Ah mas a dona Chica nos entendo por que ela ta amando também! Um amor novo, que nem o nosso! – disse Marina enquanto olhava para a boca de Clara.
Clara fez um carinho na namorada e as duas se beijaram sem pressa. Ela ainda ficava impressionada como todo beijo que dava em Marina era como se fosse o primeiro, sempre carregado de sensações. Era como se sentisse aquela boca macia na sua pela primeira vez, como naquele domingo em que, enfim, elas consumaram todo o amor que guardaram por tempo tempo.

FLASHYBACK MODE ON

Fazia dias que Clara não via Marina. Desde a separação elas só se falavam por telefone, email, whats app, e nem era todo o tempo. Clara sentia que precisava de um tempo para ela, para colocar a vida em ordem, como colocava a casa naquele momento com a ajuda de Ivan. E Marina, como sempre, a entendia perfeitamente e dava o espaço que ela precisava. Clara sorriu com esse pensamento, era incrível como Marina a conhecia tão bem, as vezes ela chegava a pensar que ela a conhecia mais que ela mesma. Mesmo depois que Cadu saiu de casa Marina não a pressionou uma única vez, sempre que se falavam ela demonstrava saudade e uma preocupação enorme com o Ivan e adaptação com a mudança do Cadu. Aquela sensibilidade da fotógrafa deixava Clara ainda mais apaixonada.
- Ta rindo do que, mãe? – perguntou Ivan rindo da cara de boba que a mãe fazia.
- Ah! Lembrei de uma coisa engraçada! – desconversou Clara – Ta com fome, cara?
- Não mãe. A gente tomou café quase ainda agora, a senhora ta com a cabeça no mundo da lua!? – ele pergunto divertido.
- Hã!? Foi!? É que eu tinha a impressão de que já tinha passado muito mais tempo. – ela respondeu confusa.
- Não muito. Mas já já eu tenho que ir.
- Ir? Ir pra onde? – realmente Clara estava desnorteada de saudade aquela manhã.
- Pra casa do Rafa, mãe. Vou passar o dia lá, lembra!? A senhora já deixou. Vamos logo, amanhã, depois da escola, eu te ajudo a terminar essa arrumação.
- Ta bom filhão. – disse Clara enchendo o filho de beijos.
Depois que Clara deixou Ivan na casa de Rafa ela só conseguia pensar em Marina, não esperaria mais nenhum minuto para vê-la. Ivan passaria o dia na casa do amigo e aquela era a oportunidade perfeita para matar as saudades de sua amada. Assim que chegou no estúdio já deu de cara com a fotografa sentada em cima da mesa, fazendo algumas anotações. Ela parecia tão concentrada, cabeça baixa, de óculos, Clara pensou como ela conseguia ficar ainda mais linda, assim tão simples. Ficou um tempo admirando-a até que Marina levantou o rosto, olhando em sua direção.
- Eu senti seu cheiro. – disse Marina hipnotizada com a visão da outra.
Clara correu para os braços dela, que saltou da mesa para envolve-la em um abraço apertado. Estava com tantas saudades. Não havia um só segundo que não pensasse em Clara, que não quisesse estar perto dela. Chegava a sentir a presença dela, o cheiro, tanto que achou que sua cabeça tava pregando mais uma peça quando sentiu o cheiro dela ali. Mas não, ela estava la de verdade. Sentir o corpo dela naquele abraço era um sensação única, como se todos os músculos do seu corpo se acendessem para receber o toque de Clara.
- Meu cheiro? – perguntou Clara desfazendo um pouco o abraço, só o suficiente para olhar nos olhos de Marina, mas com os corpos ainda colados.
- Hum hum. – respondeu Marina já sem ar com aquela proximidade, as testas coladas, o hálito de Clara tocando seu rosto, aquela mulher tinha o poder de hipnotiza-la assim, com tão pouco. – Esse seu cheiro que eu adoro – falou baixo, com a voz rouca – e que chega antes de você. Eu já sei que você ta por perto só por causa desse seu cheiro.
