Como a número um
39 Não é o fim, mas...
Notas iniciais
Corro para o elevador. Minhas mãos não param em um só lugar. Eu não quero pensar no pior. Não quero pensar no caso dela morta. Fria e branca numa maca, toda quebrada e cheia de sangue. Nem em alguém cobrindo seu rosto depois de fechar seus olhos sem vida. Não, não, não. NÃO!
Assim que a porta do elevador se abre sou cercado por câmaras. Quase fui expulso do hospital, pois quando cheguei comecei a gritar por informações. Estou tão nervoso. Passo pelas pessoas, e vejo minha família sentada nas cadeiras.
–Ah filho! –Minha mãe grita chorando e me abraça. Eu respondi. –Por um momento pensei que eu havia o perdido... Sinto muito.
–Como ela está? Ela não...
–Ainda não tivemos respostas. Só sabemos que o estado dela é grave. –Responde. –Lola conseguiu ver o estado.
Viro-me para Lola. Pela primeira vez a vejo séria e perturbada. Está chorando e usando roupas... Normais. Isso não é ela. E a mesma não me encara.
–Ela estava cheia de sangue, e... E-e... e as pernas dela estavam em um ângulo a-anormal. –Assim ela voltou a chorar descontroladamente.
Respiro fundo e sento na cadeira. Alguém consegue tirar os jornalistas dali, deixando nós sozinhos. Os pensamentos de Ollie passam pela minha cabeça. Quando nos conhecemos, nossas brigas, nossos problemas, nossa primeira vez.
“Você só vai ao hospital por minha causa.” É o que ela diria para mim no momento. E depois riria de mim, só para eu esquecer o ruim.
Eu devo estar chorando quando coloca as mãos contra os olhos. Não sei dizer já que não sinto nada. Meu coração está pesado e minha cabeça dói. Não consigo sentir nada á mais. Vejo Ed, Thalles e Luca chegarem, sei que eles falaram algo, mas não escuto. Assim as horas se passam.
–Senhores. –A voz do médico me tira da dor. Está quase amanhecendo agora. Ollie está há horas na cirurgia ou sei lá o quê.
–Como ela está? –Levanto rapidamente da cadeira, e depois sou acompanhado por todos.
–Ela ainda está viva. –O “Ainda” é como um tapa na cara. –Ela foi bem á operação, porém por causa da sua epilepsia ela teve uma parada cardíaca antes de chagar ao hospital, por isso complicou um pouco.
–E como é o estado dela agora? –Ouso a voz da minha mãe.
–Ela entrou em estado vegetativo. O acidente causou um grave dano em Córtex cerebral e em sua coluna. O dano à coluna só poderemos ter certeza quando ela acordar. –Era claro como o médico queria dizer “se”.
–Podemos vê-la?
–Não, ela não está pronta ainda, temos que fazer o exame. É um milagre, ela ter sobrevivido ao acidente. Ela não chegou precisar de sangue, a maior parte dos danos foi interna. Vocês devem ir para casa, enquanto não temos mais notícias.
Assim o médico se vai. Minha mãe fala para eu ir para casa descansar, mas não aceito. Eu quero ficar com Olívia. Mas quando minha mãe diz que ela iria querer que eu fosse eu vou. O hospital está lotado de repórter, mas eu ignoro.
Ignoro tudo, principalmente o meu quarto na casa da minha mãe. Foi lá onde eu e Ollie demos nossos primeiros beijos. Tomo banho e peço para minha mãe pegar minhas roupas. Durmo no sofá.
No twitter está cheio de #STAYSTRONGCHRISVIA e penso que Olívia amaria isso. Por que eu a deixei ir com meu carro, afinal? Por que a deixei sozinha?
–Sr. Shane, está me ouvindo? –Olho para o policial. –O acidente foi proposital.
A raiva me consome, eu gostaria da matar quem fez aquilo. Eu amaria isso. O homem continua: “Acreditamos que era destinado á você.”.
–Não, não foi. Ollie já estava sofrendo tentativas de morte há tempo. –Respondo.
–Uma fã maluca, talvez. –O homem se levanta. –Vamos investigar.
Murmuro algo, voltando olhar para o nada. Sinto-me tão vazio. Sinto falta dela. Das idiotices dela, a dança feliz dela e a cara de séria dela. Só fico “melhor” quando eu e minha mãe vamos para o hospital e recebemos a notícia que posso enfim vê-la.
Olívia está em um quarto branco, e as janelas verdes a protegem da noite. Tem detalhes azuis também, como a luminária que ilumina a cama. Tem pouca luz.
Corro para ela assim que posso. Nunca a vi tão pálida, nem na nossa primeira visita ao hospital. Seu rosto está cheio de cortes e sua cabeça toda enfaixada. Mas ela não parece sentir dor. Os braços dela estão roxos e ela está reta demais. Fios e mais fios estão presos nela. Ela não precisa de ajuda para respirar, mas isso é normal. Sei que uma pessoa em seu estado continua viva, porém não pensa. É como não ter alma.
Começo a chorar, e eu nunca fui de chorar. Passo a mão em seu rosto, e seguro a sua mão. Parece que faz tanto tempo em que segurei sua mão pela última vez. Se eu estivesse a segurado por mais um tempo, talvez...
–Olívia eu sinto tanta sua falta. –Sussurro. Encaro o monitor onde mostra seus batimentos.
Quero chutar tudo, por que aquilo não deveria estar ali. Nada deveria estar ali, nem eu nem Olívia. Nós deveríamos estar no nosso quarto transando loucamente, e não desse jeito.
–Eu te amo tanto, tanto... Tanto... –Passo a mão por seus lábios. –Somos dois idiotas não é? Eu sei... Só não me deixe por isso... Eu te amo.
Acho que enlouqueci.
–Eu quero tanto te balançar e vê se você acorda, meu amor... Mas isso não vai acontecer não é? –Abraço-a com força. –Eu te amo, Olívia, não me deixe, por favor... Eu não vou te deixar nunca. Acorde. Se você acordar eu prometo te dar toda uma biblioteca. Eu te levo para o Studio do Harry Potter, e-eu... Por favor.
Devo ter passado a visita toda sussurrando “por favor” quando a enfermeira diz que tenho que ir. Olho outra vez para Olívia. Está com a mesma expressão tranquila e sem sorriso. Tão linda... Dou um pequeno beijo em seus lábios. Imagino que ela iria gostar disso, saber que eu tentei acorda-la como um beijo.
Quando saio do quarto algo me atinge. Eu enlouqueci, de verdade, sem Olívia aqui.
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