Como a número um
51 O dia de Hoje
Notas iniciais
Fiquei parada no meio das pessoas e respiro fundo. Não vou conseguir fazer isso, não vou. Não agora. Mais tarde, talvez eu consiga trocar a passagem. Começo a voltar para a fila quando ouso uma bagunça do portão de embarque. Aproximo-me das pessoas que rodeiam um corpo.
Ele está sendo puxado por dois seguranças, e vejo uma aeromoça assustada. Quando o soltam que o reconheço. Não posso me impedir de dar um sorrisinho. Sou a única das pessoas ali com coragem, e me aproximo-me dele. Bato palmas, e vejo-o nem ligar para mim. Então toco em seu ombro, agora ele vai me ver?
–Você está chorando de verdade?
Ele levanta a cabeça e por um segundo vejo paralisado sobre meu olhar. Dou um sorrisinho e cruzo os braços. Então Christopher me puxa para si com tanta força e rapidez que quase dói. Ele me abraça bem forte e eu dou tapinhas em suas costas.
–Você não foi.
–É, não. –Digo fazendo esforço. –Eu não consigo respirar sabe.
–Ah, desculpa. –Ele diz me soltando. –Eu fiquei tão... assustado... Não suportaria você longe de mim.
Os cantos dos meus lábios sobem, mas os paro. Quando o vi ali, numa tentativa falhada de me impedir de voltar para o Brasil, um jarro de alegria surgiu em mim. Ele veio! Mas agora, tudo volta.
–Chris... topher... O quê faz aqui? –Suspiro. Olhando seu rosto não tem como ir embora. –Nós terminamos... eu... te trai.
–Pare de mentir para mim.
–O quê?
Ele puxa meus braços fazendo eu me chocar contra ele. Solto um resmungo. Seu rosto está sério. E seus olhos estão brilhando de emoção.
–Eu sei de tudo. –Seu aperto diminui.
–Karen?
Respiro fundo e o abraço. Com toda a minha força. Minha voz fraqueja.
–Eu sinto muito, por você ter visto aquelas coisas. Eu sinto tanto... É tudo minha culpa. –Funga, me aconchegando no meio de seu pescoço. Seu perfume é tão bom.
–Não é a sua culpa.
–É sim, e agora tenho que ir. –Digo me afastando, séria. Eu sei que não vou conseguir. Por que ele teve que vim?
–Não, você não vai a nenhum lugar. Você não vai me deixar. Não. Vai. –Ele faz pausas antes de trazer eu de volta para seus braços que eu amo.
–Não posso fazer isso com você, Chris. Não... Apenas não posso. –Digo num sussurro, pego então seu rosto e dou um pequeno beijo em seus lábios. –Eu te amo.
–Você fala como uma despedida. –Ele diz com um sorriso triste nos lábios. –Ollie, você é burra?
–O QUÊ? Retire o quê disse. –Ralho. Ele ri.
–Eu te amo, nunca vou te deixar ir. Eu fiquei... magoado e indeciso. Era horrível, pensei que iria morrer. Quando eu voltei para casa eu esperava encontrar você e... e... Não sei, eu te amo tanto que se você tivesse me traído de verdade eu teria perdoado.
–Oh, Chris...
–Nunca vou largar você. Você é tudo para mim, número 1. Que se foda a fama e a política. Eu quero você. –Eles respira fundo. –Porém, não se preocupe. Eu dei um jeito.
–No que?
–Nelas. Eles, os policiais, vão apagar qualquer foto nossa, ou... não sei. E a Justine e Anne? Presas. –Ele sorri.
–Você está falando a verdade?
–Sim, eu pedi para Luca tomar conta disso.
–O Luca?
–Ele é um bom melhor amigo.
–Mas, Christopher... –Digo engasgada. –Eu vou ser deportada.
–Não, não vai.
–Não tem nada que posso fazer! Eu... Ah, droga. –Respiro fundo para não chorar.
–Tem sim. Sempre tem um jeito. –Ele morde os lábios como se estivesse com vergonha.
–Como o quê? –Olho para ele com dúvida.
–Ah, você sabe... Ér... –Olho para ele e tendo adivinhar. Ele está vermelho. Hum... Poderia ser que... Não!
–Você não quer dizer aqui não é?
–Ér... Talvez.
–Não! Não!
–Você está dizendo não para mim? –Ele faz um biquinho super fofo que está me desconcentrando e... Droga.
–Claro que não. Eu só não quero... Sabe...
–Por quê?
–Não quero... Estragar tudo isso entre nós. Essa coisa que todos querem não é o quê eu quero. Não quero acabar.
–Mas só ficaria mais forte.
–Talvez não.
–Pelo menos vamos tentar. Você me ama?
–Sim.
–Então pense.
–Sim. –Digo outra vez. Só de olha para seus olhos consigo ver o certo. Tenho que tentar. Não vou deixar a minha infância atrapalhar o meu agora. Eu sou diferente, Chris também, nós nos amamos. Vai dar certo.
–Isso é um sim para pensar ou é um...
–Lento. Sim, é um sim de “Aceito”.
Christopher dá o maior sorriso que eu já vi e me pega no colo. Ele me gira no ar e chuta minhas malas que já estavam no chão. Dou uma risada alta. Ainda não acredito. Eu estou com ele... Outra vez. Para sempre.
Christopher sela nossos lábios, e meu corpo parece que se quebra em mil pedaços. Tudo brilha. Isso sempre acontece. Enrosco meus braços em seu pescoço e o aperto mais contra mim. Separamos ofegantes.
–Eu te amo. Eu nunca vou te trair. Nunca, eu te amo tanto que dói. O jeito que vou me olhou naquela noite me destruiu, pois você estava destruído. E-eu... Não sei explicar. Sempre que eu lembrar daquela noite, vou ter certeza que te amo. Para sempre.
–Olívia, eu também te amo. Como o infinito.
–Eu sei.
O abraço mais forte. Eu havia ignorado todos que estavam do nosso lado. Para mim, só importava ele. Ele. Ele. E ele. Porém agora posso ouvir as palmas em nossa volta. Flashes e tudo mais.
–Agora precisamos ir.
–Chamamos atenção demais.
–Com certeza, do jeito que você é linda. –Ele me dá um pequeno beijo nos cantos dos lábios.
–Você é famoso.
–Não sou lindo?
–Hum, não... Você charmoso. –Brinco.
–Charmoso? Só?
–Não, estou brincando. Porém você não é lindo. –Pauso para um suspense e vejo ela arrumar o cabelo, assustado com o comentário. –Você é mais que lindo, é perfeito.
Ele se vira para mim e dá um sorriso.
–Eu sei.
–Ei! –Começamos rir e eu dou uma cotovelada nele.
Eu o amo mesmo, isso é... Assustador. Olho para as pessoas ao redor, olho para tudo e sorrio. Ótimo, nunca vou esquecer o dia de hoje também.
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