Clara não parava de rir. As sensações que Marina causava nela só de estarem assim, próximas eram tão intensas, de um jeito que Clara nunca havia sentido antes. Marina acendia ela com um olhar, revirava sua cabeça com aquela voz, a ponto de deixá-la tonta, sem contar aquela vertigem que sentia com o cheiro da fotografa, esse sim era inesquecível.
- Eu tava com tanta saudade. – sussurrou Clara com os olhos brilhando.
- Eu também. Muita. – respondeu Marina no mesmo tom, ainda hipnotizada com Clara ali tão perto.
As duas não conseguiam mais controlar a vontade que tinham uma da outra. Seus corpos tinham vida própria, elas podiam sentir a temperatura uma da outra, os pêlos arrepiados, os batimentos acelerados. As duas estavam no mesmo descompasso. Esperaram tanto por aquele dia, sonharam tanto com aquele momento. Foram vencendo devagar a pouca distância que as separavam.
- Marina você… — era Vanessa que chegava no estúdio dando de cara com a duas prestes a se beijarem.
As duas se separaram devagar. Lamentando internamente pela interrupção. “Sempre Vanessa”, pensou Clara.
- Ah… oi Clara, não sabia que você estava ai – falou Vanessa sem graça, já sentindo a raiva crescer dentro de si com a presença da outra ali, tão perto de Marina e prestes a dar o que ela tanto esperava.
- Vanessinha. A gente ta de saída agora, a gente se fala outra hora, ta!? – disse Marina pegando a mão de Clara, que permanecia parada – Vem, vou te levar num lugar.
As duas foram até o carro de mãos dadas, sem falar nada. O dia estava muito bonito e Marina queria aproveitá-lo da melhor forma possível ao lado da amada. No carro foram conversando sobre tudo que aconteceu naquele período. Clara contava como estava sendo adaptação dela e de Ivan a ausência do Cadu. Ela também sentia falta dele e contou a Marina sem medo, sabia que ela entenderia, afinal eles viveram juntos por 10 anos e Clara ainda o amava, de uma outra forma, é verdade, mas ele sempre seria o pai do seu filho e um homem admirável, que se dependesse dela sempre estaria por perto.
Marina entendia Clara perfeitamente, ela sempre soube que ela e Cadu ocupavam lugares distintos no coração de Clara e, agora, mais do que nunca, ela tinha certeza de que o seu lugar era só seu. Que Clara a amava, mas que precisava do seu tempo para organizar a vida e a cabeça, e se dependesse de Marina ela teria todo o tempo do mundo pois ela queria uma Clara completa, sem medos ou inseguranças, pronta pra viver todo aquele amor que sentiam.
- Chegamos. – anunciou Marina com um sorriso.
- Onde? – perguntou Clara confusa olhando em volta. Era uma espécie de bosque, cercada por um lago. Mais adiante havia uma cabana de madeira, bem grande, cadeiras e mesas dispostas. Não tinha muita gente, ainda era cedo.
- Aqui é tão bonito! — falou Clara descendo do carro maravilhada.
- Eu sabia que você ia gostar daqui. – disse Marina admirando a beleza do lugar.
- Você conhece cada cantinho lindo nessa cidade. – falou Clara puxando-a para um abraço.
- Sabia que tem uns lugares que eu fico marcando mentalmente de ir com você!? A Clara vai gostar daqui! Tenho que trazer a Clara aqui um dia! Esse lugar seria tão mais bonito com a Clara – falou Marina apaixonada.
- Pois eu quero que você me leve em todos esses lugares, que mostre todas essas coisas bonitas que você consegue olhar com essa sua sensibilidade de artista, que a gente viva tudo isso que a gente ta sentindo. – Clara tinha os olhos cheios de lágrimas, sonhou tanto em estar assim com Marina, sem aquela pressa de voltar pra casa, sem aquela culpa e todas aquelas dúvidas.
