Como dizer adeus em robô
19 Ano novo, mesmos erros
— Espero que você pare logo de ter pena de si porque você é melhor do que isso. Draco não tirou nada de você e você prefere se agarrar à essa imagem de você mesma que só está na sua cabeça. Você esqueceu quem você é? Estou aqui para te lembrar. Estou aqui para te dizer que vai passar, Hermione. Momentos ruins passam, momentos bons passam também… Mas você não pode se perder dessa forma e viver daqui pra frente com medo.
— Estou atrapalhando algo? — perguntei.
— Tomou quantas poções da coragem pra conseguir vir aqui, Granger? — ele questiona retórico sem olhar para trás.
— Ah, não fale desse jeito com uma grifinória… — provoquei, sarcástica. Mas ele não riu, como eu esperava que fosse.
Já passara da meia-noite, o horário ideal para tomar uma decisão errada. Draco não dormia há dias, eu fiquei sabendo, mas mesmo se não tivessem me contado ou se os fantasmas não falassem nos corredores, as olheiras e a expressão de cansado denunciavam ele. Tinha envelhecido 5 anos em 5 dias. Aparentemente, é o que as artes das trevas fazem.
Tomei coragem de procurá-lo e engolir meu orgulho me lembrando do que Pamela dissera, algumas semanas atrás, quando ele tinha terminado comigo.
— Hermione, se você vai continuar com o Draco até o final, vai ter que entender uma coisa – Pansy se encostou no balcão, me encarando: – Ele vai mudar, e não vai ser para melhor. E se você não quer perdê-lo, vai ter que ser paciente e dar uns tapas naquela cabeça quando for preciso, porque você vai atrás do Potter e ele com certeza vai voltar para a Mansão. Todos vamos. E nada vai ser como antes.
— O que vão fazer com vocês lá?
— O que fizeram a vida inteira – ela virou mais um copo antes de responder: – Lavagem cerebral.
Bem, eu tinha sido avisada.
E como um foragido ou como uma pessoa à beira da sua loucura, ele passava maior parte das noites encarando o Lago Negro.
Era noite de lua cheia, que sorte a minha. A lua iluminada fazia reflexo no lago, nos proporcionando um cenário de tirar o fôlego.
E para quê? Para eu nem ganhar um sorriso. Sentia falta de quando ele ao menos tentava me ter por perto.
— Eu vim te ver — falei, me aproximando.
— Se tudo que eu já te falei não foi o suficiente para se afastar, eu sugiro procurar um psiquiatra para estudar sua cabeça. Ou sua autoestima — ele respondeu, ainda sem me olhar.
Eu ia discutir. O que eu tinha para falar pra ele estava preparado há semanas na minha garganta. Estava louca para colocar pra fora e me livrar da dor, mas mudei de ideia.
Não era a hora.
— Draco, não fale assim comigo. Não depois de tudo.
Ele suspirara.
— Posso falar com você, posso ouvir você, te contar o que quer ouvir, mas eu preciso de trégua, Hermione. Eu estou exausto.
Eu me sentei ao seu lado. Draco ainda não me olhava e talvez nem fosse, mas aceitei que o máximo que conseguiria dele seria o que ele queria falar. E eu ia ouvir.
— Tudo bem, Malfoy. Temos uma trégua até o final do ano.
Draco balançou a cabeça, mas não discordou. Então, ele finalmente me olha e é quando eu sinto meu peito ser dilacerado.
Estava ali, o homem que partiu meu coração, arrasou a minha alma, destruiu minha vida e acabou com todas as minhas chances de felicidade.
— Veio por quê? Precisa de um abraço ou coisa assim?
— Está interessado? — brinquei de novo. Dessa vez, ele deu um sorriso fraco, triste.
— Você sabe que está precisando... é orgulhosa demais para pedir.
— Eu só vim para saber de você.
— Nada está dando certo e está sugando toda minha energia — ele começa contando — Era para dar certo e eu abdiquei de tanta coisa… E antes que você me pergunte, eu não posso te contar, sinto muito. Não perca seu tempo.
— Não estou perdendo meu tempo aqui, Draco — desabafei, abaixando a guarda — Acho que você precisa disso, mais do que eu.
Ele ri, debochado.
— Preciso de nós? Preciso estar em alerta o tempo todo? Preciso estar sempre preocupado, sempre negociando a sua vida? Para que ninguém te machuque, para que você fique segura? É disso que preciso agora? — ele fala, me trazendo coisas que eu não sabia, finalmente abrindo o jogo pra mim.
Eu respiro fundo. Pelo menos, estávamos sendo sinceros um com o outro aquele dia.
— Você sabe que não é minha culpa — respondo.
— Você sabia quem eu era — ele rebate.
— Sim, você também sabia quem eu era. Se você errou também, por que que eu sou a única que se sente culpada? — me defendo.
Draco abre um sorriso melancólico e me olha, com os olhos tristes:
— Eu nunca falei que você foi um erro, Hermione. Você foi a única pessoa que eu confiei, uma pena não ter correspondido suas expectativas — ele adiciona.
Meu coração amolece, aos poucos vai se recuperando das pedradas que estava levando e de repente eu lembro por que tinha me apaixonado primeiro.
