Como se fosse a última vez!
1 Capítulo 01 - Planos
Notas iniciais
— Pelo amor dos céus, quem está tentando destruir meu dia tão cedo? — Genevive resmungou abrindo os olhos e tirando o travesseiro de seu rosto. Seu corpo parecia pesar mil toneladas, sua garganta estava seca, a claridade estava definitivamente tentando cegá-la e o barulho estridente do telefone parecia ser a contagem regressiva de uma bomba relógio prestes a explodir em sua cabeça.
Rastejou pelo apartamento até encontrar seu telefone debaixo de uma das almofadas do sofá. Como diacho ele fora parar ali?!
— Alô? — Resmungou.
— Café? — Ouviu a voz fraca de Lucy do outro lado da linha.
— Prefiro ficar aqui, me enterrar debaixo das cobertas e esperar o mundo acabar, obrigada.
— Por favor, Gen, preciso sair desse apartamento! — Choramingou Lucy.
— Mas Lucy...
— Nada de, “mas”, Genevive, te encontro em vinte minutos no Mama's. Ou seu telefone não vai parar de tocar! — Ameaçou Lucy. Normalmente Genevive teria simplesmente ignorado a amiga e voltado para cama, mas sabia que se desligasse o telefone Lucy viria bater na porta do seu apartamento, e não tinha cabeça para começar uma discussão tão cedo.
— Está bom. — Bufou vencida e desligou o telefone.
Praticamente arrastou-se da sala ao banheiro, apoiando-se na bancada da pia e observando sua imagem refletida no espelho.
— É, Gen, você já teve dias melhores. — Murmurou. Gen, Genevive Morrison. Vinte e quatro anos e ainda sofria de ressaca. Seu cabelo castanho levemente ondulado estava um pouco desgrenhado e tão curto que não conseguia nem fazer um coque para disfarçar. Talvez tê-lo cortado semana passada na altura do ombro tenha sido um equívoco sem tamanho, mas sinceramente não aguentava mais a cara de mosca morta que o cabelo grande estava lhe dando. Gen é alta, com a pele no tom mais alvo possível e magra. Seu físico não tinha nada de extraordinário que a destacava das outras pessoas. Olhou bem para o espelho e tudo o que viu ali foi rímel borrado ao redor dos seus olhos castanho-esverdeados, rosto amassado de sono e os seus pijamas favoritos de flanela. Pretos e com um furo pequeno nas costas.
Tentou se recordar como havia sido a noite anterior, mas tudo ainda era um borrão. Meu Deus, ela já não prometera mil vezes que pararia de beber? "Não Gen, você desistiu da promessa de parar de beber e prometeu beber menos. Mas como essa também falhou você prometeu tentar beber menos". Seu consciente respondeu-lhe. Fez uma careta para o espelho. É, realmente não parecia ter sido capaz de manter essa promessa.
Encontrou com Lucy exatamente vinte e cinco minutos depois da ligação, tempo suficiente para tomar um banho e colocar uma roupa mais decente. Ela acreditava ter duas coisas maravilhosas sobre o apartamento onde morava: A primeira, é que ele ficava exatamente do lado do Mama's, uma cafeteria maravilhosa no centro da cidade de Boston. E a segunda, era o preço incrivelmente baixo que conseguiu nele por que o dono estava chapado no dia do contrato.
Quando entrou no Mama's Café, encontrou Lucy acabada em um dos sofás do local. Ela tinha os cotovelos apoiados na mesa e o rosto escondido entre as mãos. Genevive era capaz de apostar que estava com uma ressaca tão grande quanto a sua.
— Ei, está boa, perua? — Perguntou sorrindo.
Lucy levantou os olhos sem movimentar a cabeça, fuzilando-a com aqueles olhos grandes e verdes.
— Pelo amor da minha santa aspirina, me diz o que fizemos ontem à noite?! — Lucy perguntou exasperada.
— Boa pergunta. Não faço a mínima ideia, é tudo um borrão. — Resmungou enquanto pedia um café forte para um dos atendentes — Parece que fomos bombardeadas por elefantes e uma trupe de tratores.
— Cadê a vaca da Care? — Questionou Lucy dando uma olhada no Mama's. Genevive e Lucy tinham uma tática muito boa para se livrarem da culpa de toda e qualquer coisa questionável que fizessem quando saiam juntas, e essa era culpar Caroline. As três se conheceram nos dormitórios da faculdade, e essa tática tem sido colocada em prática desde então. Justificam que sempre que querem sair para beber uma acabam bebendo muito mais do que deviam devido aos diversos drinks que ganham dos homens no bar interessados em Care. E na noite anterior não havia sido diferente.
— Você não ameaçou estraçalhar os neurônios dela também não? — Resmungou. É sempre no dia seguinte que Genevive se lamenta de ter se deixado convencer a sair para beber em um dia de semana. Sua enxaqueca não facilitava sua razoabilidade. Gen que bebeu demais e a culpa era de Care? Sim. Ela bem que gostaria de deixar sua bunda adquirir o formato do sofá ontem à noite, enquanto assistia a mesma série pela décima vez, lembrou-se queixosa, mas Care não queria passar a noite toda entediada em casa, então arrastou-as para a boate e agora estava usufruindo do sono dos deuses.
