Como o Fogo
9 Capítulo 8 - Gray & Lucy
Notas iniciais

19 de janeiro de 2015, Magnólia, Rússia
O blackout pendurado em cima da janela impedia que qualquer raio solar entrasse no quarto masculino bagunçado. Roupas estavam espalhadas pelo chão, um sutiã jazia pendurado no ventilador de teto, que girava lentamente.
Na cama, posta no centro do quarto, dois corpos nus se encontravam desacordados e entrelaçados um no outro, denunciando o que acontecera na noite anterior.
A respiração estava calma, o peito de ambos subia e descia conforme inspiravam o ar. O corpo masculino, cobria o feminino por completo, deixando somente algumas madeixas douradas da mulher amostra.
Gray, que se encontrava abraçado a loira, começou a despertar. Os olhos tremeluziam, preguiçosos, não querendo fazer sua função e manter o moreno em sono profundo. Suspirando e desfazendo o abraço, Gray se sentou na cama, coçando os olhos tentando espantar o sono.
Espreguiçando-se, o moreno se alevantou sem se preocupar com sua nudez. Andou pelo quarto, juntando suas roupas e as femininas e as jogando dentro de um cesto marrom que ficava ao lado da porta, onde mais tarde uma senhora nada simpática iria recolher toda a roupa suja e lava-la ou joga-la fora, como muitos falavam que esta fazia.
Bocejando mais uma vez, Gray andou até a janela, onde abriu o blackout, deixando a luminosidade da manhã banharem seu corpo e parte do cômodo escuro. Analisava com olhos atentos a paisagem estampada por de trás do vidro da janela.
Observava o vento levando as folhas verdes das arvores, as fazendo dançar elegantemente pelo jardim, o tapete de flores colorido demarcava o caminho por onde você deveria passar. Pássaros cantavam e voavam em círculos, brincando graciosamente. Um esquilo ou outro podia ser visto atravessando o pátio, assim como cervos e alces.
Nunca iria se acostumar com essa visão.
Era tudo muito colorido.
Tão alegre.
Suspirando derrotado, o moreno virou-se para a cama avistando a mulher loira ainda adormecida no leito. As longas madeixas amareladas encontravam-se embaraçadas e espalhadas por todo travesseiro e parte do colchão. O corpo estava virado para o lado esquerdo, dando visão dos mamilos rosados da garota para Gray. Seu rosto era proporcional, tinha um nariz pequeno e arrebitado, maçãs rosadas e lábios carnudos naturalmente avermelhados.
Estava encolhida na cama, dando mais evidencia para o corpo curvilíneo que tinha.
Gray sorrira com a imagem, e sorrira mais ainda ao perceber marcas avermelhadas estampadas na alva pele feminina. Ainda com o com o sorriso grudado no rosto, o moreno andou a passos lentos e calculados em direção a menina. Tomou o devido cuidado para subir na cama sem que esta percebesse e quando conseguiu completar o ato, começou a beijar-lhe as coxas, sempre subindo a cada roçar de lábios.
Notara que a mulher havia acordado quando estava chegando próximo ao ombro magro, em que já se encontrava com marcas de dentes, onde ela inspirara mais profundamente, escondendo um suspiro.
Abriu um sorriso de canto de boca ao chegar próximo aos lábios femininos, estava pronto para captura-los com os seus quando a loira desviara a cabeça agilmente.
– Não, você esta com bafo. — reclamou ela dando risada ao ver a olhar indignado que Gray lhe lançava – O que? Eu to falando serio.
– Vai se ferrar Lucy. – grunhiu o moreno saindo de cima da loira e andando pelo quarto, parando de costas para esta.
– O que? Sabe que acho isso nojento pela manhã. Eu também to com bafo, isso não seria algo muito agradável de se sentir ou gostar, não sei como se fala. – retrucou ela se sentando na cama.
– Isso se chama beijo Lucy, que saco. Você sempre faz isso. – Resmungou o moreno passando a mão pelos cabelos os bagunçando mais ainda – Como você quer estabelecer uma relação sem contato?
– Sabe que não gosto de contato físico Gray, no máximo a transa que tivemos ontem. E me desculpe por dizer isso, mas não temos um relacionamento. Sabe que quero evitar isso, não quero acabar criando esperanças em algo que sabemos que não tem futuro. – respondeu a loira – Você é a única pessoa que eu consigo tocar sem machucar, não quero perder sua amizade por causa de coisas sem sentido. Não quero que pense que estou lhe usando, mas as coisas não são fáceis para mim, Gray. Você pode ter uma vida normal, eu não.
– O que te faz pensar assim? – perguntou ele friamente, mantendo-se de costas para a garota.
– Olhe para mim. – sussurrou ela ficando com a voz embargada pelo choro – Sou um monstro.
Com os olhos arregalados pela surpresa, o moreno virou-se repentinamente para Lucy. Sabia que a amiga tinha problemas com relação a sua aparência, mas nunca desconfiou ou chegou a pensar que ela se desvalorizava tanto assim.
Lucy estava sentada na cama, deixando seu tronco desnudo a mostra com mais evidencia. Lágrimas saiam de sua orbe castanha esquerda, deixando para trás um pequeno rastro molhado na pele manchada de queimaduras da menina. Seu olho direito mantinha-se inexpressivo, opaco, sem vida, e com a típica marca negra, que ficou conhecida como sua assinatura. O Olho que Tudo Vê. A mão esquerda acariciava o ombro direito, onde, há dez anos havia um braço.