— Draco, você sabe que eu faria tudo por você — respondi baixo.
— Eu sei, e esse era o problema, Hermione — ele responde com um sorriso triste — Eu te amo, Hermione, e é porque eu te amo que eu tive que te deixar.
Eu queria poder falar o mesmo, mas não conseguia. Não conseguia abrir meu coração de novo para ele e saber que na vida e na guerra interna de um Malfoy, não tinha espaço para uma nascida-trouxa.
— Draco, eu estou cansada de joguinhos.
Ele suspirou: – Eu juro, eu quis que fosse mais fácil... eu tentei de tudo, Hermione. Vai muito além de mim… da gente... É muito grande. Eu largaria tudo, eu tentei, mas...
— Mas você não consegue… Nunca parece nosso fim. Parece que a gente não acaba, Draco. Você não quer ficar comigo, mas você não consegue ir e enquanto você estiver aqui, vai sempre doer — falei.
Ele mexeu no cabelo loiro. Pareceu exausto e nada que eu pudesse fazer ajudaria.
— Eu sei. Eu sinto muito.
— Mas estou preocupada com você e estou aqui para o que você precisar — falei, sincera. — Exceto magia negra…
Ele riu. Era bom ouvir a risada verdadeira dele, aquela versão menos sombria que comensais carregavam.
— Só quero que fique segura, Hermione.
— Eu não sei da onde surgiu isso, você sabe que eu já era muito requisitada antes de te conhecer, não sabe? — brinquei, tentando fazer o clima ficar menos tenso.
— É verdade, o seu pescoço já vale muito só por ser amiga de quem é, mas eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com você por minha causa… — Draco diz, sério — E o que eu estou fazendo para esses comensais… Eu conseguiria conviver com sua raiva, mas não conseguiria conviver com o fato de ter te machucado de alguma forma.
— Você não precisa fazer nada por mim, Draco — balancei a cabeça.
— Te deixar já foi muito difícil — ele respondeu me olhando.
Era no amor e na guerra? Tinha algum mundo paralelo em que éramos normais? Seríamos felizes se fôssemos trouxas? Tentava me apegar ao fato de que uma hora as coisas iriam ficar bem, mas não conseguia deixar de desejar ter conhecido Draco de outro jeito ao invés de ter tido o azar de me apaixonar no meio de uma guerra bruxa.
Ele está ali, ao meu lado, e eu não posso fazer nada para que as coisas fiquem bem. Eu nem conseguia falar que ficaria e passava a maior parte do tempo pensando “por que eu, Merlin?”
Draco, vamos voltar a sermos como éramos antes. Põe fé em mim.
Era o que eu queria dizer, mas ele já tinha feito sua escolha, que me envolvia ficar o mais longe possível dele.
— Bom, nós temos uma trégua, de qualquer forma — eu falo, me levantando.
— Temos uma trégua — ele concorda.
— Espero que você fique bem, Malfoy — falei pelo ombro.
— Eu também, Granger — ele respondeu, mas eu já estava longe.
[...]
Era quase meia noite da noite de Ano Novo, não nevava como no Natal e todos que eu conhecia subiram para a Torre de Astronomia para a tradicional queima de fogos de Hogwarts logo após o jantar no Salão Principal.
Costumava ser um grande evento em Hogwarts, com aqueles que não tinham ido visitar suas famílias no feriado, também era o único dia que a rivalidade das casas não importava e todos se reuniam no ponto mais alto do castelo para o show de luzes.
Aquele, diferente dos outros anos, não fez ninguém se resguardar muito. Na verdade, ninguém parecia muito preocupado com o dia de amanhã e até mesmo McGonagall fingia que não via nenhum aluno bebendo e Severo Snape também nos olhava menos feio.
Os olhares com Draco Malfoy começaram no Salão Principal. Tínhamos uma trégua e a conciliação com a serpente estava me convidado a cometer só mais um erro naquele ano. Ou, melhor dizendo, o primeiro erro do ano.
— Eu estou vendo essa troca de olhares e daqui não parece que vai acabar bem — Gina dissera para mim, baixinho.
Abaixei a cabeça, um pouco envergonhada.
— É Ano Novo, essa época do ano mexe com a gente — respondi, me defendendo. Gina riu.
— Sim, eu te entendo — ela dissera olhando para Harry sentado conversando com Rony e Simas.
Balancei a cabeça.
— Então já sabemos como sua noite vai terminar — falei.
— Dizem que no amor e na guerra vale tudo — Gina responde, com um sorriso de lado.
— Só não vamos fazer nada que vamos nos arrepender amanhã, ok? — ressalto e ela me olha sarcástica.
— Fale por você — Gina ri.
She had a face straight out a magazine
(Ela tinha um rosto de uma revista)
God only knows, but you'll never leave her
(Só Deus sabe, mas você nunca vai deixá-lá)
Her balaclava is starting to chafe
(Sua balaclava está começando a se desgastar)
When she gets his gun he's begging
(Quando ela pega a arma dele, ele está implorando)
Baby, stay, stay, stay, stay, stay
(Amor, fique, fique, fique, fique, fique)
A cobra veio até mim quando todos deixaram o Salão Principal, faltando alguns minutos para a meia noite. Éramos só nós dois quando ele veio em passos firmes até a mesa da Grifinória, com dois cálices de vinho na mão e um sorriso canalha no rosto.