— Alias, porque você precisava sair do seu apartamento? — Perguntou lembrando-se do telefonema. Lucy afundou a cabeça nas mãos novamente e tudo que Gen podia ver era sua cabeleira loira cheia de cachos em todas as direções.
— Tem um cara no meu apartamento! E até agora me recuso a acreditar que dormi com ele!
— Mentira! — Riu chocada, quase colocando todo o café da sua boca para fora. Era Care que sempre acabava com um cara desconhecido em seu apartamento, geralmente um responsável dos diversos drinks recebidos — E aquela história de encontrar o cara certo hein? Foi pros ares? Que safadeza! — Não resistiu à provocação.
— Ah, vai para merda! Atormenta o queridíssimo Mike! — Ela xingou antes de afundar a cara nas mãos novamente e não ver o olhar emburrado de Gen em sua direção.
Michael Lerwick é o namorado de Genevive. Na verdade foi bastante típico. Tem três anos que eles namoram, mas são amigos a vida inteira. Ele é uma pessoa super especial, carismática e que sempre esteve ao seu lado. Aconteceu como tinha que acontecer, eram amigos quando pequenos, cresceram amigos e agora são namorados. Tudo fruto de uma grande amizade. Ela quer vê-lo feliz, e ele quer vê-la feliz, e para Genevive isso é o que basta. Michael vive repetindo que a ama, e bem, Gen também o ama, mas é um amor muito mais calmo, nada exuberante como acontece nas telas da TV — esses que você perde o fôlego, sente frios na barriga e todas essas baboseiras de meninas de treze anos.
Não, Gen não é nenhum tipo de mal amada, fria e coração de pedra. Ela acredita já ter sentido essa paixonite boba que todo mundo falava quando estava no colégio. Apaixonou-se perdidamente pelo nerd mais nerd de todos os tempos (pois é, não era pelo típico bad boy da escola e nem pelo atacante do time de futebol. Esses tipinhos nunca a chamaram atenção.) E querem saber como terminou? Com ela chorando sem eira nem beira em seu quarto, relendo todos os poemas ridículos que tinha feito pra ele, querendo saber onde foram parar todas as juras de amor eterno que duraram três semanas. Querem saber onde foram parar? Nos peitões da novata do colégio. Levou um pé na bunda do cara mais nerd do colégio porque ele queria ir atrás de uma gostosona qualquer. E que, para variar, não queria saber dele. Bem feito. Babaca.
Então, ao seu ver, não é como se ela não tivesse experimentado esse tipo de relação que Lucy almeja tanto ter. Apenas acredita que essa paixonite seja uma coisa que não dura. E não dura mesmo. Depois de duas semanas já não se importava assim pro nerd da escola, a paixonite foi pros ares. É por isso que preza muito mais o seu relacionamento com o Michael do jeito que é. Mesmo que tenha que escutar diversos comentários do tipo da amiga. Procurou novamente por Care no ambiente, ela sempre rolava os olhos para os dizeres lunáticos da amiga sobre amor e príncipe encantado. Soube que Care havia chegado quando percebeu um dos garçons estagnar por segundos em direção a porta, e quando seguiu o olhar do garçom e viu a amiga entrando na cafeteria suspirou de alívio. Agora teria alguém com menos paciência para os delírios de Lucy em relação à ela e Mike.
Care tem o corpo mais bonito que Genevive já viu em uma mulher. Ela é morena, tem os cabelos pretos do estilo chanel e um sorriso estonteante. Poderia estampar qualquer capa de revista se quisesse, mas escolheu estar do outro lado, fazendo as reportagens. Genevive se recorda que a primeira vez que a viu no dormitório se sentiu um pouco intimidada, mesmo sendo um pouco mais alta com seus 1,73m. Mas a sensação passou no instante que Care abriu-lhe um de seus sorrisos e tornou-se uma de suas melhores amigas, e uma das pessoas mais divertidas que conhecia. No meio de toda essa diversão está a fila de homens apaixonados que Care deixa para trás, ao contrário de Lucy que é uma boba apaixonada. O que não significa que ela esteja cumprindo celibato. O seu cara certo aparece uma vez por mês e depois vai embora. Deixando ela mais uma vez na busca pelo homem na qual ela sinta uma conexão, que ela bata o olho e não consiga desviar mais, que faça a pele dela se arrepiar com o toque dele e que ela sinta um frio na barriga quando ele chegue perto, bem, todas as reações que ela lê nos livros de romances. Então, ela vai experimentando um bocado por aí em busca de sua alma gêmea.
Uma das grandes discordâncias entre Lucy e Gen está exatamente nessa diferença de crença. Gen não acredita em amor à primeira vista. Ela não vê como isso pode acontecer. Como você vê alguém e de repente você lhe pertence? É essa paixão indescritível que Lucy vive reclamando não existir entre Genevive e Michael, que Gen nega todas as vezes que Lucy lhe pergunta. Para Genevive os relacionamentos saudáveis são construídos de outra forma. Ela gosta de conversar com o Michael, gosta de ouvi-lo, de sair com ele. Gosta do que têm juntos. É calmo, é tranquilo, é fácil.
