Como o Fogo

3 Capítulo 2 - Ezra


Notas iniciais
Hey hey como vão? Espero que bem c: Então, queria pedir desculpas pela demora na resposta dos comentários, desculpa gentem :v Esse capítulo vai trazer bastante surpresas pra todo mundo e espero que vocês gostem

01 de novembro de 2005, Mississippi, E.U.A

Na pequena fazenda localizada no interior do Mississippi, Ezra Muller se encontrava estirado na grama, observando as nuvens com os olhos semicerrados e sentindo a fraca brisa brincar com seus cachos ruivos. Soltava pequenas gargalhadas com o roçar da grama em suas pernas cobertas pela mesma pelagem alaranjada do seu cabelo.

– Ezra, querido. – pode ouvir sua mãe, Abigail Muller, o chamar da varanda da pequena casa de madeira – Ezra, onde se meteu esse menino?

Era engraçada a preocupação de sua mãe, que insistia em vasculhar cada canto da fazendo em busca dele, mesmo sendo tão obvio a local em que o mesmo se encontrava. Ou nem tanto assim, já que ele era o único que pensava dessa maneira.

Soltando mais uma risada e observando pela última vez as nuvens em seus formatos variados, Ezra rumou de encontro a sua mãe.

– Ah, até que enfim menino. – resmungou a mãe – Quase me matou do coração.

– Dramática. – resmungou ele.

– Querido, preciso que me faça um favor. – pediu Abigail mudando repentinamente de expressão – Leve a torta de maçã para os Mikazuchi.

Acenando positivamente com a cabeça, Ezra não tinha se tocado para onde tinha que ir. Até a sua mente clarear e a imagem de Simon Mikazuchi surgir.

Sentiu o sangue se acumular em suas bochechas e o nervosismo lhe atacar. Sabia que aquele sentimento era errado, mas não conseguia evitar.

Desde a primeira vez em que vira Simon, se encantara com os olhos negros e repuxados, características que recebeu por sua mãe ser japonesa, os cabelos rebeldes e castanhos contrastavam com a pele morena e o corpo sarado, adquiridos com o ardo trabalho feito sem camisa na fazenda de seu pai, coisa que Ezra agradecia todos os dias, já que sempre estava escondido em cima de uma arvore próxima ao celeiro da fazenda Mikazuchi.

Esperava que isso fosse uma faze. Que com o passar do tempo isso passaria. Chegou a tentar ficar com uma garota, mas o mesmo acabara por levar um fora. Também não era de se admirar, Ezra tinha quinze anos e era baixo e magro como uma criança de dez. Constantemente, zoado na escola pela sua altura e pelo rosto sardento, Ezra afastava qualquer tipo de garota com quem tentava se comunicar. E agora boatos começaram a surgir na escola com relação a sua aproximação em demasia com o sexo masculino e a sua repentina timidez quando algum menino mais velho lhe dirigia a palavra.

Tentava ao máximo ignorar e apaziguar os boatos, mas quanto mais tentava fazer isso, mais perturbadores eles ficavam. Não podia deixar a diretoria ficar sabendo sobre sua suposta sexualidade e ligar para os seus pais. Tinha medo da reação do pai, que viera de uma família extremamente conservadora, que ainda guardavam suas melhores roupas para os domingos, quando iam à igreja.

Voltando a realidade, Ezra acenou positivamente com a cabeça enquanto pegava com cuidado a forma embrulhada em um pano xadrez vermelho e branco.

– Não demore, preciso que você de de comer para as galinhas e depois cheque se a cerca ainda possui mais algum buraco. – falou Abigail retirando o avental, estendendo-o em uma cadeira, e pondo-se a varrer – Venho falando há semanas para o seu pai matar aquelas pragas de animais, mas o velho me escuta? Claro que não. É mais teimoso que uma mula pra carregar carga. O que ainda faz aqui? Ande logo, antes que a torta esfrie.

Saiu a passos apressados da varanda, equilibrando ao máximo a forma em suas mãos calejadas, tentando desviar das vassouradas da mãe.

Engolindo em seco e tentando reprimir qualquer expressão de desagrado, ou nervosismo ou desespero, Ezra rumou para a fazenda dos Mikazuchi.

Uma caminhada nunca fora tão longa como aquela, em que geralmente levava menos de três minutos para chegar, agora parecia que séculos haviam se passado e o ruivo ainda se encontrava na frente de sua humilde casa. Claro, era diferente quando ele corria como se sua vida dependesse daquilo para poder chegar à fazenda dos Mikazuchi, talvez ela realmente dependesse disso, vê-lo sem camisa com seus músculos trabalhados fazendo esforço bruto no corte de lenha, era realmente uma visão dos deuses.