— Foi para isso que pediu trégua? — eu falei com a sobrancelhas arqueadas, provocando-o.
Ele se senta ao meu lado, estava pronto para dar o bote.
— Não, mas você é a única pessoa que eu quero estar agora — ele respondeu, me passando o cálice de vinho tinto.
O vinho desce como se me abraçasse. Draco me olha, divertido, e eu me aproximo do seu rosto, lentamente. As memórias vêm como uma leve brisa e é como se nunca tivéssemos nos separado quando nossos lábios se tocam úmidos e com gosto delicioso de vinho.
— Eu conheço um lugar — sussurrei nostálgica entre nossos lábios.
Draco ri e me puxa pela mão, deixando as taças para trás.
E lá estava eu aos beijos com Draco Malfoy pelos corredores de Hogwarts, cometendo os mesmos erros do ano passado, jurando para mim mesma que aquele dia podia, só teríamos aquele dia e mais nenhum.
Draco e eu, nada novo sob o Sol. No final das contas, a gente gostava de se autodestruir.
I'll give you one more time
(Vou te dar mais uma chance)
We'll give you one more fight
(Nós vamos ter mais uma briga)
Said one more lie
(Disse mais uma mentira)
Will I know you
(Eu vou conhecer você?)
— Então, Sra-
— Granger, por favor – eu digo baixinho. Rony, ao meu lado, revira os olhos.
— Sra. Malfoy — o auror fala, ignorando-me.
— É Granger ainda – insisto, ríspida.
O auror suspira: – Do que se lembra da última noite com Draco Malfoy, Srta. Granger?
— Eu não lembro, está bem? Isso faz muito tempo – eu cruzo os braços.
— Srta. Granger, precisamos saber como foram os últimos dias de Draco Malfoy em Hogwarts. Para isso, precisamos saber de você. Precisamos saber quando estiveram juntos, o que fizeram, o que falaram… — o auror insiste.
— Eu não lembro o que comi ontem à noite, como o senhor quer que eu me lembre do que aconteceu em Hogwarts décadas atrás?
— Vamos lá, Hermione – Rony diz. Eu me viro para ele, semicerrando os olhos.
— Deixa eu pensar... Era noite Ano Novo quando eu vi ele pela última vez. Nós não estávamos mais juntos. Draco terminou comigo no Natal.
— Por quê?
— Você está me fazendo viver memórias horríveis do meu passado — eu digo, dramática.
— Hermione... — Ron chama minha atenção de novo.
— Eu não sei, ele apenas terminou comigo. Eu não estava pronta para me relacionar com um Malfoy – admito.
— E desde então não tiveram nenhum tipo de contato? Quando foi a última vez que vocês se encontraram, antes do ataque? — o auror pergunta.
— Uma pergunta de cada vez.
— Sra. Mal... Granger... Srta. Granger... – ele se corrige rapidamente. Eu dou um sorriso amarelo – Não quer seu marido solto?
— Eu quero Draco apodrecendo em Azkaban.
Rony coloca a mão na minha frente, mas falando para o auror:
— Objeção.
Eu bato na mesa:
— Você está me provocando? Eu deveria ir embora! Ronald, vamos embora! – o auror mexe no cabelo, e percebo que ele está nervoso. Ele abre a boca para falar, mas o corto rapidamente – ALÉM do mais, até onde eu sei... um cônjuge não é obrigado a testemunhar contra o outro... Ronald, eu estou errada?
— Não está errada – ele assente.
— Não... – o auror responde, baixo, e então abre um sorriso quase dócil: – Srta. Granger, poderia colaborar? Não é segredo que a senhorita e o senhor Malfoy se casaram porque...
— Porque a gente se ama – eu reviro os olhos – E não funcionamos bem um sem o outro... como um organismo. Pansy disse isso uma vez... e eu, nos nossos votos de casamento.
— Eu estudei em Hogwarts também... Vocês se odiavam.
— Isso é passado – eu abro um sorriso inocente. Rony está quase tendo um ataque de risos ao meu lado.
— Nós precisamos do seu testemunho – o auror enfim diz.
— Foi no Ano Novo. A última vez que falei com Draco foi no Ano Novo.
— E como foi essa noite de Ano Novo?
— Eu não me lembro muito bem daquela noite – dou de ombros, sarcástica.
Now if you never shoot, you'll never know
(Agora, se você nunca atirar, você nunca saberá)
And if you never eat, you'll never grow
(E se você nunca comer, você nunca vai crescer)
She've got a pretty kind of dirty face
(Você tem um tipo bonito de rosto sujo)
And when she's leaving your home
(E quando você está deixando sua casa)
She's begging you stay, stay, stay, stay, stay
(Ela está implorando para que você fique, fique, fique, fique, fique)
A porta da Sala da Presidência se fechou atrás de mim e as mãos de Draco foram parar na minha saia e as minhas na sua blusa de botões, porque era o que fazíamos, tirando tudo e deixando em qualquer lugar até cair em uma cama, como uma coreografia muito bem ensaiada.