Ela acredita que você pode encontrar uma pessoa que lhe transmita paz, segurança e um mundo estável, mas nada além disso. E ela encontrou isso tudo em Mike. Como que de repente aparece um príncipe que jura lhe amar para sempre? Isso não existe. E essa dependência que se vê em casais que se dizem apaixonados não passa disso: dependência. E dependência não é amor. Na verdade, esse amor que tanto exaltam, pra ela, é só o nome que eles deram como desculpa por serem tão dependentes de alguém.
Genevive retirou-se de seus devaneios e voltou a atenção as amigas sorrindo. Nunca imaginaria que três mulheres tão distintas poderiam se tornar tão inesperáveis.
.
No interior do quarto bem iluminado pelos primeiros raios de sol do dia, um barulho estridente de celular faz-se percebido, fazendo com que o homem esparramado debaixo de uma bagunça de lençóis brancos faça uma careta abrindo levemente os olhos, não sem exprimir uma careta maior ainda, enquanto detecta com seus olhos de águia a origem do barulho que o perturbara. Com uma leve dor de cabeça ele tenta lembrar-se como fora parar ali, até olhar vagamente ao redor e reconhecer o ambiente como o seu quarto. O telefone para de tocar, dando milagrosos e bem-vindos segundos de silencio para sua mente, que parece ainda escutar o zumbido da música alta que ouvira toda a noite anterior. Música alta... Noite passada... Gregório... Festa.... Aos poucos as recordações da noite anterior fazem-se presentes em sua memória e a lembrança de uma festa alucinante vem irrompendo em sua mente, como que com toda algazarra da lembrança, a mesma quisesse trazer de volta toda a enxaqueca prevista para o dia de hoje.
Olhou para o relógio, sete e trinta e oito.... Levanta-se em um sobressalto preocupado momentaneamente se estava atrasado, mas a lembrança de estar de férias logo afoga suas preocupações. Férias... Primeiro dia de férias, chegara a Boston ontem pela manhã e fora recepcionado por um de seus irmãos, Gregório, querendo comemorar sua volta em uma festa na qual ele era convidado. Esfrega os dedos nas têmporas tentando aliviar a dor de cabeça.
Durante o período de serviço ele não exagerara assim na bebida, mas pelo visto compensara toda essa “abstinência” na noite anterior. Alguns detalhes ainda lhe fugiam a mente.... Havia uma garota, Mary, Cassie, Amy...? Olhou de esguelha para o outro lado de sua cama e constatou que estava vazia, sentindo um imenso alívio. Ótimo. Fizera como sempre, voltara de madrugada sozinho para casa.
Prestes a levantar, não sem antes exprimir um gemido sentindo os primeiros efeitos da enxaqueca, seu celular tornou a parecer querer chamar a atenção do mundo inteiro novamente. Mas quem ligava a essa hora? Ele não dera seu número a nenhuma mulher ontem à noite... Era uma de suas regras. Sentiu uma fincada em sua testa. Por isso não excedia tanto na bebida em suas escassas férias como fizera, a dor de cabeça do dia seguinte e a possibilidade de mulheres amanhecendo na sua cama não compensavam. Um relapso de consciência o fez perceber que não sonhara. Pela primeira vez em semanas desde o ocorrido não sonhara. Talvez o álcool tivesse suas vantagens, afinal de contas.
Rumou em direção ao celular na intenção de acabar com a merda desse barulho infernal estraçalhando-o na parede, mas hesitara quando percebeu que a ligação insistente era de Michael. Michael foi um de seus únicos amigos da universidade que permaneceram em sua vida, e apesar de nos últimos três anos terem estado um pouco afastados devido a correria de suas viagens constantes, o trabalho do amigo e o recente relacionamento em que Michael embarcara, ainda via-o como o seu terceiro irmão.
— Não sei onde estão os seus bons modos, mas certamente não acordou com eles hoje. Isso são horas? — Respondeu mesmo não estando com o mau humor que anunciava. Ouviu a risada de Michael do outro lado da linha.
— Bom dia para você também! O Victor que eu conheço já estaria dando ordens pra Deus e o mundo a essa hora, e não reclamando como a Bela adormecida que fora despertada do seu sono de beleza! — Bufou para o amigo — Já chegou em Boston?
— Cheguei ontem pela manhã.
— E pelo visto já fora para a farra! — Michael riu. Mas que diabos de bom humor é esse que ele está inferno?
— Realmente saí com Gregório ontem à noite e excedi os meus limites. — Deu uma risada fraca enquanto friccionava dois dedos nas suas têmporas que continuavam a latejar.
— Eu imagino como tenha sido então! — Ouviu outra risada.
— E você? Encontrou o inferno da rainha dos potes dourados? Estou ouvindo sua risada mais do que ouviria em programas de comédia. — Disse rabugento.
— Tenho boas novas! E seu retorno a cidade é extremamente oportuno! — Michael parecia realmente feliz, mas o mau pressentimento que se instalou em Victor abriu caminho para que um calafrio lhe tomasse conta. — Vamos tomar café da manhã Bela Adormecida, antes que eu pegue meu turno no hospital.
