Como o Fogo

12 Capítulo 11 - Simon


Notas iniciais
Olar monamuss 💜💜 Como estão?? Espero que muito bens 💜💜 Então, como prometido, não demorei meio século pra postar o próximo capítulo - palmas pra mim 👏👏👏 Espero do fundo meu 💜 que vocês gostem. E sem mais delongas, tenham uma ótima leitura e nos encontramos lá embaixo 💜

20 de Janeiro de 2015, New York, E.U.A

O grande dia estava chegando.

Simon, agora com seus vinte e cinco anos nas costas, estava prestes a se casar com a mulher, que na sua concepção era a mais perfeita que já poderia ter existido – claramente está ficando em terceiro, perdendo para sua mãe e para sua pequena irmãzinha, que já não era mais tão pequena assim.

Kagura já havia completado seus dezesseis anos e estava até de namorado novo – não que ela já tivesse tido um -, que parecia mais enrolação de ambas as partes do que um compromisso sério. Mas Simon não tinha o que reclamar, Rufus era um bom garoto, e no fundo tinha uma boa índole, apesar do temperamento difícil.

Não que o loiro fosse explosivo, essa já era uma característica que totalmente definia Kagura, mas Rufus tinha o péssimo hábito de se mostrar o sabichão pelo simples fato de que morou e estudou, até os seus dezessete anos, na cidade grande, e como o ensino do interior não se pode compara com o de uma escola particular, isso aumentou o ego do menino. O garoto se achava no direito de sair corrigindo tudo e a todos naquela pequena cidade. E isso rendia brigas hilárias e maçantes, que ocorriam o tempo todo.

Mas no final das contas aqueles dois se amavam, e era isso que importava.

– Vamos logo Simon, ou vamos nos atrasar! – gritou Wally da porta de entrada do quarto do hotel – Hoje é o dia mais cheio na Dream’s, senão chegarmos logo não vamos entrar e você vai ficar sem sua despedida de solteiro.

– Não sei porque tanta pressa, não é como se eu quisesse realmente ir em um show de nudez.

– Show de nudez? – indagou indignada Wally – São Stripper’s cara.

– Que fazem shows estando nuas ou despindo-se.

– Tem certeza que você vai casar com uma mulher Simon? Porque parece mais que vai ter um homem te esperando no altar. Podemos olhar pelo lado bom, talvez lá na Dream’s tenha uma Shemale¹ pra voc....

– Não brinque com isso! Nunca!! Entendeu? – bradou Simon interrompendo o amigo enquanto o suspendia pela cola da camisa social azul.

– Calma cara, era só uma brincadeirinha. Não sei pra que tanto stress. Desculpe mesmo assim. – falou Wally se soltando das mãos de Simon – Agora mexa essa sua bunda gorda, antes que eu ligue para a Mickey e fale pra ela que você está bêbado nesse quarto de hotel com três homens em cima de você.

E nisso Wally saiu correndo do quarto como se sua vida dependesse disso, e de fato dependia. Uma vez que Simon tinha sérios problemas com esse tipo de brincadeira, o que Wally nunca entenderia, já que o moreno nunca iria abrir a boca para comentar sobre aquele dia.

Aquele dia.

Aquela bixinha...

...de cabelos ruivos encaracolados e expressivos olhos castanhos.

Desmaiou com um sorriso no rosto, como se tivesse realizado um grande desejo.

Simon nunca esqueceria aquele dia.

Como também nunca esqueceria a textura dos lábios do adolescente, quando estes entraram em contado com os seus.

Balançando a cabeça violentamente, Simon tentou afastar esses pensamentos de sua mente e se focar nesse exato momento, onde ele iria a uma boate de strip-tease com seu melhor amigo comemorar o seu último final de semana “solteiro”, antes de amarrar seu burro, como diriam os mais velhos.

Saiu do quarto sem muita pressa. Trancou a porta e andou calmamente até o elevador, onde Wally o esperava impacientemente e com certo pavor no rosto, que tencionava seu queixo quadrado, o dando uma forma grotesca.

– Vamos meu filho, Shô acabou de ligar falando que chegou e conseguiu uma mesa bem na frente do palco pra gente. – exclamou ele alegremente.

– Pensei que fossemos só nós dois.

– Bem, a princípio era pra ser. Mas achei que seria mais divertido e proveitoso se mais gente encontrasse conosco lá.

Balançando negativamente com a cabeça, o noivo entrou na caixa metálica que os levaria do quinto andar até o térreo. Aperto o botão com a figura de um T, e sentiu o relevo do braile passar asperamente pelas pontas de seus dedos.

Observou com atenção os números vermelhos mudando a cada andar que o elevador passava, enquanto seu amigo tagarelava incansavelmente ao seu lado de como esta noite seria a melhor em toda a sua vida, ou em como Simon tinha sorte de conseguir ver o show principal bem de perto.