Olhei para ele, para o menino que eu amava, talvez tentando pensar em motivo melhor para não fazer aquilo, mas não conseguia tirar a boca da boca dele, o corpo dele do meu, porque estava morrendo de saudades.
Ignoramos tudo que acontecia lá fora, as doze badaladas do relógio, os fogos de artifícios queimando no céu do Mundo Mágico, o caos da guerra e o que tinha nos separado. Por uma noite, éramos normais e as batalhas não existiam. Era só eu e ele.
I'll give you one more time
(Vou te dar mais uma chance)
We'll give you one more fight
(Nós vamos ter mais uma briga)
Just said one more line
(Apenas disse mais uma frase)
There’ll be a riot, 'cause I know you
(Vai ter uma revolta, porque eu conheço você)
Draco apoia os braços na cama, me olhando de corpo inteiro. Ele morde os lábios e me dá um sorriso canalha, prendendo minhas pernas na sua cintura. Ele me beija, gentil, suave, sem pressa nenhuma, passando seus dedos por todo meu corpo, que já não sabia se conseguiria ficar mais um minuto sem ele.
— Essa é nossa despedida? — eu pergunto enquanto ele traça uma trilha de beijos pelos meus seios.
— Não sei o que vou fazer sem você — ele responde entre beijos.
Prendo minhas pernas nos seus ombros e ele me olha, maroto.
— Não sabe dizer adeus? — provoco. Draco ri, beijando minhas coxas.
— Não precisa ser um adeus.
Well, now that you've got your gun
(Bem, agora que você tem a sua arma)
It's much harder now the police have come
(É muito mais difícil agora que a polícia chegou)
And I'll shoot him if it's what you ask
(E eu vou atirar nele se é o que você quer)
But if you just take off your mask
(Mas se você apenas tirar sua máscara )
You'd find out that everything's gone wrong
(Você descobriria que tudo deu errado)
Mais um pouco, e eu ia explodir. Trago os lábios dele de volta pra mim.
— Pode ser um até logo — ele diz ficando entre minhas pernas abertas.
— Quem disse que eu quero saber de você tão cedo? — eu digo, debochada.
Ele ri: — Estou vendo como está sendo difícil para você estar no mesmo ambiente que eu.
— Está sendo torturante — eu digo rolando na cama e ficando em cima dele.
— Deve ter um jeito, mas só consigo pensar na sua boca agora.
Now everybody's dead
(Agora todo mundo está morto)
And they're driving past my old school
(E eles estão dirigindo perto da minha antiga escola)
And he's got his gun, he's got his suit on
(E ele tem a arma dele, ele veste o terno dele)
She says: Baby, you look so cool
(Ela diz: Amor, você parece tão legal)
Draco e eu caímos na cama, exaustos. Ele passa a mão no meu cabelo, olhando pela janela do quarto. Estar com Draco era o antídoto perfeito para a realidade. Deitada em seu peito nu, com os braços dele ao meu redor, parecia o lugar certo de estar.
Quando volto para a realidade, me viro para pegar minha roupa e ele me puxa de volta para cama, me dando um longo beijo.
— Nós não precisamos falar sobre isso — eu digo, olhando para ele.
Talvez aquele fosse o problema; quando estávamos juntos, esquecíamos da realidade e de quem éramos.
— E quem está falando? — Draco responde, com um sorriso melancólico.
Não conseguia explicar como era estar vibrando de felicidade quando estava com ele e ao mesmo tempo estar afundada na desolação da nossa história.
You look so cool, you look so cool, cool, cool, cool
(Você parece tão legal, parece tão legal, legal, legal, legal)
You look so cool, you look so cool
(Você parece tão legal, parece tão legal)
You look so cool, so cool, so cool, so cool, cool
(Você parece tão legal, legal, legal, legal, legal)
Draco me deixou na porta da Sala Comunal da Grifinória, enquanto eu brigava com meu desejo interno de falar “fica aqui”.
— Boa noite, Granger.
— Boa noite, Malfoy — respondi.
Draco sorri para mim e se aproxima lentamente, beijando minha testa antes de ir embora, em passos firmes de um Comensal da Morte e o andar de um homem que caminhava com as trevas.
Fiquei parada por um tempo antes de entrar no Salão, tentando me recuperar do caos que era estar com Draco Malfoy.
[…]
— Srta. Granger, isso não é o bastante.
— Foi o que aconteceu – dou de ombros.
— Então quer dizer que naquela noite, com todo mundo comemorando o Ano Novo, o Sr. Malfoy só acompanhou a Srta até seu Salão Comunal? – ele pergunta, de sobrancelha arqueada – E foi embora?
— Sim – respondo.
— A Srta. sabe que perjúrio é crime, não sabe?
— Eu não prometi nada.
— Hermione... – Ronald interrompe. Eu suspiro.
— Essa é a verdade.
O auror, enfim, abaixa a guarda: – Eu não consigo acreditar.
Eu apoio os braços na mesa, sorrindo.
