Como o Fogo
1 Prologue
Notas iniciais

13 de março de 1950, Fronteira de Magnólia com Crocus
O fogo se alastrava rapidamente. Subindo ruidosamente pelas paredes de madeira do antigo casebre. A madeira estralando fazia sons fantasmagóricos, assim como a noite estava, quando o incêndio ocorreu.
A fumaça tóxica pairava pelo ar, confusa, tentando inutilmente achar uma saída naquela pequena casa fechada. Era possível ver certas movimentações dentro dela, lentas e quase debilitadas.
Um grito agudo soou durante a madrugada implorando por socorro, que demorou a vir, devido à localidade de o casebre ser perto da divisa de Magnólia com Crocus, o que era considerado longe naqueles tempos, já que a única cidade que possuía uma brigada de bombeiros estava a horas de viagem, bem no interior da cidade.
– Por favor. – gritava a voz feminina – Por favor, nos salve. Pare, eu lhe imploro.
Os gritos da mulher iam diminuindo conforme ela perdia as força, devido a fumaça. E os únicos sons que eram emitidos por sua boca seca e rachada, eram abafados pelo barulho do fogo crepitando nas paredes da casa.
– Por quê? – sussurrou ela se arrastando até a porta trancada – Por... quê..?
O corpo jazia sem forças na frente da porta. Se ao menos a mulher tivesse reservado suas forças em uma forma de procurar uma saída ao invés de ter implorado por socorro, ela não estaria ali, próxima da saída, praticamente sufocada pela fumaça e agora sentindo seus ossos sendo esmagados pela viga do teto que caíra em cima de seu tronco.
– Socor... – tossiu ela sentindo sua consciência lhe abandonar.
Anos haviam se passado desde o incêndio e, mesmo sessenta e cinco anos despois, a causa ainda era desconhecida. Mas por falta de pistas, o caso fora encerrado e arquivado, tendo como conclusão que o fogo teria acontecido por falha no sistema elétrico da casa. O que casou alarde total na cidade, já em meados de 1950 – época do incêndio -, energia elétrica era algo desconhecido pela população mais simples de Magnólia e Crocus.
Porém, algo mais assombroso aconteceu naquela noite.
Horas após o começo do incêndio, e o seu quase termino, os bombeiros haviam chegado, para encontrar o esqueleto do casebre carbonizado junto com o corpo da mulher. Terminando de apagar o restante do fogo aceso e tentando ter uma resposta plausível para como o incêndio começou, o choro agudo de um recém-nascido chamou a atenção de todos.
Caminhando cuidadosamente, um dos bombeiros rumou para onde o choro provinha, encontrando um amontoado de madeira queimada em cima de uma manta manchada.
Apreensivo, o bombeiro retirou lenta e cuidadosamente os “escombros”.
O motivo de total espanto foi que embaixo dos escombros se encontrava uma criança.
Sem qualquer tipo de ferimento.
Intacta.
Como se tivesse a colocado ali, após o incêndio.
A criança misteriosa encontrada no local do incêndio virou assunto nacional, mas logo foi desmentido e “remodelado” pelo governo, que contara de outra forma, que a criança fora abandonada em um local próximo ao do incêndio e, encontrada e adotada pelo bombeiro.
– Sete anos depois o bombeiro faleceu em um incêndio similar a esse, e a criança desapareceu como poeira, e o caso continua sem resposta. – terminou a loira, lendo com cuidado as fotocópias do jornal da época.
– Sério isso Lucy? – perguntou o amigo.
– Não Gray, eu to inventando toda essa história, mas é claro que é verdade. – respondeu Lucy.
– Também não precisa ser grossa. É que é meio difícil de acreditar em toda essa história. Praticamente setenta anos se passaram e nada.
– Ahhh, coitado do bebê. – debochou ela apertando as bochechas de Gray – Na verdade sessenta e cinco. Mas agora é sério, precisamos terminar esse trabalho de história.
– Ok, ok. Só precisamos do nome do tal bombeiro. Tem ele ai?
– Sim.
– Então fala mulher.
– Você é tão idiota. – resmungou ela vendo Gray revirar os olhos – Anota ai. Igneel Dragneel.
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