Como a número um
48 Capítulo 48
Notas iniciais
Acordo com uma forte dor no rosto. Abro os olhos e fico assustada. Estou amarrada numa cadeira no meio de uma sala que já entrei tantas vezes. E o pior é que quando olho para cima vejo que não é Justine. A dona do tapa em meu rosto é nada menos e nada mais que Anne.
–Você?!
–Sim, querida. Eu.
–V-você... Por quê está fazendo isso? Você era como uma tia para mim. –Grito tentando me mover na cadeira, mas quem me amarrou provavelmente era escoteiro. É impossível de sair.
–Não entende?
–Claro que não. O quê está fazendo?
–Oh Olívia, querida, pensei que era mais inteligente. –Ela dá um sorriso falso e frio, e eu fico paralisada.
Lembro-me das conversa dos policiais, e da morte da minha tia. O fato de eu ter sido despedida do nada, e como aquela pessoa do filme das câmeras de segurança era familiar.
–Você! Você que colocou fogo no meu apartamento, e... e... Tentou me matar! Duas vezes! Por quê?! –Grito.
–Isso mesmo. Por quê? Isso é fácil. Sua tia.
–Minha tia? O quê tem há ver?
–Eu, de precaução, havia deixado a minha empresa no nome dela. Então quando ela morreu, eu descobri. Ela deixou para você! Ela ficou sabendo do meu desfalque. Ela descobriu que eu estava roubando-a.
–A empresa é minha?
–Sim. Ou melhor, era. –Ela começa a passear pela sala de diretora como tantas vezes fizera antes comigo. –Eu tinha que tirar você do jogo. A empresa é minha, só minha.
–Você nunca pensou em falar comigo? Pedir para eu transferir para o seu nome? Como uma pessoa civilizada.
–AH Olívia, não me engane. Você mesma própria sabe que você teria recusado. Você sempre quis ser dona de uma revista.
–Hum. Tá, é verdade... Mas... –Ela levanta a sobrancelha como se me tentasse. Fico quieta, ela estava certa. -E o quê Justine tem há ver com isso?
–Adivinha.
Penso pouco.
–Ela quer o Christopher.
–Isso. Eu precisava de uma ajudante, e quem melhor que uma garota movida pelo desejo e raiva? –Ela dá um sorriso maquiavélico, e não fico muito surpresa quando vejo que combina com ela. –E eu não precisava de Christopher. Dar ele á ela não era nada.
Fico encarando, tentando engolir tudo. Eu quase morri (mais de duas vezes) por causa de dinheiro e de um capricho. E eu poderia ser morta agora mesmo. Meus olhos devem estar vermelhos de raiva.
–E o quê vai fazer agora? Me matar, não é? –Grito. –Com uma bala na cabeça? Veneno?
Ela faz um barulhinho na boca. –Não. Tenho uma coisa melhor.
–Como?
–Olívia, sabia que seu visto está como Estudante e de Negócios? –Ela senta em sua mesa elegantemente. –Mas... Você foi demitida, duas vezes. E está sem faculdade.
–V-visto?
–Sim. Eu dei um jeito de você perder seu visto. Será deportada.
–O QUÊ?!
–Isso. Mas eu sou boazinha, deixarei você voltar para o Brasil sem passar vergonha. –Ela pega algo na gaveta. Uma passagem! –Primeira classe.
–Christopher nunca vai me deixar ir. Nunca.
–Ah, tem isso também.
–O quê você fez, sua vadia?
–Olhe você mesma. –Ela pega um controle e clica o play. A tela desce e começa o filme.
Seguro um grito quando vejo. Estou chocada, surpresa, com raiva, ódio e medo e dor. Fotos minhas nuas com Stephen (talvez Stan) começa a passar. Várias, algumas no meu quarto, e no quarto do Chris! Seguro as lágrimas.
“Nunca amei ele, é um jogo. Vou deixa-lo pobre então podemos fugir, meu amor.”
Minha voz.
–Eu nunca disse isso! É tudo falso. –Começo a chorar.
–Está certa, mas o Sr. Shane não sabe disso.
–Ele nunca vaia creditar.
–Ah, vai. Por que você não vai abrir a boca, se não...
–Se não o quê? Você vai me matar? Já tentou e falhou. Não tenho medo de você. Christopher vai acredi...
–Olívia, você acha que a carreira dele não seria prejudicada se isso caísse na rede?
–O quê?
–Isso mesmo, se você não ir embora desse país pelo bem e deixar o Christopher pensando que o traiu, isso que eu vou fazer. Acabar com tudo que ele contruiu.
–Não... Você não pode...
–Posso, e vou. –Ela olha para o relógio de pulso. –Ah essa hora, Christopher Sane já recebeu esse DVD e já deve saber como a namorada que ele tanto amo é uma vadia.
