Como uma lembrança
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A vida, ela é feita de momentos e de lembranças. As pessoas são feitas da mesma forma, mas o que acontece com essas pessoas quando a única lembrança que se tem é de vários anos antes ? Eu me chamo Nicole e essa é a única certeza que tenho… E Louise Collins, a garota que invade os meus pensamentos diariamente com a única lembrança que tenho.
– Tudo bem, Nicole, poderia me dizer seu sobrenome ? — A voz grossa do meu novo psiquiatra invadiu aquela sala. Ele particularmente me dava um pouco de medo por causa da sua barba, mas aparentava ser um cara gentil.
– Hum... Eu me chamo Nicole, só Nicole, isso basta. — Eu esperava que minha voz soasse firme e fria, mas ela soou um tanto falha, talvez fosse efeito da minha insegurança com aquela conversa.
– Tudo bem, só Nicole, por favor me conte sobre essa sua lembrança e sobre Louise Collins. — Vi ele anotar o nome de Louise em uma folha. Era um tanto óbvio que não me abriria com ele, muito menos sobre um assunto tão delicado quanto aquele.
– Ah… Bem, eu não gosto muito de falar sobre isso. É pessoal, tanto pra mim quanto pra ela. — Desculpe meu bem, mas não posso te ajudar se não me contar. — Tudo bem. — Passei uma das mãos em meus cabelos enquanto pensava exatamente no que dizer. Talvez não fizesse tão mal contar, aliás ele não me conhecia e eu não me lembrava de muita coisa- Bem, era novembro… Eu poderia dizer que era uma manhã de neve ou de chuva, porque aliás, todo mundo gosta dessas coisas, mas eu prefiro quando está frio, mas mesmo assim o sol está lá pra nos aquecer, a junção dos dois me parece perfeita.
– Mas que tempo realmente fazia nesse dia ?- Não sei que diferença faria pra ele saber ou não qual era o tempo real daquele dia, mas como todo psiquiatra, esse era um tanto enxerido.
–Eu não sei... Não me lembro muito bem, mas esse é o bom dos momentos, nós sempre podemos decidir como queremos nos lembrar deles e como queremos falar deles para outras pessoas… Mas enfim, voltando. Estava frio, mas o sol estava presente, eu fui ao parque porque estava bastante triste e ela apareceu. Eu não me dei conta do que era realmente, porque a imagem dela era um tanto turva de longe, mas ela estava lá, chorando.
– Chorando ? Por que ela estava chorando ? E por que você estava triste ?
– Sim, ela estava chorando e eu só percebi quando me aproximei dela. Ela havia aproximadamente 14 anos, a mesma idade que eu tinha na época, seus cabelos eram longos e negros iguais aos meus, só se diferenciavam porque não tinham essas mechas brancas, seus olhos eram igualmente escuros . Perguntei porque ela estava chorando e ela disse que me amava.
– Você a conhecia ?
– Não, eu nunca havia a visto, mas aquilo me fez sorrir. Louise Collins sempre foi cheia de surpresas. Ela me perguntou porque eu estava triste e eu contei a ela o que tinha acontecido com os meus pais.
– Seus pais ? O que tem eles?
Meus pais… O que havia acontecido com eles mesmo? Eu não sei. Talvez não fizesse diferença, se eu estava triste naquele dia por causa deles, então não deviam ter feito algo muito bom.
Um som estridente do relógio que marcava o tempo de duração de cada consulta tocou e então eu sorri por não ter que me forçar a tentar lembrar dos meus parentes.
– Me desculpe doutor, mas acho que acabou minha hora.
– Ah, tudo bem. Tome, esse será o remédio do primeiro dia. — Ele me entregou um copo pequeno com um comprimido azul dentro, peguei e me retirei do consultório.
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Paciente: Nicole.
Doutor: Pátroclo
Dia: 1
Anotações: Esse foi o primeiro dia de Nicole na clínica. Foi lhe passado um medicamento para que ela dormisse. A nossa conversa foi um tanto relevante. A única coisa que me intrigou foi: Louise Collins.
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