Como a número um
10 Capítulo 10
Notas iniciais
–Minha porta marroquina... — Digo tocando na porta jogada no chão. -Demorei tanto para comprar... PARA UM DESMIOLADO QUEBRAR! -Grito. -Olha... rimou!
–Você sabe que está nessa choradeira já faz uma hora né?
–ERA UMA PORTA MARROQUINA! -Dou um gritinho.
–Ai meu Deus.
Levanto do chão, e vou até o sofá e sento longe dele. Ele quebrou a minha porta! Não podia ter ido até a portaria e simplesmente pedido a chave? Minha portinha...
–Desembucha. -Diz Chris se virando para mim.
–Desembuchar o quê?
–Sobre seu... hum... Ataque.
–Ah. O que quer saber? -Digo com naturalidade. Viro-me para ele e encontro seu olhar de irritação. -Tá!
“Eu tinha 10 anos quando começou. Eu tinha asma, então já era horrível dormir. Comecei a ter vários sonhos... e eu desmaiava no fim. Eu já havia ido cinco vezes ao médico e sempre a mesma resposta: Não temos certeza ainda. Até que, um dia, eu tive o pior sonho de todos. E eu não acordava, e não conseguia respirar... Então, eu tive uma convulsão. E ficou claro, eu tinha epilepsia.”
–Você já teve quantas vezes convulsão?
–Duas. Essa vez, e outra. -Engoli o choro que ameaçava sair. -Não vou entrar em detalhes, mas essa foi a pior. Eu fiquei em “coma” por quatro dias... Eu explodi, sabe? -Dou um risinho.
–Você fale como se isso não fosse horrível.
–Já foi o começo, mas agora? Acostumei. -Dou nos ombros. -Pronto.
–Pronto o quê?
–Já contei tudo. -Levanto-me e vou até a cozinha.
–Por quê acho que está mentindo? -Ele me segue e fica bem atrás de mim. Arrepio-me.
–Eu? Haha. -Digo virando-me para ele. Ele está horrivelmente perto. -E espera, também tenho perguntas?
–Tem? -Ele faz uma cara de inocente. Acontece que ele é um bom cantor, e não um bom ator.
–Nem tente me enganar! -Digo colocando o dedo no seu nariz. -Por quê me beijou do nada?
–Eu...
Então lembro-me. Beijo > Mídia. Mídia? AI MEU DEUS!
–Para. -Empurro-o para o lado.
Corro até a mesa, e pego o meu celular. Disco rapidamente o número. Ignoro as horas, e tudo. Ela vai me matar, ou pior, vai vim aqui! Não! Alguém atende:
–Alô?
–Eron?
–Você não morreu? Então ainda vou ganhar o Iphone yeh! -Ele grita feliz.
–Como você me ama. — Digo revirando os olhos. -E a mamãe?
–Ela tá quase dançando sapateado de tanta preocupação.
–Ta tá, passa para ela. AGORA!
–Ei, não grita. -Ele parece machucado. Bom. -Manhê, a Oliveira tá no telefone, opa, Olivia.
Ouso um grito, e alguém correndo. Meu irmão é uma gracinha. Posso imaginar o quê m espera: Gritos, xingamentos, pragas, e preocupações...
–Olívia? -A voz desesperada da mina mãe está pior que o d sempre. -Ai minha filha, eu to quase morrendo aqui.
–Calma.
E ai vai, ela brigando comigo por ter escolhido morar aqui, e não tomar os remédios. O quê é mentira, porque eu tomo. Minha mãe e eu temos uma relação complicada, principalmente por causa de meus problemas. E morar aqui, foi uma ótima escolha. Melhorou (um pouco) nossa relação.
–Tá, mãe, não precisa vir. -Digo tentando acama-la, de novo. -Eu estou bem sério.
–Mas, filha...
–Mãe, temo que conversar muito, mas agora não. Eu... Eu estou ocupada. -Digo devagar. -Eu estou bem, sério. Eu te amo.
–Eu também te amo, mas filha... Tudo bem, mas ligue a o Skype na hora de sempre, okay?
–Okay.
E desligo com um suspiro.
–Sua mãe?
–A louca de sempre.
–Você não conheceu a minha ainda. -Ele ri.
–Ainda...
Começo a olhar para ele. Ele é mesmo bonito. Rico, talentoso. E tem uma risada fofa, mesmo com as covinhas feias. Admito que eu gostaria de beija-lo outra vez. E de ser amiga dele. Confusão.
–Você está livre então?
–Hoje? Sim... -Ele diz sem entender.
–Vou mostrar meus outros filhos, afinal. Além do Frajola. -Digo pegando o meu gato nervoso.
Vou em direção ao meu quarto. Ele me segue. Percebo que quando entramos ele estuda todo o um quarto. Tiro ele desse “estudo” e mostro os meus nenéns.
–Cacete...
–Livros...
Estamos parados na frente da minha estante. Tantos livros, tantas histórias, tantas perfeições. Vejo como ele olhar maravilhados para a estante.
–Eu gostava de vários livros que você tem, mas eu perdi tudo.
–PERDEU TUDO?
–É, houve um incêndio na minha casa, e boom! Fiquei em depressão — Ele dá uma risada falsa.
–Eu ia morrer! -Digo.
–Posso?
–Claro, mas cuidado!
Ele pega um livro, e eu outro. Começamos a ler juntos na minha cama, e quase durmo. Até que ele tem bom gosto. Teve um momento que o vi me encarando, mas ignorei. Ele ainda não me respondeu o porquê de não ter me beijado. Mas não vou forçar. Nós não somos nada, de verdade.
Depois, eu fiz pipoca, enquanto ele escolhia um filme. Estranhamente, assistimos um filme de suspense ( não gosto de terror) juntos. No escuro. E eu conseguir me segurar e não o abraçar! Talvez só um pouco. Já era tarde, quando ele se foi.
–Então, tchau.
–Tchau. -Então ele se inclinou e deu um beijo na minha bochecha, e saiu.
Entrei m casa, nervosa. Se eu pudesse corar, eu corava. Ai Meu Deus, eu não estou afim dele! NÃO ESTOU!
–O quê... estou sentindo então? -Olho para o Frajola. -Você sabe?
E então ele me deixa só. Pois é, vou descobrir sozinha. E me ferrar no final. Como eu sei disso? Intuição.
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