Como a número um
13 Capítulo 13
Notas iniciais
–Você está atrapalhando a minha passagem.
–Estou com raiva de você. – Ele diz sério, pelo a primeira vez desde que o conheci. Medo.
–Direto. –Digo séria também. – Mas eu também estou com raiva de você.
–Não perguntei.
–Dá para vocês pararem de brigar e irem logo para o sexo? – Lola diz impaciente. Olho incrédula para ela.
–Venha. –Ele começa a me puxar para as escadas.
Quase grito. Olho para Lola em busca de ajuda, mas ela parece indiferente, com algo estranho nos olhos. Dá nos ombros, e sai. Fico completamente chocada. VÃO ME DEIXAR SÓ COM ELE?
Chris me puxa pelo corredor. Passamos reto pela porta do quarto de Lola. As paredes ficaram mais escuras, e o ar frio. Demora uma eternidade até pararmos, e claro, até lá eu fui gritando.
–ME SOLTA BASTARDO...
Ele abre a porta, e me deparo com um quarto de adolescente. Paredes azuis e moveis brancos. Quadros e troféus de jogos de beisebol. Estatuetas de personagens e outras coisas masculinas.
–Entra.
Entro fazendo bico. Ele acha que pode me arrastar desse jeito? Como? Ele coloca a mão na frente do rosto, para se acalmar. Eu deveria estar fazendo isso!
–Você sabe o quanto me deixou preocupado?
–Você? Preocupado?
Dou uma risada nervosa.
–Você quase me afogou, me deixou sozinha sem carona, e quase sem roupa! –Digo colocando a mão no seu peito, e o empurrando. Ele nem se move. Tento não pensar no seu corpo. –Preocupado? Não.
–Desculpa, tá bom? E a culpa é sua.
–Minha? Como ousa?! –Começo a bater em seu peito.
–Sua, sim. Você que é uma idiota por não ter me esperado. –Ele se vira, e agora estou ente ele e a porta. Ele segura minha mão no alto, para não bater nele.
–E você é um mais ainda por ter coragem de quase afogar alguém. –Cuspo as palavras. E digo mais: — E você também é um cretino, sabe por quê?
–Por quê?
– Porque teve que pagar para alguém ser namorada.
–Ah, então você também é uma cretina, já que aceitou.
–Vai tomar no cu.
–Vadia.
Ficamos um encarando o outro. Estou vermelha de raiva, creio. E ele também, seus olhos parecem que vão pegar fogo. Nossas respirações pesadas. E em um segundo estamos quase nos matando, no outro estamos nos beijando.
Suas mãos soltam os meus braços e se enrolam no meu cabelo, me puxando para perto. Enrosco meus braços em seu pescoço. Nossas línguas se entrelaçam. Nossas pernas estão juntas. Uma mão desce pelo o meu rosto, e depois pro meu rosto. E segue assim até minha cintura. Ele puxa minhas pernas para ficarem em volta dele. Ele começa a apertar minha coxa, e sufoco um gemido. E então, o fôlego falta.
Ficamos com as testas juntas, esperando a respiração voltar ao normal. Lola estava certa. Mas nada disso foi sentimental. Foi apenas... carnal. Acredito nisso. Foi um meio de aliviar os stress.
–Isso nunca aconteceu.
–Nunca. –Ele concorda.
Desço de seu corpo, e arrumo o vestido. O que eu fiz?
–Me desculpa, de novo. Eu... não pensei direito. –Ele diz nervoso, balançando o cabelo. –Eu fiquei muito preocupado.
–Sério mesmo?
–Claro, nunca me perdoaria se acontecesse algo com você. –Diz com convicção.
–Acredito em você, e me desculpa pelo o que eu falei...
–Tudo bem. –Ele respira fundo. –Vamos? Minha mãe deve estar louca.
–É.
Ele abre a porta do quarto, e saímos. Começamos a voltar pelo corredor, que não parece tão grande agora. Escaro Christopher, e vejo seus olhos vagando pelo o meu corpo.
– O quê?
–Hã... –Ele se vira para mim com olhos arregalados. –Nada... É só que você está muito gostosa neste vestido.
–Ei!
–Só falei a verdade.
Mostro a língua para ele.
–Criança!
–Muito!
–Olha, quando você volta a trabalhar?
–Estou de folga até semana que vem. Por quê? –Paramos no final da escada já.
–Eu quero te convidar para uma... ér... festa. –Ele vira o rosto.
–Uma festa? Tem certeza? –Levanto uma sobrancelha.
–Na verdade, é uma premiação.
–P-premiação?
–É, cada integrante da banda ganhou um convite extra. E eu queria te convidar. –Ele diz envergonhado. Ele me entrega um papel dourado.
