Como a número um
16 Capítulo 16
Notas iniciais
–Eu me pergunto: Como você virou famoso. –Digo enquanto vejo Chris pulando na minha cama
Sério, ele tem quantos anos mesmo? 10?
–É que eu sou lindo. –Ele diz sorrindo.
–Onde?
–Hahaha engraçadinha você. –Ele diz pulando mais alto, e minha cama faz um som estranho.
–Você tem o quê? 10 anos?
–21, Srta. Pirralha. –Ele desce da cama.
–Eu? Pirralha? Primeiro, tenho 20 anos. –Digo levantando-me da cadeira. –Segundo, quem estava pulando na cama como se pudesse voar?
Ele sorri. Não um sorriso daqueles ingênuos, e sim daqueles que significa que alguém vai fazer arte. Ele, no caso. Mas é tarde demais quando percebo para fugir. Ele me pega no colo e começo a gritar. Ele me joga na cama e começa a fazer cosquinha em mim.
–Para! Para Christopher! –Rio (de dor) e chuto seu peito. Ele nem faz uma careta de dor.
Saio correndo na cama, e pego um travesseiro para me proteger. Ele se levanta, pega outro travesseiro e começamos a bater um no outro. Começamos a pular. Imagina como essa cena é ridícula. Um cara alto e forte e uma garota séria pulando na cama em uma guerra de travesseiros como crianças.
Então Christopher puxa minha perna, e eu caio. Ele está em cima de mim agora.
–Somos dois pirralhos agora.
–Hum... –Sorrio.
–Estou com fome.
–Não fizemos nada da musica ainda. –Digo tentando empurra-lo. Ele não se moveu nem um pouco.
–Comida sempre ajuda. –Ele dá um belo sorriso.
–Me ajuda a levantar.
Ele pega a minha mão e me levanta. Vou para a cozinha e pego um pedaço grande de pizza na geladeira. Christopher chegou aqui de manhã. E eu não queria cozinhar na hora do almoço, então pedi pizza. Sim, pizza de almoço. E sobrou, por isso vamos comer assim mesmo. Coloco a pizza no microondas, e ouso o meu gato miar.
–Chris, dá comida para o gato.
–Onde tá?
Aponto para a tigela e depois para o saco de ração em cima do armário. Sem se esforçar, Chris pega o saco. Vejo-o colocando a ração na tigela. Então ele começa a chamar o Frajola. Como eu disse, ele já está velho. O gato bate a cabeça na mesa e depois vai em direção ao potinho. Ele começa a comer rapidamente, e Chris fica acariciando sua cabeça.
–Ele está cego?
–Quase do olho direito. –Falo.
Ouso o som da pizza pronta. Já está escurecendo. Suspiro pensando no meu gato. Tudo isso me lembra de uma frase conhecida: Nada é para sempre.
Principalmente Chris e eu.
–Christopher, vamos desistir. –Digo num desanimo e com sono. –Você não é bom em escrever músicas, só em cantar.
–Cala a boca. –Ele diz jogando outra folha de caderno fora. –Eu tenho só até amanhã.
–Um dos seus lugares mais especiais do mundo com certeza não é na frente de um papel e uma caneta.
–Você tá pedindo uma caneta dentro da sua garganta, isso sim.
–Ah Christopher, as luzes já se apagaram – Digo gritando. – Até o Frajola já tá dormindo. Eu quero dormir! Por favor.
– O quê você disse?
–Que eu quero dormir. –Digo com um biquinho.
–Não, antes.
–Que o meu gato está dormindo?
–Não, burra, algo a ver com luzes.
–Que elas se apagaram?
–É. –Ele sorri. –Pega um papel e caneta.
–Hum.
–Escreve ai: As luzes acabaram e... –Ele pensa mais um pouco. –Não há mais energia... Além de eu e você.
–E que tal: A força entre nós dois? –Digo animada. Olho para a vela que eu havia acendido. Nem sei o por quê disso. – E as velas estão por ai?
–Perfeito. Hum... Consigo enfim enxergar sua alma.
–É...
E assim foi, ficamos a madrugada toda escrevendo a música. Esfrio. Estava meio u e Chris só fomos dormir às 4 da manhã. Meu quarto estava cheio de papel. A música tinha um ar romântico, mas com nexo. E ao mesmo tempo animada. Era perfeita. E era chiclete para o meu gosto.
Chris queria ir embora, mas eu o forcei até que ficasse. Estava tarde. Cada um deitou de um lado da cama, e eu dormi logo. Ele eu não sei.
Quando acordei tomei um susto. Eu estava toda enrolada num Chris desmaiado de sono. Bem, não abraçados ou enrolados como ás vezes amigos acordam. Amigos é o quê somos né? É... Eu e Chris estávamos AGARRADOS mesmo. Meu pijama, algo que eu não fui perceber ontem, era muito pequeno.
