Violett

Nico Di Angelo e ódio foram as únicas duas coisas que se encaixaram na vida de Violett durante os dois anos, aquele infeliz filho de Hades, ela pensava toda noite, mil e uma maneiras de se vingar do semideus, que a abandonara nas mãos do infeliz gigante que a torturou por um ano atrás de informações do acampamento, como ele pôde? Ela pensava todas as noites, o que ela havia feito de mal para ele? Ela o ajudou em praticamente tudo para os dois saírem do Tártaro, salvou sua vida mais vezes do que pôde contar, e quando mais precisou dele, Nico simplesmente sumiu nas sombras como um gato com medo de água – achei que ele fosse mais que aquilo – ela sempre repassava em sua cabeça, realmente achou que fosse morrer, e quando viu as sombras o entornando o corpo do garoto – senti o abandono me preenchendo, mas a raiva era como um demônio, estava me possuindo.

Enquanto Di Angelo estava muito ocupado levando a mensagem que tanto queria para os seus amigos – Alcioneu estava muito ocupado me torturando a procura das respostas que ele queria, eu nem se quer devia ter ajudado o acampamento meio-sangue o Sr. Todo-Imbecil-D e Quíron não fizeram simplesmente nada, nem responderam a nenhum dos meus pedidos por mensagens de Íris – Esperava Violett que Nico houvesse encontrado a felicidade, pois ela iria o destruir como ele a destruiu.

Embora Violett não se esqueça de como chegou ao acampamento, nem como perdera a visão de um olho para uma Quimera, como seu protetor havia chegado tarde demais, pobre Julius, quando Violett caiu no Tártaro não viu algum sinal do sátiro.

– Mais rápido, Violett Sparks, ou vamos morrer! – Julius saltava pulando alguns troncos maiores, o que claramente era complicado para Violett que tinha apenas sete anos. O horripilante leão, gavião, elefante, serpente, crocodilo, o que quer que fosse que Julius chamava de Quimera, não era muito bonito nem amigável.

– JULIUS! – a voz da pequena Violett tremeu, pois a Quimera havia a alcançado e espetado uma das garras em seu olho esquerdo como se fosse um espetinho, a garota arfou e gritou – SAIA! – o que Violett queria que fosse um grito, soou mais como uma canção de sedução e tremeu o chão entre ela e o animal, no aproveito do atordoamento da Quimera, Julius puxou Violett, a colocou em suas costas e correu em direção à primeira proteção do Acampamento Meio-Sangue.

– QUÍRON – Julius gritou em frente à casa branca enquanto corria para a enfermaria. O centauro escutou o grito e seguiu o sátiro. Deitaram Violett numa maca e a garota desmaiou.

– Quíron, pelas flautas de Pã! – o sátiro arregalou os olhos.

– O que aconteceu, Julius? – Quíron o interrogou. Julius contou que vinham sido seguidos desde o museu pela Quimera, sobre o ataque – Mas Quíron, você tinha que ouvir o grito dessa garota, a Quimera ficou atordoada, se não fosse o grito que ela deu, nós dois teríamos morrido, acho que é uma filha de Ares.

– Veremos – Quíron disse observando a semideusa. Um dia se passou e na noite do próximo, no pavilhão, sentada a mesa de Hermes com um tapa olho, estava Violett Sparks, sorrindo como se a vida fosse algo para se aproveitar mesmo se uma Quimera fizesse de seu olho uma carne num espetinho.

– Muito bom, boa noite, e aproveitem sua com... – Quíron foi interrompido por uma luz branca que surgiu como um feixe do céu, e do feixe, algo divino aconteceu, um brilho se formou em volta de Violett, e arrancou o tapa olho improvisado, um momento muito rápido mas memorável e visível, e que todos conseguiram ver com clareza, Violett recebera a benção de sua mãe, Afrodite, que lhe permitiu um novo olho.

– Este é um olho mágico, para pessoas especiais, minha filha – a voz da deusa encantou o pavilhão – Mudará de acordo com seus sentimentos, e em momentos críticos, você poderá ver o amor além das falas e pensamentos das pessoas. Ninguém ao certo viu a Deusa, mas todos afirmaram ter sentido sua presença por lá, assim como Violett, que ao resto da noite foi bajulada por todos os seus irmãos em seu novo chalé.

Durante dois anos conseguiu uma fama memorável no acampamento. Até que Quíron decidiu a mandar numa missão com Julius, que já era protetor sênior, por meio de ser pequena e ágil. Tudo desde Long Island estava dando certo, até que Julius foi sequestrado e o “amigo” de Quíron, na verdade fez uma armadilha. Ser uma filha de Afrodite era ótimo, atenção, beleza, nada do que Violett pudesse reclamar, exceto cair nas profundezas do Tártaro.