Ela me pediu para deixá-la

Como se houvesse tempo agora

Via em seus olhos a dor de tantas decepções

Mesmo sabendo que eu só queria ama-la

Aquela noite foi estranha

Como tantas outras já haviam sido antes

Mas em seu peito o peso de um amor que ainda sangra

Sendo apenas uma dor, mas o fim de uma esperança

Me lembrou te tanta coisa

Aqueles olhos tristes que tantas vezes já vi

Reflexos de um coração perdido, desesperado e sem lar

Como tantas vezes já os fiz, sangrar

Com essa dor que não passa

E que somada a todas as outras destroça a alma

Pobre menina desamparada

Se apenas soubesse do que precisava

Me deixaria segurar sua mão bem mais forte

Mais forte que as garras do medo que te amarram

Como um guia, me dê sua mão

Deixe-me toma-la nos braços por um breve instante

Apenas tempo para que o alívio lhe aquiete

Para que respire e se entregue

Até que possa fugir

Até que possa mudar

Do medo, medo é o que senti

Medo é do que vivi

Mais uma vez diante de mim

Mais uma vez me testando

Fazendo de mim apenas um homem

Com os olhos de guerra

Olhos que entregam

O corpo que pena

Ela me olhou como quem diz não

E suplicou batendo forte o coração

Para que eu a deixasse lá

Para eu não me aproximar

Como se houvesse tempo

E esquecer todos os momentos

Que mesmo só me fizeste contemplar

Uma nova canção, um novo jeito de falar

Ela me pediu para eu lhe abandonar

Que sumisse com o vento

Ou dentro de qualquer pálido luar

E me pediu como se houvesse tempo...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!