Como a número um
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Praticamente engasgo o português.
–O que vocês fazem aqui? Sem avisar? –Digo nervosa.
–Eu vim pela comida. –Diz o menor. –E pelo os presentes.
–Você eu entendo. Eles não. –Encaro Christopher de relance, ele parece confuso. –Vocês não gostam de viajar.
–Como uma zumbi de sempre. –Diz minha mãe para o meu pai.
–Por que vieram?
–Queríamos fazer uma surpresa, querida.
–Uhum... Eu não gosto de surpresas.
Graças á Deus Chris não ouviu. Eu gosto de surpresas.
–Vocês me assustaram. –Respiro fundo. –Tudo bem. Abraço?
Meus pais e meu irmão correm para me abraçar. Eu sei que existe outro motivo para eles estarem aqui. Mas esqueço disso enquanto abraço-os. Quando vejo estou chorando. Eu estava com saudades e nem percebi.
Quando nos separamos viro-me para Christopher, que está sorrindo, provavelmente ele nem sabe por quê.
–Chris, estes são minha família.
Sorrio vendo Chris meio tímido. Meu irmão alto demais (ele é maior que eu, quase do tamanho do Chris) para um garoto de 14 se aproxima de Chris. Eron tem essa idade e mente de 6. Seu inglês é bom, mas ainda com o sotaque português bem puxado.
–Você é o cara que todas as meninas da minha sala querem? –Bem, ele melhorou o inglês. Rio da cara do Chris.
–Acho que sim.
–Você é o cara que namora minha irmã?
–Sim.
–Você é o cara que vai ser pai do meu sobrinho?
–Hum...
–Estou de olho em você. –Então ele cochicha na orelha dele. –Aceito presentes.
–Que bom que a minha mãe não fala...
–Você é mais lindo ao vivo. –Minha mãe fala num inglês perfeito.
–Mãe, desde quando você fala inglês?!
–Desde sempre, lerda. –Ela diz indiferente. –Seu pai também, só que nunca te contamos. E depois conversamos sobre “gravidez”.
–Pai, você numa me disse isso!
–Você não perguntou. –Ele se vira para o Christopher. –Seu nome rapaz.
–Christopher Shane. –Diz sério.
–Se você não fosse hum... o quê é mesmo, Alves?
–Cantor, senhor. –Digo em posição militar.
–Se você não fosse cantor, o quê seria?
Meu pai fez isso com todos os meus namorados. Sei as perguntas de cor. Christopher me encara com dúvida, mas apenas dou nos ombros.
–Piloto, senhor.
Meu pai se surpreende um pouco, mas eu estou de boca aberta. Ele deu... a resposta... certa.
–Por quê?
–Gosto de voar, senhor. E eu acho incrível o fato de algo gigante voar, e todos equipamentos.
Christopher tem pode de militar. Mãos atrás das costas, cabeça erguida. Gostoso... Penso e dou uma risadinha.
–Termine a frase: Precisamos de apoio mental e...
Christopher parece pensar um pouco. Ai, nunca ninguém acertou essa. Sempre a mesma: Física. Christopher sorri e me olha nos olhos.
–Espiritual.
Ouso meu pai engasgar, e eu quero rir. Minha mãe e meu pai estão apenas observando. Meu irmão parece rir também. Meu pai para na frente de Chris.
–Marcos Alves. –E dá a mão para ele.
Os dois apertam a mão, e quase morro quando meu pai se vira e diz em português: “Ele é dos bons”.
Christopher sorri para mim, daquele jeito sacana. Do tipo: Conquistei sua família também.
–Podemos almoçar na casa da minha mãe. –Diz.
Todos concordamos e digo tenho que trocar de roupa, e Chris também. Peço a Rossi que mostre os quartos á eles. Já me sinto dona da casa. Vou com Christopher para o quarto.
–Eles gostaram de você.
–Não sei de quem fiquei com mais medo.
–Você não viu nada.
Dou um beijo em seu ombro.
