Como dizer Adeus?
1 Capitulo Único
Quando saí de casa essa manhã sabia que nunca mais voltaria. Ao abraçar minha irmã enquanto me despedia para ir ao colégio, me toquei que seria a última vez em que veria aquele rostinho risonho de boneca. Ela não entendia minhas lágrimas, o motivo do abraço ser mais longo. Achava estranho eu ter lhe dado a última fatia da torta de maça no café da manhã. Eu preferia assim, então não precisaria me explicar.
Depois da aula corri para a pista de skate. Já tinha se tornado rotina. Os rapazes se exibiam com suas manobras e em troca ganhavam a atenção das garotas. Todos se divertiam como se nada os preocupasse.
Era mentira, óbvio, mas ali não ligávamos.
Fiquei em um canto olhando aquela cena. Queria gravar todos esses momentos. Os últimos.
- Anna, por que está parada ai? Uma ruiva sente sua falta. — Pietro me chamou, apontando a cabeça até o alto da plataforma, onde estavam todos.
Então, subi. Tinha apenas um motivo para eu ficar lá em cima. Debruçada sobre seu livro, perdida em pensamentos e escondida sob os cabelos cacheados e vermelhos. Não notara minha presença até sentir o toque de minhas mãos nas suas. Sorriu quase de imediato, beijando minha bochecha.
Não precisou me olhar para ver que precisávamos conversar. Se levantou e puxou minha mão, descendo pelas escadas me levou para um lugar onde ficaríamos a sós.
- Farei hoje. Na velha fabrica. Por favor, entregue a carta para Lily. — Falei fitando o chão para evitar de olhá-la nos olhos. Odiava despedidas. — Eu te amo Jenna. Desculpe-me por ser fraca, por não conseguir ficar mais.
Então ela me beijou, com fervor e urgência, como se precisasse tirar cada gota de mim ali e agora. Como se não quisesse me deixar partir, apesar de ser inevitável. Logo, o desespero se tornou súplica e depois apenas tristeza. Calmo e terno, melancólico e cheio de amor. Era nosso adeus. Falhei na missão de protegê-la.
Não pude cumprir minha promessa de estar para sempre ao seu lado.
Cerca de meia hora depois cheguei na construção antiga e abandonada. Costumávamos fazer festas aqui. Essa seria minha ultima. Minha festa particular.
Peguei na minha mochila a garrafa e os comprimidos que havia guardado por tanto tempo. Em um gole virei todo seu conteúdo, engolindo junto os remédios que deveriam me dar vida.
Em uma folha de caderno escrevi para minha irmã. Pedi desculpas por não poder vê-la crescer. Por deixá-la sozinha com nossos pais, mas de fato eles a amavam. Muito mais do que a mim pelo menos.
Dobrei o papel e o coloquei na cadeira. Na frente escrito:
“Para sissi. S2."
Apenas. E do lado uma foto da ruiva. Da MINHA ruiva. Beijei sua imagem impressa uma última vez e então botei uma tulipa logo em cima. Um ultimo presente.
Com cuidado subi na cadeira e vesti o colar de corda feito no dia anterior e preso ao teto. Como ultimo ato, puxei a corda e vi tudo ficar preto.
Me perdoem por ser fraca. Não aguentei mais. Não suportava essa dor por mais tempo.
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