Repreendendo um soluço, Lucy se levantou da cama, dando livre acesso para os olhos de Gray vagarem por todo seu corpo. Seu tronco e pernas possuíam as mesmas cicatrizes que o rosto feminino. Veias negras percorriam sua pernas, estas começando em seu quadril e terminando em seus pés, onde se engrossavam a ponto de deixar a pele preta por completo.
– Lucy... – começou Gray.
– É melhor eu ir embora. – falou ela rapidamente secando as lagrimas e andando pelo quarto procurando pelas vestimentas. O trabalho de cata-las do chão – e teto – e de vesti-las logo em seguida, era algo leto e trabalhoso, mas Lucy já havia se acostumado com as deficiências que a vida sempre lhe mandava.
– Lucy. – Gray a chamou – Pra. Chega. Não faz isso.
O Fullbuster tentou se aproximar da companheira, porém só tentou mesmo, já que a cada passo que dava para frente, ela dava mais dois para trás. Ficaram nessa dança sincronizada até a loira se assustar quando bateu com as costas na parede, largando suas roupas no chão e dando uma brecha pra Gray avançar e lhe encurralar, trancado sua saída com ambos os braços posicionados ao lado de seus ombros.
– Falei para parar. – disse o moreno se aproximando.
– Gray, por favor... pare
– Por quê? Você gostou disso ontem, por que não gostaria de mais um round? — sussurrou ele roucamente no ouvido de Lucy, logo mordendo o lóbulo de sua orelha e descendo seus lábios finos para o pescoço alvo, onde distribuiu beijos e chupões – sorrindo ao ouvir cada estalada que seus lábios faziam ao efetuarem o ato de sucção na pele de Lucy.
Levou seu rosto em direção aos lábios semicerrados de loira, sentindo o familiar cheiro fétido que as bocas possuíam logo pela manhã. Deixou a frescura de lado e atacou aquela boca que tanto o atentava.
O gosto amargo logo invadiu seu subconsciente, o fazendo entender o porquê Lucy não gostava de beijos logo pela manhã. Realmente era uma sensação nojenta e desconfortável. Mas a prioridade do momento era fazê-la se sentir bem.
As mãos masculinas foram passando pelo pequeno corpo feminino delineando cada curva ou reta que Lucy possuía. Sem pudor, elas passeavam livremente por todo o seu corpo, acariciando seus mamilos já rijos e repuxando lhe os grandes lábios de sua intimidade já úmida.
– Gray... – ronronou Lucy no ouvido do moreno quando o sentiu adentrar dois dedos em sua vagina.
Os movimentos alternavam entre uma leve massagem em seu clitóris a movimentos mais rápidos e brutos do conhecido vai e vem. Lucy já jogava sua cabeça para trás, dando um acesso maior de seu pescoço para Gray. Seu braço esquerdo ora se dobrava acima de sua cabeça, ora se entrelaçava com o do moreno.
Gray descia os beijos cada vez mais, passando para a clavícula e logo para os seios, mas pulou essa parte, direcionando sua boca para o coto do ombro direito da menina. Onde distribuiu beijos e caricias.
– Você é linda Lucy. De todas as maneiras possíveis. – falou ele se afastando um pouco para observar a face corada da loira – Sei que nunca vou ter seu coração, mas quando encontrar a pessoa certa sei que ela será o ser mais sortudo do universo por ter você loirinha.
– Gray... – choramingou ela voltando a chorar.
– Shiiu. Ta tudo bem. – sussurrou ele parando com os movimentos e abraçando a chorosa amiga – Só não quero que você fique se desvalorizando desse jeito. Nem tudo gira em torno da beleza exterior.
Pode sentir a loira assentindo com a cabeça rapidamente dando algumas fungadelas em seu peito, tentando estabilizar a respiração.
– Me promete que nunca mais vai fazer isso? – perguntou Gray se afastando e segurando o rosto de Lucy com ambas as mãos. Viu esta continuar balançando a cabeça para cima e para baixo – Quero palavras e não gestos.
– Sim. – resmungou ela passando a mão esquerda pelo olho, tentando parar com as lágrimas.
– O que? Não ouvi. – brincou o moreno sorrindo.
– SIIM! – falou ela quase gritando.
– Agora sim. Vem cá.
Continuaram se abraçando, mas não passou mais do que isso. Não estavam no clima e Gray sabia que Lucy precisava de um tempo para colocar as coisas no lugar e não achar que ele estava fazendo sexo com ela por caridade.
– Mas que pouca vergonha é essa? – berrou Ooba, a nada simpática faxineira do instituto que se achava no direito de entrar no quarto dos estudantes sem a permissão destes.
– Ooba! – exclamou Lucy sentiu o rosto esquentando pela vergonha.
– Se afaste dela seu tarado! – berrou a senhora correndo para cima de Gray e enchendo de tapas e puxões de orelha – Onde já se viu? Vocês não tem idade para estarem fazendo isso. Vou ter que ter uma séria conversa com Makarov.
Resmungando sobre as safadezas dos jovens de hoje em dia e ainda segurando a orelha do moreno, Ooba saiu do quarto se esquecendo ou simplesmente ignorando o fato de que aquele era o quarto do próprio Gray ou que ele ainda se encontrava nu.
No quarto, Lucy chorava de tanto rir, agradecendo por ter conseguido fazer amizade com alguém tão amável e afável quanto Gray.
– Não fique com ciúmes. – sussurrou ela – Amo e sempre vou amar você Zeref. Você foi meu primeiro amigo.
Com isso a loira soltou um pequeno e suave sorriso para a misteriosa figura negra parada ao lado da porta.
Como resposta, obteve o leve brilhar avermelhado dos olhos de Zeref.
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