— Ok. Mas continue gargalhando como o bobo da corte e você que deverá ser atendido na emergência hoje. Te encontro em vinte e cinco minutos na lanchonete da esquina do hospital.
— Combinado!
Desligou o telefone sentindo que viria merda. Que inferno de dia é esse? Uma enxaqueca horrorosa e agora essa sensação de que alguma merda estava por vir. Foi de encontro a Michael, como alguém que vai de encontro a uma emboscada, pressentindo que algo bom não surgiria daquela conversa.
Encontrou com o Michael no horário combinado, e apesar de que agora seu mau humor já poderia ter sido dispersado devido a aspirina que tomara e o banho gelado que livrara-o da dor de cabeça lancinante, um sentimento apreensivo ainda habitava-lhe o peito e qual foi sua reação, que mal conseguira esboçar felicidade pelo amigo, quando esse anunciou com a expressão mais feliz que já o vira em toda sua vida:
— Pedirei Gen em casamento! — Michael irradiava felicidade, mas seu sorriso foi murchando a medida que deparou-se com a careta, na melhor das hipóteses para o que aquela expressão era, de Victor. A lição de que deveria sempre confiar em seus instintos era enraizada em Victor desde os tempos de seu treinamento militar, e porque seria diferente essa manhã quando pressentira que alguma merda estava por vir?
— Mas que porra você está fazendo?! — A pergunta escapou-lhe os lábios antes que pudesse dissimular um sorriso e desejar ao amigo felicidades. A expressão radiante de Michael caiu por terra, com ele portando agora uma fachada fechada e até ressentida.
— Inferno Victor! Que merda de felicitação é essa? — Estava ficando contrariado pela falta de apoio do amigo que considerava o irmão que nunca tivera. — Qual é o seu problema?
Qual era o problema? Victor poderia listar diversos problemas. Esfregou suas têmporas mais uma vez. Que inferno! Não entendia, primeiramente, porque o amigo estava disposto, e de bom grado deva-se ressaltar, a casar-se. Prendendo-se a uma mulher. Prendendo-se a uma ÚNICA mulher. Victor não entendia como as pessoas poderiam buscar por essa falta de liberdade, buscar por todas as limitações que relacionamentos impunham, as satisfações, as cobranças, a mesma mulher todo santo dia que acredita poder controlar seus passos, seus pensamentos, sua vida.... Isso era enlouquecedor. Olhou para o amigo e pensou que talvez as pessoas que não fossem tão ferradas carregavam o mesmo olhar patético que ele quando falava sobre a namorada. Reprimiu uma careta. Sem a intenção de enterrar a amizade que ambos cultivaram, portou uma expressão que mascarasse todos os seus pensamentos e respondeu por fim:
— Só me parece que foi rápido demais.
Percebeu Michael relaxar um pouco. Michael conhecia o amigo, apesar de conhece-los dentro dos limites que Victor impunha e todas as barreiras que levantara e não permitira que fossem atravessadas, julgava ser a pessoa que o conhecia mais que qualquer outra que já o conhecera. E sabia muito bem o que se passava na cabeça de Victor e o esforço que era para o amigo não persistir para dissuadi-lo. Suspirou tristemente.
— Não foi rápido demais Victor.... Na verdade, nada andou rápido demais. Você que se prendeu no seu mundo e não permite que as pessoas atravessem suas barreiras. Negou tão fortemente para você que um dia viria a se envolver com alguém, que negou essa possibilidade para mim também. Não quis presenciar as mudanças que ocorreram na minha vida... — Apesar do jeito autossuficiente que Victor esbanjavam, possuía grande preocupação pelos caminhos que o amigo trilhava e o que enfrentava sozinho. Mas não conseguia esconder em seu tom a mágoa pela negação de Victor em se fazer presente na etapa que começara em sua vida três anos atrás. — Você construiu uma muralha tão forte ao seu redor que ficou cego até mesmo para as possibilidades que a vida venha a lhe oferecer. O que aconteceu, aconteceu há anos Victor! Você precisa superar isso e começar a viver! Parar de se esconder naquele exército! Você precisa voltar a confiar...
— Mas que inferno Michael! Como que essa merda toda se virou a meu respeito? — Contrariou-se com uma veia saltando de sua testa. Não aguentava mais os sermões de Mike sobre como ele não vivia, não permitia confiar em ninguém, afastava as pessoas de si... Ele não via problema algum na forma como passava seus dias, não precisava de um tolo apaixonado, porque era isso que todos os apaixonados eram: tolos! dizendo-lhe como deveria viver seus dias!
— Não me espanta que não seja a favor do meu relacionamento, você não se permite relacionar-se e acredita que eu esteja indo para forca!
Reprimiu uma careta.
— Foi para essa merda toda de análise psicológica que você me chamou, inferno? Pensei que fosse cirurgião de trauma, não a merda de um terapeuta!
Michael suspirou vencido.
— Não, não foi... — Michael ajustou-se melhor na cadeira inalando profundamente buscando a felicidade que as boas novas lhe proporcionavam antes dessa breve discussão. — Chamei-o porque gostaria que fosse meu padrinho.