Pego da sua mão. É bonito, e chique. Abro-o, e leio tudo rapidamente.
–Mas é amanhã! Eu não tenho vestido...
–Eu te dou dinheiro, e pode pedir ajuda a Lola. Ela é boa. –Seus olhos viajam de novo pelo o meu corpo, e fecho a cara. Filho de...
–Hum... Tudo bem, eu vou. – “Pela comida” é o quê não digo.
–Ótimo. –E ele me abraça.
–Tá, tá, pode soltar. Está doendo.
Ele se afasta sorridente. Mereço. Ele me guia por um novo corredor, até um novo ambiente. A sala de jantar. Paredes vermelhas, cortinas bege e de novo, um lindo lustre. A mesa longa e de madeira está cheia de doce, e tem um cheiro delicioso. E há cinco pessoas envolta da mesa.
–Vocês demoraram muito, pombinhos, e não aguentamos. –Diz Ed comendo algo com biscoito.
–E os gemidos foram um pouco alto demais. –Diz Lola.
–LOLA! –Grita a mãe de Christopher. Ela começa a levantar.
–Mas foi mesmo. –Diz Luca, ele provavelmente chegou junto de Chris.
Olho para Christopher, e depois para os garotos. Eles têm um sorriso malicioso no rosto. Vejo Thalles movendo a boca: “Foi boa a rapidinha?” E Christopher responde: “Vão tomar no cu.”. Sabe que uma parte de mim quer rir?
–Filho, eu posso esquentar a comida para vocês... –Começa Sarah.
–Não precisa. –Ele diz, sorrindo. –Nós comemos na praia.
Epa, comemos quando?
–Então a sobremesa está bom, certo? –Ele olha para mim.
–Certo.
Ele pega a minha mão e me leva até a mesa, e puxa uma cadeira para mim, e senta ao meu lado. Sinto todos nos escarando.
–Você parece bem melhor, Olívia. –Diz Sarah, simpática.
–Obrigada, Sra. Shane.
–Ah, me chama de Dona Sarah ou Sarah mesmo.
–Ah sim, Dona Sarah... –Tento soar gentil e feliz, mas estou nervosa.
Christopher me entrega uma taça com pudim. Ele parece saber que estou nervosa. Pego a colher, e provo. Nossa como é bom isso!
–Está delicioso, Sarah. Foi você que fez?
–Fui eu sim, e obrigada, querida. –Ela sorri. Ela come mais uma colher do seu doce. –Então, como vocês se conheceram mesmo?
Os garotos começam a rir, e eu e Chris olhamos bravos para eles.
–A gente se conheceu hum... No café. –Diz Christopher.
–Sim, isso mesmo. –Digo tentando fazer ninguém perceber em como Chris ficou nervoso. – E ele derrubou a bebida em mim.
Todos começam a rir, até eu.
–Já pedi desculpas.
–Mas não te desculpai ainda, eu gostava daquela blusa. –Digo, sorrindo. –Do mesmo jeito que gostava da minha porta, sabe?
–Porta? –Pergunta Sarah e Lola.
–Sim, eu meio que quebrei a porta dela.
–Aos murros por causa do acidente... –Paro quando percebo o que eu disse. –Eu...
–Eu sei sobre o acidente. –Diz Sarah, educadamente.
Tenho medo se ela começar a fazer um monte de perguntas. Eu odeio quando acontece. Mas ela não os faz. Ela só sorri tranquilamente, como se desse força. E gostei disso.
A noite passou rápida, nós comemos e conversamos. Descobri que Ed tem uma namorada, e que ela é famosa! Mas ninguém quis me contar, e não sei se quero descobrir. Quero surpresas amanhã. Também descobri que Sarah tem seu próprio buffet. E mais coisas, tipo, como era o Christopher quando criança. Aquela foi a melhor parte, com certeza. Ele ficou vermelho de vergonha enquanto sua mãe contava histórias sobre ele. E eu só ria. Quase pude ver as fotos dele na banheira peladinho que sua mãe pareceu contente em mostrar, se ele não me tivesse “jogado” porta a fora para me levar para casa.
A viagem foi calma e silenciosas. Ele ainda estava nervoso e envergonhado quando parou o carro.
–Amanhã, Lola virá aqui para te levar as compras.
–Tudo bem. –Sorrio timidamente para ele.
–Então... –Ele vira o rosto, vermelho.
–Tchau...
Viro-me para dar um beijo delicado da bochecha dele, e quase acaba um beijo na boca. E não sei o quê fazer. Fico sem ar, e saio do carro rapidamente, sem dizer tchau outra vez. Chego em casa atordoada.
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