Tinha que admitir, estava excitado por ir em a uma boate adulta com seus amigos, coisa que nunca conseguira fazer – mesmo sozinho. E isso o deixa feliz, mesmo que um pouco e, mesmo, que ele não demostrasse esse dia ficaria em seu coração como um momento memorável – por mais fútil e devasso que fosse.

Soltando um suspiro, Simon passou as mãos pelos bolsos traseiros da calça, checando se sua carteira estava no seu devido lugar, o que, pelo espaço vazio, significava que não estava. Lembrava-se de tê-la deixado em cima do criado mudo, ao lado de um porta-retrato que ele sempre carregava de Mickey – Simon era o típico romântico agua com açúcar.

– Droga. – resmungou ele.

– O que foi? – perguntou Wally parando de tagarelar.

– Esqueci minha carteira. – respondeu Simon se aproximando do painel de botões e apertando o número “5” pintado em preto.

– Que isso cara? Hoje é por nossa conta. – falou o amigo dando leves tapinhas nas costas de Simon – Logo, logo a patroa não vai deixar você sair com a gente, e claro, sem falar nas responsabilidades que veem depois do casamento. Então, aproveita porque essa vai ser a primeira e última vez que vamos fazer isso. Até porque o Shô não sabe disso, e ele vai me matar quando entrarmos na Dream’s.

– Não cara, não precisa, mesmo. Eu volto no quarto rápido enquanto isso você vai indo pra boate.

– Deixa disso Simon, você paga a gente depois. Até porque, se você voltar sozinho para aquele quarto, tenho certeza de que você vai nos deixar esperando com cara de bunda na mesa. Então, não, você não vai voltar naquele quarto sem antes assistir ao show.

– E sem mais uma palavra. – completou Wally ao perceber que seu amigo se preparava para soltar uma réplica – Qualé cara, hoje é seu dia. Aproveite.

E, sem ter como discutir com a o amigo, Simon soltou uma risada e confirmou com cabeça, notando que já estavam no andar desejado e que uma senhora os olhava com uma feição assustada na entrada do elevador.

– Vamos logo, não vê que está assustando a senhora com essa sua cara feia? – brincou Simon se soltando de Wally e rumando para fora do elevador, o deixando para trás com um sorriso bobo na cara.

– Esses jovens. – pode ouvir a senhora resmungar ao entrar no elevador e escolher o andar desejado.

– Viu o que você fez? Tsc, tsc Simon. Pobre senhora, não vai conseguir dormir por dias.

– Olha quem fala, foi esse seu queixo que assustou ela. Tadinha, deve achar que a maquinha de chicletes do hotel ganhou vida e revolveu dar um passeio pela cidade.

– HAHA, como você é engraçado Simon. Só não te bato porque hoje estou de bom humor. – ironizou Wally entrando no carro, pela parte do motorista.

– Como se você algum dia conseguisse. – resmungou o outro acompanhando o amigo.

– O que você disse?

– Disse que você sempre está de bom humor, meu bom e velho amigo.

– Você é um babaca.

– É. Eu sei. – e dizendo isso, Simon se desligou do mundo uma segunda vez naquele dia. Deixando sua atenção completamente voltada para a paisagem que passava rapidamente – ou nem tanto assim, graças ao transito pesado de New York as oito e meia da noite.

Observava a incrível selva de pedra que aquela cidade era. Achava tudo aquilo fantástico, mas não podia ignorar o sentimento de claustrofobia que sentia ao olhar para os lados e enxergar, senão uma, quase nenhuma árvore ou folhagem naquela cidade.

Mas não era de tudo tão ruim assim.

Apesar da aparência cinzenta e do jeito nada hospitaleiro que os nova iorquinos tinham, Simon agradecia aos céus por ter conseguido uma oportunidade de trabalhar em uma empresa de engenharia e de, sua mulher concordar em largar suas origens “caipiras” e se mudar para uma cidade grande.

Via as pessoas correrem desesperadas em busca de um taxi e logo abaixarem a cabeça, desistindo ao serem ignoradas diversas vezes. Não via a hora de começar com essa rotinha loca, note-se a ironia na frase. Era praticamente cometer suicido você se manter dependente de taxis, mas era pior ainda manter um carro.

A cidade era muito pequena para abrigar uma quantidade tão grande carros, via-se isso em todas as ruas. Sempre lotadas em ambos os lados por carros estacionados. Sem contar no fato de que carros eram diariamente furtados, causando uma grande dor de cabeça, não só no dono, como na vizinhança inteira também.

– Ei, garotão. – Simon acordou de seus pensamentos com Wally o chamando – Chegamos.