— Senhor – começo –, não percebeu ainda? Eu não vou falar nada.
— Não teve contato com Draco Malfoy pelo resto do ano, Hermione? – ele volta perguntar. – Não sabia de nada?
— Eu não sabia! Acha que eu soubesse, aquela tragédia teria acontecido?
— Mentira! – ele levanta.
— Objeção – Rony levanta também. O auror volta a se sentar. Gosto do medo que Ronald anda exalando.
— Senhor, muitas pessoas fizeram de tudo para que eu não descobrisse sobre Draco Malfoy porque eu era a única pessoa capaz de impedi-lo — falei, calmamente.
Ele ri, debochado: — Acredita mesmo quando diz que era a única pessoa capaz disso?
— Bem, nunca saberemos, não é? Vocês estão tentando culpar o Malfoy por um crime que foi cometido por mais de uma pessoa.
— Acabamos por aqui – ele diz.
— Agora você vai me ouvir!
— Agradeço a análise, Sra Malfoy, mas é importante que a sra só fale quando for solicitada.
— É Granger, e eu falo quando eu quiser.
— Mione… — Rony me reprime, me fazendo bufar.
— Estamos trabalhando pesado nas investigações, até porque seu marido não é o único que está em Azkaban por causa de crime de guerra — o autor se justifica, fazendo Rony e eu revirarmos os olhos.
— E por que estou sendo investigada também? Ou vai me dizer que isso não é uma investigação? Acha que fui cúmplice? — questiono.
— Srta., é de conhecimento público e em todos os cantos do Mundo Bruxo que ele teve benefícios se relacionando com a Srta enquanto ainda estavam em Hogwarts — ele responde, me olhando nos olhos, quase cuspindo as palavras.
— Benefícios? Draco e eu vivemos um inferno — eu respondo, cruzando os braços.
— Draco Malfoy precisa ser julgado pelos crimes que cometeu de maneira justa, Srta. — ele insiste.
— Malfoy já está em Azkaban, isso é perca de tempo — Rony diz por fim.
— O testemunho da Srta. Granger é importante para seguirmos com as investigações — o auror volta dizer, me fitando.
— Eu não sabia de nada, senhor — respondo mais uma vez, sincera.
— Terminamos por aqui, Srta. Granger — ele apenas responde.
— Obrigada.
Ele estica a mão para mim: – Entre em contato caso se lembre de alguma coisa.
— Oh, sim, eu vou.
[…]
— A segurança da Grifinória continua uma piada — escuto atrás de mim quando fecho a porta do dormitório.
Apesar de precisar olhar duas vezes achando que estava alucinando, vejo Draco deitado muito confortável na minha cama. Eu jogo uma almofada nele, que pega no ar e coloca na nuca, se apoiando para me ver. Nunca, nunca vamos conseguir nos despedir.
— Você não deveria estar aqui — eu digo.
Draco sorri, canalha: — Não devia ter deixado você ir aquele dia. Não devia ter deixado você ir hoje.
— Mas você deixou e não vamos adiante com isso, Draco — balanço a cabeça.
— O ano acabou e nossa trégua também? — ele brinca.
— Sim, foi a sua sugestão. Trégua até o final do ano — recordei.
Draco senta-se na cama. O ar tenebroso de um homem da magia negra tinha desaparecido e ele relaxa os ombros para falar:
— O que eu preciso fazer por você, Hermione Granger?
Solto um suspiro e me sento ao lado de Draco na cama, olhando naqueles olhos cinzas.
— Você já teve muitas chances comigo, Draco Malfoy. Com quantos comensais vai ter que negociar pelo resto da sua vida para me manter sã e salva? — eu perguntei sarcástica, me lembrando do que ele tinha falado no Lago Negro.
— Sabe que faria qualquer coisa por você — ele diz me olhando nos olhos.
— Tive minhas dúvidas depois que terminou comigo — rebati. — Não é por que te dei uma chance hoje que vou te dar uma chance para o resto da vida.
— Eu não terminei com você porque deixei de te amar, Hermione — ele responde, firme.
Não estou convencida. Draco mudava de ideia pelo menos umas três vezes por semana e aquilo me doía, toda aquela montanha russa que nos meteu.
Eu balanço a cabeça, tentando não me deixar levar.
— Não, você terminou comigo porque a gente não valia pena — respondo.
— Terminamos porque era mais seguro — ele se defende — Eu não sou o Potter, eu não sou o Wesley, eu não tenho escolha, eu não posso largar tudo e correr para a Ordem da Fênix, Hermione. O problema foi que você achou que eu faria isso.
— O problema foi que você não quis ser sincero comigo — discuti.
— Faz diferença agora? Eu fiz o que fiz para te manter segura.
— Me machuou da mesma forma — respondo deixando os ombros cair.
Draco suspira e passa mão pela minha cintura, gentil.
— Me desculpe, Hermione — ele diz, com a gesta franzida.