Victor quase engasgou em exasperação. Mas controlou-se, pois via no olhar do amigo a apreensão e preocupação de que talvez ele não fosse aceitar. E por mais que ambos tivessem opiniões distintas sobre relacionamentos, reconhecia o tamanho da importância que um tinha para o outro. Jamais esqueceria a presença de Michael durante o pior acontecimento de sua vida. E foi com essa lembrança que respirou fundo e esboçou o melhor dos sorrisos que poderia dar, que se assemelhava a uma careta pois o desgosto ainda se fazia presente, ao dizer:
— E que tipo de amigo filho da puta eu seria se não lhe acompanhasse até a forca?
Michael pareceu relaxar e sorriu alegremente. Levantou-se e abraçou o amigo. Sentira saudades da cumplicidade que os dois tinham e dos tempos da faculdade.
— Agora para com essa frescuragem — soltou-se do abraço apertado que recebera — e vamos preparar a sua despedida de solteiro!
— Eu lhe digo que vou casar e a primeira coisa que vem a sua cabeça é farra? — Riu sacudindo a cabeça. — Não fiz o pedido ainda, não sabemos nem se ela irá aceitar. — Uma sombra de preocupação perpassou seus olhos. Victor bufou.
— Larga de ser idiota Mike. Que mulher não se casaria com você? O tão renomado cirurgião heroico de Boston? — Repetiu a manchete que vira em um jornal referindo-se ao amigo e o trabalho realizado na emergência do hospital que levara dezenas de crianças à emergência após um acidente desastroso envolvendo caminhões em um pátio de escola. Percebeu o olhar surpreso do amigo ao notar que o outro acompanhara a sua vida, da forma como podia, é claro. Victor rolou os olhos para a surpresa de Michael. Parecia que nessa mesa ele era o que mais reconhecia todas as qualidades honrosas que havia no amigo e sabia que ele era o “pacote” que todas as mulheres se queixavam não encontrar em outros homens.
Michael deu um sorriso fraco animando-se novamente, evitando a lembrança do dia do acidente com as crianças, e voltou seus pensamentos para sua despedida de solteiro.
— Mas ainda não temos uma data de casamento para marcar a despedida de solteiro... Não gostaria de ficar noivo muito tempo, me casaria amanhã se o único médico decente para cobrir o meu turno não estivesse de férias, mas acredito que a noiva que tem a palavra final nessa situação, não? — Riu animado com a prospectiva de se tornar um homem casado.
— E você acha que a merda da minha agenda está disponível para os seus compromissos? — Victor rolou os olhos. — Ou melhor, para a boa vontade da noiva?! — Bufou. — Vamos aproveitar minhas férias e faremos sua despedida de solteiro.
— Essas suas férias súbitas realmente chegaram no momento certo! Vamos fazer uma noite de pôquer? Que tal? Relembrar os bons tempos. Mas sem stripers!
Victor olhou espantado para o amigo.
— Você sabe muito bem que Gregório não respeitaria essa sua ideia lunática de uma despedida de solteiro sem stripers! — Quando percebeu que Michael começaria a discordar, completou — Podemos jogar pôquer. Mas jogaremos em Vegas!
— Em Vegas?! — Michael gargalhou maravilhado — Você está realmente falando sério?
— Tenho cara de quem está pras brincadeiras, inferno?
Sabia que não havia nem feito o pedido de casamento, e que o mesmo não se aproximava, mas o sentimento que habitava os dois amigos fora a razão tanto da proposição quanto da aceitação de Michael para essa viagem abrupta: Saudade. Ambos sentiam falta da presença um do outro, mesmo que Victor, sendo o mais fechado entre eles, recusar-se-ia a admitir esse sentimento que segundo ele era coisa de gente carente, mas o sentia.
— Gregório ficará enlouquecido! — Mike riu — Fechado! Quando vamos? Estou precisando mesmo de uma folga no hospital.
— Daqui dois dias? Dá tempo de arrumar as passagens e Gregório e Daniel se ajeitarem.
— Dois dias Victor? Como que você espera que eu me ausente do hospital com um aviso de dois dias?!
— Ser chefe do departamento daquela merda deve servir para alguma coisa! — Resmungou sem dar brechas para que o amigo recusasse.
— Ok, ok... — Michael faria o possível para realizar essa vontade de Victor, pois sabia o quanto custava para o amigo realizar a sua. Admitia que precisava de férias, Genevive já reclamara de sua ausência constante devido aos plantões emergenciais que fazia no hospital. — Vai ser uma boa oportunidade de você finalmente conhecer Genevive!
— Mas que merda Lerwick! Você não pode levar sua noiva na sua despedida de solteiro, inferno! — Victor não era possuidor dos melhores gênios e Michael parecia querer abusar da sua paciência limitada.
— Ela não precisa ir com a gente no dia da despedida, oras! Eu provavelmente só farei o pedido quando voltarmos. Não consigo elaborar um pedido com dois dias de antecedência! Talvez a peça lá... — Começou a divagar mas parou quando percebeu o olhar incrédulo e exasperado de Victor. Sacudiu a cabeça — Ela pode até ter a própria despedida lá depois que eu propor, você a conhece e eu ainda consigo adiantar uma pré lua de mel! — Riu descaradamente.