Observa-lo as escondidas era algo totalmente diferente de ter que encara-lo nos olhos e reprimir qualquer sentimento existente. E falar com então? Estava fora de cogitação. Iria ter um ataque, seu cérebro pifaria e todo seu esforço e teatro iriam por agua baixo, junto com seu couro quando seu pai soubesse e lhe desse uma cossa.

– Calma Ezra, não tem nada de errado. É só entregar à torta, falar que foi a dona Abigail que mandou e sair como se nada tivesse acontecido. – resmungou ele para si mesmo.

Respirando fundo e, sacudindo a cabeça, continuou rumo a fazenda vizinha, tentando inutilmente manter seu melhor sorriso no rosto – o que mais parecia um pedido de socorro.

Rex, o cachorro da família, o saldou junto com Kagura, a irmã mais nova de Simon, quando ele atravessou a porteira.

– Ka-kagura, cuidado. – reclamou ele enquanto via a menina e o animal correr e pular ao seu redor.

– Ezra, é mais uma daquelas tortas de maçã? – perguntou Kagura com a estridente voz de felicidade que fazia Ezra querer tampara os ouvidos.

– Sim. – falou o ruivo sorrindo para a pequena – Veja se dessa vez não come ela toda de uma vez, já cansei de ver a mamãe se culpando pelas suas dores de barriga.

– Não é minha culpa se sua mãe faz uma torta maravilhosa. – resmungou a menina cruzando os braços com a feição emburrada – Vamos, vamos. Tenho que te mostrar algo.

E, pegando na mão livre de Ezra, Kagura o puxou em direção a casa principal da prospera fazenda.

– Ei, Kagura, devagar. Vai me fazer derrubar a torta.

– Nem ouse fazer isso. – gritou ela parando a abruptamente e lhe mostrando uma feição raivosa – Simon adora a torta da tia Abigail, até mais que eu.

E, com a simples menção ao seu nome, Ezra sentiu suas bochechas arderem e quase desmaiou quando o próprio Simon apareceu em sua linha de visão, com o pai. Os dois carregavam machados, o que deu a se entender que eles estavam cortando lenha, ou que iriam começar.

– Ora, ora. O que temos aqui? Ezra Muller, nosso mais fiel entregador de tortas de maçã. – gracejou Anthony Mikazuchi, pai de Simon e Kagura. O engraçado na estória daquela família era que, no lugar da mulher assumir o sobrenome do marido, Anthony decidiu manter as origens da esposa. Uma forma de demonstrar respeito e carinho pela família da mulher e, também, para ela se lembrar de que mesmo estando longe de seu país natal, sempre teria um pedaço dele consigo.

– Bo-boa tarde Sr. Anthony, Simon. – resmungou Ezra timidamente, a baixando a cabeça escondendo a vermelhidão em suas bochechas.

– Oras menino, deixe disso. Você sempre vem aqui, não é necessária essa formalidade toda. – falou alegremente o mais velho batendo nas costas de Ezra – Já que esta aqui, o que acha de ajudar Simon com a lenha?

– Nã-não da. Tenho que voltar correndo, tenho muita coisa para fazer ainda.

– Oras, Abigail pode esperar um pouco. – resmungou Anthony – Vamos passar mais tarde por lá mesmo. Fique e ajude Simon a cortar e guardar lenha, depois pode ficar para comer um pedaço de torta.

O olhar inquisitivo de Simon e os pulos de expectativa de Kagura, o deixam mais nervoso ainda. A timidez e desespero se espalhavam pelo seu corpo, junto com o nervosismo, Ezra começou a sentir sua consciência se esvair junto de sua visão.

Desmaiou antes de sentir o choque entre seu corpo e a grama, o que o fazia agradecer por isso. Não suportaria a dor e a vergonha de se estatelar no chão na frente de Simon.

Quando finalmente acordou, percebeu que se encontrava em uma superfície macia, estranhando a maciez, Ezra olhou ao redor, constatando que estava acomodado em um quarto completamente diferente do seu.

Levantando-se com cuidado, o ruivo olho pela janela e viu que já estava escurecendo. E o único pensamento que surgiu em sua mente foi que sua mãe o mataria.

– Droga. – resmungou Ezra se alevantando por completo da cama. A pressa o fez cair no chão, novamente – Que maravilha.

Resmungando palavras desconexas e xingamentos, Ezra se levantou novamente e quando olho na direção da porta sentiu seu coração parar.