Eu reviro os olhos e me levanto da cama, encarando-o, lembrando que tinha que ser corajosa para falar:
— Você já quebrou meu coração muitas vezes e eu não sei se consigo me recuperar dessa vez, Malfoy. Se for sair da minha vida, saia logo de uma vez. Se for para ficar, mesmo com tudo que está acontecendo, fique porque eu estou aqui e quando tudo terminar, ainda vou estar aqui. Eu sei que faria qualquer coisa por mim e isso inclui me deixar, mas as coisas não precisam ser dessa forma. Você não pode simplismente falar que está aqui e depois decidir me deixar.
Amar um Malfoy exigia coragem.
Ele não respondeu. Ficou me olhando e eu não sabia mais o que falar. Corria o risco de me trancar no meu dormitório o resto do ano.
Draco se levanta da cama e fica parado na minha frente e eu estava preparada para outro discurso dele, mas, para minha surpresa, ele diz:
— É assim que você quer que seja? Sabe o risco que está correndo?
— Draco, eu corro risco desde a primeira vez que coloquei os pés nesse castelo — dou risada.
— Mas não precisa ser assim — ele balança a cabeça.
— E você espera o quê?
Draco sorri: — Foge comigo.
Eu dou risada, achando que ele estava brincando, mas Draco me olha sério e balança a cabeça.
Eu me recomponho:
— Draco, eu não vou, nunca, deixar o Mundo Mágico.
Draco revira os olhos.
— Quer que eu faço o quê, Hermione? Entro para a Ordem?
— Você nunca pensou como seria se fôssemos do mesmo lado? — questiono.
— Eu nunca quis estar envolvido nisso, Hermione, essa é a questão.
— Mas você não pode deixar tudo para trás, Draco!
— Eu não sei o que eu faço — ele diz, abrindo os braços — Existem planos para mim desde quando eu nasci, Hermione, e você acha que se eu ficar aqui, fazer tudo que eu tenho que fazer, vou sair como inocente? Você acha que quando tudo acabar, eu vou conseguir te encontrar? Eu provavelmente vou estar sendo levado direto para Azkaban – ele me disse, como um desabafo e não como uma previsão. Ou um aviso.
Eu suspiro e me sento na cama.
— Qual a novidade, Draco? Você é um Malfoy, já sabíamos que seria assim desde o começo. Eu já sabia que seria desse jeito e ainda assim arrisquei com você. E pra quê? Pra você decidir tudo sozinho sem nem me perguntar! Sem nem me dar a oportunidade de escolher estar aqui ou não.
— Parece que você não tem noção de onde está se enfiando — Draco diz.
— Isso não é sobre mim, é sobre você! — eu respondo — Eu sei onde estou me metendo.
— Para uma garota tão inteligente, você é muito burra — ele responde, debochado.
Tento ignorar. Não era o momento certo para despertar o comensal que habitava o íntimo de Draco Malfoy, que dava as caras às vezes. Eu fico de frente para ele e passo a mão pelo seu cabelo loiro, olhando-o nos olhos. Ele apoia a cabeça no meu ombro, exposto, vulnerável.
Eu ainda conseguia fazer Draco ser Draco. E pensar que em pouco tempo eu iria deixar de ter esse privilégio me doía um pouco.
— Eu não vou te deixar, Draco, eu não tenho nem coragem — falei.
Draco balança a cabeça, voltando ao seu normal.
— E se eu tiver que matar alguém? — ele pergunta, sincero.
— E se eu tiver que matar alguém? — devolvo com uma sobrancelha arqueada.
— Consegue imaginar esse cenário? — ele revira os olhos, debochado.
— Você está com medo, admita.
— Eu não estou com medo.
— Você está! Você não sabe o que fazer porque você está acostumado com as pessoas desistindo de você, mas eu estou aqui, Draco. Eu sempre vou estar.
— Não posso fazer isso com você. Não vai ser tão fácil assim.
— Quando é que foi?
Ele bufou e coçou a cabeça. Me aproximo dele e passo os braços pelo seu pescoço. Draco me olha, não está nada confiante, e, pelo contrário, parece que vai desmoronar a qualquer momento, como se estivesse a beira dos nervos.
Mas era Draco que estava ali, um menino que cresceu em Hogwarts, e aquele menino nunca daria as costas para as pessoas que amava. Nem mesmo pela mulher que amava.
Malfoy suspira. Meu coração começa acelerar com a ideia de ter Draco de volta e não o homem que se rendeu para as trevas.
Ele aproxima seu rosto do meu, fazendo nossos narizes se tocarem, roçando seus lábios nos meus.
— Eu não posso ficar com você, Hermione, mas eu vou atrás de você quando essa guerra terminar. É o que eu posso fazer.
Eu abro um sorriso. O meu coração era capaz de bater de novo.
— Estarei te esperando — eu digo sorrindo.
Draco sorri, triste, e diz me olhando nos olhos:
— Quando a guerra acabar, Hermione – ele frisa — Porque até lá não posso estar com você. Não do jeito que você quer.
— Te quero de qualquer jeito, Draco.
— Não vamos abusar da sorte, ok? — ele beija minha mão.
— Você quer passar o resto da noite aqui? — pergunto, maliciosa.
Draco ri, me gira e me prende firmemente pela cintura enquanto com a outra mão tirava os cachos do meu pescoço, tocando seus lábios no meu pescoço, me fazendo lembrar a quem meu coração pertencia.