Victor bufou. Sabia que não conseguiria fazer com que Michael deixasse a namorada em casa e decerto ainda não colocara um rosto na famosa Genevive. A correria no trabalho de ambos impossibilitava esses encontros, e ele também não fizera questão, o que era pôr fim o maior dos motivos de não a conhecer. Já cansado de toda aquela merda, resolveu deixar para lá que Michael levasse a namorada. Não reprimia o sentimento de que talvez, em Vegas, o amigo se dessa conta de toda a liberdade a qual estava abrindo mão e percebesse por fim tudo o que perderia ao se render a ideia idiota de casamento. Não seria hipócrita ao negar que essa possibilidade não habitava sua mente. Afinal de contas, Vegas bem era conhecida por ser a cidade em que você demonstrava ser a pessoa que verdadeiramente é.
— Ok. Pelo visto sua coleira está apertada mesmo. — Fez uma careta.
— E seu humor está radiante como sempre. — Rolou os olhos rindo. — Preciso ir para o hospital, mas combinamos a viagem por mensagem? — Disse já se levantando enquanto consultava seu relógio de pulso e pegava sua pasta.
— Claro. — Victor confirmou com um aceno da cabeça enquanto via o amigo se afastar. Terminou seu café puro e seguiu em direção a sua casa enquanto ligava para o apartamento dos irmãos, Gregório e Daniel, para anunciar que fizessem logo as malas.
.
No Mama’s Café...
— Ei, Mike. — Genevive atendeu o telefone enquanto Care e Lucy tentavam desvendar quem era o homem desconhecido em seu apartamento.
— Ei, amor, tudo bem?
— Na medida do possível. Minha cabeça está explodindo. — Ouviu o sorriso de Michael do outro lado da linha.
— Efeitos de uma noitada com Care e Lucy?
Genevive balbuciou alguma coisa e esperava que Michael entendesse como uma resposta afirmativa.
— Você está bem?
— Sim. Estou um pouco ocupado então preciso ser rápido. — Notou o tom de quem pede desculpas do outro lado da linha.
— Ok... — Aguardou curiosa com o que o estava fazendo ligar no meio do seu expediente.
— Estou providenciando umas passagens aéreas. — Era facilmente notável um tom de animação na voz de Mike.
— Vai viajar? — Um vinco cada vez maior formava-se na testa de Gen.
— Vamos!
— Vamos? — Não sabia se era sua dor de cabeça que a estava deixando desorientada ou se Michael realmente estava lhe fornecendo informações por migalhas.
— Vamos! — Michael riu.
— E posso saber para onde estamos indo? E a que se deve essa surpresa? — Riu com um quê de curiosidade em sua voz.
— Las Vegas!
— Vegas? O que te deu para querer ir para Vegas?! — Espantou-se. De todos os lugares no globo não pensou que essa seria a escolha de Michael para uma viagem repentina.
— Sim babe, Las Vegas! Um velho amigo nos convidou. — Ocultou a parte que o convite não fora tão amplo como ele dizia, mas estendia-o de bom grato em nome de Victor. — Acho que é uma boa oportunidade para termos um tempo para nós dois também. O que acha?
— Como espera arrumar um tempo para nós dois se seu amigo vai de acompanhante?
— Não se preocupe com isso, Genie. — Mike riu sabendo que Victor jamais ficaria enfurnado entre os dois. — Leve as meninas também. Poderemos conciliar um tempo todos juntos e um mais privativo para nós dois. — Gen sorriu ao notar o tom provocativo de Michael.
— Gostei da forma como isso soou. — Sorriu. —E nem acredito que o doutor Lerwick tirará uma folga do hospital. — E nem precisei marcar horário para ter esse atendimento de qualidade!
— Você é minha prioridade Genevive. Sempre será.
— Desde que não tenha ninguém lhe chamando no hospital. — Resmungou mas arrependeu-se em seguida. Nunca fora de pedir atenção e recusava-se terminantemente a fazê-lo. Além de compreender a dedicação que o trabalho de Michael exigia. Respirou e levantou-se da mesa para poder conversar com mais privacidade com Michael.
— Desculpe a minha falta esses dias, Gen. Realmente têm sido uma loucura.
— Tudo bem. Acho que acordei um pouco do avesso hoje. — Riu fracamente. Desconfiava que seu comportamento devesse ao fato de que Lucy resolvera por diabos sabe-se lá ficar no seu pé e do seu relacionamento, dizendo sem parar que Michael vivia no hospital e ela não parecia importar-se. — Mas, acho que vai ser ótimo! — Percebeu o sorriso de Mike do outro lado da linha.
— Ah! Como estou ansioso! Vamos aproveitar muito, Gen! Estamos nos ajeitando para ir em dois dias, tudo bem?
— Tudo bem, minha próxima exibição na galeria é só daqui dois meses, então acredito que não terá probl... — Mas interrompeu sua fala ao ouvir um chamado de emergência do outro lado da linha que anunciava o nome de Michael. Deu um sorriso fraco.
