— Amigos viajando juntos? – A recepcionista do hotel que íamos nos hospedar perguntou assim que questionamos quais quartos eles tinham.
— Não. – Respondi na lata, pois não sou LGBT que se esconde no armário pra ninguém.
— Entendi, trisal! – Ela fez um gesto de "okurr" bem com os trejeitos exagerados e estereotipados dos gays, com o intuito de nos empoderar? Sei lá. – Suíte com cama king size então.
— Não! – Exclamou Kaminari constrangido. – A gente…, nós dois não somos – apontou entre mim, na outra ponta, e ele –, só-
— Longo demais pra explicar. – O interrompi e me virei mal-humorado para a moça: – E não é da sua conta.
— Ah sim. – A mulher se inclinou, se aproximando mais de nós, e sussurrou: – São um casal na primeira experiência de chamar um amigo pra esquentar as coisas num ménage? Sei como é. – Meu Deus, que enxerida.
— Quem você julgou ser o amigo, nesse caso? – O desgraçado do Denki quis saber. Quando nosso namorado em comum o reprovou com o olhar, ele se justificou porcamente: – Só por curiosidade.
— Teria um quarto com três camas de solteiro? – Kirishima perguntou antes que ela pudesse responder ao Cara de Burro.
— Não… esses já estão todos lotados. – Informou. Falei que seria melhor termos reservado logo um de maneira online, mas de acordo com o outro loiro o site era ruim por ser impessoal e desse modo não conseguiríamos tirar todas as dúvidas.
— Vamo com uma cama de casal e outra de solteiro? – Eijiro nos sugeriu. – Aí, pra não brigarem, eu me estabeleço na de casal e vocês a revezam cada noite.
— A quantidade de vezes que vamos dormir aqui é ímpar. – Kaminari alegou a injustiça.
— Legal passar metade das noites como se fosse o filho do casal. – Demonstrei minha insatisfação ao mesmo tempo do Cara de Burro.
— Querem que eu fique sempre na de solteiro então?
— Quê?! E eu e ele dividirmos a cama? Tá doido! – Protestamos praticamente em sincronia contra a proposta do ruivo.
— Vai a do king size mesmo. – Eiji pediu para recepcionista e depois se voltou para nós decidido: – Eu fico no meio, pronto.
— Esse não é o mais caro? – Reclamei.
— Vai ter pouco espaço, não? – Denki se queixou na mesma medida. – Somos três marmanjos – como se ele fosse também um homem grande – e eu me mexo bastante se me sentir imprensado.
Apesar de nós dois o infernizando em seus ouvidos, no fim das contas Kirishima bateu o martelo.
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