Notas iniciais
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–Então, tem algo para me contar? –Pergunto torcendo a mão no volante.

–Não. A menos que queira saber sobre geoprocessamento.

–Uhum.

–Você está bem?

–Ótimo.

Por que ela não me conta? Ela tem medo que eu seja um mau pai? Ou que eu não queira o filho? É pela minha carreira? Não estou me importando com a carreira.

Tudo volta. O mal estar, os desejos, os estados bipolares, ela perguntando se está gorda... Calma, Christopher. É apenas um filho... ÉAPENAS UM FILHO? Não. Aperto mais forte o volante.

E se o filho não for meu? Ollie nunca me trairia... Mas ela já havia transado com Stephen. Fico com mais raiva. Eu não gosto muito dele, é verdade. Mas eu tenho raiva dele por que sempre que olho para ele, lembro Stan. Não que ainda goste de Justine. Meu respeito por ele aumentou (um pouco) depois da surra que ele deu em Stan.

Mas ele e Ollie... Pai do filho dela... Não... eles haviam, pelo menos é o que eu acho, transado pela última vez há meses. Ela já teria percebido a gravidez e estaria de barriga também. Á menos que ela estivesse me enganando por dinheiro... Por quê isso sempre vem a minha cabeça? Ollie não é Justine. Eu amo a Olívia... E Stephen é rico.

CHRISTOPHER PARA! VOCÊ DORME COM ELA TODOS OS DIAS, ELA NÃO ESTÁ TE ENGANADO.

Respiro fundo.

Assim que chegamos, Karen veio correndo até nós. Ela parecia nervosa. Deve ser pelo trabalho. Ela nos cumprimenta e sorri.

–Bebidas?

–Sim. –Digo, e percebo que Ollie nega. Hum... –Parece nervosa.

–Ér... Ér... É nervoso de palco. Tudo bem. Sabe, deveria ver Lie atuando...

–Não, não! –Ollie coloca a mão no rosto.

–Ela DI-VI-NA!

–Posso imaginar. –Sorrio.

–Não, não consegue.

Karen vai até Ollie, e cochicha algo em seu ouvido, elas conversam baixo. Só pego final:

– o resultado?

–Não é bom falar aqui. –Diz Olívia.

Karen concorda, e volta a falar normal.

–Eu tenho que ir, aproveitem a peça.

Eu e Ollie sentamos no nosso lugar.

–Então sobre o que conversavam?

–Coisas de mulheres.

E eu tenho certeza que ela está tentando mudar de assunto. A peça começa, mas estou muito preocupado. Minha cabeça gira.

PAI.PAI.PAI.PAI.

EU SEREI P-A-I. Puxo ar. Acho que vou desmaiar. Mesmo não prestando atenção, sei que Karen é ótima atriz. Ela arrasa. Ela está fazendo o papel da viúva que, mesmo que nunca tenha amado o marido como amante apenas como amigo, tenta descobrir o assassino. E se vê apaixonada pelo detetive. Ou é algo assim.

Fiquei pior depois de descobrir que Ollie é uma ótima atriz.

Eu fico assim até chegar em casa, pois não aguento mais.

–Quando ia me contar?

–Contar o quê?

Ela coloca a bolsa no sofá e se vira. Ela está usando um vestido solto, que é muito lindo. Mesmo estando no outono, ainda está meio quente. Ela está linda. E estamos sozinhos. Foco.

–Você sabe.

–Sei o quê? –Ela entorta a cara. –Você parece mal, Chris.

–Você que parece.

Ela está preocupada, sei disso pelos seus olhos.

–Tudo bem... –Ela passa a mão no rosto. –Eu ia te contar quando tudo melhorasse... Pensei que não perceberia, e eu sei que você não fez nada.

–Você achou que eu não ia ver? Até se eu fosse cego, saberia. –Digo chocado e com raiva. –E como assim não fiz nada?

Então não sou o pai?

–Eu peguei do chão, no momento eu pensei que era você. Mas não pode ser. Não, é? Chris eu tenho certeza que eu li errad...

–Espera, do que está falando?

–Hum... do bilhete?

–Que bilhete?

–Eu não sei. Do que está falando?

–Estou falando... –Olho para seus olhos e paro.

Não posso ficar com raiva dela. Aproximo-me dela e caio de joelho aos seus pés. Seu rosto passa de confusão para curiosidade depois para alegria e depois confusão de novo.

–De quando me contaria... –Ergo seu vestido até em cima da barriga e a beijo. –Que eu vou ser pai.

Notas finais
Quero ver agora, REVIEEEEEEEWSSSSSSSSS pq sim