Olhando janela a fora, o moreno deve vislumbre do letreiro luminoso da Dream’s, onde possuía uma mulher deitada em cima que, com a iluminação, aparentava mexer as pernas e dar um leve aceno com a mão esquerda, como se os estivesse convidando para entrar. E de fato estava.

– Merda. – resmungou Wally – Cara melhor você descer aqui, depois encontro com você e o Shô lá dentro.

– Por..?

– Você está sendo todos esses carros parados aqui? – indagou Wally arqueando as grossas sobrancelhas negras – A maioria, senão todos, estão nessa maldita boate maravilhosa. Vou demorar um século para achar uma vaga e o show vai começar daqui a pouco.

– Não me importo em esperar.

– Mas eu sim. Cara, hoje é a sua última noite livre para aproveitar com uma mulher sem que Mickey fique pegando no seu pé. Não quero que perca isso. Então levando esse seu rabo gordo do meu carro e saia.

Suspirando pesadamente e acenando positivamente com a cabeça, Simon saiu do carro, batendo a porta com força em demasia, só para ter o prazer de ver o rosto irritado de Wally. Adorava aquela feição assustadoramente engraçada.

Simon sabia que Wally não era um homem bonito, bem ele e o reto da população feminina. Mas o que ele não possuía em beleza compensava com o carisma e compreensão.

Wally era um bom amigo apesar de tudo.

Olhando novamente para o letreiro, Simon arqueou as sobrancelhas e andou até a entrada, onde se encontravam dois seguranças que mais se pareciam com armários, guardando o local.

– A casa está cheia. – falou um com a voz grossa.

– Meu amigo está me esperando ai dentro.

– Todos dizem isso, amigo. Aqui é como na cadeia, ninguém é culpado, local errado na hora errada. Meu amigo está me esperando ai dentro. Isso não cola. Cai fora.

– Mas eu não estou mentindo. Ele está de frente para o palco. – tentou se explicar, sendo completamente ignorado pelos seguranças.

Já estava ficando aflito, como faria para entrar. Sua cabeça trabalhava em inúmeras formas de como convencer aqueles brutamontes o deixarem entrar. Pensou no famoso subornou, e quase sorriu com a ideia, só que se lembrou que estava sem a carteira.

Estava quase desistindo quando seu celular tocou no bolso.

Era Shô ligando. Perguntando se eles iriam demorar muito para chegar, porque o show já estava para começar, e logo Simon lhe explicou a situação o mais rápido possível. Quando Shô entendeu o que estava acontecendo, não demorou muito para aparecer na entrada, tendo uma breve conversa com os seguranças, que logo o deixaram entrar.

– Não se esqueçam caras. – falou Shô – Ainda temais um chegando, esse é inesquecível. Queixo quadrado e com uma puta sobrancelha preta, e é bem provável que ele esteja irritado, então vai estar mais feio ainda.

– Vamos meu amigo, estava quase perdendo a diversão.

– E a mesa?

– Deixei umas gatinhas cuidando dela para mim. – respondeu o loiro com um sorriso malicioso brotando no rosto.

Ao atravessar uma cortina avermelhada, Simon pode sentir o bafo quente que aquele lugar emanava. A casa estava realmente cheia. Eram homens para todos os lados e outras várias mulheres seminuas indo e vindo por entre aquele mar masculino.

– Senhores. – uma voz sou do alto falante – É com muita honra que, hoje, eu lhes apresento nossa estrela vermelha.

– Estrela vermelha? – resmungou Simon achando aquele nome ridículo.

– Cuidado para não se apaixonaram com a nossa perigosíssima Erza Scarllet!!

E, ao falar isso, a cortina aveludada do palco se abriu, revelando uma silhueta pouco curvilínea, mas que fez os homens vibrarem. Estava de costas, então Simon não conseguiu ter uma boa visão, mas quando esta se virou e foi andando sensualmente até a marcação que o holofote fazia no chão. Simon pode ver os longos cabelos vermelhos brilhantes que vaziam contrates coma pele pálida da mulher.

Vestia um conjunto de couro apertado, a típica imitação da fantasia da mulher gato, só que está lhe faltava as curvas.

Os ombros eram largos demais para uma mulher, e o tronco, reto em demasia, quase como se ela estivesse usando uma tabua retangular por debaixo da roupa. E os seis fartos, não faziam a visão melhor.

Era quase como se olhar no espelho.

Um reflexo de si, vestido de couro e com balões na altura do peito.

Como se a mulher que ali se apresentava, executando uma dança impecável e libidinosa, fazendo todos aqueles homens comerem em suas mãos, na verdade fosse outro homem.

E a sensação que Simon não sentia a dez anos, estava voltado à tona, e dessa vez, com mais força.

Notas finais
Olarrrr² Se você chegou até aqui sem morrer de tédio ou por simplesmente estar com preguiça de ler, não se esqueça de deixar o seu coments