Como a número um
38 Final?
Notas iniciais
A sala brilha com o sol da manhã. Ela não tem coragem de se sentar para falar.
–Não há outro meio? –A voz está com medo.
–Não, não há. Aliás, eu deveria ter pensado nisso há muito tempo.
–Ela pode morrer!
–Melhor ainda. Por quê? Está com medo, agora?
–Sim. E se descobrirem?
–Está duvidando da sua própria capacidade. –Ri. – Posso ver nos seus olhos. Eu sei que você não vai desistir. Vai?
–Não. Nunca desisto.
–Isso mesmo. Agora, como estão os preparativos?
–Tudo certo. Se ela sobreviver será um milagre, foi o que disseram.
–Magnifico.
oooooooooooo
–Isso é mesmo necessário?
Digo correndo na esteira. Karen me arrastou para um academia. Ela disse que faria bem para o bebê e que me ajudaria a emagrecer. Vamos dizer que eu acostumava há ir a academia, até conhecer Chris. Karen acredita que é por isso que eu engordei. E eu também. Mas eu estava tão cansada da faculdade e do trabalho, que estava com preguiça
–Sim, é. Ou pegarei todos seus vestidos justos. –Ela diz correndo mais rápido.
–Você só poderá usa-los daqui a um ano. –Digo irônica.
–Hum, eu espero.
Alguns caras passam por nós e dão um sorriso safado. Eu retribuo. O quê? Eu amo o Chris, mas ainda acho outros homens bonitos.
–Ei, calma garota, você já tem um.
–Sim, mas aqueles ali também não são de jogar fora. –Rimos. –Como vai Stephen?
–Fofo.
–Ele sempre foi, por baixo da camada de drogado esnobe.
–Sim. –Ela sorri. –Ele quer que moramos juntos antes do casamento, e eu não sei...
–Está com medo que isso seja só um pretexto para esquecer o casamento?
–Sim, mas eu também acho que ele quer ficar mais próximo. Estou confusa.
–Compreendo. Mas acho que ele vai se casar sim, Stephen sempre assume suas responsabilidades. E eu acho que ele gosta mesmo de você.
–Obrigada.
Terminamos e vamos nos trocar. Como sempre, câmeras me perseguem. O que é estranho, eu não estou fazendo nada estranho. Quando estamos saindo da academia, recebo uma mensagem:
“Negócios. Reunião em 15 minutos”
Vejo que é do meu chefe.
–Tenho que ir, trabalho. –Me despeço de Karen.
–Vá, e da um beijo por mim ao Chris. –Ela sorri.
–Faria isso de qualquer jeito.
Corro e chamo um taxi. Eu ainda não tenho um carro, o quê é um lixo. Mas estou guardando dinheiro, e logo esse problema será resolvido. Chego à empresa em minutos, e saio correndo do carro depois de pagar.
A maioria das pessoas já me conhece lá, por isso cumprimento todos. Subo de elevador até a sala onde meu namorado está. Quando entro todos me dão oi, mesmo Chris que nem olha na minha cara. O quê ele aprontou?
–Srta. Alves, estávamos de esperando para falar da turnê. –Disse o homem magro que nunca lembro o nome.
–Turnê?
Eu sempre soube que esse dia chegaria.
–Sim. Nós começamos num segredo, mas até mês que vem todas as fãs já poderão comprar os ingressos. –Diz o gordo.
Faço cara de profissional, e pego meu bloquinho e começo a anotar tudo. Chris ainda não olha para mim, e começo a entender o porquê. Estou esperando a bomba.
–Serão tantos países. Vai demorar seis meses, toda a turnê.
O QUÊ? SEIS MESES? Agora sim entendo por que Chris não ousou me olhar. Seis meses é muito tempo. O quê pode acontecer nesse tempo? Muitas coisas. Espero que meu rosto não esteja em pânico.
–Infelizmente, você não poderá ir. Terá que ficar aqui, cuidando de nossas coisas. –Diz o magro outra vez. Engulo em seco.
–Entendo plenamente. E espero que tenham uma ótima turnê. Qual será o nome?
–In search of smiles.
–Ou apenas I.S.O.S.
–Tem um por que disso?
–Uma música. –Ouso a voz de Chris. Concordo com a cabeça.
Anoto tudo mais que eles falam de importante, e agora não estou olhando para Chris, mas ele está me olhando. Ótimo. –Eu posso ir pegar um copo d’agua?
