Como são seus pais?
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Escrevi baseado na vida que um dia quero ter. E com problemas que talvez eu enfrente um dia... ;-;
Quando ele ainda era pequeno lhe perguntavam com freqüência: Como são seus pais? E Kyle não sabia o que responder, então inventava qualquer coisa e mudava de assunto.
Como poderia aquela criança ainda tão nova e inocente, explicar para todos os seus amiguinhos que ele não tinha mãe, mas sim dois pais! Kyle as vezes se sentia deslocado, ouvia todas as demais crianças a falarem sobre sua mãe, as vezes bem, as vezes mal.
Ficava triste também quando o assunto da vez eram os avós, Kyle tinha avós que o amavam muito. Mas não gostava de visitar eles, não gostava de ouvi-los falar mal das escolhas de seus pais, não gostava de andar na rua e ver os antigos vizinhos de seus pais a apontarem para ele com expressões de surpresa e pena.
Ele não era digno de pena, ele era feliz, era amado e em sua frente via uma grande felicidade. Sorria sempre que acordava e via a tinta azul do teto do quarto, ao invés do estrado da cama da beliche onde dormia quando órfão. Sorria ao ouvir seu pai cantarolando músicas antigas enquanto cozinhava, e gostava também de sair do quarto e ver o mais preguiçoso deles dois sentado no sofá a torcer por um time qualquer.
Suas manhãs de domingo eram assim, seus dias eram assim...
Uma vez, no seu aniversário de oito anos, ele não estava feliz. Havia brigado com uma amiguinha na escola e ela não queria falar com ele mais. Mas logo se animou com a ilustre visita de sua tia, que o abraçou e o apertou até que ele decidisse soltar uma boa gargalhada que ela recompensou com um sorriso. Sua tia era uma jornalista, e viajava o mundo para fazer suas matérias, quando voltava trazia com elas lembrancinhas e incríveis histórias.
Uma vez seu pai lhe disse que ela, por viajar tanto havia se tornado uma mulher formidável e aberta a todo tipo se possibilidade. E que talvez fosse por isso que ela aceita seu casamento com outro homem. Mas Kyle não pensava assim, ele preferia pensar que ela o amava, e que por isso jamais abandonaria o irmão, que nem de sangue é.
Kyle cresceu, o teto azul e as paredes verdes do seu quarto deram lugar a pôsteres de bandas e fotos tiradas ao longo dos anos. No mural de cortiça pequenas cartas e cartões postais dos amigos que fez, todos com mensagens de paz, felicidade e amor, alguns mais ousados do que outros.
Seus pais no entanto permaneciam os mesmos, continuavam a cantarolar pela manhã, a torcer por um time qualquer, a dançar juntos sem motivo, a fazer piadas de duplo sentido e a amar Kyle como se todos os dias fossem como aquele em que o menino entrou pela sua porta a primeira vez. Sua tia havia se casado e estava grávida pela segunda vez.
Então quando seu mais novo amigo descobriu sobre aquilo que todos julgavam diferente, e finalmente fez a pergunta: Como são seus pais? Ele pode responder.
-São incríveis.
Fim...
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