizia. — A parte mais difícil.

Um garoto entrou na sala no exato momento que o sinal bateu, eu nunca havia o visto por ali, tinha o cabelo loiro esparramado e seus olhos eram castanhos. Alfred também pareceu não recolhesse- lo.

— Quem é você, garoto? Nunca te vi por aqui. — Ele questionou.

— Sou Rupert, acabei de ser transferido.

— Ah, sente naquela cadeira vazia ali, na de Anna.

— Quem é Anna...?

— A única garota sozinha nesta sala. — Ele parou um instante, como se revesse o que tinha acabado de falar. — Isso foi meio deprimente.

Meio...?

O garoto olhou diretamente para mim e deu um sorriso simpático.

— Olá. — Disse ele se sentando, enquanto eu jogava minha mochila no chão.

— Oi.

O professor de filosofia entrou na sala, era moreno e tinha uma barba intensa com cabelos negros até os ombros, olhos mais negros ainda. Ele também usava óculos escuros e não parecia muito bem. Seu nome era Roberto Matthew.

— Hoje iremos discutir como vocês conseguem ficar quietos enquanto eu descanso sem fazer nada... — Disse ele. — Estou de ressaca, não me perturbem.

Uma aula inteira, sem nada pra fazer, que droga.

— Ele sempre faz isso? — O garoto perguntou.

— É, ás vezes... Quase sempre.

— Ótimo. —Disse com sarcasmo.

— Também odeio ficar sem nada pra fazer.

— É um tédio, realmente.

— Então, você faz alguma coisa?

— Como assim? — Ele pareceu um pouco confuso.

— Lê? Desenha? Pinta? Joga vídeo game? Artes marciais? Fuma? Sei lá!

— Ah!—Ele riu. —Eu gosto de ler, gosto de vídeo game e... faço karate.

Notas finais
Goxtaram? ENTÃO COMENTEM ♥, não gostaram? Ah, comente pq não gostaram, quero muito saber a opinião de vocês pra T U D O, sejam honestos ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.