Como a número um
58 Capítulo 58
Notas iniciais
Pov Olivia
Acho que vou explodir. Acho não, eu vou. Não consigo nem me levantar do tapete de ioga. Minha coluna está travada e eu estou com muita fome. Quando consigo me levantar, vou para o vestiário.
Minhas roupas já foram trocadas. Meu guarda-roupa todo foi jogado fora e substituído por roupas maiores. Visto um vestido e me olho no espelho.
Meu bebê tem quase 9 meses. E nada, nada de escolher o nome:
“-Que tal Rupert? – Pergunto ao Chris quando chegamos em casa depois da consulta.
–Não, é feio.
–Ou Lincoln?
–Hum, o presidente? Não. –Diz rindo. –Fred?
–Oh, não. –Digo balançando as mãos.
–Ah, vamos esperar. O nome vai vir no momento certo. –Chris me beija delicadamente.”
Mas até agora? Nada. Estou ficando impaciente enquanto chamo meu bebê de coisa. Solto um suspiro. Estou afim de caminhar. Então quando saio do salão de ioga ignoro o taxi. Estou fazendo apenas coisas relaxantes ultimamente.
Chego ao teatro atrasada. Irônico. Eu estava assim também quando conheci Christopher. Sorrio entrando procurando por Karen. Stephanie está berrando feito uma doida no colo de minha amiga.
–Agora entendo por que você não queria ter filhos. –A moreno choraminga para mim.
–E olha para mim agora. Grávida.
Não acredito muito nisso. Suspiro. Chris deve estar na empresa ainda. Nem posso ir para a casa. Estava muito sozinha em casa sem Chris por perto e sem trabalho. Tudo melhorou quando Karen começou a morar aqui também. Nós saíamos sempre, principalmente para coisas de bebê. Pelo menos, Stephen podia ficar mais em casa, enquanto Chris não. A filha deles, Stephanie, me lembrava muito o pai, não só pelo nome.
–Ela não me deixa dormir. –Reclama Karen. –Além disso, não sei se vou caber no vestido da premiação.
–Você emagreceu muito desde o parto.
–Sério? Stephen não fala nada sobre eu estar gorda.
–Deve ser por que você não está. –Olho para os lados. Tudo vazio. -Tem comida?
–Na cozinha, geladeira.
Vou até lá e procuro algo bom. Bolo. Pode ser.
–Como vai Christopher?
–Ocupado. Acho que está tramando algo. –Digo com um monte de bolo na boca.
–Vi algumas imagens engraçadas na internet. –Diz lendo alguns roteiros.
–E?
–Eram montagens feitas por fãs, de como vai ser seu filho.
–Era bonito?
–Um pouco. Sabe, montagens são estranhas. –Ri. Karen está tão mais adulta atualmente que não é sempre que a vejo sorrir.
–Imagino. –Riu.
–E o nome?
–Sem nome. Lindo, né? –Resmungo.
Estou voltando para sala quando uma dor no ventre. A ideia atravessas minha mente antes mesmo que eu possa sentir o liquido escorrendo pela minha perna. Solto um suspiro. Lembro-me vagamente de quando a bolsa da minha mãe estourou na gravidez de meu irmão. Sabíamos que ele ia nascer naquele dia, por isso acordamos cedo, porém minha mãe parecia que nem ligava. Por isso que quando ela lavava a louça e a bolsa estourou, ela apenas disse “Estourou” e eu sai correndo para todo lado.
Hoje eu faria a mesma coisa, pois eu estava com preguiça de gritar.
–Karen.
–Sim.
–A bolsa estourou.
–O QUÊ? –Vejo Karen se levantando correndo. Ela começa a correr com sua filha para todo lado, antes de lembrar de ligar para o táxi.
Sento no sofá e espero ela dá um show. Incrivelmente quando termino o bolo um táxi está na porta e minha melhor amiga está me empurrando para dentro dele. Assim que entro lembro de algo importante e pego o celular.
–Homem. –Digo depois de discar o número.
–Ollie.
–A bolsa estourou. Traga enxoval.
–AI MEU DEUS! Meu filho vai nascer e... –Desligo antes que ele terminar. Mas sorrio. Imagino Christopher sapateando em cima da mesa e gritando que o seu filho vai nascer.
*******
Como sempre imaginei, terei que fazer cesariana. Mas a dor passa quando vejo Christopher entrar correndo com três rapazes atrás deles. Sorrio e seguro a mão do meu marido.
–Você está sentindo dor? –Seus olhos aflitos cravam em mim.
–Podia ser pior. Vai entrar comigo?
–Eu vou desmaiar.
–Eu sei, mas quero que você esteja lá para pegar nosso filho quando eu não estiver e...
–Ollie...
–Para eu dizer que te amo pela última vez.
–Olívia, não vai ter crise agora! Agora é para você ficar forte. –Christopher chacoalha meus ombros com pouca força. –Nada de pessimismo ou depressão.
–Só se você entrar comigo.
–Você sabe como negociar.
–Aprendi com o melhor. Só para você ter uma ideia, ele conseguiu fazer um acordo assassino com uma amiga minha.
–Tenho certeza que ela não se arrepende. –Chris sorri para mim e fico feliz em constatar que depois de todo esse tempo, meu coração ainda se acelera.
–Ela se apaixonou. Não sei como responder sua pergunta.
–Mas eu sei. –Ele me beija lentamente. Uma tossida atrapalha o momento.
–Senhores, a sala de parto está pronta. –Diz a Dra. Kate.
–Certo.
*****
Tudo não passa de um borrão. Lembro de sentir uma dor tão forte que parecia que todos meus ossos quebrando ao mesmo tempo. Lembro de sentir minha cabeça batendo contra algo invisível. Lembro do meu corpo tremendo. Lembro de gritos. Lembro da mão de Chris na minha. Lembro de ver em seus olhos o quê eu sempre quis. Amor. Espero que o mesmo tivesse nos meus.
Mas eu me lembro também de quando a luz tocou a escuridão. Lembro do choro que silenciou os outros sons. O sangue manchava minha visão quando eu ouvi o choro. Eu havia conseguido, afinal. Não morreria em vão. Tudo parecia longe e perto ao mesmo tempo.
O bebê no meu colo está manchado de sangue e está desfigurado. Mas ele é tão lindo, tão lindo. Estou chorando. Meu filho. Um aperto no meu coração diz que eu já o amo e não quero perde-lo. Pergunto-me se ele será loiro. Mas quando eu vejo seus olhos verdes percebo que não me importo. Sorrio quando vejo que ele parou de chorar e está me encarando com seus olhinhos brilhantes. Olho para o Christopher e choro mais ainda ao ver seu rosto fascinado. Ele me abraça e juntos observamos nosso filho. Então pontos pretos aparecem em minha visão. Dou meu filho ao pai e sorrio. Sei que Christopher vai cuidar dele. E quando encontro seu olhar estou dizendo que o amo.
É tarde demais quando meus braços caem e ouso ao longe Christopher me chamando com seus olhos em pânico. A escuridão me envolve. A morte também. Mas se for tudo isso mesmo, eu vou feliz. Sei que meu filho está bem e sei que Chris vai ficar. Eles estão juntos.
Viu, Christopher –Penso – Não estou sendo pessimista, meu amor.
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