Eu acordei por causa da cortina batendo na janela. Eu sentia um cheiro bom, doce e natural. Mas um pouco salgado também, era estranho. Abri os olhos, e quando notei o rosto do Chris estava milímetros de distância do meu. Meu braço em volta do seu pescoço. Um das suas mãos bem embaixo da minha bunda e seu outro braço dava a volta na minha cintura, onde estávamos de mãos dadas. Ele me abraçava como se eu fosse um urso de pelúcia. E, não consigo negar, era muito bom.
Tento me afastar dele, devagar... Ele está meio corado. Sinto algo espetando minha perna, mas deixa. Quando consigo sair ele geme alguma palavra e se vira. Ufa! Levanto da cama e com passos devagar vou até a porta. Então ouso uma tossida.
Viro-me para Christopher acordado. Merda! Ele está me encarando com um olhar do jeito: “Você ia me deixar aqui sozinho?”. Dá para ver ele melhor agora. Seu cabelo parece um ninho fofo, e está um pouco mais corado como se soubesse como estávamos. E ele esta sem camisa. Tipo, eu não percebo mesmo as coisas.
Cara, ele está muito gostoso assim. Sem camisa, com o sol claro da manhã batendo no peito. Solto um suspiro quando vago meu olhar pelo seu corpo e... Ai meu Deus.
–Ér... Christopher... –Aponto para baixo dele.
Ele olha para baixo e fica mais corado. Vocês conseguem imaginar o que aconteceu? Sim, Christopher Shane, Astro Adolescente, excitado. Começo a rir. Ele me olha com raiva.
–Saí. –Ele aponta para a porta.
–Mas eu ia trocar de roupa... –Digo ai rindo.
Ele saí da cama e vem na minha direção. Ele é grande.
–Nossa, como seu amiguinho é grande. –Dou um sorriso malicioso e continuo a rir.
–Olívia saí. –Ele me vira e começa a me empurrar para fora do quarto.
–O quarto é meu... –Sinto sua ereção na minha bunda. –Cuidado aí com seu amiguinho!
Ele me empurra para fora e fecha a porta na minha cara. Dou grito e começo a gargalhar no chão. Posso imaginar o quê ele está fazendo no meu quarto. Nunca mais vou querer entrar lá dentro. Quando canso de rir levanto e vou para a lavanderia atrás de uma roupa. Pego um blusa verde daquele estilo que parece vestido, minha bota preta e uma calça jeans. Visto-me e saio para a cozinha. Pego a jarra de suco, e vejo Chris entrando (vestido) e com a nossa música na mão.
–E aí? –Coloco suco no copo. Vou fazer uma piadinha, mas ele me corta antes.
–Que horas são?
–Hum – Pego o meu celular e vejo a hora antes de guarda-lo de volta no bolso da calça. –Quase dez horas da manhã.
–Não, estamos atrasados!
Ele pega o meu braço e começa a correr para fora do apartamento. Deixo o meu suco na pia e saio correndo com ele.
–Meu suco!
–Corre!
Ele vai em direção à escada, mas está trancada a porta. Temos que ir para o elevador mesmo. Ele aperta o botão, e o elevador abre. Entramos e ele parece desesperado apertando o botão para descer. Ele está batendo os pés no chão de nervoso. E não aguento:
–Como foi à masturbação? -Ele me olha com raiva. –Espero que não tenha sujado nada.
–Olívia, a culpa é sua.
–Minha? É por sua causa que acordou com o circo armado.
–Foi você que me obrigou a ficar e dormiu com essa roupa! –Ele diz nervoso. –E espera, Circo Armado? Tem gente que ainda fala assim?
Não respondo, só começo a rir como uma besta. E eu sei disso por que Christopher está me olhando como se eu fosse uma. E isso faz rir mais ainda.
Estou afastada do grupo. Encaro os produtores de Christopher enquanto conversam com o grupo. Eles já leram a música, e estão fazendo “poucas modificações”. São dois produtores na verdade, parecem irmão apesar de que um é muito alto e outro muito baixo. O baixinho começa a falar:
–Bem, Christopher e namorado do Christopher – apelido novo ou não – A música é boa, foi aprovada.
Sorrio para Christopher, ele parece feliz. Tento não imagina-lo se masturbando. Posso começar a rir.
–Vocês podem indo ensaiando. Daqui a pouco o Louis chega. –Diz o alto. Louis se não me engano é o DJ ou algo assim.
–Ollie pode ficar? –Diz Christopher animado. Os dois produtores olham desconfiados para ele. –Para ajudar com a música, claro.
–Pode. –Dizem juntos.
–Ollie. –Chama Luca.
Levanto sorrindo. Pego o meu celular e vejo a nova noticia da Flash! Merda!
“Chris foi visto entrando no prédio onde sua nova namorada mora, ontem de manhã, e saindo apenas hoje com a mesma roupa. Vizinhos dizem ter escutado barulhos “estranhos” no quarto. Esses dois estão que estão, não é, girls?”
Ótimo, agora todos acham que eu dormi com o Christopher. E isso me lembra de Stephen... Não, não posso chorar agora. Sorrio e continuo a andar em direção aos garotos.
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