–Claro. –Responde não sei qual dos irmãos.
Vou para o corredor em busca do bebedouro. Ouso passos atrás de mim, e sei de quem é antes que ele se pronuncie. Bebo agua e quando levanto a cabeça, Christopher está ali.
–Sinto muito.
–Por quê? Por não me contar? –Ele faz cara de culpado. –Eu sei que você já sabia disso faz tempo.
–Você saia que isso ia acontecer. –Sua voz é normal.
–É... Mas... Seis meses é muito tempo. Estou nervosa, só isso.
–Por quê?
–Como vai ficar a gente?
–Normal, a gente se ama.
–Sim, mas tudo pode acontecer em seis meses. E se... –Diminuo o tom quando vejo pessoas nos olhando. –O amor acabar?
–Não vai acontecer.
–Mas e se...
–Não vai. Eu te amo, seis meses não é nada. –Ele diz tentando me abraçar, mas me esquivo.
–Não, eu vou chorar. Já estou com saudades. –Digo sufocando. Ele solta um riso.
–Vai passar rápido... Estou preocupado de te deixar sozinha aqui.
–Por quê? –Rio.
–Podem te sequestrar, ou roubar você de mim. –Rio dele. –Você é tão linda, todos tem inveja.
–Sei.
Meu celular toca, e vejo uma nova mensagem, de Karen: Preciso de ajuda. URGENTE. Estou na praia.
–Karen precisa da minha ajuda. –Estou preocupada. –Pode ser o bebê.
–Quer meu carro? É mais rápido.
–Obrigada. –Ele me entrega a chave e segura minha mão. Aperta ela tanto e eu sorrio. Faço força para sair. Só que ele não me solta. Só solta quando estou dentro do elevador. Sua mão solta a minha lentamente.
Algo está errado.
Oooo
Chego à garagem em busca do lindo carro de Chris. Encontro-o rápido, e logo estou na rua. Começo á ir em direção à única praia que Karen pode estar. Estou subindo em alta velocidade o morro. É urgente, tenho que chegar logo.
Estou quase na curva e aperto o freio. Nada acontece. Como assim? O carro continua indo em frente, e vejo um caminhão vindo em minha direção. Eu tenho que parar. Minha mão vai para o freio de mão. O som de buzinas, as luzes...
Então tudo fica preto.
Terceira pessoa:
A mulher não percebeu o óleo escorrendo do carro quando saiu com ele. Agora o carro ia em direção ao mar. O caminhão virou tudo e bateu na lateral do carro. O carro girou e antes de sair da estrada começou a rolar.
O carro rolou todo caminho até o mar, e afundou num baque surdo.
Ninguém sabia, ou acreditava, se tinha um sobrevivente.
POV Chris.
Não tem nada de saboroso nesta máquina? Encaro de novo os nomes dos salgadinhos. Hum...
–Chris, corre aqui. AGORA! –Ouso Ed gritando. Reviro os olhos.
Volto para a sala, e vejo o seu rosto em pânico. O quê aconteceu? Olho para TV onde vejo uma jornalista. Atrás têm policiais e um monte de gente. Uma ambulância.
–Não podemos dizer como isso aconteceu. Testemunhas dizem que o carro estava normal, mas a motorista não conseguiu frear na curva, e acabou batendo em um caminhão antes de cair no mar. Vamos falar com o policial da área. –Ela coloca o microfone na boca de um homem velho. –Já sabem a causa do acidente?
–Não. Mas o carro não foi completamente destruído, será fácil de descobrir.
–Teve um sobrevivente?
–A motorista sobreviveu, o quê é um milagre. Mas está em um estado gravíssimo.
–Obrigada. –A mulher sorri, mas seu rosto logo é tomado por uma seriedade e ela coloca a mão em seu fone de ouvido. –Parece que conseguimos a gravação do acidente. Vamos ver.
Então estou vendo meu carro batendo em um caminhão, em plena curva e capotando para o mar. Seguro a respiração. Não pode ser... Não.
–Acabamos de saber que o carro pertence ao cantor Christopher Shane. –Diz a jornalista depois que o vídeo acaba. –Mas temos informantes confiáveis que o mesmo está em seu apartamento. Saberemos mais sobre o caso no jornal dás 06h00min. Obrigada.
–Chris... –Começa Ed.
Desligo a televisão, e já estou saindo pela porta menos de um minuto depois.
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