— Amor... — Ele começou desculpando-se por ter que desligar o telefone.
— Tudo bem, depois combinamos tudo direitinho tá?
— Claro! Amo você.
— Eu também. — E desligou o telefone.
Retornou a mesa e percebeu as amigas a olhando com uma sobrancelha arqueada.
— Eu ouvi Vegas?! — Perguntou Care em expectativa.
Genevive sorriu-lhe.
— Vegas!
— Ai meu Deus! — Lucy suspirou.
— Então peruas, como anda a agenda de vocês? — Até pensara em fazer um suspense e deixá-las achando que iria para Vegas sozinha com Michael, mas o tempo era muito curto e tinha milhões de coisas para ajeitar com uma viagem repentina.
— Você está falando sério? — Lucy olhou-a surpresa.
— AI MEU DEUS! Nós vamos para Vegas?! — Care estava exultante. Os ânimos definitivamente melhoraram naquela mesa de café. Gen apenas lhes sorriu confirmando com a cabeça.
— Você é a dona do meu coração Genevive Morrison! — Care disse-lhe com um sorriso enorme.
— Viajaremos em dois dias!
— Abençoado seja meu emprego de merda que me permite jogar tudo para o alto e viajar! — Care estava empolgadíssima. Ela trabalhava junto de Lucy no editorial de uma revista, mas sua vontade era seguir a carreira investigativa e tornar-se uma repórter mais prestigiada no meio. Detestava escrever sobre produtos de beleza e roupas da estação, mas enquanto não conseguia estar onde desejava, juntou-se a Lucy quando ela lhe informou da oferta de emprego em seu departamento, e já completara mais de um ano na mesma função.
— Abençoado é o nosso chefe que não tira os olhos de você e não tem coragem de te mandar embora! — Lucy completou sorrindo.
— Abençoado seja ele também! — Care riu. — E o seu cartão de crédito, Lucy, que te permite bancar uma viajem repentina des...
— Abençoado sejam todos, meu Deus! — Genevive cortou entre risos querendo acabar com esse papo afortunado. — Tenho uma boa notícia para vocês meninas, Michael levará um amigo. — Completou com uma piscadela.
Care bufou.
— Quem, pelos céus, vai para Vegas com um homem no cangote?
— Até eu preciso concordar com Care, Gen. — Lucy disse alfinetando a amiga por ir com o namorado. Gen fuzilou-a com os olhos. Estava realmente ficando cansada disso. Não sabia porque Lucy cismara ultimamente com esse assunto. Esperava que essa viagem fizesse Lucy e Michael se aproximarem, já percebera diversas vezes como a amiga ficava desconfortável perto dele, e torcia para que isso finalmente mudasse.
— Pelos céus! Preocupe-se com a sua mala, Lucy! — Disse já estressada. A amiga apenas deu de ombros e o trio voltou a planejar tudo o que poderiam fazer na semana que passassem em Vegas.
.
Enquanto seguia para sua casa, o mais velho dos irmãos Lamparse resolvera ligar para o apartamento dos dois últimos mais novos, a fim de resolver as pendências da viagem.
— Mas que merda, Gregório! O que você estava fazendo que não podia atender a droga do telefone?
— Bom dia, ô senhor bom humor! Estava ocupado, tá legal?! E você está me atrapalhando! — Provocou um bufo em Victor.
— Ocupado? Com o quê?
— Estava...
— O safado estava tentando fugir pela janela quando deu de cara com a mulher que viera com ele ontem à noite. — Daniel parece ter pego o telefone da mão de Gregório e respondera por este com um sorriso nos lábios. — Só pela saudação imaginei que fosse você Vic. Bem-vindo de volta irmão.
— Tem uma mulher aí? — Victor não pôde deixar de exprimir um rolar de olhos. Gregório definitivamente não aprendera nada. Não se leva mulheres para o seu apartamento, por que assim elas aprendem o endereço e você fica fudido.
— Tinha, uma furiosa, diga-se de passagem, ainda mais ao perceber que o homem que lhe jurara amor eterno tentava fugir pela janela! — Gargalhou. — Mas ela já foi embora amaldiçoando-o por mil vidas.
— O que posso fazer se elas não resistem ao melhor Lamparse? — Ouviu Greg gritar pelo cômodo. Rolou os olhos.
— Porque não foi ontem? — Pensara que encontraria ambos os irmãos na festa, devido ao convite que Gregório havia deixado em sua caixa de mensagem.
— Se eu for em todas as festas do Gregório não tenho mais trabalho, vida ou até mesmo fígado! — Riu do outro lado da linha. — Mas não sabia que já tinha voltado. E mais surpreendente que isso é você aceitando acompanhar o Greg em um dia de semana!
— Bom argumento. — Sorriu. Gregório deve ter adquirido alguma imunidade maior a bebida devido a quantidade que ingere. — Precisava relaxar. E estou de férias. Mais longas dessa vez. — Deu de ombros justificando a sua ida a festa. — Coloque-me na viva voz, tenho notícias. — Resolveu focar o assunto da ligação antes que o irmão exaltasse a surpresa por ter tirado férias longas dessa vez.
