Notas iniciais
Finalmente chegamos à última integrante do grupo principal hehe See you guys soon

A manhã estava clara e primaveril quando Juliana decidiu voltar para casa. Graças ao sorteio realizado pelo mercado de sua cidade, a garota havia ganhado uma viagem com tudo pago para o destino de sua preferência. A praia de seu destino estava deslumbrante: areia macia, mar de águas límpidas e frescas, temperatura agradável e sem previsão de chuva; embora ela não gostasse de nada disso. No entanto, mesmo que a viagem pareça impecável para qualquer pessoa, Juliana não se impressionou. Ela estava morrendo de vontade de colocar um pijama e deitar em seu caixão favorito. Mas para isso precisava chegar ao final de um enorme e confuso labirinto que, em seu interior, guardava um castelo muito alto e sombrio. Além do assustador rangido que o portão fazia sempre que era aberto, o lar era repleto de armadilhas e miragens que expulsariam qualquer convidado. Sem contar nos animais ferozes (em sua maioria felinos) que observavam os convidados.

Após dirigir-se às masmorras, a jovem dirigiu-se à sala mais distante. O corredor frio era amedrontador em qualquer horário do dia, ainda mais devido aos gritos e risadas escandalosas que ecoavam no local e também pela decoração feita de teias reais de aranhas.

—Olá. –Disse em tom natural, sem maiores ânimos, enquanto guardava a pouca bagagem após finalmente encontrar o último cômodo: seu quarto. –Cheguei.

—Miau! –Cumprimentou o gato preto e gordo que tinha a cauda quebrada; porém essa última característica poderia ser considerada um charme natural. -Miau, miau, miau.

—Sim, também senti sua falta. E o que você quis dizer com “dormi em cima dos seus livros de magia negra avançada”?.

—Bem-vinda ao lar! -Cumprimentou sua mãe, animada e ansiosa pelos detalhes. –A viagem foi boa?

—O que é “bom”? –Filosofou. –O que é ruim? O bom para o lobo é ruim para o cordeiro. Bem, — Analisou por alguns breves segundos. –Não se for um cordeiro suicida ou masoquista.

—Se divertiu bastante? –Ignorou os comentários anteriores.

—Sim, bem maneiro. Mas apenas à noite. Achei que fosse morrer durante os dias por causa do sol.

—Foi mais legal do que Tóquio? Paris? Nunca me esqueço da vez em que praticamos snowboard com os pinguins no parque temático do Canadá. Apenas não gostei de ter ido ao restaurante do outro lado da rua, os polvos vivos não eram nada amigáveis e ficavam tentando fugir.

—Ah, foi tudo incrível. Como sempre. –Retirava as peças da mala e as organizava em seus devidos lugares. -Ganhei várias coisas de graça. E salvei um bebê de um incêndio. O pai, em uma tentativa de salvar a criança, jogou-a pela janela do segundo andar; eu estava caminhando logo abaixo quando o aborto que não deu certo caiu em meus braços. Eu nem havia percebido que o prédio estava pegando fogo antes disso, pensei que era apenas a estação. Estava com fone de ouvido, sabe como é... imaginei que os gritos fossem do heavy metal. No final, o fogo foi contido e o pai também conseguiu se salvar. Mas ainda prefiro ficar em casa lendo histórias de terror do século XIX.

—O quê?! –Exclamou. –Querida, isso é incrível! Espere até o resto da família ouvir isso. –E saiu à procura de seu megafone para informar à maior quantidade de pessoas possível. Ela não desgrudaria do telefone pelo resto da noite.

—É, acho que sim. –A mala fora quase completamente esvaziada; exceto pelas roupas que iriam ser lavadas.

—Ah! –A mãe já estava há alguns cômodos de distância quando notou que se esquecera de algo. Em apenas um instante, se teletransportou de volta ao local onde a garota estava. –Espero que não tenha se esquecido do encontro do coven hoje à tarde. Iremos invocar um espírito para ajudar sua tia a carregar as compras do supermercado. Depois sua avó quer praticar o passatempo de sempre: chamar um moço bonitão para tomar café e depois vê-lo morrer lentamente com o veneno.

