Como não amar Lucy Heartfilia?

29 Garotas fortes também choram.


Notas iniciais
EU SEI. DEMOREI PRA CARALHO. MAS TÔ VIVA E VOLTAMOS COM A FIC.

Capítulo Vinte e Nove — Garotas fortes também choram.

(Erza)

Eu corria. Corria com todas as minhas forças, corria para o mais longe possível. Eu precisava de paz. Precisava de um lugar calmo para que eu pudesse chorar e desabar. Meu coração doía. Semprei amei Jellal, perdidamente, cegamente, e agora ele simplesmente havia me largado. Na verdade, ele havia me largado a muito tempo, mesmo estando comigo esses anos ele nunca me amou, era apenas ilusão. Apenas mentiras e mais mentiras.

Cada “eu te amo”, cada beijo, cada palavra. Mentiras. Como pude ser tão tola? Como pude pensar que um dia alguém gostaria realmente de mim? Iludida! Entro em meu quarto, derrubando algumas das minhas coisas e me jogando na cama. Eu só queria chorar. Abracei o travesseiro, sentindo o doce aroma do morango entrar em minhas narinas.

Senti uma fina lágrima escorreu pelo meu rosto, em seguida inúmeras lágrimas escorrerem também. Me sinto tão idiota por chorar por ele. Eu poderia tentar ser forte, dizer a mim mesma que ele não me merecia e que eu encontraria alguém melhor. Mas eu sabia que isso era impossível. Meu amor por ele era grande, e mesmo com tudo isso parecia que ele não iria se acabar tão cedo. Solucei, me agarrando ainda mais em meu travesseiro e chorando, até cair no sono.

Quando acordei a casa ainda estava vazia. Um vazio bom e ao mesmo tempo desesperador. Peguei o notebook, acessando o Facebook e me deparando com uma foto do Jellal. Meus olhos arderam, ao perceber que ele parecia feliz sem mim. Na verdade, foi como se ele nunca estivesse comigo. Ele nunca foi meu…

Passei a mão no cabelo, tentando engolir o choro enquanto via nosso status de relacionamento vazio, assim como meu coração. Cliquei em seu perfil, observando cada detalhe. Por que eu ainda fazia isso? Por que ainda me torturava desse jeito? Por que eu continua me machucando? Tantas mentiras. Tantas palavras. Tantos sentimentos, por nada. Apenas uma doce ilusão. Um doce nada.

Se eu fosse homem, eu entenderia como é amar alguém. Eu seria uma homem leal e a amaria até o fim da minha vida. Se eu fosse homem, eu compraria inúmeras rosas para ela e lhe daria de presente todos os dias. Diria eu te amo quando ela acordasse e quando ela dormisse. Eu não a trairia, pois sei como ela se sentiria. Eu seria um homem melhor do que Jellal foi.

Mas, eu não sou homem. Eu sou apenas uma garota de coração quebrado. Sou apenas a personagem secundária que sofre por perder o principal para a protagonista da história. Queria com todas as minhas forças esquece-lo, ele era o único que eu não queria nunca mais lembrar. Queria não poder continuar amando-o, e jogar todo meu amor no lixo. Mas eu simplesmente não consigo. E sou uma idiota por isso.

– Droga… – murmurei, limpando as lágrimas que caiam.

Eu era tola. Uma grande tola por acreditar em amor. Como se fosse possível o amor existir? Isso era coisa de novela, filmes e livros. O amor era apenas algo que as pessoas acreditam que existe, mas que na verdade é apenas coisa da nossa cabeça. Amor não era real.

Larguei o notebook e desci as escadas, indo em direção a cozinha e abrindo a geladeira. Observei o que tinha dentro, maças, sucos, vegetais e bem no fundo algumas caixas com fatias de bolos de morango. Peguei três caixas, voltando para o meu quarto. Era tão idiota me ver sentada na cama, chorando enquanto me encho de bolo de morango porque um garoto terminou comigo. Logo eu que sempre disse que nunca iria me apaixonar. Bem, até conhecer Jellal.

Bufei, enfiando uma grande colerada na boca.

– Parabéns, Erza. Você é uma completa idiota apaixonada por um cara que nunca gostou de você. – exclamei, revirando os olhos.

Continuei a comer, pouco me lixando se fosse passar mal de tanto comer bolo de morango. Que eu passasse mal, ninguém se importaria mesmo. Tsc, só de pensar que teria que encontra-los na sala de aula já me dava nos nervos. Que Lucy não cruzasse meu caminho, pois não irei me controlar e enforca-la.

– Que se fodam também. – murmurei.

Terminei meu bolo, colocando as caixas no lixo e voltando para meu quarto. Precisava respirar, sentir o vento no rosto e pensar. Me olhei no espelho, meu vestido já não era mais tão bonito assim. Bufei, tirando o vestido e abrindo meu armário, enquanto pegava um calça jeans e uma blusa simples. Se não havia motivos para ficar bonita, porque eu deveria me arrumar tanto.

Fiz um rabo de cavalo em meu cabelo vermelho e me olhei no espelho. Eu não estava arrumada, eu não sentia necessidade pra isso, mas mesmo assim, toda desleixada eu me sentia bonita. Bonita para mim mesmo. Sorri, descendo as escadas e saindo de casa. Comecei a caminhar pela rua, ver diversos casais se pegando quando você acaba de terminar um relacionamento é algo extremamente irritante. Quase podia ouvir a trilha sonora triste da minha vida.

Passei em frente de inúmeras lojas, apenas para observar as coisas. Comprei doces, porque a fome poderia me atacar em alguma hora e continuei seguindo sem rumo. Eu estava indo bem, minha vontade de chorar já estava indo embora e eu me sentia aliviada por isso. Eu teria que suporta, ou aprender a conviver com a dor. Infelizmente.

Caminhava sentindo a brisa em meu rosto, isso me fazia me sentir bem. Até me permitia sorrir. Atravessei na faixa de pedestre, andando normal de um jeito que desse para atravessar a rua antes do sinal abrir. Uma pequena dor surgiu em meu coração. E então eu o vi, dentro de seu amado carro, sorrindo e falando ao telefone. Eu não precisava saber ler lábios para perceber a pronuncia do nome “Lucy”.

E então, meu mundo desabou novamente.