–Eu...
–Olívia, você quer fazer isso com ele? Acabar com tudo? Pense bem, você vai voltar para o Brasil, lá estará te esperando sua família, um novo emprego e o seu livro.
–Livro?
–Isso, eu te ajudarei a publica-lo... E O Chris? Pode ficar triste, mas ela vai superar. Ele tem Justine. Terá sua fama. A menos que você recusar, vai trazer tantos problemas. Vai ser reportada, Chris vai ser demitido e vai ficar pior com a sua ida. Escolha.
–O quê eu tenho que fazer?
–Assinar aqui, como se quisesse doar a empresa para mim, pegar o passaporte e ir para casa, atuando. –Ela me entrega um documento e uma caneta.
–Você vai deixar Christopher em paz? Vai deixa-lo bem? Justine vai cuidar mesmo dele?
–Sim, prometo.
Pego a caneta e assino meu nome. Nem leio o contrato e logo entrego á ela.
–Posso ir?
–Claro. J! –Ela chama alguém.
Justine aparece com seu loiro platinado. Vem em minha direção. Ela tira as cordas de mim. Levanto-me e vejo como meu corpo dói. Viro-me para a loira.
–Você nunca vai ter o amor dele. Mesmo me tirando da jogada.
Ela faz uma cara de poucos amigos, mas não responde. Apenas joga o cabelo no meu rosto. Vagabunda. Pego as passagens da mão de Anne e saio do escritório sem olhar para trás.
Ooooo
Não me importei se andar de roupão pela rua até chegar no apartamento. Eu não queria ver o rosto de Christopher. Não queria acreditar que tudo isso era real. Minhas pernas doem sem a bengala que deixei em casa. Agora estou na frente da porta e não tenho coragem.
Respiro fundo e entro. Tá tudo escuro e eu havia descoberto que já era quase 3 horas quando sai da empresa que deveria ser minha. Eu dormi muito. Tenho medo de chamar por homem que eu amo, no Natal. É quando penso nisso que vejo uma sombra perto da janela. Segurando alguma bebida.
Olho para TV, pausada numa foto nada agradável minha, ou bem, não minha, mas parecendo minha. Eu quero me aproximar, dizer algo, mas... É impossível.
–É verdade? –Sua voz é tão fria como gelo e cheia de dor... Ele nunca falou assim comigo antes.
Não.
–Sim.
–Não vai tentar me enganar mais um pouco?
–Não tem o por quê.
–Era quem?
Olho para TV. Tenho que fazer isso rápido, como tirar um curativo.
–Stan.
Christopher dá uma risada doentia e sem humor. Ele vira para mim e vejo seus olhos inchados e sua roupa amassada. Ele está horrível. Nem parece que algumas horas atrás estava... Ótimo.
–Sempre não é? Enganando-me. Engraçado é que o pior é saber na nossa noite de ontem. Tudo mentira não é?
Não.
–Sim.
–Tudo era dinheiro?
–E sexo.
Olho para o lado. Não consigo encarar a dor nos seu rosto, o frio e a decepção neles. A traição. Não posso aguentar mais, se não vou chorar e... Chris vai sofrer mais.
–Eu vou embora. –Começo a ir para quarto quando ele pega a minha mão. Mas logo ele solta, como se eu fosse tóxica.
–Foi fácil?
–O quê?
–Isso tudo?
Não está sendo fácil fazer isso. Não chore... Respiro fundo.
–Fácil como respirar. –Volto a andar para o quarto, mas paro. –Tudo. Esquecer de você, fogo no apartamento... Tudo um jogo. Porém eu perdi.
Ando para o quarto. Foi pior que eu pensava. Pensei que ele iria gritar, mas seu silêncio e seu olhar foram pior. Jogo-me no chão do quarto chorando depois de fechar a porta, depois de ouvir a porta da sala sendo fechada com força. Choro tanto. Eu amei, e perdi. Sempre é assim.
Oooooooooooo
Meia hora depois estou parada na frente de uma porta de apartamento com 5 malas e um gato. Karen abre a porta e faz uma cara de choque para minha cara de dor. Devo estar parecendo alguém que morreu e voltou para a vida.
–O quê aconteceu?
Corro e a abraço com força. Ela devolve o abraço e começa a tentar me acalmar. Karen, minhas melhor amiga, me abraça com força e passeia a mão pelo meu cabelo. Ela é a única que posso contar, a única que vai sempre abrir a porta para mim sem nem se importar com o quê aconteceu. Vai me abraçar apenas.
–Vai melhorar.
Começo a chorar mais ainda, e sussurro para mim mesma: Não vai não.
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