- Então se prepara mocinha, tem um mundo inteiro que eu quero te mostrar. Um mundo que você coloriu, Clarinha, com essa sua presença linda que me fez ver tudo com outras cores, desde a primeira vez que eu coloquei os olhos em você naquela exposição! — falou Marina com os olhos brilhando.
As duas se lembraram daquele dia, do magnetismo que as atraiu instantaneamente, era como se olhar de uma, atraísse o olhar da outra, e elas não se desgrudaram durante toda a noite. Marina encantada com a simplicidade, com a transparência e a meiguice de Clara que, por sua vez, estava fascinada com a intensidade de Marina, o jeito dela olhar pra tudo, a história que ela contava sobre as mulheres que estavam naquelas fotos, mas principalmente o jeito que ela a olhava, Clara se sentia invadida com aquele olhar.
- Sabe o que eu adoro quando estamos juntas? – perguntou Marina fascinada.
- Me diz.
- Esse jeito que a gente se entende com o olhar. Parece que a gente tem conversas inteiras só com o olhar, com o corpo…
- Quase que por telepatia – completou Clara se lembrando das palavras da outra.
- Hum hum. Vamos sentar um pouquinho ali embaixo daquela árvore? – apontou para uma árvore que ficava na direção contrária à cabana, um pouco mais afastada.
As duas foram até lá de mãos dadas, em silêncio, curtindo a presença uma da outra. Tudo era tão novo para Clara, mas ao mesmo tempo tão familiar. Era como se já vivesse ao lado de Marina a uma eternidade, era por isso que se entendiam tão bem, através de um simples olhar ela já sabia o que Marina queria, e vice-versa. Era uma cumplicidade inexplicável.
Marina se sentou primeiro e se surpreendeu quando Clara sentou a sua frente, entre sua pernas. Logo ela envolveu a outra em um abraço, roçando seu nariz no pescoço da outra, sentindo seus pelos arrepiarem. Clara mantinha os olhos fechados apenas sentindo tudo que Marina lhe causava com um simples toque, sentiu o nariz da outra subir pelo seu pescoço, até bem próximo de sua orelha, onde ela depositou um beijo.
- Eu… — Clara tentou exprimir o que sentia naquele momento.
- Eu sei, eu também. – respondeu Marina bem baixinho, ao seu ouvido.
Clara virou um pouco o corpo, só o suficiente para ficar com o rosto bem próximo ao da fotógrafa. Foi a vez de Clara encostar o nariz na pele de Marina e sentir aquele cheiro que ela tanto amava. Divino, pensou. As duas estavam de olhos fechados, só sentindo a respiração uma da outra, naquela dança se silenciosa em que suas peles se reconheciam e suas bocas se buscavam como se já soubessem o caminho. E já sabiam. Tinham ensaiado aquele beijo em pensamento tantas vezes, mas sem imaginaram que tudo seria tão melhor, na realidade.
Clara nunca havia beijado uma mulher, mas a boca de Marina parecia que foi feita para a sua, e quanto mais ela sentia a boca da sua amada explorando a sua, mais as sensações iam se multiplicando, era como se fogos de artifícios explodissem dentro dela.
Marina não lembrava do seu primeiro beijo direito, mas aquele com certeza era o primeiro beijo que a fazia sentir tantas coisas, por isso não teve pressa. Estava descobrindo novas sensações com o gosto de Clara. Quando suas línguas se encontraram ambas se arrepiaram e estremeceram uma nos braços da outra. Aquele era o primeiro beijo, do resto das suas vidas.

FLASHYBACK MODE OFF


- O que foi? – perguntou Marina percebendo um brilho diferente no olhar de Clara.
- Eu tava lembrando do nosso primeiro beijo. Sempre que a gente se beija eu sinto todo esse turbilhão de sensações de novo, como se fosse a primeira vez. – falou Clara emocionada.
- Não deixa de ser, já que é sempre único te beijar, nunca é igual. – falou Marina voltando a beijar Clara, dessa vez de maneira mais intensa, sua língua passeado pela boca da outra num ritmo só delas, que crescia cada vez mais até faltar o ar.