Ano novo, mesmos erros.
[...]
— Feliz Ano Novo, queridos alunos!
Sutcliffe tinha convocado todos nós. Ou ao menos o que sobrara em Hogwarts: algumas pessoas da Corvinal, outras da Lufa-Lufa. E eu, única Grifinória, no meio de tantas serpentes.
Estávamos todos de volta a cena do maior crime cometido em Hogwarts: a sala de teatro. Onde, por ironia da vida, eu tinha traçado meu destino.
— Eu acho que ainda estou de ressaca do Ano Novo — Zabini resmunga vendo Sutcliffe entrar na sala de teatro.
— Eu acho que preciso de um ano inteiro para me recuperar do Ano Novo — Alec dissera da sua poltrona.
— Eu acho que esse ano já acabou comigo — Pansy fala ao meu lado.
— Eu acho que esse ano já pode acabar — Malfoy completa, sentado longe o bastante para que eu pudesse vê-lo.
— Quanto pessimismo! — Sutcliffe protesta atravessando o corretor e indo direto para o palco.
— Sutcliffe, estamos no meio de uma guerra — eu lembro.
— Sim, claro, espero que estejam prontos para os piores anos das suas vidas — ele diz, puxando uma cadeira e sentando-se, nos fitando com um olhar melancólico mas tentando manter o bom humor.
— E nos chamou aqui para quê? — perguntei, visivelmente entediada.
— Porque o show tem que continuar! Peguem tudo que temos, vamos transformar em um espetáculo — Sutcliffe anunciou, jogando a cadeira longe, o que causou um eco no teatro porque ninguém falou ou teve qualquer tipo de reação.
Ficamos apáticos. A guerra fez isso.
Ou talvez a ressaca da virada do ano.
Era difícil dizer.
Troquei um olhar com Pansy, única de nós que não tinha ingerido uma gota de álcool, e ela apenas suspirou. Ninguém estava feliz, mas não era como se tivéssemos a mínima vontade de discutir.
— É mesmo a melhor hora pra isso? — Pansy diz primeiro.
— É a hora perfeita! — ele insiste.
— Temos escolha? — Zabini pergunta, com a cara amarrada.
— Claro que não, estamos em guerra — Sutcliffe responde, debochado. Não falamos nada e ele suspira, sentando-se no palco para ficar mais perto de nós — Sei que não é o momento mais apropriado e eu também gostaria que pudéssemos fazer isso em circunstâncias melhores, mas esse pode ser a última vez que vocês fazem algo juntos. Não vamos pensar no ano horrível que vamos ter, mas sim nos momentos que tivemos juntos para montar essa peça e tudo que esses momentos nos proporcionaram. Amizades começaram, amores começaram… Laços que vocês vão levar para sempre, tenho certeza. E é para isso que vamos olhar, para as coisas boas que aconteceram até aqui. Vocês podem negar se quiserem, eu não vou obrigar ninguém… Mas gostaria que estivessem todos juntos. Quando vamos ter essa oportunidade de novo?
Nós nos olhamos. Intrigados, melancólicos, tristes. Todos os sentimentos que talvez estávamos fingindo que não estávamos sentido vieram de uma vez e foi quase impossível dizer não para Sutcliffe.
— E então? Faremos ou não um ESPETÁCULO? — ele diz, ficando de pé. Todos nós assentimos, em silêncio. Sutcliffe revirou os olhos — Tudo bem, vamos melhorar essa animação. Vamos, todos no palco!
Olhei para Pansy, que deu uma risada sarcástica. Levantamos juntas e ela passou a mão pelo meu ombro, indo em direção ao palco.
— Ainda bem que não estou passando por isso sozinha — ela diz.
— Podia ser pior — respondo.
— Não consigo imaginar como.
— Qual é mesmo a peça que estamos fazendo? — pergunto e todos me olham sérios, como se eu tivesse acabado de falar alguma ofensa.
— Cidade dos Anjos! O maior romance do Mundo Mágico — Sutcliffe responde, dramático.
— Claro, Arabella e Étienne são de mundos diferentes, se apaixonam, não podem ficar juntos… — Pansy começa.
— Fazem de tudo para ficar juntos… — Zabini adiciona.
— Arabella renega tudo, foge e no final morre nos braços do seu amor, Étienne — Alec diz, dramaticamente.
— É uma obra de arte que nos deixa uma lição muito importante… — Sutcliffe tenta falar.
— Que o amor às vezes pode nos matar — Pansy responde, sarcástica.
— Que somos seres complexos! Que sem o amor nada seríamos… — ele tenta novamente.
— É um final trágico, Sutcliffe — Malfoy discute.
— Viver é trágico, Malfoy. Agora vamos todos ao trabalho…
Eu dou risada, mas não pude deixar de sentir um embrulho no estômago.
Histórias trágicas têm finais trágicos.
[...]
As semanas seguintes às promessas de Draco Malfoy me fizeram lembrar que nada seria tão simples quanto eu achei que fosse.