Rapidamente contara aos irmãos sobre a viagem que fariam à Vegas, e por mais que tentasse esconder, Daniel percebeu o tom levemente amargurado do irmão ao contar-lhes a intenção que Michael tinha de se casar.
— Não se preocupe Vic, faremos Michael enxergar o melhor da vida. — Prometeu-lhe Gregório.
— É o que espero, é o que espero...
.
No dia do embarque, com todas as questões como horário, assentos e passagens já devidamente combinadas, as meninas reuniram-se no apartamento de Genevive para irem juntas ao aeroporto e evitarem quaisquer possíveis transtornos. Michael deveria encontra-las ás treze horas, duas horas antes do marcado para embarque, para que fossem com tempo tranquilo até o aeroporto. Contudo, os ponteiros do relógio avançavam progressivamente, à medida que a paciência de Lucy se extinguia na mesma proporção. Quando o relógio marcara treze e trinta e cinco, Genevive resolvera ligar para Michael, pela quinta vez, na esperança de que dessa vez ele atendesse.
— Onde você está? — Seu ânimo definitivamente não ficara dos melhores quando tinha que ficar esperando alguém além dos limites do horário estipulado.
— Gen, mil perdões! Não vou poder embarcar com vocês. — O tom de Michael era angustiado.
— Por que não? — Sentiu seus ânimos desfalecerem.
— Houve uma emergência aqui no hospital, e não consigo sair agora! A emergência está lotada, as salas de cirurgia todas ocupadas...
Genevive bufou. Compreendia a imprevisibilidade do trabalho de Michael, mas francamente, tinha hora que precisava orar aos Deuses!
— E você não acha que consegue embarcar hoje em outro horário?
— Não posso prometer amor...
Genevive suspirou fundo. Não queria ter que perguntar se não havia outro médico no hospital além dele, por que sabia que não resolveria a situação, e só esse pensamento já fê-la sentir-se mais frustrada ainda.
— Tudo bem então, podemos remarcar a nossa viagem... — Começou nem querendo imaginar toda a burocracia que enfrentariam no aeroporto. As meninas a olharam de cara feia com a menção de não irem para Vegas.
— Não, amor, claro que não! Não vou estragar a sua viagem por causa de imprevistos. Suas passagens já estão compradas e as reservas já estão feitas! Você vai com as meninas hoje e, quando eu for, aproveitamos só nos dois.— Pode ouvir a tentativa de sorriso de Mike pelo telefone. — Prometo te recompensar! Pesquisarei métodos de massagens no youtube!
Genevive sorriu. Até que Michael sabia como melhorar um pouco seu humor.
— Tem certeza?
— Absoluta!
— Tudo bem então, mas tente ir para Vegas o quanto antes possível! Estou com saudades.
— Claro, vou deixar você lá sozinha por tempo suficiente para me esquecer no meio de alguma loucura das meninas? — Ele disse em tom de brincadeira. — Vai que se interessa por algum gogoboy?
— Se esse risco fizer você ir mais rápido, saiba que o corre! — Genevive brincou revirando os olhos.
— Preciso ir amor, não se esqueça de me avisar quando pousar.
— Claro. Beijos!
— Amo você.
E desligara o telefone. Lucy olhou-a curiosa.
— O que aconteceu?
— Parece que somos só nós três em Vegas.
— Hum... — Lucy murmurou e Genevive fuzilou-a com os olhos por sua voz queixosa mal fingida. Ela não se dava ao trabalho nem de representar melhor?
— É melhor corremos antes que não tenha nenhuma de nós três naquele avião! — Care alertou-nos.
— Vamos meninas! Estou sentindo que vai ser uma viagem inesquecível! — Lucy animou-se enquanto rumava para a porta. Gen revirou os olhos. De algum jeito, também acreditava nisso.
.
Os irmãos Lamparse já se encontravam na fila do embarque quando o celular de Victor notificara o recebimento de uma mensagem.
De: Michael
Para: Victor
Cara, desculpe-me, estou preso no hospital! Tentarei pegar um avião nos próximos dias assim que as coisas aliviarem por aqui. Divirta-se, – como se eu precisasse falar –.
Ao terminar de ler a mensagem Victor rosnou.
— Que foi, Vic? — Perguntou Dan notando a reação do irmão.
— Mike nos deu o bolo. Está preso no hospital. Que pessoa não comparece na própria despedida de solteiro? — Bufou contrariado.
— Se ele não quer se divertir, a gente se diverte por ele! — Disse Greg, que não perdia uma.
— Depois ele encontra conosco lá. — Daniel pôs uma mão consoladora no ombro de Victor, o qual esse fez questão de espantar rapidamente. Que merda de consolação era essa que Daniel achava que ele precisava? Bufou e andou a passos firmes em direção ao avião, realmente precisa espraiar a cabeça e essa viagem poderia ser uma ótima oportunidade.
Atrás dele, Gregório rebolava com a mão no joelho, como tipicamente fazia sempre que queria comemorar alguma coisa, e hoje ele comemorava o que esperava ser a melhor viagem de todos os tempos!
Fale com o autor