- O Ivan? – perguntou Marina sem fôlego.
- Já coloquei na cama tem tempo. – respondeu Clara mordendo o queixo da outra. – Amo essa sua preocupação com ele, o carinho e a preocupação que você trata ele me faz ficar ainda mais apaixonada. – outra mordida.
- Sério? O meu carinho pelo Ivan só cresce sabia? Nem eu achei que tinha tanto jeito com criança. Agora eu so fico pensando que quero a casa cheia delas, pra gente dividir esse amor todo com nossos bichinhos.
- Então vamos treinar. – falou Clara agora mordendo o pescoço da outra.
- Você não cansa de treinar fazer esses bebês né!? – disse Marina toda derretida com as mordidas que a outra distribuía pelo seu pescoço.
- Não! Nada me tira da cabeça que uma hora a gente consegue. – brincou Clara, agora mordendo o ombro de Marina.
- Santo saque! – sussurrou Marina já excitada.
- Eu quero fazer isso pelo seu corpo todo, vem. – disse Clara puxando Marina pelo braço.
Não havia pressa. Clara queria que aquela vez fosse como a primeira, pois de certa forma era, já que elas nunca tinham ficado juntas ali, na cama que um dia ela dividira com Cadu. Nenhuma das duas dizia, mas elas evitavam, pelo mesmo motivo: cada coisa tinha o seu lugar. Mas depois daquela noite, e do clima amistoso que se instalara entre todos, Cadu cada vez mais próximo e compreensivo, aquele definitivamente era um detalhe que não valia mais a pena ser considerado.
Clara tirou o vestido de Marina e a deitou no meio da cama. Aquela lingerie preta que lhe caia tão bem, Clara ficou um tempo só olhando-a.
- Você é tão linda! – falou Clara admirando a amada.
- E toda sua! – respondeu Marina com a voz carregada de desejo.
Clara tirou o próprio vestido antes de começar sua expedição pelo corpo da amada. Como havia prometido distribuiu mordidas e lambidas por todo ele, saboreando cada parte do corpo de Marina, que aquela altura já não se aguentava mais de tão excitada e se contorcia toda a cada novo toque da boca de Clara. Quando ela alcançou seu sexo Marina instintivamente arqueou o corpo na direção da boca de Clara, que se deliciou com o gosto da fotógrafa.
- Clara, eu tam — também.. – conseguiu dizer entre um gemido e outro.
Clara sabia exatamente o que ela queria e não demorou para se posicionar de modo que Marina também pudesse devorar seu sexo. E assim fizeram numa dança sincronizada, explorando cada pedaço da intimidade uma da outra, até sentirem o gozo invadindo-as quase simultaneamente. Clara mal recuperou a respiração e já encaixou seu corpo ao de Marina, que assim que sentiu toda a excitação da amada, gozou demoradamente embaixo do corpo dela, que apenas sorriu.
- Desculpa. – pediu Marina vermelha. Ela nunca tinha gozado tão rápido na vida.
- Vamos de novo? – perguntou Clara enquanto a beijava. Tinha achado aquilo incrível.
- Hum hum. – concordou Marina aprofundando o beijo.
Clara começou a se mover em cima de Marina. O contato, ainda mais intenso com aquele gozo precoce de Marina, deixou tudo muito mais delicioso. Não demorou para que as duas gozassem juntas dessa vez.
- Você adora fazer isso né? – perguntou Marina ainda recuperando o ar.
- Hum hum. – respondeu Clara com um menear de cabeça, mordendo o lábio inferior.
- Clarinha, você achou mesmo que não tinha vocação pra isso? – perguntou em tom de brincadeira.
- Até experimentar sim. Depois eu percebi que nasci pra isso… é incrível! O jeitinho que você fica… da vontade de te devorar a noite inteira. – falou Clara com os olhos brilhando de desejo.
- Então devora. Vem.
E recomeçaram a se amar assim, como se fosse a primeira vez.

Notas finais
Olha, se vocês quiserem/puderem comentar, eu fico agradecida.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!