—Eu sei, mãe. –Naturalmente, apontou para o pequeno monte de roupas pretas e moveu uma de suas mãos suavemente para cima. As roupas flutuaram magicamente, subindo as escadas, atravessando a janela e pousando dentro da máquina de lavar. -Irei comparecer. Mas você sabe que eu não ligo para veneno... Ninguém nunca aceita minha ideia do arpão.

—Credo! Não sei como você pode gostar de tanta violência... -Disse enquanto subia as escadas da masmorra.

O fato é que Ju não se surpreendia com os acontecimentos de sua vida. Sua família (um clã de bruxas que odiava homens) lançaram lhe uma magia que rodeava a menina com a mais pura sorte. Desse modo, as coisas mais fantásticas e boas lhe aconteciam sem o mínimo esforço. Apesar de aparentar ser um estilo de vida desejável, a sorte em excesso era entediante.

Embora fosse rodeada de sorte, Juliana possuía fraquezas marcantes: o sol e, naturalmente, alho. Ser uma vampira não era fácil nos dias atuais, levando em conta o aquecimento global. No entanto, graças às magias de sua família, era possível que ela saísse em plena luz do dia, embora se sentisse muito desconfortável no calor. Suas roupas eram sempre pretas, assim como os olhos igualmente escuros. As orelhas pontudas apareciam entre os longos cabelos escuros e ondulados. Suas presas eram levemente pontudas e as unhas, quando não quebravam, mantinham-se bem compridas e letais. Apesar de tudo, havia sido criada longe do consumo de sangue, preferindo chocolate quente. Sua família era vegetariana.

De repente, uma fumaça indicou que enormes letras coloridas e instáveis flutuavam pelo quarto. Era um recado de sua mãe. Eles eram muito úteis, devido ao problema de perda de memória recente que foi desenvolvido pela garota. As letras formavam os seguintes dizeres: e não se esqueça do resultado da prova! Beijinhos; mamãe.

E a mãe estava certa: Juliana havia se esquecido de que chegara a data do resultado da prova feita por ela. Mesmo possuindo dons mágicos, ela queria frequentar a faculdade e estava prestes a saber se havia conseguido realizar esse desejo.

—É óbvio que sim. –Respondeu para si mesma.

Sem mais delongas, sentou-se de frente para seu notebook, procurou o site correspondente à faculdade e abriu a página correspondente aos resultados do exame requerido para o ingresso de alunos.

Um brilho vermelho iluminou o quarto escuro. Logo atrás da garota, o círculo desenhado no chão se iluminou e ela ouviu intensos gritos roucos de uma besta furiosa.

—Agora não, Baphomet. -Nem sequer olhou para trás. -Eu estou ocupada.

O gato, irritado, pulou na cabeça de bode do demônio e tratou de manda-lo de volta para sua terra natal.

Depois de pesquisar por alguns segundos, dito e feito: lá estava o nome de Juliana, em sétimo lugar, entre os alunos aceitos pela faculdade para dar início a uma nova turma. Sem surpresas, a garota levantou-se e decidiu tomar um banho gelado. As aulas começariam em breve; por sorte havia ganhado o material escolar que sobrou na distribuição aos alunos do ensino médio da escola em que estudava.

Para que a magia da sorte funcionasse, o ritual deveria ser realizado criteriosamente por sua família. As sete frases deveriam ser lidas sete vezes, no sétimo dia de vida da garota, envolvendo sete pessoas, sete artefatos, sete espécies raras de plantas e sete pinturas na pele da menina com sete tipos diferentes de materiais (carvão, tinta, terra, creme de amendoim, cinzas, café e sangue de um animal de sete anos). Por esse motivo, o número sete era muito presente na vida da jovem, de tal forma que ter ficado na sétima posição não foi nada inesperado.

Juliana saiu cedo de casa na minha seguinte. Sua primeira aula, às sete horas da manhã, seria de anatomia.

Notas finais
É muito estranho escrever sobre si mesma kakaka Digam pra tia o que vocês acharam desse capitulozinho bem dark e cheio de trevas Até a próxima