–Seu pai gostou de mim?
–Está preocupado?
–Um pouco.
–Não fique. Ele te amou. Você foi o único dos meus namorados que acertou.
Ele fica radiante, mas logo se escurece.
–E foram?
–Uns três. –Ele se endureceu.
–Você já fez sexo com mais quatros caras?!
–Não. –Reviro os olhos. Só um pouco ciumento. –O da minha primeira vez, Stephen e... Você.
Dou um sorriso e ele parece irritado, mas melhorou um pouco.
–Se você se sentir melhor. –Começo a beijar seu ombro e subo para seu pescoço. –Você foi o melhor. –Subo para sua orelha. –E mais grosso. –Sinto suas mãos em minha cintura, me puxando para ele. Vou até sua boca. –E grande.
Ele me beija e eu sei que sua raiva se foi. Parece cachorro, fica morrendo de ciúmes então damos o que eles querem e só faltas pular do penhasco por você. Eu amo isso.
Oooooo
Casamento? Sério? Da onde minha mãe e minha sogra tiraram isso? Bem que eu disse que Chris não viu nada. Eles, como Christopher, já tem até certeza da minha gravidez. Até já estavam escolhendo o nome.
–Podia ser a junção dos nomes. –Diz minha mãe.
–Iria ficar ruim... Mas que tal um nome de parentes?
–Não sei. –Diz Chris para sua mãe. –Se for menina poderia ser Bethany e se for homem... Bernardo.
–Não, Olivia odeia esse nome. –Minha mãe diz comendo mais um doce.
–Ethan? É Bethany sem o b e o y. –Diz Sarah.
–Gostei. –Diz minha mãe e Chris juntos.
–Parem com isso! Eu nem sei se estou grávida, e já estão decidindo o nome por mim. Se eu estiver esperando um bebê, eu vou ser a mãe. Não vocês! Eu devo escolher o nome.
Saio andando rapidamente para a varanda. Ouso minha mãe falando algo, mas não consigo entender. Respiro fundo e vejo o jardim. Meu pai está um pouco além da varanda. Saio e vou para perto dele.
–Pai?
–Filha.
–O que foi?
–Nada... Só me lembra do jardim de casa.
Meu pai é bem branco e moreno. Ele é um pouco baixo, mas ainda mais alto que eu. Ele perdeu os pais quando pequeno e teve que estudar muito para chegar aqui. Tenho orgulho dele. E não gosto dele recordando o passado.
–Pai...
–Eu sei. –Ele respira fundo. –Ele é um bom rapaz. Mas ainda estou meio bravo por engravidar minha filha tão cedo.
–Não estou grávida.
–Eu acredito em você.
–Deve ser o único.
–Não, não sou. –Ele fica um tempo em silêncio. –Sua mãe tem dúvidas, é tudo palhaçada aquilo lá dentro. Mas se parece com sua mãe.
–Sim. –Penso um pouco. –Ela quer que eu volte.
–Eu também.
–Por quê?
–É perigoso, soldado. –Ele olha para mim. –Você está correndo perigo, por causa do Christopher está sendo perseguida.
–Não, ele me protege.
–Eu sei como eu disse, ele é bom. Mas nem sempre isso é o suficiente. Quem seja que esteja fazendo quer você longe dele.
–Talvez.
–Pense nisso.
–Sim. –Olho para o seu nublado. –Eu tenho medo do que pode acontecer.
–Estaremos de braços abertos te esperando.
–Eu sei. Capitão.
Rimos um pouco, aliviando a tensão.
–Pai, eles querem que o bebê que não existe se chama Bethany ou Ethan.
–É bonito.
–Sim. –Digo com raiva. –Eu que deveria encolher os nomes bonitos.
–Vamos para dentro, querida. –Ele ri de minha cara emburrada e me abraça.
Sinto-me segura. Talvez ele estivesse certo, e eu estivesse em perigo aqui. Talvez eu não devesse continuar aqui.
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