Na porta ao lado da porta, estava Simon adormecido.

O sangue voltou para suas bochechas, pela quarta vez naquele mesmo dia, e noite. Observando mais atentamente, Ezra notou a expressão relaxada e a respiração que fazia seu peito desnudo subir e descer em um ritmo constante. “Irresistível!”, foi o que Ezra pensou ao dar o primeiro passo na direção do homem adormecido.

Passo por passo, o ruivo foi se aproximando de Simon. Direita, esquerda. Direita, esquerda. Direita, esquerda. Até estar a uma distancia considerável.

Engolindo em seco, Ezra se se agachou em uma altura próxima a da poltrona e pôs-se a observar o sono tranquilo do vizinho, que aparecia dormir como uma pedra, já que não tinha notado sua aproximação.

E, tomando coragem, Ezra se aproximou mais ainda do rosto moreno de Simon. OS lábios finos e rachados lhe chamavam a atenção de uma forma que não podia explicar. A necessidade de saber o gosto deles, de poder hidratar aqueles lábios com a sua própria saliva rondavam em sua mente e, só foi perceber o que tinha feito, quando sentiu uma ardência em seu nariz e algo quente e pegajoso lhe escorrer pela face.

– O que pensa que esta fazendo viadinho de merda? – berrou Simon se levantando brutalmente da poltrona e segurando Ezra pela cola da camiseta surrada pronto para lhe desferir mais um soco, e mais um, e mais, e mais um. Até que Anthony e Sakuya, sua mãe, irromperam pela porta assustados pela gritaria.

A visão de Ezra quase desmaiado e sangrando sendo segurado pelo filho mais velho, vez Sakuya gritar de horror e implorar que Simon parasse.

Porém, o pedido da mãe fora ignorado pelo primogênito, que continuava a distribuir socos na face do ruivo, agora, desacordado.

– Simon, pelo amor de Deus! Pare, ira mata-lo. – berrava Sakuya tentando segurar o filho pelas costas, só que fora brutalmente jogada para trás.

Os socos continuavam, até que a família de Ezra, chamada por Kagura, aparecesse no quarto e, com a ajuda de Anthony e de Jack, pai de Ezra, fizeram com que Simos se afastasse do garoto desacordado estirado no chão que logo fora socorrido pela mãe e por Sakuya.

– Você pirou Simon? – gritou o pai o puxando para fora do quarto.

– Vou matar esse viadinho de merda. – continuava a gritar tentando inutilmente se livras dos dois homens.

Para Ezra, que jazia semi desacordado, nada daquela confusão fazia sentido. Oras, fora só um beijo. Por que tanta ladainha? Beijos eram comuns. Não?

Então por que?

Isso machucava, e muito. Ser rejeitado com palavras era uma coisa, agora com socos e ofensas? Era demais para o pobre e solitário coração do ruivo. Mas valeu a pena, pode finalmente sentir aqueles tão desejados lábios nos seus, mesmo que só por alguns instantes. E isso já o deixava feliz.

– Ezra, por favor, não feche os olhos. Querido, você não pode dormir. Esta me ouvindo? EZRA, NÃO FECHE ESSES OLHOS!! – pode ouvir sua mãe gritar enquanto sua visão escurecia novamente.

– Des... Descul... Desculpe... – pediu o ruivo já se entregando a escuridão enquanto dava um pequeno sorriso torto. Pode ouvir mais uma vez o grito de desespero de sua mãe junto ao de Sakuya e o pai discutindo com Simon, e este lhe contando tudo. Queria aproveitar esse momento de descanso para poder se preparar para o que estava por vir. Queria adiar esse dia o máximo possível, mas agora era algo inevitável. Quando melhorasse levaria outra surra e provavelmente seria expulso de casa.

Mas não queria pensar nisso agora, só queria relembrar do contato dos seus lábios com os de Simon. Ainda sentia a dureza e as rachaduras em contado com a sua boca, o fazendo sentir cocegas. Fora uma das melhores sensações de sua vida.

E, dando mais um pequeno sorriso, Ezra se entregou por completo a escuridão que o cercava, ouvindo pela ultima vez um grito de desespero.

Notas finais
Hey hey migos Gostaram? Então não se esqueçam de comentar e favoritar, se você ainda não acompanha a fic. Qualquer duvida fiquem a vontade para falar comigo, estou deixando meu twitter no meu perfil pra quem quiser ir la fazer uma visita e pra conversar também - sou uma ótema migs e melhor conselheira u3u Então é isso noujinhos. Até a próxima. Peixos Peixosos