Harry estava partindo e nós três jurávamos que aquela era uma boa ideia. Eu queria ter dito para Harry que iríamos junto, que o plano dele era ridículo, que ele estava assinando sua sentença de morte e que algo muito ruim ainda iria acontecer.
Harry estava partindo e as chances de voltar eram nulas, mas confiávamos em Dumbledore cegamente e talvez aquilo fosse o motivo maior para não interferir.
Harry estava partindo, mas eu ainda me apoiava na esperança de que tudo ficaria bem no final.
Harry estava partido e eu só me despedi.
Tínhamos um plano para caso as coisas saíssem errado e repassamos os detalhes naquela noite, no dormitório do sexto ano.
— Tem uma Rede de Flu no escritório da Professora McGonagall e uma no escritório do Snape. Vamos fazer o possível para irmos separados — eu falo olhando para Ron.
— Fique a vontade para ir pelo escritório do Seboso. Eu não chego perto de nada que é da Sonserina — Ron respondeu, revirando os olhos. Pensei em lembrá-lo de algumas semanas atrás, no Natal, mas decidi que não tocaria na ferida e fiquei quieta.
— Tudo bem, eu não me importo — respondo.
— Sabemos que não — Ron responde, na vã tentativa de deixar o clima menos tenso. Eu reviro os olhos.
— Vamos nos lembrar de que isso é somente para um caso de emergência — Harry diz, ignorando Rony.
— As emergências estão acontecendo com certa frequência, para ser sincera — eu resmungo, interrompendo Harry.
Não estávamos felizes, Rony e eu. Percebi que nós dois estávamos fazendo o máximo para prolongar os poucos momentos que tínhamos com Harry, antes dele embarcar em alguma missão suicida com Dumbledore naquela noite.
O que poderia acontecer em Hogwarts naquela noite, sem Dumbledore? Era o que eu e Rony ficávamos nos perguntando enquanto traçávamos planos de fuga.
— Pode acontecer qualquer coisa. Ataque de Comensais, invasão do Ministério… E no meio de tudo isso, estamos nós, sem nenhum lugar para ir.
— Algum palpite? – Harry perguntou olhando pra mim.
— Quanto tempo acha que vamos ficar? – arrisquei perguntar mesmo sabendo que não teria resposta – Nossas coisas ainda vão ficar aqui…
— Temos o Largo Grimmauld. A Ordem não usa ele desde… Sirius – Rony murmura, deprimido pela lembrança.
— Mas a casa pertence ao Harry – respondi – Dumbledore disse.
— Lestrange pode ter a mesma ideia – Harry lembrou.
— Vamos para a casa dos Dusley – falei logo de uma vez.
— Sim, ótimas pessoas... vão adorar! Estão mesmo com saudades dos Weasley — Harry responde, sarcástico.
— Eles estão viajando – falei, cortando Ron. Harry e ele me olharam sem entender – Eu consegui tirar eles de casa. Por favor, estou sempre muito adiantada.
— Hermione, você é incrível – Harry disse.
— Eu sei – respondi – Mas é um risco. A casa dos meus pais é a última opção, se for necessário.
— Não! Rua dos Alfeneiros, nº 4 – Rony exclamou mexendo na mochila que arrumei para ele — Nada que envolva nossos pais, por favor. Teríamos que explicar por que fugimos antes do encerramento e minha mãe vai surtar! Vou ficar de castigo até completar trinta anos!
— Certo, a casa dos Dursley… – Harry repetiu – E se não der certo, a casa dos Black. Nos encontramos lá.
—Você não vai mesmo com a gente, Harry? – perguntei.
— Não – ele balançou a cabeça – Quer dizer, não tenho certeza. E não quero que vocês me esperem para ir.
— E nós vamos ter que ficar a noite inteira sem ter notícias suas? – fiz careta. Não era uma observação muito relevante naquela hora, e me arrependi das palavras assim que elas saíram. Rony abriu a boca para falar, mas de lá nada saiu.
Eu estava pronta para dar um sermão em Harry, mas ele diz, calmo:
— Vamos ficar bem. Sempre ficamos bem.
Olhei Harry. Ele me deu um leve sorriso antes de me abraçar. Afoguei meu rosto em seu ombro e, quando Rony me abraçou por trás, senti as lágrimas rolarem.
Não tinha coragem de soltá-lo e deixá-lo ir.
— Eu quero ir com você… – mas eu não podia ir, merda, eu não podia.
— Eu sei. Cuide deles, ok? Harry respondeu acariciando meus cabelos. E, para Rony, disse: — E você cuida dela.
— Harry… — eu tento.
Harry bufa, sarcástico:
— Já passamos por situações muito piores — ele disse, batendo na mão de Rony no ar.
— Cuidado, tá bom? Gina nunca vai me perdoar se você não voltar inteiro.
Harry riu e abraçou Ron, murmurando alguma coisa que eu não consegui ouvir.
Eu sabia de muitas coisas até aquela noite. Por exemplo, eu sabia que algumas coisas seriam pela última vez, mas não sabia que aquela seria a última vez que eu veria meu melhor amigo em Hogwarts.
Observei Harry sair do dormitório do sexto ano, indo de cara com o perigo, sem me dar conta de que não o veria tão cedo.
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