Como a número um
21 Capítulo 21
Notas iniciais
–Não dá para você andar mais rápido?! –Grita Christopher.
–Estou tentando! -Respondo.
Acontece que estamos atrasados. Bem, hoje todos irão ver o clipe juntos, e eu queria estar incrível! Eu teria me vestido mais rápido se ele não ficasse brigando comigo toda hora. Corro mais rápido para alcança-lo. Passo-o e começo a rir.
–Bem feito, vou chegar primeiro! –Grito para ele.
–Não vai não. –Ele me empurra, e eu caio. Só vejo-o na minha frente.
–Isso foi trapaça!
Volto a correr. Estamos lado a lado quando chegamos a sala de cinema. Estamos ofegantes e estão todos olhando para nós.
–Ora, ora, eles chegaram. –Diz Thalles. –Só faltava vocês.
–Sim, precisamos postar logo. A página nossa no Youtube até travou de tanta gente entrando.
–Coloquem no ar logo. –Grita o empresário gordinho.
O alto revira os olhos, e clica na tela do computador: “Postar”. Eu e Chris corremos para as cadeiras de cinema macias, e esperamos. Meu coração está na boca, e estou suando. Sinto a mão de Chris na minha, e sorrio para ele, que devolve o sorriso. Vejo uma câmera gravando todo momento, no outro lado da sala.
Então o clipe começa.
Está nevando, e não é nada parecida com a do estúdio. Parece real. Aí parece o nome: Oportunitty4 ao lado de uma menina correndo. A frase derrete, como gelo na primavera. A menina sou eu. A Câmera foca nas minhas costas até a porta do prédio, que estou batendo descontroladamente. Então a porta abre, e lá está a minha mãe.
Tá tudo perfeito, melhor que eu imaginava quando fiz a cena. E estou bonita. Já está na parte que entro no porão. Vasculho nas caixas até achar uma tela velha. Ela brilha. Acontece tudo que eu saberia que aconteceria. Depois do brilho, ela fica branca. E aparece o Chris cantando:
“As luzes acabaram.
Não há mais energia,
Além de eu e você.
A força entre nós dois.”
Ele está tão lindo. O cabelo brilhando. Os olhos azuis parecem estrelas, safiras, de verdade. Vestido todo de branco. Enquanto ele canta, apareço outra vez, e estou brilhando. Como se eu tivesse pegando fogo, mas o fogo fosse estrelas. Corro pelo corredor de terra, e minha família não está mais no quarto. Fico desesperada, e corro para fora. Percebo que onde toco, brilha, como fogo e algo mais.
“As velas estão por aí,
Consigo enfim enxergar sua alma.
As pessoas se preocupam demais,
Com coisas desnecessárias.”
Canta Ed, enquanto corro pela rua, e mais pessoas estão brilhando. Uma multidão de estrelas. Os garotos também aparecem, lindos. Então todos cantam:
“Então hoje, vamos dançar.
Enquanto temos chances.”
E ouso a minha voz, um pouco modificada: “Vamos viver enfim.”.
“O som dos nossos corações,
Batem juntos como música.
Eu, você e o nosso amor,
Mudando o mundo.”
Continua com o refrão, e é incrível o clipe. Quando acaba o clipe, todos estão em silêncio. Até que os idiotas do grupo, pulam da cadeira (Chris meio que me leva juntos já que estávamos de mãos dadas) e gritam: ISSO AQUI É OPORTUNITTYFOUR!
Ai, meu ouvidos.
Você acha que era fácil tudo isso? Não, não é. Bem, eu tenho fãs e pessoas que querem que eu volte a namorar com Chris. Outros acreditam que estamos namorando em segredo. E outros, que mais odeiam, acreditam que estou com Chris apenas para roubar fama. Estes são os haters.
Mas estou feliz, tenho haters! Então, ok. Sempre que ando na rua, alguém fala oi. A campanha que participei foi um estouro. E em três dias, o clipe novo já havia chegado há 12 milhões de visualizações... Isso... ERA FANTÁSTICO! Claro a musica viciava, e nunca enjoava. Era contagiante, legal, e linda. E não estou falando isso só por que eu escrevi a musica.
Christopher e eu estávamos seminus (sim, era sério) no meu quarto. Estávamos jogando baralho, e quem perdia tirava uma roupa. Eu estava de sutiã, calcinha e touca. Ele de cueca e tênis. Quem perdesse essa, era o fim.
–Você ainda está com raiva de mim?
–Sim. –Ele concorda.
–Por quê?
–Por que ainda estou com raiva ou por quê estou com raiva. –Ele começa arrumar as cartas.
–Por que você está com raiva de mim. –Digo me aproximando.
–Por que você disse aquilo.
–E o quê que tem? –Digo brava. –Era uma brincadeira.
–Sim, mas depois o pessoal ficou me irritando. –Ele diz sem olhar nos meus olhos.
Encaro-o por alguns segundo, tentando segurar o quê provavelmente vou dizer se abrir a boca. Mas não me seguro.
–É tão ruim assim as pessoas imaginarem que a gente transou? –Digo me levantando jogando as cartas no chão. –Seria tão ruim assim se tivesse acontecido de verdade?
–Eu não quis dizer isso.
–Não, não quis. Começo a me vestir e entro no closet em busca de uma jaqueta.
Encontro-a e saio para a sala. Vejo Christopher me seguindo. Pego minha bolsa na mesa e calço meus sapatos no lado da porta.
–Quando eu voltar não quero nenhum vestígio seu aqui. –Digo abrindo a porta.
–Aonde vai? –Ele fecha a porta.
–Não te interessa.
–Não vai em nenhuma boate, outra vez, ou vai?
–Não te interessa. –Reclamo.
–Interessa-me sim. –Ele diz me prendendo contra ele e a porta. –Eu, verdadeiramente, não quis dizer nada daqui...
Ouso meu celular tocando na bolsa.
–Não atenda.
Mostro a língua para ele e pego o celular.
–Alô? –Digo atendendo.
–Sou eu, Anne. –Ouso sua voz “gentil”.
–Oi, Anne. Algum problema? –Durante a conversa não tiro os olhos de Chris.
–Nenhum... Na verdade, tenho um pedido.
–Pedido? –“Ou outra ameaça?” penso.
–Sim, o nosso publico está quase morrendo em busca de uma entrevista solo sua. Então, eu estava pensando...
Ela passa a sua ideia. Penso bem... É perigoso, quando se trata de Anne. Antes eu nunca pensaria assim, e diria SIM na hora, mas agora... Encaro bem no fundo dos olhos de Chris.
–Eu amaria fazer uma entrevista solo para a Flash!
–Ótimo, incrível, você é isso e muito mais! Será amanhã durante o serviço mesmo. Bye bye!
–Bye...
–ENTREVISTA? SOLO?
–É.
–Você tem que ter cuidado com que fala.
–Tudo bem, não vou mais falar que a gente transou, ok? Ou que você tem nojo só de pensar se acontecesse.
Chris pega meu braço.
–Ollie... Eu não tenho nojo, nem nada isso. É que somos amigos não é? E cuidado com que fala, pois pode prejudicar você mesma.
Encaro seus olhos, e sei que tá falando verdade.
–Desculpa. Estou nervosa esses dias. –Ele me abraça. Seu cheiro é tão bom.
–É que você está na minha companhia, por isso o nervoso.
Começamos a rir.
–Ainda não soubermos quem perdeu.
Dou um sorriso malicioso, e ele devolve. Dois idiotas mesmo.
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